Mah e suas aleatórias divagações

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O melhor dos meus enganos

Novembro 8, 2009 · 27 Comentários

cupido

Pois é… Estou eu aqui, em pleno domingo, tentando organizar as idéias e entender como alguém pode se apaixonar e re-apaixonar tantas vezes pela mesma pessoa, já sabendo como isso vai acabar. Que horror! Isso parece doentil. Amor bom é aquele que finda, com ou sem tragédia. Que deixa marcas e vira lembrança… Não, não se trata de um amor renovado pela maturidade… daqueles que a gente se mata de paixão, odeia, se afasta e um dia retoma. Não, nada disso… falo do mesmo amor de sempre, caótico, contraditório, aquele em que se desdenha a pessoa, tem vontade de bater, de desistir, de sair batendo a porta para sempre, mas passada a fúria inicial, ama ainda mais e pior… ama conscientemente. Sabe de todos os motivos pelo qual se odeia… e ainda assim ama, mesmo sabendo de todas as diferenças, mesmo lembrando de todos os finais sem começo, mesmo com todos os ciclos de indiferenças.
Maluquice! Só pode ser. Amores são de passagem. Têm seu ciclo. Acabam. E não ficam se reinventando sozinhos. Mas, não! Quando penso identificar os sinais do fim – das fases que bem conheço – começa tudo novamente e apaixonada estou… pelo mesmo homem, com os mesmos defeitos, com o mesmo jeito arrogante, com a mesma desconfiança desmedida quando eu digo que gosto e que me fez chorar em vários domingos desses. E eu continuo com o mesmo olhar de adolescente quando ele me liga, tropeçando nas palavras, agüentando as mesmas crises apocalípticas.  
Hoje caiu a ficha. “Meu Deus, ainda estou apaixonada por esse sujeito? Como assim? Mas-mas-mas e todas essas paixões eternas de uma semana que eu tive depois dele?”
Para não pensar, engoli todos os episódios de friends de uma só vez. Mas, como manter o controle diante dessa estarrecedora constatação? E se não acabar? O que eu vou fazer se o amor insistir, insistir e insistir? Que coisa mais assustadora! Qual será a fórmula para se desapaixonar? Por que ele já trilhou todos os caminhos tão conhecidos do passado, que funcionavam… que sempre funcionaram… e sempre que eu acho que já não me importo, lá vem ele, com suas mentiras cor-de-rosa, que eu não entendo.
Não, eu não mudei, muito menos ele. Eu continuo confusa e complicada, ele continua colocando o dedo na minha cara, me chamando de arrogante e dizendo que já me superou, não dando importância para as minhas mal-versadas declarações irônicas e torcendo o nariz para minhas atitudes intempestivas.  
Só pode ser loucura, não há explicação lógica… mas eu ainda não consigo acreditar, quando repito baixinho, repetidas vezes… que já não me importo mais.

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As importâncias, os expressos, o Sr. Francisco

Outubro 30, 2009 · 24 Comentários

Muitos o conhecem melhor do que ela. Mais gente ainda tem aquelas histórias para contar sobre ele. Há aquelas de quem ele gosta infinitas vezes mais. Provavelmente o Sr. Francisco da padaria, que o vê todos os dias, pedindo o mesmo café expresso, com a mesma cara de mal humorado, sabe muito mais a respeito dos gostos dele do que ela.
Ela? Ela mal o conhece, pelo menos ela repete isso todos os dias, a cada instante em que se vê preocupada com dores de ouvido, com insônia, com o “ah, estou triste” e com as discussões, todas elas.
Meu Deus! Ela mal o conhece… Então porque diabos ela não para de se importar? Porque ela não compra apenas as benditas aspirinas e o bronzeador ao invés de ficar esticando a conversa com o farmacêutico com “e o que temos aí para dores de ouvido”? Quantas vezes ele terá que dizer: “sou crescido, auto-suficiente e independente. Pára de se preocupar comigo, sua arrogante..”?
Ela mal o conhece.. como ela vai retrucar quando ele diz que ela o dispensaria por conveniência? Ah! Ela deveria dizer pra ele… Provavelmente ele não sabe que por conveniência ela já deveria tê-lo esquecido, por conveniência ela teria saído batendo a porta da primeira vez que ele desligou o telefone na cara dela. Provavelmente ele não sabe como ela sente sua falta quando ele não está por perto. Provavelmente ele não sabe como a faz rir. Provavelmente ele não sabe como ela admira aquele ar intelectual e aquele mau humor de fachada, que não o impede de aturar as gracinhas dela em uma segunda de manhã.
Não, não.. ela não deveria dizer nada, afinal, ela não é ninguém… gente mesmo é o Sr. Francisco, que sabe:  “um expresso médio e com pouco açúcar”… Ela? Ele mal a conhece..

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Quem é mais sentimental que eu?

Agosto 24, 2009 · 23 Comentários

- Ma.. o que você vai fazer no próximo final de semana?

