The Bucket List

10 10 2008

 

Ilustríssimo Dr. Brehm pediu.. e se Dr. Brehm pediu, ta pedido!

 

MEME - “8 sonhos que a gente tem que realizar antes do grande encontro com Deus”

Regras:
• Escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de ir embora daqui;
• Passar o meme para 8 pessoas;
• Comentar no blog de quem lhe passou o meme;
• Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da “intimação”;
• Mencionar as regras.
—————-

 

Bem, antes de descobrir “quem somos”, “onde estamos”, “para onde vamos” e se “o fim” são grandes campos floridos e pessoas andando de branco, seria bacana:

 

1.      Sair, qualquer dia desses, com o Chico (o Buarque de Holanda), tomar umas cervejas, discutir uns livros, tomar mais umas cervejas e terminarmos bêbados, fazendo dueto, em um videokê qualquer, cantando “eu te amo” e “corrente”;

2.      Ir para Paris, comprar uma boina, sentar em um café qualquer com um livro do Baudelaire em mãos e um mp3 player abarrotado de músicas do Daniel Mille. Pedir um café e sentar em uma mesinha, enquanto olho o mundo ao redor fazendo uma cara blasé;

3.      Está certo, eu tenho uma samambaia. Está certo, eu tenho um cachorro, mas, ainda assim, de repente, talvez, quem sabe, ter aí umas criaturinhas humanas também não seria mal (mas espero morrer daqui muitos anos, para ter as tais criaturinhas humanas daqui uns belos anos, até lá.. bom.. eu tenho uma samambaia.. ahn.. e um cachorro.. e modéstia a parte, ando fazendo um bom trabalho. A samambaia ainda vive e o cachorro parece feliz com a vida que leva);

4.      Ter a certeza de que “tinham vivido juntos o suficiente para perceber que o amor era o amor em qualquer tempo e em qualquer parte”;

 5.      Fazer uma terceira tatuagem. Entre minhas excentricidades existe um incômodo com números pares, definitivamente, se eu morresse com um número par de desenhinhos na pele, eu não descansaria em paz por toda a eternidade;

6.      De algum modo, de algum jeito, seja por méritos próprios, seja por jogos de azar, terminar com uma considerável conta bancária para que eu termine meus dias em um lugar incrivelmente interessante, tomando drinks com enfeites feitos de papel crepom;

7.      Converter, no mínimo, umas 300 pessoas, as convencendo que, REALMENTE, ninguém pode gostar de pagode por livre e espontânea vontade (sempre quis salvar umas almas);

8.      Como já plantei uma árvore, como ter um filho está no planejamento 3, então, escrever e publicar um livro (que se cumpra!). E, de repente, quem sabe, terminar na ABL, afinal, se de Machado de Assis, terminamos em Paulo Coelho, é sinal que, hoje em dia, qualquer um pode virar imortal.

 

Ah.. as 8 pessoas!! Bem, como eu sou incrivelmente a favor do livre-arbítrio.. eu deixo o convite a todos que quiserem partilhar seus sonhos, esperanças, sandices, comigo e com qualquer um com um computador e acesso a Internet.





A festa da democracia

7 10 2008

 

Nesses meus vinte e cinco anos de existência, uma grande parcela vivida foi fazendo parte da tal festa da democracia. Muito além de domingos, muito além do título de eleitor aos dezesseis anos. Eu cresci no mundo político.

 

Tendo uma mãe coordenadora de campanha de diversos candidatos em diversas esferas políticas, palanques sempre fizeram parte da minha vida. Fui a criança bonitinha que entregava flores a candidatos, fui a simpática menina que sorria e entregava santinhos, fui incrivelmente apertada, amassada e abraçada pelo Fleury na campanha pelo governo de São Paulo, fiz inúmeros cata-ventos, distribui brindes, usei camisetas, fui mais apertada, mais espremida e mais abraçada pelo Fleury (foi então que no auge dos meus sete anos.. passei a entender o significado de ODIAR, sentimento nobre que passei a nutrir por cata-ventos, por gente me apertando e pelo futuro governador do Estado).

 

Hoje em dia, morando em outro Estado, longe de toda a confusão política e da família que se dedica à vida pública, cumpro só meu dever cívico de justificar a minha ausência na minha zona eleitoral. Mas neste domingo de festa da democracia, forças ocultas que regem o universo (também conhecidos como problemas técnicos de alta complexidade), me impediram de comparecer até uma zona eleitoral para justificar o fato de não votar. Foi aí que meu martírio e peregrinação, em busca de regularização do título de eleitor, começaram.

 

Minha primeira ação foi descobrir onde ficava o TRE em Curitiba. Fácil, não? Eh.. a parte difícil foi me dirigir até os confins do Prado Velho, em busca da Justiça Eleitoral. Se eu reclamava das calçadas íngremes do centro da cidade, definitivamente, foi porque nunca andei por ruelas estranhas com pedrinhas, lama e muito mato ao invés de calçadas, mas respirei fundo e no alto do meu salto 10, me equilibrei entre buracos, pedras e terra que fariam o caminho de Santiago de Compostela parecer fichinha.

