Mah e suas aleatórias divagações

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Das verdades absolutas

Outubro 15, 2009 · 15 Comentários

Não, não diga nada… Antes que você ameace qualquer contato, você precisa saber da verdade. Eu demoro a acordar e pela manhã meu humor é inexistente. Tenho manias, diversas, centenas, bizarras. Sempre coloco o despertador para tocar meia hora antes do que preciso, para enrolar meia hora e ter a sensação de que dormi mais meia hora, quando na verdade dormi menos meia hora. Antes de dormir eu conto quantas horas vou ter para dormir, para ter uma margem de no mínimo 4 horas, menos do que isso me torna imprópria para o consumo.

Não consigo tomar água antes das 11 horas.. e não tomo água a não ser gelada, bem gelada, independente do frio que faça. Detesto chá, qualquer tipo, qualquer cor, qualquer gosto.. amo mesmo cappuccinos. Ando por São Paulo de café em café em busca dos melhores cappuccinos e o melhor é o da Barra Funda e não me diga que é loucura acordar e atravessar a cidade para tomar um cappuccino.

Gosto do metrô e gente, muita gente, desconhecidas… faço centenas de amizades de cinco minutos, mas fujo apavorada quando pedem meu telefone. Sou incrivelmente tagarela com todo mundo, mas não deixo que todos se aproximem demais, não tenho medo das pessoas, mas das aproximações.

Quando eu gosto, eu implico e implico demais… não me pergunte porque gosto, não peça razões, não diga que não dá para gostar em cinco minutos, porque as vezes eu gosto em cinco minutos e gosto de verdade, mesmo quando me dizem que sentimentos são desnecessários.

Ando de meias pela casa, não importa o calor senegalês que faça e gosto de regular o ar condicionado na temperatura nevar. Me visto como mendiga em casa, ou não me visto… canto e canto muito… e músicas bregas, adoro cantar músicas bregas. Converso com meu cachorro, ele sempre me olha com o ar entojado de repreensão quando acha que estou exagerando e eu estou sempre exagerando. Sou dramática ao extremo, caótica e tenho mudanças bruscas de humor, mas só quando acho que importa.

Tenho cara de boazinha, jeito de boazinha, mas não sou boazinha. Tenho talento especial para ser teimosa e mandona… e por isso estou sempre batendo o pé e fazendo birra. Fico brava e brigo e reclamo e saio batendo a porta, mas não fico brava por mais de dois dias. Não gosto de deixar pessoas, mas a coisa mais fácil do mundo é me deixar, não choro, não esperneio, não imploro, não tento dissuadi-lo, mas isso não quer dizer que eu quero que vá, nem que não dou a mínima se você for, mas você não vai entender e vai me chamar de fria.

Não minto bem, fico vermelha, começo a gaguejar e confesso tudo por mais que você esteja só sorrindo e perguntando sobre o tempo, ao invés de desconfiar.

Não sei planejar, sou impulsiva e vou te arrastar para o meu mundo confuso e complicado, mesmo que você não queira. Vou ser chata e muitas vezes você não vai entender o porque. Vou chorar por nada e ficar irritada a toa. Meu péssimo temperamento vai te deixar confuso na maior parte do tempo e irritado na parte restante.

Você vai desistir de mim com freqüência e vai me dizer isso, não vai aturar minhas manias.. vai me criticar por gostar de escutar músicas deitada no chão da sala, mais pelas músicas do que pelo chão, mas eu vou continuar no meu mundinho anos 70 e com a mesma paixão desmedida pelo Vedder, Doors e Chico. Vou comprar livros compulsivamente, variando entre romances, tragédias, clássicos e poesias, você vai descobrir minha adoração por Hemingway, Wilde e García Márquez, que, invariavelmente, vou ler sentada no chão da sacada, tomando vinho.

Você vai se perguntar diariamente porque me atura e muitas vezes não vai encontrar razões.

E isso meus amigos.. é só a ponta do iceberg….

PS: Pelo dia das crianças que passou, eu pirralha, sofrendo com os mandos e desmandos da minha mãe, e antes que me perguntem onde foi parar essa pinta na bochecha e eu tenha que pensar em respostas que ocasionalmente, envolverão malcriações (hahahaha), informo, a quem interessar possa, que saiu com o demaquilante…assim como o batom vermelho…. 
 Ahn.. como é que eu vou sorrir vestida assim, mãeeee?

Ahn.. como é que eu vou sorrir vestida assim, mãeeee?

