Aqui

Das lembranças que trago na vida… Esse blog é a saudade que gosto de ter…

Pra quem ainda passa por aqui… Vocês não estão sozinhos ❤

À Deriva

Telefone insistente, telefone insistente, telefone insistente. Atendo, semi-amistosamente:

– Alô?

Risada insiste, risada insistente, risada insistente:

– Ai Má…        

– Ahn.. João?

– Ai Má… como você é engraçada!

– Oi? Engraçada? Mas.. ahn.. eu não disse nada… quer dizer.. teve o “alô”.. mas não sabia que atender o telefone usando a palavra clichê é quase um stand-up…

– Não… é que eu estou aqui lembrando como você é divertida… e já estou imaginando as coisas engraçadas que você vai dizer… Você é mesmo um barato, né? Onde você está, Má?

– Ahn.. na mesma sarjeta que você me deixou.

– hahaha… Foi você que me deixou!

– Foi? Tá.. então estou na mesma sarjeta que te deixei sem olhar para trás… do meu jeito superior e cool…

– Chata! Eu que terminei com você…

– Me lembro bem.. e que dias negros foram aqueles.. até hoje minhas costas doem.. graças as noites que passei deitada no chão…. o cd do Djavan está todo arranhado.. e os vizinhos não agüentavam mais eu e o vedder uivando no repeat de oceano…

– Como você é palhaça! Sei bem que você não deu a mínima…

– Ei.. não desdenhe do meu sofrimento…

– Ai.. Ai Má… senti falta de você.. sua chatinha…

– Eu sabia… quando você não me ligou, não me mandou mensagens, não me mandou e-mails, não me mandou nenhum sinal de fumaça.. ficou beeemmm claro: esse aí está se rasgando de saudade.

– Porque terminamos mesmo?

– Hum.. eu sou teimosa e mimada.. você é arrogante e frio…

– Ahn.. tem certeza? Essas não foram as razões que fizeram a gente namorar?

– Não… namoramos graças aos meus belos olhos e suas coxonas… hahahaha

Risada insistente, risada insiste, risada insistente:

– Você não tem jeito mesmo…

E vocês, hein? Que conversas amistosas têm com aqueles seus ex-namorados que voltam vez ou outra, quando não têm nada pra fazer da meia-noite as seis?

De segunda a sexta

O que mais chama a atenção em mim é a cara de pateta. Por mais que eu seja uma criatura mimada, arrogante, impaciente e com um ou dois planos malévolos em mente, a cara de pateta me faz sofrer, me tornando uma anti-social incompreendida. No trabalho as histórias tristes, os clientes precisando de favores, gente esperando por lencinhos, compreensão, jeitinho para burlar as regras e coisas esquisitas que não tem nada a ver com os serviços que a empresa presta, sempre acabam na minha mesa… é sempre um:

– Não, não.. eu sei que você está desocupado, mas eu vim falar com aquela moça ali e realmente é só com ela. Oi? Ela vai demorar? Não tem problema, eu espero.

Então, os clientes esquisitos, os que precisam de favores, os que não sabem exatamente o que estão fazendo ali, os bêbados e malucos em geral, sempre acabam na minha mesa, sejam encaminhados por forças cósmicas superiores, sejam atraídos por essa minha cara de besta, e foi assim que:

– Moça, eu quero pagar minha conta de luz..

– Ahn.. ok.. é só o senhor pegar o boleto e ir até um correspondente bancário se o boleto for abaixo de mil reais ou pagar no banco de sua preferência se o boleto for acima de mil reais.

– Isso eu sei minha senhora

– Certo.. e qual é o problema então?

– Eles exigem o boleto para que eu possa pagar.

– Eh.. para pagar uma conta o senhor tem que estar com a conta.

– Eu sei, é por isso que estou aqui..

Faço minha melhor cara de interrogação e o senhor continua:

– Vim tirar o boleto.

– Oi? Tirar o boleto? Aqui não tiramos boleto da CPFL.

– Tiram sim.

– Não, não tiramos.

– Tiram sim.