 

Chegando ao TRE, andei por diversas salas, falei com milhares de funcionários, cada um me indicando um andar e uma sala diferente, e então eu entendi o porquê de chamarmos de “zona” eleitoral. Depois de toda minha peregrinação, acabei na zona 002, que, aparentemente, era onde eu deveria ter ido desde o início, já que, é a zona que abriga meu bairro. Quando pensei que meu problema ia finalmente ser resolvido, entram em cena os agentes do demônio no plano terrestre, também chamados de funcionários temporários do TRE:

- Boa tarde, eu não votei no domingo, nem justifiquei. Estou aqui para preencher os papéis e pagar a multa.

- Você mora em que bairro?

- Alto da XV.

- Hum.. eh.. então vota nessa zona mesmo.

- Não, não.. eu voto em São Paulo, mas eu moro aqui.

- Ah, quer transferir seu título? É só depois do dia 10.

PENSAMENTO INSISTENTE: Yeah.. quero transferir, disse que queria justificar pra ter umas preliminares antes.

- Não, não quero transferir.. não votei nem justifiquei domingo, quero quitar minha dívida com a justiça eleitoral.

- Ah! Mas é de São Paulo, aí você tem que ir para São Paulo.

- Não tem nada que eu possa fazer por aqui? Vou ter que viajar mais de 500 km para resolver isso?

- Porque você não votou domingo?

- Não votei porque estou a mais de 500 km de distância da minha zona eleitoral. Não justifiquei porque tinha perdido minha carteira com meus documentos.

- Votar é exercer seu direito bla bla bla a cidadania bla bla bla a democracia bla bla bla.

PENSAMENTO INSISTENTE: Yeah.. ok, ok.. Não votei porque eu tenho problemas com o álcool.. é isso.. driblei a lei seca e acabei bêbada na sarjeta…. incapacitada de exercer a cidadania.. dá pra resolver meu problema agora?

- Olha, desculpa.. mas agora já foi.. quero resolver o problema. O que podemos fazer?

- Peraí, vou chamar o João.

Chega o tal João:

- Pois não?

- Então, eu não votei domingo e não justifiquei, gostaria de regularizar a situação.

- Porque não votou?

PENSAMENTO INSISTENTE: Sou uma pervertida, a orgia sábado foi tão intensa que terminei algemada na cama. Podemos esquecer a parte do sermão de democracia e nos concentrar no MEU PROBLEMA DE AGORA?

- Perdi os documentos.

- Mas votar é exercer seu direito bla bla bla, a democracia  bla bla bla bla.

PENSAMENTO INSISTENTE: Yeah.. eu sou um ser humano desprezível me chicoteie.

- Ok, mas agora é tarde! Não posso voltar no tempo e cumprir meu dever cívico, mas o que podemos fazer para regularizar a situação?

- Certo, essa é sua zona eleitoral?

PENSAMENTO INSISTENTE: Se eu gritar que eu voto em São Paulo, talvez todos os funcionários nessa sala escutem, aí depois da quinta pessoa que chamarem pra me atender, não vou mais precisar repetir isso.

- Não, eu voto em São Paulo.

- Você é de São Paulo?

PENSAMENTO INSISTENTE: Puta que pariuuuuuuuu…

Sorriso amarelo:

- Sim, sou de São Paulo, mas moro aqui.

- Ah! Que legal.. e está gostando da cidade? Faz tempo que mora aqui?

PENSAMENTO INSISTENTE: Respire, acalme-se.. acalme-se..

- Sim, sim… já moro aqui há uns sete anos. E então, como resolvemos o problema com o título?

- Sete anos? Não quer transferir o título.

- Não, não.. quero pagar a milionária multa de 3 reais, regularizar minha situação e só.

- Ah.. Então.. eu não sei o que fazer, sabe como é.. funcionário temporário. Você não quer esperar o chefe do cartório? Ele já deve estar chegando, ele saberá o que fazer.

PENSAMENTO INSISTENTE: Que seja! Já vim até os confins da terra mesmo.

- Ok, eu espero.

 

Sentei em uma cadeira e esperei. Acho que nunca desejei tanto um homem como desejei aquele tal chefe do cartório. Contava os minutos para ele chegar e o fato é que, 1h20 depois, quando, finalmente, o vi entrando por aquela porta, acho que meu coração acelerou e minhas mãos começaram a suar. Senti vontade de apertar aquelas bochechas, bagunçar aqueles 8-12 fios de cabelo que povoam a sua careca e dizer algo como:

- I never wanted anyone as much as you..

João explica minuciosamente meu problema para o tal chefe do cartório e termina dizendo:

- E então chefe, ela tem que ir para São Paulo, né? Tribunal REGIONAL bla bla bla.. jurisdição bla bla bla

- Ahn.. não.. mocinha.. recuperou seus documentos?