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De Globeleza a Yvone Lara

Fevereiro 10, 2009 · 8 Comentários

 

Uma das mudanças mais gritantes que senti ao sair da minha vida paulista/paulistana para viver no curitibano life style foi o banheiro feminino. Em São Paulo e adjacências o banheiro feminino é uma instituição, é quase uma versão feminina e menos informal da maçonaria. Se em São Paulo tem sempre aquela que bebeu uma taça de Martini e está chorando no chão do banheiro, sendo consolada por passantes que retocavam a maquiagem, se aqui tem conselhos sobre cabelo, esmaltes, dicas sentimentais e conversas amenas, em Curitiba é no máximo um “está na fila?” e um silêncio profundo, não importando se vão ficar lado a lado por 5 minutos ou meia hora. Eu sentia falta da animação dos banheiros femininos, em Curitiba existem mulheres que vão SOZINHAS ao banheiro.. imagine.. SOZINHAS!

 

Era sexta-feira, eu tinha vestido o meu maior estilo roqueira-clichê, fui contra tudo e contra todas as infecções alérgicas nos olhos e caprichei no lápis, no rímel e na sombra preta, na doce ilusão de que iria para um daqueles porões claustrofóbicos com bebida barata e banda com vocalistas gritando “rock n´roll”, enquanto aconteciam solos intermináveis de guitarra. Mas:

- Má, mudanças de planos, vamos para um pagode ai.

- Oi? Pagode? Comoooo assimmmm vamos pro pagode? Vamos quem?

- Vamos todos, ora essa.

- Todos não… Não é só porque uma droga é legalizada que eu vou usar.. ou no caso.. ouvir..

- “Mimimimi.. olhe pra mim.. como seu sou fresca”. Larga a mão, que temos convites VIPS e chopp na faixa.

 

Sou famosa na minha seleta roda de amigos por topar quase todo e qualquer programa de índio. Já me arrastaram para rodeios, shows estranhos, peças esquisitas, mudanças, doação de sangue e festinhas infantis. Não tive outra opção a não ser encarar mais essa: pagode com bebida de consolo.

 

Estava meio emburrada e reclamando que se soubesse que ia acabar no pagode, não teria gastado tanto tempo montando meu visual “ainda no punk”. Mas ao chegar no bar, meu rosto se iluminou: “Sexta de samba de raiz e chorinho”.

- Como assim pagode? Olha lá.. samba de raiz e chorinho – Digo demonstrando empolgação.

- Ah.. sei lá o que era.. só escutei o convites-VIP-bebida liberada. Podiam dizer que as coelhinhas da playboy estariam fazendo stripper que eu não teria prestado atenção. Ahn.. quer dizer… coelhinhas fazendo stripper eu prestaria atenção, bem, enfim, podiam dizer que o Coverdale estaria presente que eu não prestaria atenção. Hum.. quer dizer, o Deus estaria presente.. ok.. prestaria atenção. Enfim, sei la… vamos dizer que eu sabia que não era pagode e sim samba de raiz, mas que menti para te fazer uma surpresa e te ver feliz assim.

- Verdade?

- Ahn.. não…

 

Cartola, Noel, Demônios da Garoa e vez ou outra um Art Popular pra fazer a alegria daqueles 3 ou 4 que pediam pra tocar “pimpolho”. Aproveitávamos toda aquela bebida liberada… Até que a vontade de fazer xixi e os efeitos do rímel, do lápis e da sombra preta nos olhos com infecção alérgica me fizeram ir até o banheiro. Como de praxe, arrastando toda e qualquer garota que estivesse na mesa comigo. Enquanto umas usavam o banheiro eu tentava, desesperadamente,dar um jeito de continuar maquiada e coçar e lavar os olhos ao mesmo tempo. Nisso a confraria “banheiro feminino” entrou em ação:

- Aiii.. que linda a sua maquiagemmm.. você mesmo que se maquiou? (perguntou uma passante ao lado que também tentava retocar a maquiagem)

- Sim, agora estou tentando desesperadamente mantê-la, mas os olhos estão me atrapalhando com essa coisa de coçar e lacrimejar, estou até cogitando arrancá-los e colocar uns olhos de vidro. Enxergar não é assim tãoooo importante, é?

- O que você tem?

- Não sei ao certo.. alergia.. possessão, semi-cegueira, catarata.

- Ah.. eu tenho um colírio na bolsa quer? Um daqueles bem naturais, que só limpam o olho.. nenhuma contra-indicação (diz a menina desconhecida da pia ao lado).