– Meu senhor, para tirar uma segunda via de boleto da CPFL o senhor tem que se dirigir até a CPFL, que por acaso é atravessando a rua…

– Não!!! Aqui tira sim… e eu EXIJO que você tire o boleto pra mim, afinal, qualquer um com acesso a internet pode tirar o boleto.. é só entrar aí no site, entra aí que eu te mostro.

Com toda a paciência que eu não tenho sorrio:

– Então meu senhor.. é só o senhor atravessar a rua e ir na CPFL ou é só o senhor ir numa lan house e tirar o tal boleto.

– Não sei mexer em computador e vocês podem tirar aqui.

– No que o senhor trabalha?

– Tenho uma oficina mecânica.

– Certo.. e o senhor sabe cozinhar?

– Ahn.. sei sim… porque?

– Tá.. se eu for na sua oficina mecânica e pedir pro senhor fazer pra mim um filé a parmeggiana o senhor vai fazer?

– Não. Lá é uma oficina mecânica…

– Ora essa.. mas o senhor sabe cozinhar..

– Mas É UMA OFICINA MECÂNICA!! Não vendemos comida.

– EXATO! Não temos nenhuma relação com a CPFL e não cedemos o computador para as pessoas acessarem sites e imprimir o que quiserem, então, por favor, dirija-se a CPFL e peça para ELES tirarem uma segunda via.

Então o próximo cliente, que me esperava a cerca de meia hora, senta na minha mesa:

– Oi, eu vim trocar essa nota falsa.

– Oi? Como assim?

– Fui comprar no mercado com essa nota e me disseram que é falsa.. então vim aqui trocar por uma nota verdadeira.

– Senhor, não trocamos nota falsa.. o que vou fazer é apreender a sua nota e encaminhar para análise e dilaceração.

– O que??? Sem me dar uma nota nova?

– Meu senhor.. vê se faz algum sentido o senhor trocar uma nota falsa por uma verdadeira.. se assim fosse as pessoas imprimiriam um monte de notas em papel sulfite e viriam aqui trocar por dinheiro de verdade.

– Mas-mas-mas.. não dá pra senhora me quebrar esse galho?

Deus, na próxima.. troco rosto meio que até bonitinho pela carinha amistosa do Mike Tyson.

PS: “ciente de que não posso ter você, busco uma maneira de te fazer se sentir rejeitada. Uma vã tentativa de fazer você entrar em depressão e não sair mais de casa para que na sejas de mais ninguém… Anh! Não vai dizer que pensou que a perversidade e malevolência eram características apenas suas? É, infelizmente não tenho como eliminar o chocolate da sua vida…. …por enquanto”…. Queridos leitores.. há de existir limites… amar a dona desse blog incondicionalmente e de maneira tão obsessiva que chega a assustar.. tudo bem… mas fazer bonequinhos de vodu para que o chocolate não amenize minhas frustrações é perverso… hahahaha…

Das chamadas perdidas

Eu nunca ligo para as pessoas, quer dizer, eu raramente ligo para as pessoas e isso acabou por me render uma fama injusta de relapsa. Eu mando sms, mms, eu gravo vídeos, eu desenho histórias em quadrinhos em guardanapos, gravo quadro a quadro e envio, escrevo e-mails e anexo as músicas que estou ouvindo (ta, isso nem sempre é uma boa coisa, José Augusto, 1998), mas eu nunca ligo quando digo que vou ligar e por uma estranha razão, eu sempre prometo que vou ligar.

Ás vezes até eu chego a acreditar que eu realmente vou ligar, mas eu esqueço, eu volto à idéia de desenhar em guardanapos e criar diálogos cheios de piadinhas infames… o que eu poderia dizer que o senhor cabeça de tomate não diria numa cena com o senhor saco de papel?? Enfim, por motivos que vão além da minha capacidade de compreensão, eu desisto do telefone.

Não desprezo o telefone de fato, eu o adoro.. passo horas e horas tagarelando, acho bacana pessoas me ligando, se eu não tivesse esse talento artístico todo para desenhar em guardanapos.. eu ligaria.. eu juro que ligaria.. ahn.. ou não..