- Sim, o número do título é XXXXXXX

- Ok, já entro no sistema e vejo a sua situação eleitoral. Você só vai precisar pagar uma multa.

PENSAMENTO INSISTENTE: Ah.. eu te amo chefe do cartório eleitoral! Se você tivesse uns 40 anos a menos e mais cabelo.. eu casava com você!

- Hum.. ok..

 

Consulta ao sistema realizada.

- Então.. Maíra, né?

- Isso.

- Então.. consta no sistema que sua situação está regularizada. Você votou domingo.

- Não, não.. não votei… nem justifiquei.

- Não, mas o sistema está dizendo que você votou, tem certeza que não votou?

PENSAMENTOI INSISTENTE: Ah.. de repente né.. vai ver eu uso tóxico.. estava tão drogada que viajei mais de 500 km e votei sem nem me dar conta.

- Olha, eu realmente não votei e não justifiquei, por mais interessante que seja vir até aqui, nesse lugar ermo.. não foi por prazer que o fiz. Eu REALMENTE não cumpri meu dever cívico e vim aqui me acertar com a justiça eleitoral.

- Hum.. alguém votou por você?

- Hein? Nãooo!

- Seu título foi fraudado?

- Ah.. se foi ninguém me ligou avisando que ia fraudar meu título.

- Você realmente não votou?

- Não.

- Bom, sua situação está regularizada, consta tudo normal nos sistemas. Você não precisa fazer nada.

 

Depois de tantas horas perdidas da minha vida, fiz a única coisa que poderia fazer: usei a agenda do meu celular.

- Ei.. Por acaso você está na PUC?

- Por acaso estou.. alguma a coisa a ver com trabalhar aqui e tal.

- Preciso me lamuriar e tomar um suco. Estou perdida nos confins do Prado Velho. Tem uns minutos?

- Para ouvir você se lamuriar, bebendo suco de morango? Claro!! Porque, não?

 

E assim terminei meu dia de quitação eleitoral no bloco amarelo, tomando suco e contando minha incrível vida sofrida, afirmando entender o que ACDC quis dizer com “I’m on the highway to hell”… se tem uma auto-estrada para o inferno, definitivamente, ela passa por aquelas ruelas dos confins do Prado Velho.  





Desilusão ortográfica

2 10 2008

 

 

- Hum… Como é mesmo o seu nome?

- Maíra.

- Ahn?

- M-A-Í-R-A

- Maira?

- Não, não.. Maíííra

- Com “y”?

- Não, com “i”.

- Tem acento?

- Tem sim..

- Onde?

- Ahn.. (Maííííra.. vai ter acento onde? No “r”?Ta.. seja simpática, seja simpática.. sorria) No “i”.

- Mas qual dos dois?

- Oi? (cara de: “comoo assimmm? Como qual dos dois? Dois o que? Que outro “i” teria em Maíra?”)

- Qual dos dois acentos?

- Como assim? (Será uma piadinha daquelas corporativas? Será que eu devo dar uma risadinha? Ninguém pensaria em acento circunflexo em um ‘i’, pensaria?).

- O pinginho ou o risquinho?

- Ahn? (digo com cara de apavorada.. é uma piada.. só pode ser uma piada.. ta bom.. vou dar uma daquelas risadas forçadas.. decidido.. pareça natural.. pareça natural!)

- No “i”.. (diz impaciente.. no maior estilo: “é tão difícil assim responder qual dos dois acentos?”)  o acento é o pinguinho ou o risquinho? (diz enquanto deve pensar: “detesto essas garotas imbecis… vou ter que desenhar?”)

- Hun?.. (cara de medo, muito medo). Acento agudo… (digo tomada pelo pânico).

- O risquinho, né?

- Yeah.. intimamente ele é chamado assim..

- Oi?

- Nada, nada (não é uma piada.. Aiii! Pensamento insistente: “Meu Deus.. me tira daquiiiiiiiiiii”)





Movimento Anti-Atrofia Hepática*

29 09 2008

 

É sempre a mesma história todo final de semana: João Paulo ouve o mesmo sermão da mãe, vê o olhar de reprovação da mesma tia-avó, escuta a vizinha mandando a família se apegar a Deus e lá está mais uma corrente de oração em mais um sábado de confraternização etílica junto com o pessoal do escritório.

 

Sempre antes das 20 horas, Dona Mariluce se joga aos pés do filho e implora para que ele pense no fígado, outrora tão vermelhinho e sorridente como um daqueles cartões smile.

 

Quase todo domingo, Luís Gustavo, depois de ter tomando um porre, acorda de cueca, esparramado no sofá, com o mesmo olhar de “ressaca introspectiva,” enquanto ouve o mesmo sermão de Dona Marlene.

 

Mas, ora essa, nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito.