- Bem.. não sei ao certo ainda… mas como é final de mês.. provavelmente vou ter crises de estresse profundo, graças a grande pressão que irei sofrer por causa das metas… vou descobrir que estamos ainda com 60% conquistado e que tenho alguns dias para atingir metas astronômicas… não vou conseguir dormir, vou fazer o meu trabalho, o trabalho dos outros, vou abusar do chocolate, vou ter umas crises de gastrite… acho que é isso.. mas não tá nada decidido ainda hahaha

- Quer ir para a Europa comigo?

- Você vai para a Europa?

- Sim.. semana que vem. Vamos comigo?

- hahahaha.. não alcancei ainda o seu patamar na pirâmide social, para acordar um belo dia e dizer: “que lindo dia para dar uma volta pela Europa”

- PATETA… hahahahaha.. Não vou lá passear, vou a trabalho, vou morar um tempo lá.

- Bem, se qualquer outro me dissesse que está indo para a Europa trabalhar, já imaginaria um emprego na Bodequita, dividindo um quarto e sala com um cara chamado Ramon.. mas como é você.. como tem aquele patamar social distante da minha realidade… tá me querendo pra que? Pra ser sua empregada da America Latina? Devo mudar meu nome para Juanita? Hahahaha

- Não é má idéia não viu hahahaha… mas estava pensando, você sabe que eu abomino essa coisa de contato social, imagina ter que fazer novas amizades? Melhor levar alguém que consiga me aturar. Quem melhor do que você? Então, vamos?

- Não tenho dinheiro… eu fiz um investimento a longo prazo: armários.. gastei tudo que eu tinha.. dizem que uma casa com armários é o que nos diferencia dos animais.. esqueça aquela conversa envolvendo polegar opositor hahahaha

- Estou falando sério, pastel..

- Eu também.. o pior é que eu também..

- Ok, ok, ouuu queiii… eu pago sua passagem. Vamos?

- Você sabia que argumentando assim existe uma remota chance de que eu aceite… e aí meu caro?

- Mas eu estou falando sério… vamos? Posso marcar sua passagem?

- hahaha.. eu não posso ir para a Europa… eu tenho aquela vida adulta.. eu tenho um emprego.. eu tenho que molhar minhas plantas.

- Plantas? Desde quando você é uma mulher que tem PLANTAS? hahahaha

- Tá.. é uma só.. mas ainda assim… é uma responsabilidade.. não posso largar tudo hahahaha

- A quem você quer enganar? Você não nasceu para ser mega executiva…

- Não.. nasci para ser uma imigrante ilegal? hahahaha

- Você tem dupla nacionalidade e uma carinha européia, esqueceu?

- Ah… uma vez da América Latina.. sempre da América Latina hahahaha

- Vamos?

- Não posso.. eu tenho responsabilidades.. eu ainda estou pagando meus armários.. não posso viajar e deixá-los aqui…

- Desde quando você se importa em deixar coisas? Você sem o menor remorso.. sem nenhuma dor no coração.. deixa pessoas pra trás como quem deixa um guardanapo..

- Ah… vai ver que é porque eu nunca paguei por nenhuma pessoa… porque.. poxa.. meus armários… hahahahaha

- hahahahahahahaha…. é por isso que eu te adoro…

- Porque sou uma menina doce, sensível e romântica? hahahaha

- Porque você é uma palhaça… uma PALHAÇA…

E vocês? Não deixariam o que para trás? =)

PS: Estou vivendo na Seatle paulista.. Há mais de uma semana que só chove por aqui.. e eu.. menina apegada a secador e chapinha… SOFRO com esse excesso de umidade… então lá estava eu, de cabelo solto, alegremente atendendo meus queridos clientes quando um vira e diz: “o que você fez com o cabelo? Está assim… bonito.. selvagem”… Sofro amados, SOFRO! Hahaha…
 

Dias de poodle selvagem

Dias de poodle selvagem

 

