Mah e suas aleatórias divagações

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Das gorjetas

Abril 29, 2009 · 24 Comentários

 

Era um daqueles dias em que só queriam se lamuriar e afogar todas as mágoas no copo, como, por coincidência, era o dia da dose dupla, acabaram por afogar as mágoas no dobro de copos previstos. Fizeram uma quantidade inimaginável de amigos de cinco minutos, dos quais ela nunca lembrará o nome, por mais que tenha feito associações dos nomes com COISAS que NÃO se esquece, também nunca conseguirá lembrar porque de repente estava abraçando um cara que falava de.. hum.. do que falava mesmo?  Mas, enfim… No fim da noite ela era capaz de chamar Odair José de Eddie Vedder. Ele, o adulto responsável, só ria dos absurdos que ela falava, mostrando relativa sobriedade. Até o fatídico:

- Desculpe, vamos fechar o bar.

Quando, por forças ocultas supremas, foram obrigados a se retirar. Ela se levantou e o mundo levantou junto com ela, fazendo movimentos de rotação de todos os graus, ele a abraça e os dois andam cambaleando, até que ele diz:

- Acho que precisamos pedir uma coca-cola.

- Nem pensar… com que cara vamos entrar aqui novamente?

- Como assim?

- Esse é o NOSSO bar… não podemos pedir coca-cola aqui.. vão achar que viramos franguinhos! E ninguém.. ninguém.. mas NINGUÉM mesmo me chama de franguinha.. (diz ela entre gargalhadas… com o dedo em riste, tentando fazer pose-de-não-sei-o-que-mas-com-alguma-autoridade)

- You’re a chicken, Martíra McFly – Diz ele rindo, orgulhoso do seu trocadilho que só mais de três doses poderiam deixar engraçado, enquanto apertava as bochechas da poor girl.

Saíram do bar, o carro estava estacionado logo em frente. Ele olha sério para ela:

- Entre no carro, vou ali buscar uma coca-cola pra senhorita… o que não seria preciso.. se você passasse a noite tomando um ÚNICO tipo de bebida.. mas não… você insiste em misturar destilados, fermentados, água sanitária…

- Humpf… eu posso comprar minha própria coca-cola… EU NÃO ESTOU BÊBADA..

- Claro que não está.. vou ali buscar uma coca-cola pra mim.. só estou te usando como desculpa…

- Ok.. traga uma caipirinha com muito limão pra mim então…

Ele destrava o carro, coloca as chaves na mão dela.. e ainda assim ela consegue derrubar tudo, trancar de novo e fazer o alarme disparar por DUAS vezes. Quando no meio daquela confusão solitária, com aquele objeto demoníaco que muitos chamam de chave, aparece um outro rapaz:

- Ei!… Espere..

Ela se vira, não repara muito no rapaz.. abaixa sua cabeça e começa a revirar sua bolsa:

- Um minuto…

- Mas..

- Não.. não.. calma aí.. espera.. eu já acho…

- Eu só queria..

- Shiiiiuuu.. peraí… segura isso pra mim (diz ela despejando todos os absurdos que sua bolsa estilo malote poderiam abrigar.. até achar a carteira)… Ráááá..

Ela pega algumas moedinhas… gentilmente olha para o moço, fazendo seu olhar mais terno, e lhe entrega as moedinhas… Ele faz sua cara mais “ahn” e estampando uma clara decepção… tenta dizer alguma coisa:

- Ahn.. não.. não é isso.. eu..

- Moço.. desculpa.. mas eu não tenho mais nada… eu só não deixei minhas calças no bar porque eu estou de vestido…

Ele olha as moedinhas na palma da mão, olha para ela daquele jeito consternado enquanto resmunga uma coisa e outra no meio da frase:

- Mas eu só queria pedir seu número de telefone…

- Telefone? Tem que preencher alguma ficha?

- Ficha? Como assim ficha?

- Não sei.. você que está falando de telefone.

Ele continuava olhando para ela com aquele jeito “e-livrai-nos-dessas-pessoas-tresloucadas-amém”:

- Eu sou o João, lembra? Estava no bar com você há 5 minutos atrás.. você saiu e nem pude me despedir… queria o seu telefone.. mas.. ahn.. esquece…

Ela sente a vergonha tomando conta do seu ser, começando pelas bochechas em brasa.. e como pessoa centrada que é, faz o que qualquer outra faria no seu lugar.. respira fundo:

- Ahn…desculpe.. desculpe mesmo.. bem.. você pode ficar com as moedinhas…  – Diz entrando desesperadamente dentro do carro, esperando que aqueles vidros insulfilmados a tornassem invisível…. e lá ficou.. até o amigo chegar.

-  Ihh.. que cara é essa? Porque está amuada assim ao invés de estar procurando CDs com músicas de temática festiva, enquanto acompanha cantando fora de ritmo?

- Acho que estou muito bêbada…

- O que você aprontou agora?

- Dei gorjeta para o moço que queria meu telefone…

- hahahahahahaha.. não sabia que você pagava… por uma noite de sexo selvagem tá dando quanto em cifrões?

- Que vergonha.. um moço meio que até bonitinho e tudo!

- Ohmm.. Não fique triste babe…olhe eu te trouxe jujubas… e além do mais… no mundo ainda há muitos de nós.. heteros assumidos meio que até bonitinhos… para você traumatizar…

PS: Queridos.. como vocês bem sabem.. minha juventude está sendo sugada pelo mundo corporativo… Passarei o próximo mês confinada em um hotel…num tal de treinamento e em atividades de nomes engraçados, que pregam a integração corporativa… rezem por mim… que ninguém me obrigue a abraçar árvores, entrar em contato com meu interior e usar crachás com desenhinhos em volta

PS2: É provável que eu fique mais desnaturada nesse período, mas acreditem.. se fosse minha escolha.. eu estaria aqui escrevendo para vocês e lendo seus e-mails esquisitos e pornográficos… Não me abandonem… se eu não me afogar na banheira do hotel no fim de 4 semanas.. volto para seus braços.. ou, no mínimo, para a lista de posts recentes…

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Carnavais e dúvidas existenciais

Fevereiro 24, 2009 · 8 Comentários

 

Depois de muitos horários desencontrados, telefonemas não atendidos e sms não respondidos, ele consegue falar com ela:

- Onde diabos a senhorita está? Estou tentando falar com você o dia todo! Porque não me atende? Porque não retorna as minhas ligações?