 

Quando Aristóteles (Ari, para os íntimos) proferiu esta grande máxima da filosofia, nunca imaginaria que tal citação, sem maiores pretensões artísticas, se tornaria uma verdade etílica universal. Afinal, o fígado, tal qual qualquer órgão do corpo humano, carece exercícios cotidianos a fim de apresentar um bom desempenho.


Assim como aquele tio de meia idade que, no auge do mais familiar dos churrascos de domingo, se escala pra pelada da gurizada a fim de “fazer bonito” relembrando a saudosa época em que jogou de volante nos áureos tempos do combate Barreirinha (quando era conhecido pela alcunha de “Zezão quebra-osso”), e que, irremediavelmente acaba, após alguns (poucos) minutos de profunda humilhação, por ser hospitalizado às pressas com uma torção no joelho esquerdo, uma hérnia de disco, e um princípio de parada cardíaca, as atividades de devassidão (leia-se aqui bebedeira) devem ser devidamente exercitadas. Como manter um fígado funcionando devidamente se você não o faz trabalhar?

 

A bebedeira de final de semana não é só mais um ato mundano, não é apenas uma forma da secretária quase aposentada e reprimida fazer um striptease em meio ao pessoal do escritório. A bebedeira é medicinal! Terapêutica!

 

Porém, evidentemente, a não ser que estejamos na Sibéria (neste caso, recomenda-se vodka sem gelo, a não ser que esta já tenha virado gelo, que, não se havendo alternativa, pode ser facilmente comido), obviamente as condições normais de pressão e temperatura hão de ser respeitadas.

 

Muito embora a palavra “limite” enseje um significado tanto quanto subjetivo quando não empregada para fins matemáticos, principiantes devem se portar como tais, e, a fim de não terem seus currículos vergonhosamente maculados, até mesmo antigos medalhistas devem conservar certa parcimônia em questões etílicas, ao menos quando já desabituados ao mundo de Marlboro.

 

Tudo isso para que, ao final da empreitada alcoólica, dois martinis não acabem fazendo você se sentar no chão do banheiro e chorar copiosamente enquanto interpreta os maiores sucessos do Roupa Nova, um pouco antes de acordar com a maior ressaca do mundo, em local incerto e não sabido.

 

Enfim, isso e mais todas aquelas coisas que fazem parte do incerto conjunto de coisas que não deviam acontecer, mas que, acredite: acontecem nas melhores famílias. Nas piores famílias, então, nem se fala…

 

* Texto escrito em parceria com meu ilustríssimo amigo, conselheiro e fornecedor de grandes idéias, notícias bizarras e demais coisas mundanas.. Marcos Brehm, outrora conhecido por Castor.. e/ou “oww.. eh meu.. você aí ô cor-de-rosa”…





Conversas de MSN - IV

23 09 2008

 

- Você me adora?

- Só um pouquinho!

- Eu sabia…sabia que era pouco….

- Se você me tratasse melhor…

- Se você me paparicasse mais…quem sabe eu te tratasse melhor….

- Melhor do que eu te trato??? Mais boazinha do que eu sou?

- Se você chama isso de ser boazinha… tenho pena das pessoas que você não gosta….(risos)

- Larga de ser reclamão.. que estou fazendo um negócio bem fofo para o seu aniversário…

- Lá vem merda…(risos)… mas eu adoro as coisas “fofas” que você faz…(risos).. até porque eu mereço coisas fofas…porque sou um cara sensível e tal….

- Sensível? Sensível???? Não, você é um CURITIBOCA sem coração…

- Você é menina de cidade grande né… Ribeirão Preto…..o auge da civilização urbana….(risos)….lá todo mundo sabe o que é bom….(risos)

- Não, na verdade eu sou uma menina tímida e recatada do interior..que fica assustada com o progresso dessa vila que é Curitiba..

- Você é tudo.. menos tímida e recatada (risos).. Mas eu sei…leva algum tempo pra se acostumar com os ônibus né.. eles são maiores e mais rápidos do que tratores né…(risos)…mas um dia você se acostuma

- Sempre cruel, sempre me maltratando.. sempre implicando com minha formação interiorana…..

- Faz parte do meu charme….(você está começando com as chantagens emocionais de novo!!!)…(risos)

- E quando foi que eu parei com as chantagens?

- Quando você sentiu aquela terrível dor na consciência por estar chantageando alguém que te ama tanto…

- Tá..mas eu não estou chantageando alguém que me ama TANTO..eu estou chantageando você.

- Essa doeu….Você é parente do Sr.Satanás?

- Aii..o que eu fiz agora?

- Você foi maldosa..pra variar….

- Eu? Maldosa? Você sabe que está além das minhas forças ser maldosa.. tenho um coração bondoso demais…

- (risos)…. À vezes eu me pergunto se você realmente tem um coração…

- Você que é frio e insensível… me maltrata.. e eu ainda sou a ruim da história??Eu sou a VITIMA..VI-TI-MA…

- (risos)….eu tinha esquecido que você é sempre a vítima…está na Constituição…

- Eh.. EU SEMPRE TENHO RAZÃO..A CULPA É SEMPRE SUA, lembra? Nossa relação é baseada na igualdade dos sexos..