Coloquei um telefone em casa, vinha junto com o pacote da TV a cabo, mas nunca me interessei em usá-lo.. até que:

– Porque você não coloca um telefone na sua casa?

– Ah.. mas eu já tenho telefone…

– COMO ASSIM você já tem telefone?

– Ahn.. porque o ar de bronca? Você mesmo disse que eu deveria ter um… não é como se eu estivesse te contando que eu tenho um cadáver no meu quarto.

– Quanto tempo faz que você instalou o telefone?

– Ahn.. sei lá.. algumas semanas…

– Algumas semanas? ALGUMAS semanas? Porque eu não tenho o número?

– Ahn.. eh.. então… você tem meus telefones comerciais, os números dos meus dois celulares, você sabe onde eu moro.. meu nome completo, meu tipo sanguíneo, você sabe meu CPF, você tem meu DNA, se tem alguém que sempre poderá me achar, esse alguém é você.

– Qual o número?

– Ahn.. não sei..

– COMO ASSIM VOCÊ NÃO SABE? Como assim? Você está se negando a me dar o seu número de telefone?

– Ta, ta.. eu vou te dar o número…ahn.. assim que eu descobrir qual o número.

Resolvi procurar aqueles papéis que assinei da contratação de serviços, depois de ler toda e qualquer folha, achei um número que acreditei ser o meu, então:

– Ei.. o que está fazendo?

– Presenciando o fim dos tempos… você me ligando.. o que precisa? Um rim?

– Não.. preciso que você anote um número e ligue pra ele..

– Pra que?

– Pra falar comigo, ora essa..

– Ahn.. sim.. porque agora estamos lutando na lama, não conversando…

– Anote logo ai XXX-XXX.. me liga, agora

Dez minutos depois, sem nenhum telefone tocando, ligo de volta:

– Esse ódio que você tem no coração, não é de Deus.. NÃO É…

– Hmpf.. você devia ter vergonha de sair por aí fazendo trotes…

– Como assim trotes?

– Bom.. você me passou um telefone de um estranho para que eu ligasse.. porque te concedo o benefício da dúvida?

– Telefone de estranho??? Esse não é meu número?? Tem certeza que discou certo? Colocou o número da operadora? O código de área? Você lembra que não estamos na mesma cidade, né?

– Você não sabe nem o número do seu próprio telefone e acha que eu é que não estou sabendo discar?

– Hum… ta.. então esse número aqui não é um nove, é um zero.. isso.. coloque zero no lugar do nove.. tente de novo.

– Má..

– Oi?

– Ligue na operadora e pergunte seu número..

– Mas o que vão pensar de mim?

– O que todos nós já pensamos,.. que você é completamente doida..

– Rá!.. Já sei.. tenho um plano muito mais sensacional… Já te ligo de volta…

Então, brilhantemente, tive a idéia de pegar o telefone e ligar para o meu celular, assim descobriria pelo meu identificador de chamadas, qual é meu número de telefone e Rá! “chamada restrita”… ÓÓÓÓÓ Deus… porque fizeste a operadora preservar minha privacidade dessa maneira?

Resolvi ligar para a operadora, mas não tive coragem de dizer: Oi, meu nome é Maíra, meu código de cliente é XXXXX.. poderia por favor me informar qual é o número do meu telefone”… então.. arranjei a maneira paliativa:

– Meu telefone está como número restrito. Você poderia, por favor, desbloqueá-lo? Eu sou assim.. essa pessoa que quer que todos vejam que sou eu que estou ligando.. receber um “alô” ao invés de “princesa do meu castelo de emoções” é tão, tão frio, não? Fora que todo mundo deveria ter a chance de evitar pessoas e ligações, o mundo merece saber.. merece!

– Ok Sra.. em até 5 dias seu número passará a ser reconhecido no identificador de chamadas.

Era isso, em cinco dias poderia descobrir meu número de telefone, nunca tinha ficado tão ansiosa para saber um número de telefone, como fiquei para descobrir o meu. Diariamente elegia um pobre coitado para receber minhas ligações e me dizer qual o número aparecia no identificador de chamada. No terceiro dia eu não agüentava mais o sofrimento de não saber e eu me vi obrigada a comer chocolate para afastar a ansiedade e, no quarto dia, eis que meu telefone simplesmente começa a tocar, atendo, eufórica:

– Oi.