- Ahn.. porque algumas pessoas aqui ainda dormem, deve ser um hábito ultrapassado.. mas eu sou a moda antiga, o que posso fazer?

- Me perdoa, me perdoa.. ME PERDOA!

- Te perdoar? Que merda você fez agora?

- Não sei .. eu não lembro.

- Ahn? Não lembra do que?

- Eu nãooo seiii (diz ele em tom de desespero). Diga que estava comigo ontem à noite!! Por favor, DIGA QUE ESTAVA COMIGO.

- Você não lembra?

- Mais ou menos..

- Eu estava com você sim, quando cheguei você me abraçou.. disse umas palavras emboladas que eu acreditei serem elogios e terminamos com você vomitando no meu sapato. A propósito.. você me deve um sapato.

- Mas quer dizer que você não estava o tempo todo lá comigo?

- Não.. pelo seu estado de embriaguez ou você estava lá desde às 16 horas ou você bebeu como estivesse lá desde as 16h. De qualquer forma, eu cheguei depois de você. Por quê?

- Aconteceu uma coisa que está me deixando apreensivo.

- Diga o que aflige seu coração… eu e minha semi-sobriedade estamos aqui para te ajudar.

- Tem essa vaga lembrança que está me fazendo duvidar da minha sexualidade..

- Duvidar da sua sexualidade? (ela pergunta aos risos).

- Eh… Eu lembro de abraçar um cara desconhecido que tinha o maior jeito de viado.. e eu não lembro do resto… você estava lá quando isso aconteceu?

Gargalhadas incessantes:

- Você não lembra mesmo?

- Argh, argh, argh.. não me diga que… arghhhhh.. nãoooo (diz ele em desespero). Eu e o cara? Nãooooo!

Muitas gargalhadas:

- Não!!! (risos interrompem que ela continue a frase)

- O que aconteceu?

- Ai.. eu não acredito que você está me ligando pra saber se você teve uma experiência homossexual (diz entre gargalhadas).

- Quer dizer que não aconteceu nada?

- Na verdade aconteceu sim..

- Nãoooo (diz quase chorando)

- Você estava conversando com o cara e o abraçou porque ele te apresentou uma menina com quem você queria ficar.. e adivinhe.. você conseguiu a garota.

- Jura?

- Yeah… seus periféricos continuam intocados.. fique tranqüilo!

- Sério?? E aí.. a garota era ajeitadinha?

- Além de não ter virado gay você continua pegador, durma sossegado!

- Eh.. eu sou o cara mesmo.. Ahn… mas agora vem um problema de menor relevância, mas, ainda assim, um problema.. você sabe o que aconteceu com meu carro? Ele simplesmente não está na garagem.

- Basicamente o mesmo que aconteceu com meu sapato, mas em maiores proporções e com o seguro sendo acionado….

- Bem.. dos males o menor.. é como dizem.. Vão-se os carros.. ficam as pregas..

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De Globeleza a Yvone Lara

Fevereiro 10, 2009 · 8 Comentários

 

Uma das mudanças mais gritantes que senti ao sair da minha vida paulista/paulistana para viver no curitibano life style foi o banheiro feminino. Em São Paulo e adjacências o banheiro feminino é uma instituição, é quase uma versão feminina e menos informal da maçonaria. Se em São Paulo tem sempre aquela que bebeu uma taça de Martini e está chorando no chão do banheiro, sendo consolada por passantes que retocavam a maquiagem, se aqui tem conselhos sobre cabelo, esmaltes, dicas sentimentais e conversas amenas, em Curitiba é no máximo um “está na fila?” e um silêncio profundo, não importando se vão ficar lado a lado por 5 minutos ou meia hora. Eu sentia falta da animação dos banheiros femininos, em Curitiba existem mulheres que vão SOZINHAS ao banheiro.. imagine.. SOZINHAS!

 

Era sexta-feira, eu tinha vestido o meu maior estilo roqueira-clichê, fui contra tudo e contra todas as infecções alérgicas nos olhos e caprichei no lápis, no rímel e na sombra preta, na doce ilusão de que iria para um daqueles porões claustrofóbicos com bebida barata e banda com vocalistas gritando “rock n´roll”, enquanto aconteciam solos intermináveis de guitarra. Mas:

- Má, mudanças de planos, vamos para um pagode ai.

- Oi? Pagode? Comoooo assimmmm vamos pro pagode? Vamos quem?

- Vamos todos, ora essa.

- Todos não… Não é só porque uma droga é legalizada que eu vou usar.. ou no caso.. ouvir..

- “Mimimimi.. olhe pra mim.. como seu sou fresca”. Larga a mão, que temos convites VIPS e chopp na faixa.

 

Sou famosa na minha seleta roda de amigos por topar quase todo e qualquer programa de índio. Já me arrastaram para rodeios, shows estranhos, peças esquisitas, mudanças, doação de sangue e festinhas infantis. Não tive outra opção a não ser encarar mais essa: pagode com bebida de consolo.

 

Estava meio emburrada e reclamando que se soubesse que ia acabar no pagode, não teria gastado tanto tempo montando meu visual “ainda no punk”. Mas ao chegar no bar, meu rosto se iluminou: “Sexta de samba de raiz e chorinho”.

- Como assim pagode? Olha lá.. samba de raiz e chorinho – Digo demonstrando empolgação.