- Às vezes eu me esqueço desse detalhe crucial….eu queria só ver que tribunal ia me declarar culpado na nossa relação….você é que iria pegar prisão perpétua….

- Me chama de chata.. cruel.. insensível, mas não me larga.. eu acho que você me adora hein…

- (risos)..esqueci de dizer o quanto você é “modesta”…essa não pode faltar….

- Pois é.. você também adora minha modéstia..

- (risos)..é que ela salta aos olhos….

- Ai…poxa.ultimamente eu ando tão humilde..tão boazinha..

- (risos)..com quem? (citar o Ale não vale)

- Mas.. mas.. mas.. Poxa! Ta.. Humpf! Com quem MERECE!!!!!!!

- (risos)…eu acho que não conheço…

- Você quer dizer que merece que eu seja boazinha com você?

- (risos)…e você acha que não??? De que planeta você veio?

- Vim de SP..onde as pessoas que mereciam carinho.. atenção….e coisa e tal não eram tão cruéis…

- É que nós aqui de CURITIBA somos mais exigentes sabe….(risos)

- Oh.. meu Deus.. Onde foi que errei? Arrogante..vil..cruel..curitibano…

- (risos)….você xinga os seus inimigos tanto quanto xinga seus amigos?

- Não..só chamo de arrogante ..vil e cruel..quem eu gosto.. os amigos de coração mesmo!

- (risos)…ah bom….e você pensa que eu saio por aí ignorando e maltratando qualquer uma?

- Boboca =P

 

Eu realmente acho que certas amizades são eternas! =)

E lá se vão quase nove anos de implicância, risos, telefonemas de madrugada, draminhas, apelidos ridículos, arrogância, conversas bizarras, patetices, enrascadas e, apesar da aposta de muitos incrédulos, com ambos ainda tendo um fígado :-)

Que venha mais um ano com a tradição de presente de aniversário criativo, brega e incrivelmente vergonhoso!





A vida em cores

21 09 2008

 

Gripe insistente, gripe insistente, GRIPE INSISTENTE. Toca o telefone:

- al.. atchim, atchim, atchim… alô…

- Nossa.. você está bem?

- Ahn.. se por bem você quer dizer febre, um mal estar que não passa e graves problemas para respirar.. eh.. eu diria que nunca estive tão bem.

- Sempre exagerada! Vou passar na sua casa daqui a pouco, tá precisando de alguma coisa?

- Uma garganta sem infecção. Pode me conseguir uma?

- Bom, vou sair um pouco do meu caminho, mas dou um pulo no IML, mas porque é pra você, hein..

- Aproveita e passa na farmácia, preciso de um anti-térmico e qualquer coisa que me faça ter uma vaga lembrança do que é respirar.

- Como sou bonzinho te levo chocolate também. Hum.. só isso?

- Ah! E tinta

- Ahn? Tinta?

- Sim, tinta para o cabelo.

- Vindo de você tinta guache que não seria, né? Mas, enfim, como isso vai fazer você melhorar da gripe?

- Ah.. é uma técnica hindu. Cheiro de tinta é melhor do que vicky vaporub, não sabia?

- Doida! (diz rindo). Mas eu acho que a probabilidade de apanhar quando chegar com a caixinha de tinta é enorme. Pra mim existe quatro cores: loiro, vermelho, castanho e preto. Mas você sempre compra aquelas tintas de nome engraçado.

- Você poderia tentar, né?

- Está bem, qual a nuance de vermelho que você quer?

- Castanho.

- Ahn? Existe vermelho castanho?

- Não! Não quero mais pintar de vermelho, quero um castanho.. escuro, mas nem tanto.

- A que devemos a mudança radical?

- Castanho combina melhor com a gripe. Lembra quando eu tinha o cabelo preto? Combinava perfeitamente com aquelas olheiras de gripe. Ficava pálida de um jeito tão harmônico!

- Ta, quando estiver na farmácia te ligo.

Alguns minutos depois ele liga de novo:

- Meu Deus! Sabe quantas mil cores são chamadas de castanho? Castanho irisado, que diabos é isso? Já mencionei que você fica muito bem de cabelo preto? Pois é, você fica muito bem de cabelo preto.. Que tal preto? Só tem três nomes engraçados sendo preto e pra mim são o mesmo tipo, não tem erro! E aí.. o preto café, ônix ou ametista?

- Não quero preto, quero castanho..C-A-S-T-A-N-H-O! O irisado é muito claro. Não quero chocolate, não quero nenhum tom de marrom, não quero dourado, que dificuldade pode ter em comprar tinta?

- Agora complicou.. todos tem um “dourado”, “acobreado”, “penas de pavão nórdico acinzentado” na caixinha. Como diabos esses nomes fazem sentido? Existe mesmo diferença entre esse tal de castanho claro acobreado irisado intenso e o vermelho claro? Ai! Me sinto num universo paralelo… Meu habitat natural, definitivamente, é o corredor de bebidas do mercado.