– Com quem eu falo?

– Maíra.

– Como?

– Maíííra. Com quem gostaria de falar?

– Não sei.. tem uma chamada não atendida no meu telefone desse número.

– Ahn.. não, não tem..

– Como não tem?

– Não pode ter.. meu número é restrito.. eu sei.. a pouco eu acabei de me ligar pra testar.

– Oi?

– Não fui eu que te liguei.. nem ninguém desse número.. esse número não é o meu.. quer dizer.. esse é.. não é meu o número que você acha que é…Ahn.. Que número você discou? Mas não olhe no seu celular o número que é.. me diga o número que acha que é.. diga aí.. vamos me ligar..

– Oi?

– Estou tentando descobrir o meu número.. mas não é o que você acha que é.. ou ele não está mais restrito? Peraí.. vou desligar e ligar no meu celular… 2 minutinhos.. só 2 minutinhos.. depois eu te ligo de volta.. Ah.. quer dizer.. não, não ligo, né? É engano… não se retorna uma ligação de engano, não? Não depois de falar com a pessoa e saber que é engano.. eu não ligo nem sabendo pra quem devo ligar.. quanto mais por engano.. mas o problema não é você.. sou eu, sabe?

– Oi?

– Nada, nada, eu sou meio maluca.. desculpe.. foi engano.. Beijos..

Desligo e ligo no meu celular.. e Rá! Número restrito ainda… até que 10 minutos depois:

– Oi Maíra.. sou eu o Jorge..

– Jorge.. que Jorge?

– O Jorge.. você me ligou por engano.. nos falamos a pouco.. e aí.. já ligou pra você?

– Ahn.. Qual o meu número Jorge?? Qual meu número???

– Não sei.. você estava certa.. eu disquei errado..liguei do celular para o número que estava como não atendido.. e não era você…

– E qual é o meu número?

– Hum.. eu não sei.. não sei qual número disquei..

– Ahn.. mas como você discou errado duas vezes seguidas? Você deve saber o número que está discando..

– Não.. usei o redial…

Como você não sabe o número que discou?

– Você acha que pode dizer alguma coisa senhorita-eu-não-sei-meu-telefone?

– Ahn.. e porque você está me ligando de volta?

– Sei lá.. eu gostei de você..

– Oi?

– Você me daria seu telefone.. digo..  quando descobrir seu telefone?

– ….        

Vocês também acham que esquisitice é algo deveras charmoso? Claro que sim, né? Senão o que fariam aqui? =)

Deve haver um porto

Trechos aleatórios de e-mails divertidos, malucos, excêntricos e “ahn?” que vieram junto com o blog:

“Fiquei bem feliz ao ver que você respondeu meu e-mail. Vi que temos algumas idéias parecidas em relação à Curitiba, quanto a questões climáticas e de relacionamento entre pessoas, e também em relação a assuntos de caráter aleatório, deste mundão-louco-de-meu-deus. É muito bom saber que existem outras pessoas perturbadas neste mundo.”

“Quero que saiba que se você não tivesse largado o blog, eu nunca iria tentar te trair.. Fiquei tentado, mas não consegui… nenhum outro blog chega a altura do que eu sinto pelo seu. É um amor platônico… te coloquei no mais altos dos patamares, e vou passar a vida inteira tentando ser digno de alcançar esse patamar, mesmo sabendo que é inalcançável. PS1: e nenhum outro blog manda e-mail para os leitores… PS2: seria o PS1, a prova da traição?”

“Na verdade eu só me afeiçoei ao blog, caindo de pára-quedas ao fazer buscas sobre pornografia no google. Gostei da foto do banner e deixe um comentário frustrado por não ter encontrado o que queria.”