- Ah.. sei lá o que era.. só escutei o convites-VIP-bebida liberada. Podiam dizer que as coelhinhas da playboy estariam fazendo stripper que eu não teria prestado atenção. Ahn.. quer dizer… coelhinhas fazendo stripper eu prestaria atenção, bem, enfim, podiam dizer que o Coverdale estaria presente que eu não prestaria atenção. Hum.. quer dizer, o Deus estaria presente.. ok.. prestaria atenção. Enfim, sei la… vamos dizer que eu sabia que não era pagode e sim samba de raiz, mas que menti para te fazer uma surpresa e te ver feliz assim.

- Verdade?

- Ahn.. não…

 

Cartola, Noel, Demônios da Garoa e vez ou outra um Art Popular pra fazer a alegria daqueles 3 ou 4 que pediam pra tocar “pimpolho”. Aproveitávamos toda aquela bebida liberada… Até que a vontade de fazer xixi e os efeitos do rímel, do lápis e da sombra preta nos olhos com infecção alérgica me fizeram ir até o banheiro. Como de praxe, arrastando toda e qualquer garota que estivesse na mesa comigo. Enquanto umas usavam o banheiro eu tentava, desesperadamente,dar um jeito de continuar maquiada e coçar e lavar os olhos ao mesmo tempo. Nisso a confraria “banheiro feminino” entrou em ação:

- Aiii.. que linda a sua maquiagemmm.. você mesmo que se maquiou? (perguntou uma passante ao lado que também tentava retocar a maquiagem)

- Sim, agora estou tentando desesperadamente mantê-la, mas os olhos estão me atrapalhando com essa coisa de coçar e lacrimejar, estou até cogitando arrancá-los e colocar uns olhos de vidro. Enxergar não é assim tãoooo importante, é?

- O que você tem?

- Não sei ao certo.. alergia.. possessão, semi-cegueira, catarata.

- Ah.. eu tenho um colírio na bolsa quer? Um daqueles bem naturais, que só limpam o olho.. nenhuma contra-indicação (diz a menina desconhecida da pia ao lado).

Síndrome da cidade grande atacando: Alucinógeno em forma de colírio.. vou ficar locona, vou ficar cega, vou morrer, vou parar no hospital e o oftalmologista vai ficar histérico dizendo que não se aceita colírios de estranhos:

- Ahn.. quero sim.. (digo vencida pelo meu espírito interiorano-crédulo-ingênuo, afinal, pior do que estava não ficaria e se a cegueira fosse o efeito colateral para não coçar e lacrimejar mais, estava valendo).

 

Uma das garotas pingou o colírio enquanto a outra, com um pedaço de papel higiênico, limpava as gotas que escorriam, para não estragar muito a maquiagem. Nesse meio tempo as amigas que me acompanhavam ao banheiro já estavam presentes na força-tarefa junto a pia e já me ajudavam a retocar a maquiagem. Medida paliativa incrivelmente eficaz, os olhos já não ardiam e a maquiagem estava impecável.  Depois da operação salvamento de maquiagem, partimos para a próxima missão da confraria do banheiro feminino:

- Está meio desanimado aqui. A música é boa,o lugar é bom, a bebida ta gelada… mas cadê o pessoal dançando? – diz uma das desconhecidas do banheiro.

- É verdade. Cadê o samba no pé? – pergunta minha amiga já meio enrolando as palavras, devido ao excesso de chopp liberado.

- Isso ai!!! Cadê a roda de samba? Vamos organizar o movimento “samba no pé já!” – Digo também meio enrolando as palavras, mas com a maquiagem impecável.

- Vamos dançar? – diz a moça do colírio.

- Ah… eu tenho vergonha! – diz outra moça desconhecida que lavava as mãos.

- Vergonha? Comooo assim vergonha? Vamos Lá, senta na nossa mesa e ficamos todos juntos (falo solidária).

 

Não sei precisar como e porque, mas de repente várias mesas se juntaram com a minha mesa e formamos uma roda de samba, a princípio com cinco garotas e eu, roqueira assumida, sem nenhum samba no pé, liderava o grupo de dança. De repente uma legião de pessoas, incluindo homens, mulheres e “em cima do muro” estavam dançando. Minha mesa começou a encher de mais desconhecidos e de repente tudo se transformou em uma festa privativa, com cerca de sessenta amigos de infância e milhares de trocas de telefones. Já pedíamos músicas pra banda e fazíamos os refrões junto com o maestro Zezinho.

 

Maestro Zezinho me ensinou alguma coisa sobre como tocar pandeiro e ensinou um dos amigos que me acompanhavam o que era uma cuíca. O fato é que no fim da noite, já sem nenhuma vergonha na cara e sentindo os efeitos do chopp liberado, terminei com um microfone nas mãos, junto com o Thiaguinho (semi-desconhecido, mas meu novo parceiro musical. Naquele momento éramos quase como Tom e Vinicius, só que sem o uísque) fazendo três ou quatro duetos, incluindo “moro em Jaçanã e se eu perder esse trem que sai agora às onze horas.. só amanhã de manhã”.

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Happy new year!

Janeiro 2, 2009 · 26 Comentários

 

31/12, dia místico que desperta os melhores sentimentos nas pessoas e faz com que se unam em um só coro: “ahn.. acho que estou bêbado”, permitindo que ninguém se responsabilize por nada feito, dito e pensado até o dia 02/01. Dia de promessas que nunca serão cumpridas, abraços até no entregador que veio trazer os salgadinhos e lágrimas enquanto se desejam um ano novo muito melhor. E, como de praxe, dia de arrependimentos, volta ao passado e telefonemas esquisitos:

- Alô.

- Oi, tem três chamadas feitas deste telefone para o meu celular. Foi você que me ligou?

- Má?

- Sim, eu! Agora é a hora que você diz quem é você e eu prometo dar gritinhos de empolgação, com algumas interjeições bem simpáticas, mesmo que não seja verdade.. Afinal.. estamos naquele período cabalístico de bons sentimentos.