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Dos encontros arranjados

Junho 2, 2009 · 12 Comentários

Tenho a leve impressão que minhas relações interpessoais mais próximas tem apenas um objetivo de vida: tentar me engravidar (no bom sentido). Desde que fiquei solteira é um aqui e outro ali tentando me arrumar encontros. Se por um lado tem toda aquela coisa bacana nessa atitude, por outro eu acabo me metendo em enrascadas homéricas, não sei escolher minhas amizades, então é de se esperar que minhas amizades não tenham o menor discernimento na hora de escolher homens meio que até bonitinhos com destinação amorosa em potencial.
Mesmo sabendo da dura realidade mundana, eu, garota ingênua, crédula e etc..etc.. inocentemente… fui acreditar quando um ex-namorado da era mesozóica disse:
- Ma, eu preciso te apresentar uma pessoa.
- Um terapeuta ou algo do gênero?
- Não.
- O Eddie Vedder?
- Ahn.. não…
- Jonnhy Depp?
- Não…
- Hum… pronto.. não sei.. Acabaram as opções que despertariam gritinhos empolgados…
- Porque você daria gritinhos empolgados por um terapeuta?
- Ahn..eu te contaria, mas não teríamos a confidencialidade paciente-médico… não me sentiria segura.
- Ele não é terapeuta, não é bonito e sensual como eu, mas é esforçado… e o mais importante.. ele quer muito sair com você.
- Ele quem?
- O rapaz que vou te apresentar.
- Porque vai me apresentar um rapaz?
- Porque você está solteira. Não está? Ao menos estava…
- Estou, mas isso ser uma preocupação na sua vida é que é assustador. Qual é o problema do rapaz? Fala de uma vez. O que tem de errado com ele?
- Nada, justamente por isso que eu quero que você saia com ele.. ele precisa de alguns problemas e defeitos congênitos na vida… o que melhor do que você como namorada?
- Sabe.. é por essas e outras que nunca me pergunto “porque foi que terminamos mesmo?”. Você está sempre por perto me lembrando dos porquês.
- Posso marcar?
- O que?
- Um encontro com o rapaz.
- Ahn… não sei não…
- O que tem a perder? Sabemos que eu fui o único acidente de percurso na sua vida… de resto você manteve o alto nível lá em baixo.
- Vamos direto ao ponto: quantos toblerones e garrafas de vodka isso vai me render?
- Estou te fazendo um favor e ainda tenho que te comprar?
- Yeah… se você quer entrar na cafetinagem.. ao menos algum agrado você tem que dar para suas meninas.
- Ok, temos um acordo… não posso deixar você perder o Marcelo assim.
- Quem?
- Deixa com o pai aqui.
Pronto.. as fezes já tinham sido atiradas no ventilador. Eu, moça ingênua, crédula, romântica.. acreditei mesmo na pureza das intenções de um ex-namorado, que na sua imensa bondade, me daria uma mistura de Jonnhy Depp com Vedder e de brinde.. vodka e chocolate. E então o fatídico:
- Ma, esse é o Marcelo.. Marcelo.. essa é a menina má com quem você queria sair.
Dois beijinhos nas bochechas depois:
- Ahn.. Marcelo.. com licença um instante (digo arrastando o cupido moderno pelo braço) – Ok.. Qual é a pegadinha da vez?
- Hum.. interessante.. agora já sei porque você queria um terapeuta: paranóia em níveis consideráveis.
- Você olhou direito para esse cara?
- Ahn.. acho que sim… o que meus olhos masculinos não conseguiram detectar, mas que aparentemente trata-se de uma obviedade feminina?
- Ele está em um lugar considerável no grupo dos meio que até bonitinhos..
- Entendo… Mea culpa, minha máxima culpa… deve ser realmente desprezível te apresentar pessoas bonitas, né? O que posso fazer? Sou assim.. desapegado… o que importa mesmo é ter saúde, mas espero que você releve eu ter escolhido alguém assim, desconcertantemente apresentável. Agora larga de frescura e vamos lá (diz ele quase me puxando pelos cabelos e me colocando do lado do tal Marcelo).
Estranhamente Marcelo era um rapaz meio que até bonitinho, engraçado, inteligente… e me acompanhou em todas as doses imagináveis de vodka, ypioca e cerveja. Estranhamente nos demos bem e estranhamente eu estava beijando as bochechas do meu ex-namorado dizendo que ele tinha uma superioridade sentimental que eu não tinha, afinal, Marcelo não era emo, não aparentava níveis intoleráveis de esquisitice e nem parecia sofrer com traumas irreparáveis graças a uma família desestruturada. Infelizmente, quem vê cara não vê coração e nem set list. Inocente e bêbada que sou, não notei o risinho sádico que deve ter surgido em algum momento, na cara angelical do meu cupido.
No dia seguinte.. telefone insistente, telefone insistente, telefone insistente:
- Ahn.. huuuummm… aaaaaahhhh (digo, com minha conhecida eloqüência matinal)
- Ma?
- Ahnnnn.. ahhhhhh…. eu… (mais uma demonstração do meu notório bom gosto no uso de palavras)
- É o Marcelo, te acordei?
- Imagina (digo bocejando). Tudo bem?
- Sim.. sim.. estou te ligando para ver se você não quer sair de novo hoje. Ninguém faz desenhos de porta de banheiro nos guardanapos de maneira tão criativa. Me afeiçoei, o que posso fazer?
- Claro, vamos sim… (digo com a minha habitual simpatia de sábado às 15h da madrugada). Aonde vamos?
- Em um lugar que você vai ADORAR. Passo na sua casa para te pegar.
Depois de muitas trocas de roupas e alguns sapatos espalhados pelo chão, tcharannnnn: baile funk.
Desespero, angústia, pânico. É de conhecimento público que pinga, pepsi e música incrivelmente ruim, eu não tolero. Bem.. também é de conhecimento público que em mim habita Dona Sílvia, senhorinha de 80 anos. Dona Sílvia gosta mesmo de um belo botecão, com sua decoração rústica, suas doses duplas e garçons, diversos garçons vindo até a mesa e garantindo o suprimento das coisas básicas: vodka e bolachas de chopp para possíveis guerrinhas com amigos igualmente perturbados.
Mas era isso, lá estava eu, no meio de um baile funk.. estática.. até que começou uma música esquisita.. e todo mundo se organizou num trenzinho, ainda olhava espantada ao meu redor, nem deu tempo de pronunciar nada:
- Vamos Má (diz Marcelo me puxando para o meio daquela confusão esquisita).
Quando começou a tocar Mc Créu, Marcelo se libertou, estou pra dizer que nunca vi ninguém se requebrando daquele jeito. Quando ele tirou a camiseta e amarrou na cabeça, pensei que já tinha chegado ao fundo do poço, mal sabia eu que em bailes funks o chão não é o limite. Quando dei por mim, meu acompanhante já estava em cima do palco, com a camiseta nas mãos, ensaiando diversos passos. Tentei sumir no meio da multidão, mas infelizmente meu desejo de me transformar num avestruz e ter onde enfiar a cara, não foi realizado:
- Mááááá.. sobe aqui no palco Má, vamos mostrar para esses pelegos como se dança.
Pensamento Insistente: Isso não está acontecendo.. isso não está acontecendo.. ISSO NÃO ESTÁ ACONTECENDO…
- Anda Má, sobe aquiiii.
Como mulher inteligente, cosmopolita e com razoáveis gostos, fiz o que qualquer outra faria.. me enfiei no meio da multidão e, discretamente, corri desembestada até a saída.
Lição de vida do dia: Quando me oferecerem namorados, pedir tudo em vodka.