“Tarado, mulherzinha… muitas acusações para uma conversa por e-mail. Pra me ofender, precisa de um pouquinho mais… HAHAHahhaaha.. Massa… imaginei minha mãe na frente do gmail digitando palavras indignadas direcionadas a você”

“tenho 53 anos, pai de 2 filhas lindas, uma com 18 e outra com 16 anos, sou formado em psicologia mas fiz meu mestrado em métodos jornalísticos, dou aula para o ultimo ano de jornalismo e sou orientador de trabalho final de graduação. Divorciado a 5 anos, procuro mulher mais nova e que não tenha problemas em se relacionar com carneiros. Hahahaha..”

“Em primeiro lugar: Você é doida ou o quê?? Como é que você sai por aí respondendo a e-mails de qualquer maluco que aparece? E ainda mais: sendo encantadoramente simpática. Eu imagino a situação de sua família, sabendo que você anda por aí sendo amigável com estupradores em potencial”

“Hunnn quer dizer que o fato de ter sido criada por machos Neandertais te transformou nesse monstro que és hoje? Será que o fato de ter sido criado por minha mãe, duas irmãs, uma avó, incontáveis tias, primas e vizinhas foi o que me transformou nesse bocó que peleja para esconder suas lágrimas ao assistir filmes infantis???… …Hunnn começo a perceber um padrão!!!!!”

“Caramba.. nunca havia visto alguém defender tanto a Blossom, fora eu (e agora vejo o quanto é ridículo). Me sinto tão estranho por ninguém nunca entender minhas simulações de terremotos ou meus vídeos em peb de chuva e carne assada com frases desconexas, mas acho que não posso culpá-los por serem normais…”

“De longe esse e-mail foi o mais interessante… Primeiro porque você disse que, um dia ou outro, serei arrogante (o que pode até ter me ofendido, mas não deixou de ser interessante, mesmo que o comentário não tenha nem mesmo um pingo de verdade) e segundo, você usou os sapatos para tentar descobrir se eu tenho namorada… (hehehe ou não, ok) mas acertou sobre os sapatos e sobre a ex-namorada do sapato caqui.. ahhaah”

“Preliminarmente, gostaria de acertar algumas definições que podem ser úteis no decorrer deste e-mail: Quando eu cito as iniciais MSN, quero dizer “Microsoft Service Network” que pode ser acessado através do “Windows Live Messenger” só “Messenger” ou genéricos, conforme preferir. Por “horário comercial”, entenda das 8 horas às 18 horas, horário de Brasília, GMT -3 horas. Espero que isso ajude você focar em me encontrar online. Pressupondo que seu MSN é XXXXXX Data vênia, afirmo que se o seu endereço é mesmo ESSE, você NÃO está online AGORA, no MSN. Não abuse do seu direito universal de ser tratante. Hehehe”

“Mah.. Ok.. obrigado por me fazer rir de novo!!! Vc não vale nada!!!!!! Isso mesmo, nada!!!!! Eu sabia que mais cedo ou mais tarde eu causaria isso. Ah! Eu sabia sim… Primeiro li quase tudo em seu blog, depois entrei em contato com um amigo psicólogo, que me deu dicas sobre sua personalidade. Em seguida pesquisei sobre algumas reações peculiares que teria uma mulher, com esse perfil, e assim, me pautei em algumas lições freudianas, utilizando processo do… o tal de… “estado de conversação”, para alcançar meu objetivo, e… consegui.. você me respondeu!!!!”

“Estava lendo seu blog e me perguntando por que, já que não tem nem foto de mulher pelada, com outras mulheres peladas.. Ei! Espera aí. Fiquei muito impressionado agora, com esse seu dom de obrigar as pessoas a lerem o que você quer. Você consegue também fazer levitar uma pedra? Mudar o canal da TV sem o controle remoto? Abrir um pote de palmito? O que mais você consegue fazer com o poder do pensamento? Pompoarismo? Hahahaha”

É por essas e outras que foi muito bacana ter um blog, mas comunico que estou encerrando minhas funções como “escritora” insana de histórias sem nenhuma relevância, por tempo indeterminado. Nos vemos em outros meios de comunicação.. Obrigada pelas visitas, até por aquelas célebres que buscavam sexo com torradeira, cabras e desentupidor de pia :-)                                                 

Dos empregos e outros desastres

Eu gosto de trabalhar com papel, com planilhas, com coisas chatas, repetitivas e frustrantes.. eu gosto de trabalhar sem ter que atender o telefone 304939304 vezes, eu gosto de trabalhar sem ramal, sem e-mail corporativo com mensagens do tipo “antes de imprimir pense no meio ambiente”, mas eu tenho cara de simpática, jeito de simpática e uma assinatura personalizada colorida.