Síndrome da cidade grande atacando: Alucinógeno em forma de colírio.. vou ficar locona, vou ficar cega, vou morrer, vou parar no hospital e o oftalmologista vai ficar histérico dizendo que não se aceita colírios de estranhos:

- Ahn.. quero sim.. (digo vencida pelo meu espírito interiorano-crédulo-ingênuo, afinal, pior do que estava não ficaria e se a cegueira fosse o efeito colateral para não coçar e lacrimejar mais, estava valendo).

 

Uma das garotas pingou o colírio enquanto a outra, com um pedaço de papel higiênico, limpava as gotas que escorriam, para não estragar muito a maquiagem. Nesse meio tempo as amigas que me acompanhavam ao banheiro já estavam presentes na força-tarefa junto a pia e já me ajudavam a retocar a maquiagem. Medida paliativa incrivelmente eficaz, os olhos já não ardiam e a maquiagem estava impecável.  Depois da operação salvamento de maquiagem, partimos para a próxima missão da confraria do banheiro feminino:

- Está meio desanimado aqui. A música é boa,o lugar é bom, a bebida ta gelada… mas cadê o pessoal dançando? – diz uma das desconhecidas do banheiro.

- É verdade. Cadê o samba no pé? – pergunta minha amiga já meio enrolando as palavras, devido ao excesso de chopp liberado.

- Isso ai!!! Cadê a roda de samba? Vamos organizar o movimento “samba no pé já!” – Digo também meio enrolando as palavras, mas com a maquiagem impecável.

- Vamos dançar? – diz a moça do colírio.

- Ah… eu tenho vergonha! – diz outra moça desconhecida que lavava as mãos.

- Vergonha? Comooo assim vergonha? Vamos Lá, senta na nossa mesa e ficamos todos juntos (falo solidária).

 

Não sei precisar como e porque, mas de repente várias mesas se juntaram com a minha mesa e formamos uma roda de samba, a princípio com cinco garotas e eu, roqueira assumida, sem nenhum samba no pé, liderava o grupo de dança. De repente uma legião de pessoas, incluindo homens, mulheres e “em cima do muro” estavam dançando. Minha mesa começou a encher de mais desconhecidos e de repente tudo se transformou em uma festa privativa, com cerca de sessenta amigos de infância e milhares de trocas de telefones. Já pedíamos músicas pra banda e fazíamos os refrões junto com o maestro Zezinho.

 

Maestro Zezinho me ensinou alguma coisa sobre como tocar pandeiro e ensinou um dos amigos que me acompanhavam o que era uma cuíca. O fato é que no fim da noite, já sem nenhuma vergonha na cara e sentindo os efeitos do chopp liberado, terminei com um microfone nas mãos, junto com o Thiaguinho (semi-desconhecido, mas meu novo parceiro musical. Naquele momento éramos quase como Tom e Vinicius, só que sem o uísque) fazendo três ou quatro duetos, incluindo “moro em Jaçanã e se eu perder esse trem que sai agora às onze horas.. só amanhã de manhã”.

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Aqueles dois

Julho 23, 2008 · 10 Comentários

Ele estava andando pelo shopping quando se deparou com uma criatura muito cheia de trejeitos felizes. Ela vinha saltitando, balançando a cabeça de um lado para o outro, meio que dançando também, e sorria… Ela nem prestou atenção nele e nem percebeu que desde a entrada do shopping, ele a seguia com os olhos.

Ele quase morreu de pavor quando viu que ela tinha um mp3 player e estava lá..  com seus fones de ouvido, cabelos esvoaçantes e boca exageradamente em movimento, cantando com o “mute” acionado, enquanto caminhava em sua direção.

Ele entrou em pânico, estava prestes a se armar em posição de luta, se não fosse o pavor e a sua involuntária rendição aquela cena de comercial de margarina.

Ela de cinco queijos. Ele de calabresa com muita cebola. Os dois de pizza fria com café.

Ela de Woody Allen. Ele de David Lynch. Os dois exatamente de William Wallace gritando FREEEEDOOOOOWWWWW.

Ela de Amelie Poulain. Ele de Star Wars. Os dois de “any of you fuckin pricks move, I’ll execute every motherfuckin last one of .. ya!” em Pulp Fiction.

Ela de cinema. Ele de tevê a cabo. Os dois de finais de semana na maratona cartoon.

Ela de Gabriel García Márquez. Ele de Dostoievski. Os dois com aversão a Paulo Coelho.

Ela de Álvaro de Campos. Ele de Alberto Caeiro. Os dois apaixonados por Fernando Pessoa.