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Excêntricas Relações Interpessoais II

Janeiro 21, 2009 · 8 Comentários

 

 

- Mazinha… está ocupada mesmo ou vai fingir estar para poder me ignorar?

- Estou ocupada mesmo… mas isso não quer dizer que não use isso para te ignorar…

- Vejo que sua educação se foi com seu jeito doce e passou a adotar a forma curitibana de ser rancorosa e ignorar os outros!!!

- Não.. não.. imagina! Impressão sua… eu não saio por aí ignorando os outros, sendo mal educada com os outros.. e privando os outros do meu convívio… de forma alguma… agora.. esquecer VOCÊ.. ser mal educada com VOCÊ.. e ignorar VOCÊ.. Ahn.. não.. não…também não faz nenhum sentido.. evidente.. porque eu faria isso com você? Só por retaliação? Só por despeito? Só por coração partido? Que isso! Seria vingancinha.. e sabemos que meu jeito sentimental está acima da mesquinhez da vida..

- huhuahuhauhauhauhauhaua.. Você ainda está brava?

- Não..

- “Não”? Essa é sua resposta? iiiii.. então é pior do que eu pensava.. se já passamos da fase que você me maltrata, me xinga e faz com que eu me sinta um lixo.. quer dizer que chegamos na parte da indiferença onde você mal fala comigo… vai dizer que ainda gosta de mim, mas só por convenção social.. só por se incapaz de dizer que não gosta.. até se um malabarista uruguaio perguntasse se você gosta dele você diria que sim.

- Ahn.. mas eu tenho simpatia por malabaristas uruguaios…

- Mas não se importaria se um deles fosse lutar na guerra civil de Porto Príncipe…

- Hum.. se tivesse uma festa de despedida… se tivesse vodka e bacardi.. eu poderia até acabar chorando pelo uruguaio estar indo embora.

- Mas esqueceria dele no dia seguinte e não se importaria com Porto Príncipe…

- Ta, ta.. eu prometo que se eu sair com um malabarista uruguaio eu ligo pra ele no dia seguinte.. está bem?

- Já ta pensando em sair com outras pessoas?

- hahahahahaha.. yeah.. vou ali no sinaleiro pra convidar um uruguaio qualquer pra tomar um café.. com licença……

- Porque você foi pro bar sem mim?

- Ahn.. porque estamos brigados?

- Hum.. então, basicamente, porque você ainda está brava porque eu te disse um monte de merda e você disse que nunca mais queria me ver na vida.. e eu disse OK.. e desliguei o telefone na sua cara?

- Eh.. um motivo razoável… não acha?

- Mas poderia ter me convidado e poderíamos selar a paz… mas me odeia agora…não consegue mais olhar na minha cara.. vai ficar aquele clima esquisito entre a gente.. e não conseguiremos nem ter uma relação sentimental.. quanto mais uma relação social amistosa…

- Imagina!!!! Como assim não convidei? E os milhares de e-mails, as cartas via Correio, o recado que mandei escrever no céu da sua casa? Vai dizer que nada disso chegou? Não acredito… não dá mesmo pra confiar nos servidores de internet, no Google, nesta organização, ou devo dizer, desorganização estatal que é o Correio e muito menos nos pilotos de aviões particulares fretados para escrever mensagens aéreas…. Onde este Brasil irá parar?

- Ainda mereço conviver com você? Ainda mereço suas palavras? Ainda mereço seu amor?

- Ahn.. não.. mas a verdade é que você nunca mereceu mesmo…

- Mas você sempre soube disso, desde o início.. mas por você ser capaz de perdoar tudo que estamos aqui até hoje… Eu fazia a merda que fosse e você continuava me perdoando e me amando…

- Mas tudo tem limite né…

- Achei que o limite fosse não saber fazer brigadeiro… e não gostar de cachorros…

- É, mas resolvi incluir mais alguns.. tipo você ser um cretino começou a extrapolar um dos limites.