Meu chefe me obriga a trabalhar com dois ramais e atendendo gentes e gentes que vão lá especialmente para escutar o que eu acho, como se usar tons pastéis fosse mudar o fato do que eu acho ser sempre maluquice, mas eu nunca digo o que eu acho.. eu digo o que o mercado acha.. e é sempre muito chato ter que saber o que o mercado acha.

Eu queria os arquivos e o trabalho burocrático, mas eu acabei no trabalho de relacionamento direto com cliente e quando você trabalha lidando de forma íntima (ui!) com pessoas, você descobre que elas são basicamente iguais as plantas, parece que é só aguar, mas…

O mundo corporativo é mais do que um lugar que te faz usar terninhos e o cabelo preso, o mundo corporativo é um lugar onde o flerte rola mais solto do que em casas de swing, a diferença é que todo mundo permanece vestido e a maioria não está lá por vontade própria. Usar crachá é quase como saber pole dance, se você tem um crachá e uma mesa grande, você será uma das pessoas mais assediadas, sendo uma pessoa ou um maracujá… e bem.. eu tenho um crachá, uma mesa grande e uma cara de pateta… se você fosse um cara maluco, carente e psico… quem você escolheria para te atender? Yeah… martírios…

Pessoa parada na frente da minha mesa, me olhando fixamente, me olhando fixamente, me olhando fixamente. Sorrio:
– Pois não? Posso ajudá-lo?
– Oi – diz sorrindo – Lembra de mim?
– Ahn.. desculpa.. eu sempre tive esse meu sério problema de lembrar fisionomia, já encontrei meu irmão na rua e não o reconheci… e bem.. já são 26 anos juntos..
– Ah.. eu não acredito que você não lembra… eu disse que gostava de mulheres inteligentes.. que liam.. você disse “nota mental: ler mais em público”, fizemos sexo selvagem em lugares públicos. Como você não lembra?
Quem estava do lado começa me olhar com aquela cara de “oba, pornô grátis às 2h da tarde”, mas tentei manter a simpatia corporativa:
– Bem.. eu costumo lembrar das pessoas com quem faço sexo..
– Mas você disse que às vezes não lembra nem da cara do seu irmão.
– Bem.. uma coisa não exclui a outra… eu disse que lembro da cara das pessoas com quem faço sexo e nunca fiz sexo com meu irmão.
– hahaha.. Boa.. então.. meu nome é Thiago, já fizemos sexo, mas você não estava lá… mas foi só por falta de oportunidade, porque no fundo queremos.
Mantenho um sorriso meio amarelo e começo a desejar ser um avestruz para ter onde enfiar a cara nessas situações bizarras… como medida paliativa:
– Com licença, vou chamar meu chefe para te atender.
– Não, não.. espera… eu tava brincando, vai… eu não sou um tarado psicótico que vai roubar seu crachá para usá-lo no banheiro. Você me atendeu há uns dois meses… na verdade não faço parte da sua carteira de clientes.. sou cliente do departamento X, mas você foi tão simpática da outra vez, será que não poderia me ajudar dessa vez? Eu bloqueei minha senha de consulta na internet. Poderia desbloquear e fazer outra pra mim?
– Tudo bem, me empresta seus documentos. A senha são 6 números. Não pode ser sua data de nascimento, não pode ser número em seqüência, não pode ser o mesmo número repetido seis vezes.
– E a sua pode?
– Oi?
– A senha pode ser a sua data de nascimento?
– Ahn… não é uma boa idéia.. até meu pai tem problemas para lembrar minha data de nascimento.
– E número de telefone.. pode?
– Claro… digite aqui.
– Ok.. qual é seu telefone?
– Oi?
– Tem que ser um número que eu não esqueça, não é? Então.. qual o seu telefone?
– XXXX XXXX
– Ei.. esse é o número daqui..
– Não deixa de ser meu telefone…

Big Boss: Sabe quem era esse cara que você estava atendendo?
EU: Não sei ao certo.. mas depois de tudo que li no jornal por esses dias.. eu diria que ele parece muito o Tiger Woods
Big Boss: Bom, conta bancária pra isso ele tem.
EU: Eh.. e aparentemente compulsão por sexo também.