- Ai, ai..





Entre paracetamol, lenços e registros

15 09 2008

 

É final de semana, o que por si só sempre foi o suficiente para me deixar feliz, mas dessa vez uma gripe intensa me fez esquecer que as sextas são lindas por si só e que os sábados são gloriosos só porque são sábados. A felicidade deu lugar aos espirros, a vodka ao suco de laranja sem gelo e o bom humor a apatia.

 

 Eu me esforcei para ser sociável, acabei parando em um bar e tentei esquecer que a música só piorava a minha dor de cabeça e que manter os olhos abertos era um martírio. Tentava, desesperadamente, me convencer que o bacardi lemon nem é tão essencial para a vida humana e procurava achar graça no suco de laranja sem gelo.

 

Em menos de duas horas desisti de querer ter uma vida e resolvi ir pra casa e, numa atitude altamente altruísta, dispensei todo e qualquer ser humano das funções de enfermeiro, afinal, amar é incentivar a consumação de cerveja e, também, tudo que eu queria era me encher de porcarias sintéticas que aliviam a sensação de mal-estar e dormir.

 

Em casa, fiquei deitada na cama lembrando de saudosos tempos, quando ainda conseguia respirar sem maiores problemas. Ah! Que doce sensação, não? Você puxava o ar e o sentia entrando em seus pulmões. Que dias gloriosos foram esses! E agora você está assim, mal humorada, morrendo de gripe, achando que até seus dedos dos pés devem estar congestionados e que é por isso que cada parte do seu corpo dói. Teria outra explicação plausível?

 

Você não caminha mais, você se arrasta com suas pantufas de joaninha por todo o apartamento, enquanto deseja ser acéfala, para que aquela insuportável dor de cabeça deixe de fazer parte dos seus dias. Não há neosaldina que amenize, não há paracetamol que cure, não há vicky vaporub que descongestione.

 

Em meio a todo caos que tem sido respirar, você tenta desesperadamente dormir, mas você descobre que ou você deita na cama ou você respira. Você cogita ligar para seu avô e perguntar sobre as técnicas dele para dormir sentado, mas já passam das duas horas da manhã e é assim.. só você, a gripe e seu mau humor, numa madrugada fria.

 

Quando você pensa que nada mais pode acontecer, quando você acha que não tem o que piorar, você ouve aquele ruído vindo do banheiro. Muito a contra gosto você se levanta do sofá, caminha em direção ao barulho e tchan-tchan-tchan… tem o banheiro, tem um tapete encharcado e tem água, muita água… você tenta respirar fundo e se lembra que nem isso você pode fazer. Em uma atitude muito madura, você resmunga e tenta fechar o registro emperrado. Você é destra e sua mão direita está machucada, você tenta se convencer de que tem a mesma coordenação com a mão esquerda, mas é em vão. Você fica tão irritada que esquece da mão machucada, esquece da dor e fecha o registro, enquanto amaldiçoa os malditos problemas hidráulicos.

 

Porque eu? Porque diabos esses malditos problemas envolvendo canos e água me perseguem? Karma? E já começo a pensar sobre vidas passadas: “Pô! Se soubesse que ia ser um castigo tão cruel assim, eu nunca teria roubado o padre, batido no mendigo, bebido mais que devia e xingado a mãe da dona da padaria!!”.

 

A festa regada à música ruim e volume ensurdecedor continua dentro da minha cabeça, manter os olhos abertos em meio a lugares com luzes acesas tem sido uma provação e, infelizmente, não era possível controlar um vazamento e enxugar todo o alagamento no escuro.

 

Além de tudo o registro vazava. Você procura por fita veda rosca desesperadamente.. e lembra-se que ela acabou no último problema do chuveiro. Você amaldiçoa o chuveiro, o registro, a instalação hidráulica e se pergunta por que diabos você não está morando com seus pais, com seu irmão, com o zelador, com um bombeiro hidráulico, que seja! Você fecha o registro, resolve o problema do vazamento com fita crepe e um pano e começa a se sentir meio McGyver.

 

A irritação continua, a dor de cabeça só piora e você tem febre. Você madura, sensata, auto-suficiente, independente, senhora de si e cosmopolita faz o que qualquer outra faria.. grita “Merdaaaaaa”, resmunga e jura que vai resolver de vez o caos que virou seu banheiro, nem que pra isso tenha que derrubar paredes.

Se eu já tinha ficado triste com o chuveiro e suas seis fileiras de água com pingos caindo num intervalo de 6 segundos, imagine só a euforia de não ter água no banheiro como um todo.

 

A febre continua e você pensa em um banho gelado e lembra do problema com banheiro e vazamentos. Cogito deixar o apartamento alagando por 20 minutos enquanto tomo banho, depois resolvo partir para o plano B: a área de serviço. Tem uma portinha na área de serviço que leva para um lugar que civilizações antigas acreditavam ser um banheiro. Tem um vaso sanitário e um cano de chuveiro, tudo isso dentro de um cômodo do tamanho de uma porta do meu guarda-roupa, deveria servir em uma situação emergencial.