- Eu não sou cretino… ta.. eu sou… mas eu sempre fui difícil de conviver… mas por você ser assim uma pessoa extremamente boazinha… sempre relevou e continuou me amando…

- Eh.. mas chega da exploração desmedida da minha alma!!!!

- Ontem eu estava vendo um filme e descobri que você, na verdade, é a ilusão do meu eu que quer ser feliz, mas está preso, ‘deep’ no meu subconsciente!!! huahauhuahuahuahuahuahua

- hahahahaha.. Isso só prova o quanto você é narcisista…

- Narcista?? Eu???

- Sim… porque você gosta de duas pessoas nesse mundo.. de você… e de mim.. então.. como você tem a teoria de que na verdade eu sou você…. você basicamente gosta de você mesmo…

- Viu só? Você acredita que eu gosto de você..

- Eu acredito que, por breves momentos, quando você passa a existir na forma humana.. você gosta de mim… hahahahaha

- Ma, você está sentada?!?! Tá, então deite, porque o que estou prestes a te escrever vai mudar a maneira de você encarar o mundo e o próprio mundo como você o conhece… Vá, tome um gole de uísque, eu sei, eu sei, você não gosta muito de uísque, mas vai por mim, esqueça o gole, vire a garrafa!!!

- hahahaha… Não acho uma boa idéia… aqui só tem aquele uísque barato imprestável… acho que faria menos mal encher o copo de álcool com eucalipto.. mas.. bom.. eu tenho rum… e vodka.. e bacardi… hum… vou misturar os três….

- huahuahuahuahuahua… e eu, ingênuo, ainda acho que você precisa que te mandem beber…Viu?? Você não é melhor do que eu.. talvez apenas mais bêbada.

- Ninguém consegue ser pior que você.. nem mais bêbado.. por mais que tentem.

- Somos iguais minha cara.. Você precisa de mim, ninguém mais te entende!!! E não… os destrambelhados não contam… por você ser assim também, chama esse tipo de pessoa!! huahuahuahuahuahuahuahuahua

- hahahahahahaha.. vou te falar já quem é destrambelhada seu pastel…

- Pastel? Viu.. você ainda gosta de mim huhauhauhauahuahua

- Ahn.. era isso que tinha pra dizer que iria mudar minha forma de ver o mundo?

- Não… Mostrando mais uma vez ser um sujeito homem, EU, contra tudo e contra todos, consegui ingressos para o show que a Senhorita Maíra Dorini queria ver.. provando ser esse o espírito dos que se arrependem e se humilham em busca de perdão huhauhauhauhauhauhaua.. E você nem imagina todos os tipos de humilhação que passei pra conseguir isso.. ta.. não passei humilhação, mas gastei uma nota preta huahuahuahuahua

- hahahahaha. Ta tentando me comprar?

- Sim.. descaradamente!!! Sem nenhum pudor mesmo huahuahuahuahua

- hahahahahahaha.. ok.. me dê os ingressos que vou convidar um malabarista uruguaio pra ir…

- Não.. é o pacote.. você ganha um ingresso pro show e de brinde leva um piazão de merda.. moreno, bonito e sensual huhauhauhauhauhaua

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Tributo ao quase

Novembro 10, 2008 · 12 Comentários

 

Acontece de repente, em um lugar qualquer, em final de semana qualquer, com dois personagens quaisquer. Justo naquele dia que ela jurou que ia ficar deitada no chão da sala, ouvindo todas as fases musicais do Chico. Justo naquele bar de nome engraçado, que a fez torcer o nariz e não querer ir de jeito nenhum. 

 

Ela estava só esperando aquela caipirinha de vodka e morango, mas quem aparece é ele: o dono da risada que faz solo na trilha sonora da sua vida. Naquele momento ela esquece de tudo, como se só ele existisse, como se só ele tivesse importância. As palavras fluem da sua boca e soam como poemas de Camões: melodiosas, serenas, ritmadas, suportada por uma voz grave, um tanto quanto rouca e ela sorri insistentemente a cada sílaba pronunciada. Era uma risada para cada sete, oito palavras e ela se esforçava para entender como seria possível viver sem aquelas risadas. As outras pessoas ao seu lado viram estátuas de cera, imóveis e silenciosas e até a quantidade de vezes que ela pisca cai pela metade e ela começa a duvidar que realmente existam outras pessoas no mundo. 

 

Ela tem vontade de se ajoelhar diante daquela amiga que a levou arrastada até aquele bar e criar uma oração de devoção. Quase que ela ficou em casa. Quase que aquele novo filme a levou ao cinema. Quase que aquela nova banda a levou para aquele bar de sempre. Quase que ela não ligou para ele e quase não o chamou para aquele bar de nome engraçado. Quase que ela continuou fazendo de conta que ele não estava dizendo o que estava dizendo e quase que ela deixou todos aqueles dois, três contras superarem o número infinito de prós. E o “quase” passa a ocupar o topo na lista de suas palavras preferidas.