E o trabalho de vocês.. como anda? Hahahaha

PS: Como eu estou sempre ai.. antenada em novas ferramentas para escrever bobagens.. aderi o tal do formspring.me então.. se alguma pergunta inquietante estiver atormentando vocês: Pergunte a Mah

Uma mulher cosmopolita e seus problemas

Imagine uma alergia. Imaginou? Pois é, se ela existe, eu tenho.. tenho tanta alergia que seria capaz de ter alergia a palavra alergia se alergia a palavras existisse.

Sabe quando pessoas normais levam um tiro e ficam internadas em coma? Pois bem, se você me trancar em um apartamento com carpete, que está fechado há cinco anos, e começar a varrê-lo freneticamente, é provável que eu acabe em coma, depois de um acesso de espirros. Uma simples picada de abelha já me fez ficar internada e tenho tanta alergia ao calor, que exposta ao ameno clima Rio-calor-senegalês fico toda empolada e, às vezes, tenho febre por causa do calor excessivo.

Como ainda não consegui me mudar para a um país escandinavo, como ainda não consegui arranjar uma maneira de viver numa bolha, vou tentando conviver em relativa harmonia com minhas alergias. Espirro bastante, evito abelhas, tento viver o máximo possível com ar condicionado e tantas outras medidas paliativas. Mas, agora, no auge dos meus 26 anos, fiz a grande descoberta: tenho alergia a calma e descontraída vida interiorana. Sim, sim.. foi só sair da minha vida cosmopolita em capitais e pronto: fui condenada a uma vida de novas e inconvenientes alergias.

Poluição? Ah.. tudo bem! Clima seco? Sem problema nenhum, se for em um lugar com mais de 1 milhão de habitantes. Calor graças à estufa de poluição de grandes cidades? É como andar em verdes pastos. Agora, tudo isso junto em uma cidade de 250 mil habitantes? Aí: plano de saúde, socorro!

Tudo começou sete meses atrás, quando eu disse sim para uma proposta escandalosa de trabalho. Uma semana, uma mísera semana na cidade e meus olhos conheceram o que é sofrimento, o que é uma vida sem lápis e todos os colírios que meu cartão de descontos droga raia já foi capaz de comprar. Um mês inundada em corticóides e a alergia sumia, três dias sem corticóides e a alergia voltava. Depois de 4 tratamentos diferentes e uma alergia insistente o inevitável aconteceu: meu já perturbador astigmatismo aumentou severamente e fui agraciada com uma rara infecção na raiz dos cílios, afinal, eu sou essa pessoa abençoada. Foi então que o oftalmologista resolveu que era hora de medidas drásticas:

– Então Maíra, não podemos mais continuar com corticóides diferentes, se você tiver que usar isso por mais tempo terá alguns efeitos colaterais, pequenas coisas.. tipo cegueira, aumento da pressão ocular, veias estourando.

Sou famosa pela minha imensa calma em situações médicas, espírito nada dramático e desespero nada aparente:

– Ahn.. devo fazer agora um seguro de vida? Usar lápis enquanto ainda tenho uma relativa visão? Devo encomendar meu cão guia?

– Bem, agora além da alergia.. tem a infecção… vou te dar um outro corticóide mais forte, que você terá que usar muito pelo próximo mês, cerca de 4 vezes por dia. Além disso, você tomará antialérgico comprimido, antibiótico, um colírio para lavar o olho, outro anestésico, um colírio antialérgico e, por fim, um outro colírio para combater o processo de escamação na raiz dos cílios.

– Ainda bem que eu tenho meu cartão Raia e aqueles 3 cartões de crédito que aceitam suaves parcelas. Também não preciso fazer mais nada da vida além de pingar colírio no olho, me parece ser um tratamento deveras bacana.