 

Abro o “chuveiro” (entende-se por chuveiro um cano sem um chuveiro de fato) e  a água em temperatura ambiente padrão Patagônia começa a jorrar. Lá se foram meus planos de não lavar a cabeça, visto que, forças místicas superiores fizeram a intensidade da água lavar minha cabeça, o vaso sanitário, as janelas do “banheiro” e a porta.

 

Acabo adormecendo no sofá da sala, assistindo as porcarias que só uma tevê aberta pode produzir às 3 horas da manhã. Mas, ao amanhecer, o problema hidráulico continua, ainda tenho febre, tomo paracetamol como se fosse tic-tac e, nostálgica, suspiro e lembro daqueles velhos tempos.. onde eu conseguia respirar tão bem. Ah!! Que dias gloriosos foram esses!

—-

PS: Querida Bia, nesta manhã festiva, eu (e toda aquela equipe responsável por esse blog - hahaha) queremos desejar a você blá blá blá blá, felicidade, sucesso, etc.. etc.. etc… e que o espírito (ops, isso é só no natal!), enfim, Feliz aniversário! =)





Como lidar com vegetarianos psicóticos

11 09 2008

 

- O que você está fazendo? (pergunta ele em tom visivelmente apreensivo).

- Abrindo uma caixinha de leite (ela responde com a famosa expressão “já vai começar”).

- Isso não é leite!! (diz com o conhecido tom de desprezo)

- ÉÉÉÉÉ.. malditas redes de supermercado nos alienando e nos fazendo acreditar que dentro de caixinhas de leite tem leite.

- Você sabe que isso não é leite de verdade, isso aí é conservante puro.

- Na verdade eu ADORO mesmo é o gosto de conservante, se eu pudesse compraria só o conservante, mas o leite vem junto, o que eu posso fazer?

- Você está se matando! Não vê isso?

- Eu sei.. era tomar leite ou me enforcar, fui pelo caminho menos doloroso, admito!

- Você não dá valor a nada mesmo… (diz enquanto abre a geladeira). Ai! M-e-u   D-e-u-s!!! (diz como quem não acredita no que vê).

- O que? O que? O QUE?

- Carne?!?!? Como você pode apoiar o assassinato de animais?

- Não é assassinato, é cadeia alimentar.

- Ahn?

- Veja bem, estou só cumprindo meu papel social. Como representante da espécie homo sapiens é meu dever comer carne. Comer a comida da comida é que seria errado.

- Oi??

- Você prega tanto a defesa dos animais e o que faz? Desequilibra o mundo comendo alface. Como predador natural das vacas é seu dever cívico comer um bife diariamente. Se o ecossistema está assim é por culpa de pessoas como você, que são incapazes de pensar no bem-estar dos animais.

- Eu desregulo o ecossistema??? Eu não respeito os animais? E-U?

- Obviamente. Temos os vegetais (produtores) na base da pirâmide, depois temos os animais herbívoros, acima os predadores, divididos em grupos, e no topo do grupo dos predadores, temos a espécie humana e você está desregulando a pirâmide! Você não se aceita e tenta ocupar o segundo nível trófico,  você é um ser humano e se vê como uma vaca. Tem medo de assumir suas responsabilidades no mundo.

- Maaa-aa-s-ss… ahn.. eu faço isso pelos animais!

- Não, você finge que seus motivos são puros, finge que faz isso para salvar o mundo, mas na verdade está comendo a comida da comida e provocando desequilíbrios ambientais, não se envergonha? Não duvido que o mico leão dourado esteja ameaçado de extinção por sua culpa. Não duvido que os leões estejam desaparecendo das savanas porque as pessoas estão comendo a comida da comida deles. Detesto essas pessoas sem consciência ecológica. Cenoura free!!! Parem com o desequilíbrio ambiental.. comam carne!!!

- Ma-a-a.. - sss

- Nada de “mimimimi.. mas, mas”, senta aí que eu vou te fritar um bife.





Me, myself and chuveiros

9 09 2008

 

Você tenta ser uma mulher superior, independente, senhora de si, corajosa e cool, mas acontece que vez ou outra, o inevitável acontece e você, a garota imperturbável com seu ar de mulher independente, acaba desabando diante do pior problema que uma mulher pode enfrentar depois da falta de creme para pentear: chuveiros.

 

Eu sou uma garota mimada, com os privilégios de quem tem um pai e dois irmãos. Assim, acabei sendo criada dentro de uma bolha, vivendo em um mundo cor-de-rosa, onde problemas elétricos eram inexistentes e nunca fui preparada para usar uma chave de fenda ou reconhecer uma chave allen 1/8.