 

E ela começa a se perguntar: e se for verdade? E se for verdade que existe aquela pessoa que é sempre capaz de roubar seus pensamentos e te deixar feliz na mais cinza das quartas-feiras? E se for verdade que algumas coisas são pra sempre? E se for verdade que dá pra amar alguém que gosta de Oswaldo Montenegro? E se os clichês acontecem?  E insistentemente ela se pergunta: e se for verdade?

 

E ela tenta entender como é que alguém pode se apaixonar tantas e tantas vezes pela mesma pessoa e como ela pode entre uma risada e outra, entre uma implicância e outra, de repente, daquele jeito ridículo, ter a certeza de que é ele.

 

Ele que a conhece melhor do que qualquer pessoa. Ele que adivinha seus pensamentos, completa suas frases e provoca os sorrisos mais sinceros com todo aquele mau humor e cinismo que lhe é tão peculiar. Ele que liga pra ela quase todo dia as 3h07 da madrugada para dizer que ela tem que parar de atender os inconvenientes que ligam de madrugada.

 

Ela que conhece cada defeitinho irritante dele e que, mesmo assim, consegue gostar tanto ou mais dos defeitos do que das qualidades.

 

E ela já pensa em formar um grupo de adoradores do “quase” e ela para de se perguntar “e se for verdade?” e já tem todas as certezas do mundo. O amor persiste, para ambos, desde aquele engraçado e atrapalhado dia de maio, sempre foi verdade.

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Planejamento familiar

Outubro 19, 2008 · 12 Comentários

 

- Sabe.. eu estava pensando e.. hum.. o que você acha da gente constituir uma família?

- Ahh! Excelente.. podíamos comprar um cachorro e tal..

- Hein? Cachorro?

- Ah… Ou podíamos comprar uma samambaia… se preferir.

- Cães e samambaias não aprendem a tocar instrumentos musicais, nem poderão treinar boxe comigo. Me referia a crianças..

- Crianças? Tipo.. criaturas humanas?

- Bom.. de preferência sim, mas se você achar algum ET podemos cogitar a hipótese de criá-lo também… mas acho que seremos obrigados a ter um número seguro de criaturinhas humanas.

- Você está querendo que eu engravide?

- Bom, dizem que esse é o método mais eficaz para ter filhos, sabia? Desde os primórdios as pessoas têm feito assim, engravidado e tal.. tem dado certo, a raça humana continua aí para provar isso.

- Ah, não sei.. dizem por aí que engravidar acaba resultando em filhos.

- Você não quer ter filhos?

- Não, não é isso.. só não tinha pensado nisso agora, mas claro.. filhos.. Podíamos ter uns dois, né? Quer dizer.. se eu não desistir no primeiro parto.

- Mas pode ser que dois ainda não sejam suficientes.

- Suficientes pra que? Está querendo formar um exército? Um time de futebol? Completar uma mesa de poker?

- Não exatamente, mas veja bem.. ao menos um tem que ser músico, outro esportista e um intelectualizado. Então, é melhor ter uns cinco, porque não dá para forçar, entende?

- Ok, podemos ter cinco… é só você parir três.

- Lamento, sua função no mundo é parir, a minha é garantir o suprimento de cerveja e cuidar do controle remoto, cada um com sua função social.

- Já me comprometi a parir dois, ora essa!

- Mas nós precisamos de cinco filhos, precisamos ter nossos preferidos, cada um o seu, ou os seus.

- Então, por isso teremos dois.. um pra mim e outro pra você estragar.

- Estragar nada, será um novo grego! Um novo grego clássico! Filósofo e esportista… talvez aprenda a usar armas também.

- Usar armas? Como assim USAR ARMAS?

- Ah, tiro esportivo, espadas, nada demais.. se for um filósofo, não será um delinqüente.

- O que vamos fazer com um filósofo?

- Ahh! Quem é que vai ficar falando coisas terríveis comigo em um lindo dia ensolarado, quando as pessoas só pensam em cerveja e praia? Quem é que vai destruir tudo o que há de belo e encher de beleza tudo o que é metafísico? Acha que vou fazer isso sozinho à vida inteira?

- Como é que é?

- Ah! Eles vão adorar sofrer com o papai, vai…

- Meu Deus!!! O que aconteceu com aquela coisa de homens sonhando em ter filhos para levá-los ao estádio? Está decidido.. vamos comprar um cachorro, uma samambaia e dê-se por satisfeito!

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Como lidar com vegetarianos psicóticos

Setembro 11, 2008 · 13 Comentários

 

- O que você está fazendo? (pergunta ele em tom visivelmente apreensivo).

- Abrindo uma caixinha de leite (ela responde com a famosa expressão “já vai começar”).

- Isso não é leite!! (diz com o conhecido tom de desprezo)

- ÉÉÉÉÉ.. malditas redes de supermercado nos alienando e nos fazendo acreditar que dentro de caixinhas de leite tem leite.

- Você sabe que isso não é leite de verdade, isso aí é conservante puro.

- Na verdade eu ADORO mesmo é o gosto de conservante, se eu pudesse compraria só o conservante, mas o leite vem junto, o que eu posso fazer?

- Você está se matando! Não vê isso?