Começava o dia entre um danoninho e um dos meus 928392920392382 colírios. Uma maratona diária e uma frenética luta para conseguir pingar o negócio do olho. Primeiro era na bochecha, nas pálpebras, no nariz, metade dos colírios foi jogado fora, graças ao meu pânico de coisa nos olhos e total inabilidade ao lidar com pânico de coisa nos olhos… ah.. se não fosse meu MEGA cartão de descontos.

O segundo colírio do dia era um singelo potinho de cor amarelo-não-me-perca-na-neve. Três gotas em cada olho e pronto, lá estava a promessa de melhora estampada no meu rosto, na forma de um colírio de cor berrante. Era passar e ficar com o olho cor grifa texto. Vocês sabem o que acontece com um olho com infecção e alergia? Não? Pois bem, vou contar para vocês: ele lacrimeja e LACRIMEJA muito. Sabe o que acontece com um olho que lacrimeja quando se usa um colírio que te deixa com os olhos cor grifa texto? Não? Rá! Eu sei: você chora amarelo.. muito amarelo! E quando você chora amarelo, suas bochechas ficam amarelas, a área ao redor do seu olho fica amarela.. e sabe.. eu tenho essa minha cor morena jambo. Sabe o que acontece quando uma pessoa assim chora amarelo grifa texto? Eh.. pois é.. haja maquiagem, haja retoque de maquiagem. Sempre era aquele parto depois do meu mega colírio de cor berrante.

O resto da tarde me dividia entre os colírios mais amenos. Passei a ter que usar óculos constantemente, já que meu mais ou menos astigmatismo se transformou em um severo astigmatismo. Já me sentia o Miguilim. Pensei em começar a tomar antidepressivos para combater todo aquele sentimento melancólico por ser obrigada a usar óculos até socialmente, mas graças ao fantástico antibiótico que me foi receitado – que além de curar a infecção dos meus olhos franguinhos, de brinde curaria toda e qualquer coisa. Acne? Ele resolve? Corrimento? Ele resolve. Gripe? Resolve, resolve, resolve! Uma pena que eu não tinha mais nada além da bendita alergia, senão meu cogumelo do sol aprovado pela ANVISA e com resultados comprovados resolveria tudo – o efeito seria cortado.

Outro problema do antibiótico era o fato de cortar o efeito do anticoncepcional, o que não me abalou muito, já que, com os olhos lacrimejando, cega e tendo que usar óculos, as perspectivas não estavam tão boas. Tá, não resultou em uma gravidez, mas sim numa fantástica bagunça no ciclo menstrual. TPM fora de época e por período mais longo, ainda bem que os remédios não cortaram o efeito do chocolate. O problema era que o antibiótico também cortaria o efeito do antialérgico em comprimido, então.. eu tomava 3 comprimidos de antibiótico, esperava 10 dias e tomava 3 comprimidos antialérgico. Sendo eu essa pessoa nada esquecida, super ligada em horários de remédio, era aquela luta para lembrar quando eu tomava o que, sempre tendo que pegar um calendário e relembrar meu cronograma medicinal.

Mas agora, um mês e meio depois do meu mega tratamento-mergulho-em-drogas-lícitas, volto a ter meu nível normal de cegueira, mas isso não é nada diante do melhor final feliz dessa trágica história: finalmente poderei voltar a usar lápis, estou tão feliz que seria capaz de usar uma maquiagem dark-emo-nada-discreta para dizer ao mundo: “Gente, eu passo lápis e sabe por quê? Porque eu posso. Eu exagero, sabe por quê? Porque eu posso”, mas em meio a esses devaneios com loucuras com o lápis de olho, lembro da minha vida de mega executiva de tons beges.. e volto para a realidade e para minha maquiagem de tons neutros e uso comedido de lápis, porque.. ahn.. eu não posso tanto assim

PS: Meus olhos franguinhos e seus problemas. Pensam que isso aí em baixo dos olhos é lápis de olho de tom vermelho escuro? Quem me dera amados, quem me dera… Antes ser uma excêntrica com maquiagem… que alguém com astigmatismo severo.

O sofrimento estampado em uma cara pateta