 

Não sei se são as leis de Murphy agindo, não sei se meu apartamento está localizado justo no limite da declinação mais meridional da elíptica do sol, não sei se eu tenho mais problemas com chuveiros ou se eu só PASSEI A PRESTAR ATENÇÃO NOS PROBLEMAS DE CHUVEIRO, mas o fato é que eu tenho a síndrome da mulher que mora sozinha e, cotidianamente, tenho que lidar com isso. E enquanto estava no ritual matinal envolvendo xampu, cremes e sabonete, me deparei com a falta d´agua. Como qualquer mulher calma e centrada:

 

- Merdaaaaaa! Eu não acredito que acabou a água justo agora. Como diabos a água acaba sem nenhum aviso prévio? Ah não.. eu vou ligar para o síndico agora.. onde já se viu!!! Vou passar o dia com a cabeça cheia de xampu??? Merda! Merda! Merda! Merdaaaa! (resmungo enquanto saio do chuveiro, me enrolando na toalha e procurando pela toquinha de banho rosa com borboletinhas)

 

Antes de mostrar toda minha indignação para com a autoridade do prédio, resolvo abrir toda e qualquer torneira existente em casa e, para meu espanto, em todas a água saia abundantemente, então, seguidora da filosofia que uma garota deve aprender a lidar com seus problemas e desgostos sem que isso acabe em Djavan e chocolate, totalmente independente e senhora de mim, disco os números da salvação, também conhecidos como número de telefone de um representante do sexo masculino:

 

- Socorrooo! Deus está me punindo porque não consigo tomar banho em 10 minutos!

- Porque sempre parece que estamos no meio da conversa quando eu atendo uma ligação sua?

- Está dizendo que nunca sou clara o suficente?

- Não, estou dizendo que você começa a conversa do meio então parte para o começo, volta para o meio, fala compulsivamente e então temos o fim. Mas você não ser clara o suficiente seria minha próxima colocação.

- A minha cabeça está cheia de xampu, poderíamos nos concentrar nos meus problemas e depois nas suas reclamações a meu respeito?

- Sempre egocêntrica.. “meus sentimentos”, “minhas falas”, “meu cabelo cheio de xampu”. Ahn? Cabelo cheio de xampu?!? Porque você saiu do chuveiro para me telefonar?

- Foi uma mensagem do Senhor, Ele se manifestou para Maomé, para Paulo.. parece que chegou a minha vez.

- Oi??

- Meu chuveiro parou de funcionar, tenho que explicar tudo???

- Hum.. o que houve? Queimou?

- Não! Se fosse isso teria terminado de lavar a cabeça, né? Essa coisa de frescura com água gelada é coisa de franguinha! A água acabou.

- Então você se enganou com a mensagem do Senhor para você.  Está claro que ele queria que você ligasse para a SANEPAR.

- Não, porque antes Ele me fez abrir todas as torneiras e a água é abundante, menos no chuveiro, que continua com suas cinco fileirinhas de água e pingos caindo num intervalo de 6 segundos.

- Ai, ai.. você é muito maluca! Posso ver isso a tarde?

- Hum.. já está no trabalho?

- Yeah…

- E as prioridades?

- Tenho certeza que seu chuveiro sabe que ele é muito importante pra mim, mas ele tem que compreender que há homens engravatados sentados em uma sala esperando por uma apresentação em ppt.

- Tudo bem.. eu dou um jeito..

- Nãooo! Se você me disser que vai mexer no chuveiro eu dou uma desculpa e saio agora. É mais fácil do que te salvar de um prédio em chamas.

- Engraçadinho!  Não vou arrumar.. quer dizer.. só vou arrumar uma maneira paliativa de lavar a cabeça.

 

Patéticas cenas de uma mulher na área de serviço do seu apartamento, debruçada sobre o tanque, lavando a cabeça.

 

A tarde ele chega, abre o chuveiro e:

- Certo, o fluxo de água parece bem normal pra mim.

- O que você fez?

- Mexi naquela torneirinha mágica ali e a água começou a sair. Não é bárbaro?

- Deve ser sua máscula presença intimidando o chuveiro.

E tudo funcionou normalmente, até aquele outro dia. Novamente, os mesmos números da salvação:

- Casa comigo?

- Casar? Ué.. pensei que você achasse que o casamento cria semi-zumbis e destrói a forma humana das pessoas.

- Hum.. e acho, mas a gente não precisa casar, podemos só morar juntos. O que acha? Quando traz suas coisas? Hoje?

- Você andou bebendo?

- Eu acho que minha samambaia está precisando de uma figura paternal em casa.

- Doida! (diz gargalhando). Posso saber o que você aprontou?

- Meu chuveiro só funciona com você em casa. O que posso fazer? Ou me mudo, ou paro de tomar banho, ou caso com você. Pareceu o menos complicado, odeio encaixotar coisas e tenho a síndrome de abstinência de sabonetes e xampu… sou asseada o que posso fazer?

- Sempre sentimental!

 

Ferramentas,  fitas, registros e algum tempo depois, o problema foi totalmente resolvido.