- Ahh.. eu não acredito que você não sabe quem é.

- Não acredita? Como não acredita? Tudo é possível.. Uhuuu.. 2009 está aí.. pare com isso.. desconfiança não é um bom sentimento para se entrar o ano.

- Ahh.. não acredito. Não sabe mesmo quem é? Bonito, sensual, sexy, você adora..

- Aiii.. eu sabia que esse dia chegaria.. Eddie Vedder??

- Ahn?? Eddie Vedder? O cara daquela banda lá.. aquela.. ai.. esqueci o nome.

- O que???? “Aquela banda lá”? como OUSA falar assim do Pearl Jam?? TCHAU… a gente não deve se conhecer… é isso.. ou vou ter que começar a repensar todas minhas relações interpessoais.

- Mas continua a mesma nojentinha de sempre, né?

- Ahn.. agora não há como negar… você realmente parece me conhecer!

- Má, é o João.

- Ahn?  O que ta fazendo na cidade? Você não ia acampar? Mentirosoooooo!

- Err.. Não Má.. não ESSE João… O João.. Não lembra?

- ….

(ele começa a cantar all by myself…)

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(Obs: Estrelinhas de divisão de histórias.. pra depois não dizer que fico de má vontade)

- Alô.

- Ma, eu preciso MUITO da sua ajuda.

- Nossa, o que aconteceu?

- Eu vou ficar bêbado e vou querer ligar para minha ex-namorada, você precisa me impedir.

- Ahn.. Você não vai ficar bêbado. Lembra que você não bebe? E.. bem.. eu sou sua ex-namorada.

- Droga! É a hora que eu digo que ainda não te esqueci e você faz aquele silêncio constrangedor?

- Não necessariamente, lembre-se que você não está bêbado, não precisamos seguir o protocolo.

- Ainda não te esqueci, Ma.

- …..

- Ma? Ma? Você está ai?

- Oi.. desculpa.. achei que íamos seguir o roteiro, não era minha deixa de silêncio constrangedor?

- A vida está nos dando uma nova chance, é ano novo, podemos fazer tudo diferente!!

- …

- Ma?

- Desculpe, tome pelo menos uma cerveja,  talvez assim eu não me sinta tão mal seguindo o roteiro.

- ….

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(Obs: Estrelinhas de divisão de histórias.. pra depois não dizer que fico de má vontade)

- Vamos transar?

- Uhuuuu.. Vamos… Quem está falando?

- Eu conheço esse sotaque…

- Sotaque? Onde? Onde?

- Ma?

- Eddie Vedder??

- Ahn?

- Droga! Porque nunca funciona?

- Peste!!!!

- Carlos?

- Porra! O que você está fazendo com esse telefone?

- Ahn… Droga! Será que fiquei bêbada e peguei o celular de outra pessoa? Tá.. eu tomei aquelas vodkas.. champagne.. cerveja. Parece que tinha uísque também…. mas será que alguém mais teria esse telefone roxo? Hum.. ou bebi tanto que estou vendo roxo onde era prateado? Bem… pode ser..  tinha aquelas vodkas.. champagne…

- Merda! Esse é o SEU TELEFONE?

- Eh.. sim.. hum… isso.. ou eu estou pegando a pessoa que você queria… Meio improvável, não? Nunca tivemos o mesmo gosto.. você sempre preferiu mulheres.. eu homens… e bom.. não seria do nosso feitio ficar no meio termo e tentar um travesti, né?

- ….

- Carlos??

- Ah.. Oi.. estava fantasiando com você e a Luciana.

- Ahn?

- Desculpe… O que você disse mesmo? Parei de ouvir no “ou to pegando a pessoa que você queria pegar”…

- Mas como você é patético! Hahahaha

- O que está fazendo? Tá com alguém? Quanto tempo a gente se conhece mesmo? Já faz alguns anos, não? Engraçado.. notou que a gente nunca teve nada? Que tal sermos o arrependimento de virada de ano um do outro? De repente a gente encontra a Luciana…

- BOA NOITE…

- Não, Ma.. espera… serve só você também….

- BOA NOITE…

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(Obs: Estrelinhas de divisão de histórias.. pra depois não dizer que fico de má vontade)

PS: Bêbada e artista.. Feliz ano novo =)

 Era pra ser um cavalo marinho grunge.. mas não pergunte quanto eu havia bebido...
Era pra ser um cavalo marinho grunge.. mas não pergunte quanto eu havia bebido…

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O começo, o fim e o meio

Novembro 27, 2008 · 19 Comentários

 

- Alô.

- Quem fala?

- Com quem gostaria de falar?

- Aparentemente com você.

- Bom, já que aparentemente é comigo, já que eu atendi o telefone, bem.. então você pode começar a falar. Ah! Falando em você.. quem é você mesmo?

- Eu sabia que era você.

- Oi?

- A vida não poderia ser um amontoado de coincidências…

- Ahn?

- Factum!!

- Tem certeza que é comigo? Porque se era para isso fazer sentindo.. bem, desculpa falar assim.. mas não está funcionando!

- Nos conhecemos no bar..

- Oi? Bar?

- Sim.. Ontem.. lembra?

- Errr.. não.. pelo visto bebi mais do que imaginava.

- Quer dizer.. era para a gente ter se conhecido… Ou melhor, nos conhecemos.. só faltou a parte de falar com você e descobrir seu nome e seu telefone.

- Se não chegamos na parte que você descobria meu telefone.. como estamos na parte em que você está me ligando?

- Destino!

- Destino?

- Eh… liguei aleatoriamente e as forças místicas do universo me fizeram discar justamente seu número. Quando você quer muito alguma coisa, o universo conspira a seu favor.

- Eu acredito mais no auxílio à lista nesses casos.

- É sempre incrédula assim?

- Não, só quando recebo esses telefonemas bem estranhos. Tem uma explicação lógica para ter meu telefone ou é a hora que eu desligo apavorada?