Ela de qualquer coisa com legendas e mais de um capítulo. Ele de Seinfeld. Os dois rindo, segurando uma colher e imitando o Joey falando greeeaa-aaaaat

Ela de Chico. Ele de Led, os dois de Ferris Buller, cantando Twist and shout, enquanto imitam a mesma dancinha.

Ela Clocks, enquanto faz a escova de cabelo de microfone. Ele com cara de mal humorado, enfatizando que detesta Coldplay.  Os dois no carro, desafinados, volume ensurdecedor, fazendo dueto em You give me fever, feeeeverrr“, enquanto ela estala os dedos e ele batuca o volante.

Ela de Regina Spektor. Ele de Hã?? Regina o que???

Ela rindo. Ele tentando convencê-la que aquele é o olhar de furioso dele, não o de poodle sem dono.

Ela bêbada, com um copo de gelo nas mãos, já meio rouca e cantando “1, 2, 3 indiozinhos.. 4, 5, 6 indiozinhos 7, 8, 9, 10 indiozinhos iam navegando pelo rioooo-oooo”. Ele gargalhando, pedindo mais uma caipirinha e dizendo que vai denunciá-la para a FUNAI por maus tratos aos índios e para o MEC pelo péssimo emprego da música em questão.

Ela 20 e poucos anos de orgulho e inconveniência. Ele desde 1979 magoando pessoas com palavras ásperas e mal medidas. Os dois desde vidas passadas, só pode!

Dia desses, ele no hospital, ela também, motivações diferentes, mas os dois estavam lá por uma causa em comum: ele. 

- Estou acordado já faz uns 10 minutos, ouvindo você chorar compulsivamente. Ou eu estou morrendo ou você já descobriu que não vende cerveja na cantina do hospital. Pelo jeito sincero que está chorando acho que a última opção é a mais provável, por mais que eu esteja morrendo.

Ela ri, enxugando as lágrimas:

- Pelo visto você já está fora de perigo.

- Pelo visto você me ama.

- Err.. Na verdade não amo.. Estava chorando porque constatei que vou ter que passar o dia aqui com você e meu… não tem tevê a cabo.  Estou pensando se vale a pena. Deve estar passando os irmãos Winchester essa hora.

- Eu quase ter morrido me livra da bronca por ter deixado você esperando?

- De jeito nenhum! Perdoaria se fizesse igual todo mundo.. se tivesse se atrasado por estar com umas vadias, por estar jogando sinuca ou pela cerveja com o pessoal do trabalho. Essa de apelar para o “eu estava inconsciente” para se livrar de uns esporros, não vai funcionar.

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“Tem dias que a gente se sente, como quem partiu ou morreu…”

Janeiro 29, 2008 · 12 Comentários

Sinto esta rouquidão seca em minha garganta que me prende as palavras… Algo, um não sei o que.. me incomoda, distrai-me, rouba-me o pensamento, desconcentro… Procuro algo, olho em volta, mas o que busco está na fuga do meu pensar… inalcançável para os braços, inatingível para as palavras… indescritível para o mundo.. 

Uma coisa é certa.. vão se as coisas, as pessoas, as semanas, ficam apenas as músicas do Chico. 

Quem não inveja a infeliz, feliz
No seu mundo de cetim, assim,
Debochando da dor, do pecado
Do tempo perdido, do jogo acabado
 

E fim… mas essa, essa meus amigos.. Ah! Essa já é outra canção… e amanhã já é outro dia.

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As conversas mais bizarras dos últimos tempos – Parte I

Julho 24, 2007 · 7 Comentários

- Se a gente chegar a casar, eu posso escolher a música da cerimônia?

- Depende.. de que banda estamos falando?

- Ah! Eu acho que no nosso casamento tem que tocar Queen.

- Seria uma boa. Imagina.. ao invés daquela palhaçada de “aleluia, aleluia” podia tocar “I was born to love you”.. ia ficar legal…

- Ah.. eu estava pensando em “We are the champions”…

- We are the champions? hahahaha

- Claro.. pra casamento só essa música.. aquela parte do “I consider it a challenge before… The whole human race… And I ain’t gonna lose” (Eu considero isso um desafio diante de toda raça humana..  E eu não irei fracassar).. é quase como o juramento do “prometo lhe ser fiel”.. bla bla bla.

*******

 - Acho que posso dizer que você é a mulher da minha vida..

- A mulher da sua vida assiste filmes com o Adam Sandler e escuta bandinhas comerciais?

- Credo! Nunca pensei nisso, chega a ser patético, bizarro e escandaloso… Você acabou com a magia desse momento brega.