- Eu sei.. era tomar leite ou me enforcar, fui pelo caminho menos doloroso, admito!

- Você não dá valor a nada mesmo… (diz enquanto abre a geladeira). Ai! M-e-u   D-e-u-s!!! (diz como quem não acredita no que vê).

- O que? O que? O QUE?

- Carne?!?!? Como você pode apoiar o assassinato de animais?

- Não é assassinato, é cadeia alimentar.

- Ahn?

- Veja bem, estou só cumprindo meu papel social. Como representante da espécie homo sapiens é meu dever comer carne. Comer a comida da comida é que seria errado.

- Oi??

- Você prega tanto a defesa dos animais e o que faz? Desequilibra o mundo comendo alface. Como predador natural das vacas é seu dever cívico comer um bife diariamente. Se o ecossistema está assim é por culpa de pessoas como você, que são incapazes de pensar no bem-estar dos animais.

- Eu desregulo o ecossistema??? Eu não respeito os animais? E-U?

- Obviamente. Temos os vegetais (produtores) na base da pirâmide, depois temos os animais herbívoros, acima os predadores, divididos em grupos, e no topo do grupo dos predadores, temos a espécie humana e você está desregulando a pirâmide! Você não se aceita e tenta ocupar o segundo nível trófico,  você é um ser humano e se vê como uma vaca. Tem medo de assumir suas responsabilidades no mundo.

- Maaa-aa-s-ss… ahn.. eu faço isso pelos animais!

- Não, você finge que seus motivos são puros, finge que faz isso para salvar o mundo, mas na verdade está comendo a comida da comida e provocando desequilíbrios ambientais, não se envergonha? Não duvido que o mico leão dourado esteja ameaçado de extinção por sua culpa. Não duvido que os leões estejam desaparecendo das savanas porque as pessoas estão comendo a comida da comida deles. Detesto essas pessoas sem consciência ecológica. Cenoura free!!! Parem com o desequilíbrio ambiental.. comam carne!!!

- Ma-a-a.. – sss

- Nada de “mimimimi.. mas, mas”, senta aí que eu vou te fritar um bife.

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Me, myself and chuveiros

Setembro 9, 2008 · 7 Comentários

 

Você tenta ser uma mulher superior, independente, senhora de si, corajosa e cool, mas acontece que vez ou outra, o inevitável acontece e você, a garota imperturbável com seu ar de mulher independente, acaba desabando diante do pior problema que uma mulher pode enfrentar depois da falta de creme para pentear: chuveiros.

 

Eu sou uma garota mimada, com os privilégios de quem tem um pai e dois irmãos. Assim, acabei sendo criada dentro de uma bolha, vivendo em um mundo cor-de-rosa, onde problemas elétricos eram inexistentes e nunca fui preparada para usar uma chave de fenda ou reconhecer uma chave allen 1/8.

 

Não sei se são as leis de Murphy agindo, não sei se meu apartamento está localizado justo no limite da declinação mais meridional da elíptica do sol, não sei se eu tenho mais problemas com chuveiros ou se eu só PASSEI A PRESTAR ATENÇÃO NOS PROBLEMAS DE CHUVEIRO, mas o fato é que eu tenho a síndrome da mulher que mora sozinha e, cotidianamente, tenho que lidar com isso. E enquanto estava no ritual matinal envolvendo xampu, cremes e sabonete, me deparei com a falta d´agua. Como qualquer mulher calma e centrada:

 

- Merdaaaaaa! Eu não acredito que acabou a água justo agora. Como diabos a água acaba sem nenhum aviso prévio? Ah não.. eu vou ligar para o síndico agora.. onde já se viu!!! Vou passar o dia com a cabeça cheia de xampu??? Merda! Merda! Merda! Merdaaaa! (resmungo enquanto saio do chuveiro, me enrolando na toalha e procurando pela toquinha de banho rosa com borboletinhas)

 

Antes de mostrar toda minha indignação para com a autoridade do prédio, resolvo abrir toda e qualquer torneira existente em casa e, para meu espanto, em todas a água saia abundantemente, então, seguidora da filosofia que uma garota deve aprender a lidar com seus problemas e desgostos sem que isso acabe em Djavan e chocolate, totalmente independente e senhora de mim, disco os números da salvação, também conhecidos como número de telefone de um representante do sexo masculino:

 

- Socorrooo! Deus está me punindo porque não consigo tomar banho em 10 minutos!

- Porque sempre parece que estamos no meio da conversa quando eu atendo uma ligação sua?

- Está dizendo que nunca sou clara o suficente?

- Não, estou dizendo que você começa a conversa do meio então parte para o começo, volta para o meio, fala compulsivamente e então temos o fim. Mas você não ser clara o suficiente seria minha próxima colocação.

- A minha cabeça está cheia de xampu, poderíamos nos concentrar nos meus problemas e depois nas suas reclamações a meu respeito?

- Sempre egocêntrica.. “meus sentimentos”, “minhas falas”, “meu cabelo cheio de xampu”. Ahn? Cabelo cheio de xampu?!? Porque você saiu do chuveiro para me telefonar?