- Isso vai acabar com a magia do momento.

- Hum.. desligo apavorada?

- Não, não.. mas foi o destino. O destino fez sua amiga bêbada anotar o telefone dela em um guardanapo, aleatoriamente eu liguei para esse número do guardanapo e pedi o seu nome e telefone. O universo conspira a nosso favor, mas algumas coisas ficam por nossa conta. Por exemplo, ele fez o homem dos seus sonhos te ligar e cabe a você mantê-lo na sua vida. E aí.. um café?

- Homem dos meus sonhos?

- Eh.. prazer.. João.

- Desculpe João, mas sabe o que é… eu tenho namorado.

- Claro que tem.. o destino nunca se manifesta sem ironia.

- Oi?

- Então.. Um café?

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Tributo ao quase

Novembro 10, 2008 · 12 Comentários

 

Acontece de repente, em um lugar qualquer, em final de semana qualquer, com dois personagens quaisquer. Justo naquele dia que ela jurou que ia ficar deitada no chão da sala, ouvindo todas as fases musicais do Chico. Justo naquele bar de nome engraçado, que a fez torcer o nariz e não querer ir de jeito nenhum. 

 

Ela estava só esperando aquela caipirinha de vodka e morango, mas quem aparece é ele: o dono da risada que faz solo na trilha sonora da sua vida. Naquele momento ela esquece de tudo, como se só ele existisse, como se só ele tivesse importância. As palavras fluem da sua boca e soam como poemas de Camões: melodiosas, serenas, ritmadas, suportada por uma voz grave, um tanto quanto rouca e ela sorri insistentemente a cada sílaba pronunciada. Era uma risada para cada sete, oito palavras e ela se esforçava para entender como seria possível viver sem aquelas risadas. As outras pessoas ao seu lado viram estátuas de cera, imóveis e silenciosas e até a quantidade de vezes que ela pisca cai pela metade e ela começa a duvidar que realmente existam outras pessoas no mundo. 

 

Ela tem vontade de se ajoelhar diante daquela amiga que a levou arrastada até aquele bar e criar uma oração de devoção. Quase que ela ficou em casa. Quase que aquele novo filme a levou ao cinema. Quase que aquela nova banda a levou para aquele bar de sempre. Quase que ela não ligou para ele e quase não o chamou para aquele bar de nome engraçado. Quase que ela continuou fazendo de conta que ele não estava dizendo o que estava dizendo e quase que ela deixou todos aqueles dois, três contras superarem o número infinito de prós. E o “quase” passa a ocupar o topo na lista de suas palavras preferidas.

 

E ela começa a se perguntar: e se for verdade? E se for verdade que existe aquela pessoa que é sempre capaz de roubar seus pensamentos e te deixar feliz na mais cinza das quartas-feiras? E se for verdade que algumas coisas são pra sempre? E se for verdade que dá pra amar alguém que gosta de Oswaldo Montenegro? E se os clichês acontecem?  E insistentemente ela se pergunta: e se for verdade?

 

E ela tenta entender como é que alguém pode se apaixonar tantas e tantas vezes pela mesma pessoa e como ela pode entre uma risada e outra, entre uma implicância e outra, de repente, daquele jeito ridículo, ter a certeza de que é ele.

 

Ele que a conhece melhor do que qualquer pessoa. Ele que adivinha seus pensamentos, completa suas frases e provoca os sorrisos mais sinceros com todo aquele mau humor e cinismo que lhe é tão peculiar. Ele que liga pra ela quase todo dia as 3h07 da madrugada para dizer que ela tem que parar de atender os inconvenientes que ligam de madrugada.

 

Ela que conhece cada defeitinho irritante dele e que, mesmo assim, consegue gostar tanto ou mais dos defeitos do que das qualidades.

 

E ela já pensa em formar um grupo de adoradores do “quase” e ela para de se perguntar “e se for verdade?” e já tem todas as certezas do mundo. O amor persiste, para ambos, desde aquele engraçado e atrapalhado dia de maio, sempre foi verdade.

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Movimento Anti-Atrofia Hepática*

Setembro 29, 2008 · 12 Comentários

 

É sempre a mesma história todo final de semana: João Paulo ouve o mesmo sermão da mãe, vê o olhar de reprovação da mesma tia-avó, escuta a vizinha mandando a família se apegar a Deus e lá está mais uma corrente de oração em mais um sábado de confraternização etílica junto com o pessoal do escritório.

 

Sempre antes das 20 horas, Dona Mariluce se joga aos pés do filho e implora para que ele pense no fígado, outrora tão vermelhinho e sorridente como um daqueles cartões smile.

 

Quase todo domingo, Luís Gustavo, depois de ter tomando um porre, acorda de cueca, esparramado no sofá, com o mesmo olhar de “ressaca introspectiva,” enquanto ouve o mesmo sermão de Dona Marlene.

 

Mas, ora essa, nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito.

 

Quando Aristóteles (Ari, para os íntimos) proferiu esta grande máxima da filosofia, nunca imaginaria que tal citação, sem maiores pretensões artísticas, se tornaria uma verdade etílica universal. Afinal, o fígado, tal qual qualquer órgão do corpo humano, carece exercícios cotidianos a fim de apresentar um bom desempenho.


Assim como aquele tio de meia idade que, no auge do mais familiar dos churrascos de domingo, se escala pra pelada da gurizada a fim de “fazer bonito” relembrando a saudosa época em que jogou de volante nos áureos tempos do combate Barreirinha (quando era conhecido pela alcunha de “Zezão quebra-osso”), e que, irremediavelmente acaba, após alguns (poucos) minutos de profunda humilhação, por ser hospitalizado às pressas com uma torção no joelho esquerdo, uma hérnia de disco, e um princípio de parada cardíaca, as atividades de devassidão (leia-se aqui bebedeira) devem ser devidamente exercitadas. Como manter um fígado funcionando devidamente se você não o faz trabalhar?