*******

- Você acha que dá pra transformar este ser que alguns dizem ser humano, num sonho de consumo feminino?

- Claro que sim… Você ainda está em estado bruto.. mas eu acho que consigo dar uma garibada em você.

- Mas assim, numa estimativa, uns 6 meses, me transformam, em um, digamos assim… Vin Diesel?!!?

- Ah! Você está querendo muito, não acha? Você chega num Austin Power…

- Austin Power?!?! Poxa, você sabe como fazer um cara se sentir bem né!!!

- Ah sim.. é uma das minhas maiores qualidades…sempre tenho uma palavra reconfortante e um ombro amigo para pessoas tristes. E pelo menos o cara tem mulher né, veja o lado positivo da coisa.

- Mas o lado negativo é que aquilo tem mulher e eu não!?!?! Caramba!!! Ah sim, você é assim essa pessoa especial, essa amiga meiga, esse reconforto na hora do desespero…

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Idealistas que querem mudar o mundo, começando pela minha set list

Julho 14, 2007 · 6 Comentários

Eu tenho vergonha do meu gosto musical. Não, não.. não é que eu ache que tenho um gosto musical ruim de fato. O problema então? Bem, o problema é não estar preso a um grupo. Por exemplo, tenho amigos roqueiros (quando eu digo roqueiro, quero dizer bem roqueiro mesmo), e do que eles gostam? De Rock (não diga Má, sério mesmo?), mas única e exclusivamente de rock. Ouse dizer que você está ali pensando em ir naquele showzinho do Kid Abelha na frente deles, que você verá um olhar de choque e uma expressão de medo estampado no rosto de cada um (tá, tá, admito, eu adoro fazer isso).

Eu adoro rock farofa, melódico, progressivo e qualquer definição que já inventaram pra depois do “rock”. Só que, não faço parte da tribo do rock, porque eu também escuto Los Hermanos (lembro até hoje da cara de pânico de um amigo enquanto gritava “nãoooooo!” quando fiz essa revelação). Entretanto, nunca seria aceita pelo grupinho que acha o máximo escutar Los Hermanos. Para começar eu não conheço todas as músicas, não sei o nome dos integrantes da banda, não sei nomes dos CD´s, não sei nem quantos CD´s eles já lançaram.. Imagine! Ah, e o tiro de misericórdia… eu não tenho nada contra “Ana Júlia”, não teria nenhum pitti se de repente a banda resolvesse tocar isso em um show. Simplesmente lembraria da minha adolescência, quando todas as rádios tocavam a música a cada meia hora. Fã que é fã de Los Hermanos fala de como o primeiro CD era comercial, era um meio de entrar no mercado, mas que a banda tinha mudado o “conceito”, se “elitizado” e que tocar Ana Júlia novamente seria uma traição aos novos “valores”.

Adoro Chico Buarque, Elis Regina, Marisa Monte e tantos etcs mais da MPB, mas, não posso fazer parte do grupinho da MPB, porque escuto também algumas das tais bandinhas comerciais e gente do grupinho da MPB que se preze, tem que falar mal das bandinhas comerciais, de como as rádios estão dominadas por lixo, de como as mídias nos impõe porcarias.. e assim por diante. 

Mas, admito que acabo exagerando ao falar do meu gosto musical. Confesso, NÃO SOU UMA BOA PESSOA, adoro causar aquela revoltinha dizendo para pessoas da tribo do rock que não sei quem é Coverdale, completando com um: “ele toca com Jack Johnson?”. Olho com espanto quando o pessoal da MPB fala da “tropicália” e sim, digo “nossa, eu também amo Los Hermanos, simplesmente ADORO Ana Júlia, a melhor música deles”, para fãs de Los Hermanos.  Então essas pessoas, querendo mostrar que sua passagem pela terra não é em vão, tentam de todas as formas salvar minha alma perdida. E pra isso vale tudo, visitas a minha casa com armamento pesado (Ipod, dvd´s, cd´s, violão, etc). Criação de servidores para compartilhamento de arquivos, deixando claro que “você pode pegar o que quiser do meu computador, mas olha, criei uma pasta com seu nome onde coloquei as que você TEM que ter”. Envios e envios de músicas via messenger, para nunca mais ter que ver Reação em Cadeia no seu “o que estou ouvindo”…

É tão bom ter pessoas com “melhor gosto musical”, tentando combater o meu “gosto musical ruim”.

Obrigada a você, ser idealista que combate minhas trilhas sonoras “ruins”, o meu mp3 player agradece.

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