- Foi uma mensagem do Senhor, Ele se manifestou para Maomé, para Paulo.. parece que chegou a minha vez.

- Oi??

- Meu chuveiro parou de funcionar, tenho que explicar tudo???

- Hum.. o que houve? Queimou?

- Não! Se fosse isso teria terminado de lavar a cabeça, né? Essa coisa de frescura com água gelada é coisa de franguinha! A água acabou.

- Então você se enganou com a mensagem do Senhor para você.  Está claro que ele queria que você ligasse para a SANEPAR.

- Não, porque antes Ele me fez abrir todas as torneiras e a água é abundante, menos no chuveiro, que continua com suas cinco fileirinhas de água e pingos caindo num intervalo de 6 segundos.

- Ai, ai.. você é muito maluca! Posso ver isso a tarde?

- Hum.. já está no trabalho?

- Yeah…

- E as prioridades?

- Tenho certeza que seu chuveiro sabe que ele é muito importante pra mim, mas ele tem que compreender que há homens engravatados sentados em uma sala esperando por uma apresentação em ppt.

- Tudo bem.. eu dou um jeito..

- Nãooo! Se você me disser que vai mexer no chuveiro eu dou uma desculpa e saio agora. É mais fácil do que te salvar de um prédio em chamas.

- Engraçadinho!  Não vou arrumar.. quer dizer.. só vou arrumar uma maneira paliativa de lavar a cabeça.

 

Patéticas cenas de uma mulher na área de serviço do seu apartamento, debruçada sobre o tanque, lavando a cabeça.

 

A tarde ele chega, abre o chuveiro e:

- Certo, o fluxo de água parece bem normal pra mim.

- O que você fez?

- Mexi naquela torneirinha mágica ali e a água começou a sair. Não é bárbaro?

- Deve ser sua máscula presença intimidando o chuveiro.

E tudo funcionou normalmente, até aquele outro dia. Novamente, os mesmos números da salvação:

- Casa comigo?

- Casar? Ué.. pensei que você achasse que o casamento cria semi-zumbis e destrói a forma humana das pessoas.

- Hum.. e acho, mas a gente não precisa casar, podemos só morar juntos. O que acha? Quando traz suas coisas? Hoje?

- Você andou bebendo?

- Eu acho que minha samambaia está precisando de uma figura paternal em casa.

- Doida! (diz gargalhando). Posso saber o que você aprontou?

- Meu chuveiro só funciona com você em casa. O que posso fazer? Ou me mudo, ou paro de tomar banho, ou caso com você. Pareceu o menos complicado, odeio encaixotar coisas e tenho a síndrome de abstinência de sabonetes e xampu… sou asseada o que posso fazer?

- Sempre sentimental!

 

Ferramentas,  fitas, registros e algum tempo depois, o problema foi totalmente resolvido.

 

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Pessoas reais num mundo surreal II

Agosto 27, 2008 · 8 Comentários

 

 

3h00 da madrugada, toca o telefone. Todos os toques possíveis depois:

- Ahn… Alô

- Eu já falei para você parar de atender esses inconvenientes que te ligam de madrugada.

- Se você parasse de ligar eu não precisaria atender.

- Aí eu deixaria o caminho livre para outros ligarem e você sabe como eu sou possessivo. Você amar outro eu relevo, mas outros te acordando com o estridente barulho do telefone? Não suportaria.

- Não se preocupe, não existe outro além de você, ninguém é tão inconveniente.

- Quer namorar comigo?

- Ahn?

- Namorar.. quer namorar comigo?

- Ah! Claro que sim.. Opa! Espere.. VOCÊ JÁ NÃO TEM UMA NAMORADA?

- Não se preocupe com isso.. eu conheço um cara que conhece uns caras..

- Ahn?

- Ninguém nunca vai suspeitar.. O corpo pode ser desovado em um beco qualquer..

- Boa noite..

- Nãoooo! Espereeeee… me empresta seu carro?

- Essa hora? Pra que?

- Pra desovar o corpo, oras! Se usasse meu carro seria suspeito. Ninguém nunca suspeitaria de você, pra cometer um crime passional tem que ter sentimentos, ninguém acreditaria que você tem sentimentos.

- BOA NOITE.

- Hum.. ou eu poderia só terminar com ela. Que tal? Algo como: “o problema não é você, sou eu”.

- Você está me ligando pra ensaiar como terminar com a sua namorada?

- Devo fazer a moda antiga?

- O que?

- Terminar com ela. Não está prestando atenção na conversa?

- Eh.. Não! Posso voltar a dormir agora?

- Devo ignorá-la igual qualquer macho Neanderthal? Hum.. ou como homem moderno e sentimental que sou.. devo mandar um sms dizendo “acabou.. não me procure mais”? Isso seria rude, não? Talvez só mudar o status do relacionamento no orkut.. de “namorando” para “solteiro”. Sutil, não? E alguém vai acabar avisando pra ela que o namorado dela agora é solteiro.

- Posso voltar a dormir agora?

- Você não está ajudando, sabia?

- Eh..eu sei.. POSSO VOLTAR A DORMIR AGORA?

- Ok, me empresta o carro?

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