 

A bebedeira de final de semana não é só mais um ato mundano, não é apenas uma forma da secretária quase aposentada e reprimida fazer um striptease em meio ao pessoal do escritório. A bebedeira é medicinal! Terapêutica!

 

Porém, evidentemente, a não ser que estejamos na Sibéria (neste caso, recomenda-se vodka sem gelo, a não ser que esta já tenha virado gelo, que, não se havendo alternativa, pode ser facilmente comido), obviamente as condições normais de pressão e temperatura hão de ser respeitadas.

 

Muito embora a palavra “limite” enseje um significado tanto quanto subjetivo quando não empregada para fins matemáticos, principiantes devem se portar como tais, e, a fim de não terem seus currículos vergonhosamente maculados, até mesmo antigos medalhistas devem conservar certa parcimônia em questões etílicas, ao menos quando já desabituados ao mundo de Marlboro.

 

Tudo isso para que, ao final da empreitada alcoólica, dois martinis não acabem fazendo você se sentar no chão do banheiro e chorar copiosamente enquanto interpreta os maiores sucessos do Roupa Nova, um pouco antes de acordar com a maior ressaca do mundo, em local incerto e não sabido.

 

Enfim, isso e mais todas aquelas coisas que fazem parte do incerto conjunto de coisas que não deviam acontecer, mas que, acredite: acontecem nas melhores famílias. Nas piores famílias, então, nem se fala…

 

* Texto escrito em parceria com meu ilustríssimo amigo, conselheiro e fornecedor de grandes idéias, notícias bizarras e demais coisas mundanas.. Marcos Brehm, outrora conhecido por Castor.. e/ou “oww.. eh meu.. você aí ô cor-de-rosa”…

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Entre paracetamol, lenços e registros

Setembro 15, 2008 · 10 Comentários

 

É final de semana, o que por si só sempre foi o suficiente para me deixar feliz, mas dessa vez uma gripe intensa me fez esquecer que as sextas são lindas por si só e que os sábados são gloriosos só porque são sábados. A felicidade deu lugar aos espirros, a vodka ao suco de laranja sem gelo e o bom humor a apatia.

 

 Eu me esforcei para ser sociável, acabei parando em um bar e tentei esquecer que a música só piorava a minha dor de cabeça e que manter os olhos abertos era um martírio. Tentava, desesperadamente, me convencer que o bacardi lemon nem é tão essencial para a vida humana e procurava achar graça no suco de laranja sem gelo.

 

Em menos de duas horas desisti de querer ter uma vida e resolvi ir pra casa e, numa atitude altamente altruísta, dispensei todo e qualquer ser humano das funções de enfermeiro, afinal, amar é incentivar a consumação de cerveja e, também, tudo que eu queria era me encher de porcarias sintéticas que aliviam a sensação de mal-estar e dormir.

 

Em casa, fiquei deitada na cama lembrando de saudosos tempos, quando ainda conseguia respirar sem maiores problemas. Ah! Que doce sensação, não? Você puxava o ar e o sentia entrando em seus pulmões. Que dias gloriosos foram esses! E agora você está assim, mal humorada, morrendo de gripe, achando que até seus dedos dos pés devem estar congestionados e que é por isso que cada parte do seu corpo dói. Teria outra explicação plausível?

 

Você não caminha mais, você se arrasta com suas pantufas de joaninha por todo o apartamento, enquanto deseja ser acéfala, para que aquela insuportável dor de cabeça deixe de fazer parte dos seus dias. Não há neosaldina que amenize, não há paracetamol que cure, não há vicky vaporub que descongestione.

 

Em meio a todo caos que tem sido respirar, você tenta desesperadamente dormir, mas você descobre que ou você deita na cama ou você respira. Você cogita ligar para seu avô e perguntar sobre as técnicas dele para dormir sentado, mas já passam das duas horas da manhã e é assim.. só você, a gripe e seu mau humor, numa madrugada fria.

 

Quando você pensa que nada mais pode acontecer, quando você acha que não tem o que piorar, você ouve aquele ruído vindo do banheiro. Muito a contra gosto você se levanta do sofá, caminha em direção ao barulho e tchan-tchan-tchan… tem o banheiro, tem um tapete encharcado e tem água, muita água… você tenta respirar fundo e se lembra que nem isso você pode fazer. Em uma atitude muito madura, você resmunga e tenta fechar o registro emperrado. Você é destra e sua mão direita está machucada, você tenta se convencer de que tem a mesma coordenação com a mão esquerda, mas é em vão. Você fica tão irritada que esquece da mão machucada, esquece da dor e fecha o registro, enquanto amaldiçoa os malditos problemas hidráulicos.

 

Porque eu? Porque diabos esses malditos problemas envolvendo canos e água me perseguem? Karma? E já começo a pensar sobre vidas passadas: “Pô! Se soubesse que ia ser um castigo tão cruel assim, eu nunca teria roubado o padre, batido no mendigo, bebido mais que devia e xingado a mãe da dona da padaria!!”.

 

A festa regada à música ruim e volume ensurdecedor continua dentro da minha cabeça, manter os olhos abertos em meio a lugares com luzes acesas tem sido uma provação e, infelizmente, não era possível controlar um vazamento e enxugar todo o alagamento no escuro.

 

Além de tudo o registro vazava. Você procura por fita veda rosca desesperadamente.. e lembra-se que ela acabou no último problema do chuveiro. Você amaldiçoa o chuveiro, o registro, a instalação hidráulica e se pergunta por que diabos você não está morando com seus pais, com seu irmão, com o zelador, com um bombeiro hidráulico, que seja! Você fecha o registro, resolve o problema do vazamento com fita crepe e um pano e começa a se sentir meio McGyver.

 

A irritação continua, a dor de cabeça só piora e você tem febre. Você madura, sensata, auto-suficiente, independente, senhora de si e cosmopolita faz o que qualquer outra faria.. grita “Merdaaaaaa”, resmunga e jura que vai resolver de vez o caos que virou seu banheiro, nem que pra isso tenha que derrubar paredes.

Se eu já tinha ficado triste com o chuveiro e suas seis fileiras de água com pingos caindo num intervalo de 6 segundos, imagine só a euforia de não ter água no banheiro como um todo.

 

A febre continua e você pensa em um banho gelado e lembra do problema com banheiro e vazamentos. Cogito deixar o apartamento alagando por 20 minutos enquanto tomo banho, depois resolvo partir para o plano B: a área de serviço. Tem uma portinha na área de serviço que leva para um lugar que civilizações antigas acreditavam ser um banheiro. Tem um vaso sanitário e um cano de chuveiro, tudo isso dentro de um cômodo do tamanho de uma porta do meu guarda-roupa, deveria servir em uma situação emergencial.

 

Abro o “chuveiro” (entende-se por chuveiro um cano sem um chuveiro de fato) e  a água em temperatura ambiente padrão Patagônia começa a jorrar. Lá se foram meus planos de não lavar a cabeça, visto que, forças místicas superiores fizeram a intensidade da água lavar minha cabeça, o vaso sanitário, as janelas do “banheiro” e a porta.

 

Acabo adormecendo no sofá da sala, assistindo as porcarias que só uma tevê aberta pode produzir às 3 horas da manhã. Mas, ao amanhecer, o problema hidráulico continua, ainda tenho febre, tomo paracetamol como se fosse tic-tac e, nostálgica, suspiro e lembro daqueles velhos tempos.. onde eu conseguia respirar tão bem. Ah!! Que dias gloriosos foram esses!

—-

PS: Querida Bia, nesta manhã festiva, eu (e toda aquela equipe responsável por esse blog – hahaha) queremos desejar a você blá blá blá blá, felicidade, sucesso, etc.. etc.. etc… e que o espírito (ops, isso é só no natal!), enfim, Feliz aniversário! =)

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Pessoas reais num mundo surreal I

Agosto 10, 2008 · 16 Comentários

 

 

Era mais um final de semana como outro qualquer na capital paranaense. Estava frio, cinza e uma chuva fina e gelada caia ininterruptamente. Era dia de sofá, a preguiça assim determinou.

- Eu escolho o filme hoje.

- De jeito nenhum! Eu escolho o filme hoje.

- Certo, vamos fazer iguais pessoas adultas fariam.

- Hum.. cara ou coroa?

- Não! Isso é para franguinhos e não somos franguinhos. Quer dizer.. você é..

- A quem ta chamando de franguinha, hein? Hein? HEIN?

- Então vamos lá.. eu tenho um desafio pra você. Se você conseguir vencer, eu assisto o que você quiser.. nem que isso envolva aqueles malditos filmes do Harry Potter.

- Fechado!

- Então.. é o seguinte… Faça uma matriz transposta da identidade, ache seu determinante e a sua jacobiana. Chamando o determinante da transposta de “x” e sendo o mesmo um espaço percorrido num tempo “t”, onde “t” seja a jacobiana da matriz. Integre os resultados em função de “t” achando assim a velocidade. Decomponha a velocidade no espaço R3 em seus autovetores originais i, j e k. Após isso, calcule o produto interno do vetor velocidade encontrado com a matriz identidade prévia e me diga o resultado. Fácil assim. Tem 15 minutos!

- Não preciso de 15 minutos, já sei a resposta.

- Já?

- Sim. Jacobiana se fez Jacobiana pela dissecação do seu vetor externo, para, assim, atrair vetores convergente numa soma enlouquecida de operações de vetores que, então, se tornariam internos. Entendo, portanto, que a transposta da matriz é, na verdade, a inversão da identidade da matriz, algo que muito me chocou!!! Pois ao saber que o mesmo, ou mesma, queria decompor o escalar da velocidade em várias posições dos seus autovetores no espaço R3. Fazendo para isso uso, só posso pensar eu, das mais obscuras relações matemáticas. Portanto, me sinto obrigada a ser determinante com a Matriz e sua nova identidade transposta e inversa e devo alertá-lo da impossibilidade da multiplicação de matrizes de raízes diferentes. Mas esclarecendo que se pode, ainda, integrar o “x” bem ao tempo “t”, e, ao integrá-lo, tornar-se-á uma constante em sua vida e assim juntos viverão felizes para sempre, mas sem que ninguém derive, pois a derivada de uma constante nada mais é do que zero!!! E então?

- Sou seu fã, sabia?- diz entre risos - É difícil achar uma outra pessoa com tanto talento para ser excêntrica.

- Uiiii..Que medooo!

- Medo? Por quê?

- Não tenho certeza se quero ter fãs.. Lembra o que aconteceu com o Lennon?

- Ah! Mas eu não te mataria.. Não pelo menos não como fizeram com o Lennon..Você precisa de uma morte digna de você. Algo grandioso. Tinha que ser igual a do Kennedy, assim, na frente de milhões!! A do Lennon nem filmada foi…

- Eh, vendo por esse ângulo…não quero só escrever: “saio da vida pra entrar pra historia”..quero dizer em alto e bom som para as multidões que me amavam..

- Que te amavam não!! Que te amam e amarão, pois você nunca será esquecida. Estará para sempre no coração de todos os que um dia tiveram a felicidade de te conhecer. Será eterna, pois seu nome nunca morrerá. Será passado de geração para geração, na palavra escrita e falada, pois todos lembrarão do tempo em que o mundo tinha você…

- Ehh..e todos te odiarão..e o pior.. você vai usar aquelas roupas cinzas de prisão e bem.. você fica horrível de cinza.

- Bem, na verdade eu sempre fico bonitinho, mas vou ter um uniforme diferente: preto. Pra todos saberem quem foi o causador da maior desgraça da terra. Pra saberem quem destruiu o sonho de milhões. Claro que escreverei um livro sobre minha, ou melhor, nossa vida, que será transformado em filme e ganharei milhões.

- Milhões?

- Sim, até serei entrevistado no programa do Jô, no Late Show, etc. todos querendo entender o porque. Então direi: “Porque antes dela ser do mundo, ela havia sido apenas minha e vocês tiraram isso de mim. Então a tirei de vocês. Espero que gostem da sensação, seus malditos, malditos, todos vocês!!!”.

- Não sabia que era tão possessivo assim comigo.

- Não sou… só um sentimento de posse doentiamente controlado, o resto é cena.. Você sabe que sou um puta de um ator né! Na verdade vou fazer tudo isso pela fama…

- Que isso.. nós sabemos que a culpa irá te corroer e você viverá pra sempre atormentado com a minha presença..

- Ahh! Mas eu já vivo atormentado com sua presença em dias normais..

- Como é que é?

- Err.. nada.. quis dizer que você escolhe o filme.. e aí.. Harry Potter?

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Entre pipoca e lágrimas

Julho 15, 2008 · 9 Comentários

 

Moletom, sofá e Dr. House, ela jurava que nada a faria abandonar os travesseiros e o edredom naquele dia, quer dizer, abriria uma exceção: João, definitivamente, pelo João ela abriria uma exceção, não tiraria as pantufas para correr de encontro a ele.. Ah! Mas pelo João, somente pelo João, seria capaz de apertar o pause do controle remoto. Era isso: dvd´s, moletom, edredom, sofá e o João, entregador de pizza amigo, trazendo o mesmo pedido de sempre: tomate seco com rúcula. Mas..

 

- Alô..

- Vamos sair?

- Não.

- Vamos sair?

- Não.

- VAMOS SAIR?

- Err.. hum.. não!

- Você fez um juramento lembra?

- Amar, respeitar e ser fiel até que a morte nos separe? Hum, não, não.. não era isso. Era? Xiiii… Senhor, perdoai.. eu pequei!

- “Com esse pedaço de carpê nas mãos, tendo Deus como testemunha, eu juro que nunca mais deixarei ninguém do meu círculo de amizade ir ao cinema sozinho”. Lembra-se?

 

Merda! Eu adoro cinema, cadeiras nas últimas fileiras, tela grande, saquinhos de M&M, mas a verdade é que o cinema, pra mim, é uma prova de que seres humanos são feitos para viver em sociedade. Em um dos meus piores pesadelos, estou em um cinema vazio, com um pote de jujubas, assistindo repetidamente Casablanca e chorando ao som de “as time goes by”.

 

Toda imagem de independência, toda a ilusão de auto-suficiência, toda arrogância de “não preciso de você pra nada”, se esfacela diante da bilheteria de um cinema.  Com quem vou rir nos trailers? Quem vai repetir comigo “há-há-há eu não tinha pensado nisso”, naquela mesma propaganda de Seguros do Unibanco? Com quem vou fazer observações (im)pertinentes? Definitivamente, o ser humano não nasceu pra ser só e por mais que os curitibanos (variante da espécie homo sapiens, mas com inúmeras peculiaridades) afirmarem que vão ao cinema sozinho por gosto pessoal, eu acredito que nenhum ser humano pode, REALMENTE, achar DIVERTIDO ir ao cinema sozinho, mas.. sei lá.. talvez a estranha seja eu, afinal, sou excêntrica.. faço solos de air guitar ouvindo Doors. Mas, enfim, convite para cinema é covardia. Como recusar? É uma alma em desespero, clamando por ajuda:

 

- Hum.. e qual é a boa de hoje? Documentário cambojano? As mazelas da Somália? Ou outro incrível filme iraniano sobre tratadores de avestruz? (ele é sempre responsável pelos mais “incríveis” convites, sempre acho que está testando o quanto eu posso suportar).

- A nova animação da Pixar.

 

(Pausa para a confissão pública: eu A-D-O-R-O desenhos).

 

- Está sendo cínico? Está dizendo isso para me fazer ficar feliz, dizer umas interjeições que expressam felicidade e depois acabar com todas minhas ilusões, num ato de puro sadismo?

- Não, estou realmente te chamando para assistir o novo desenho da Pixar.

- Por quê?

- Porque sei que você adora desenhos, oras!

- Hum… Você fez alguma coisa que faria eu te odiar pra sempre e está tentando ser legal para me impedir de te odiar pra sempre?

- Eu sempre faço coisas que fariam você me odiar, mas sabe Deus porque, nunca funciona.

- Eu estou doente, né? Eu estou com os dias contados e você, na sua infinita bondade, está tentando me deixar feliz antes da passagem, confesse!

- Pobre criança inocente! Você sabe que eu nunca faria isso.. minha bondade é extremamente finita, isso seria uma atitude cristã demais pra mim.

- Está precisando de um rim?

- Não, só de companhia para o cinema… e talvez de um fígado, mas creio que você não seja a escolha mais acertada para essa necessidade. Então, 15 minutos?

- Claro! Aí você me espera por mais 1 hora e vamos.

 

E lá estávamos nós e milhares de criança, em uma sala de cinema, comendo pipoca e assistindo Wall-E, quando:

 

- Má, você está chorando?

- Chorando?? Eu?? Eu não tô chorando.

- Então vamos sair daqui correndo para o hospital, deve ter algo estranho, estão saindo lágrimas dos seus olhos, LÁGRIMAS!! Sem você chorarrr.. Um médico, UM MÉDICO. Sococorro! Glândula lacrimal fora de controle!

 

E, em um ataque de fúria, o belisquei.. ferozmente!

E Wall-E fez o que nem a morte do pai do Simba em “Rei Leão” fez.. Patéticas cenas de uma pessoa adulta, chorando assistindo um desenho. Constrangedor! Na próxima vamos ver algo meio “Piaf”, “menos” triste.

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