Mah e suas aleatórias divagações

Entradas categorizadas em ‘Mundo corporativo’

Lições de moda e comportamento corporativo

Setembro 21, 2009 · 21 Comentários

1. Nunca use roxo, prefira os tons pastéis
- Como você está bonita hoje…

- Ahn.. obrigada… Mas então Seu Vanderlei… eu estava vendo aqui que a melhor opção para o senhor é a taxa pós.. bla bla bla

- Essa cor te deixa ainda mais bonita..

- Obrigada, mas como eu dizia Seu Vanderlei.. se escolhêssemos a opção VG.. bla bla bla bla

- Você.. assim.. de roxo… parece uma uva..

- O senhor tem mais alguma dúvida ou podemos assinar o contrato?

- Uma uva.. definitivamente, uma uva… queria te espremer para ver se virava vinho….

- O contrato.. rubrique todas as folhas… assine a última…

- Eu adoro vinho, sabia?

2. Nunca use jeans, prefira terninhos de virgem

Chefe: – Você está de férias?

- Oi? Férias? Não, por quê?

- Ahn.. não.. é que… bem.. (diz te olhando dos pés a cabeça)

3. Capriche no make up e se livre da cara de besta

- Desculpe perguntar… mas quantos anos você tem?

- Não.. tudo bem.. eu tenho 26…

- 26? Jura? Pensei que você tivesse uns 20 anos..

- Bondade sua…

- Verdade.. você me lembra muito a minha filha.. ela também é assim.. branca… ela tá morando em Brasília agora…(lágrimas, lágrimas)…

- Ahn.. senhor.. o senhor está bem? Quer água? Chá? Café?

- Posso te dar um abraço?

- Ahn… claro…

4. Nunca use saias, prefira pronomes de tratamento

Telefone insistente, telefone insistente, telefone insistente. Cliente na mesa

- Ai.. desculpa, desculpa, desculpaaa… como posso ajudá-lo?

- Ah.. eu passaria o dia olhando para você.. é tão bonitinho ouvir você falando. Eu não sabia que o nome Eurípedes podia soar tão sexy. Será que você pode dizer de novo?

- Oi?

- Eurípedes… soa bonito quando diz… dá vontade de te morder.

- Ahn… então.. o senhor é da empresa X, não? O William deixou esses papéis comigo e…

- Suas pernas… parecem até de algodão… eu dormiria abraçado a elas.

- Então… o senhor poderia assinar esse documento em três vias para mim?

- Só se disser Eurípedes de novo…

- Aqui, aqui e aqui…

- Você tem namorado?

- Nessas 3 folhas.. onde está marcado o x…

- Claro que tem, né? É uma pena… eu ia te convidar para sair…

- Bem.. acho que é isso.. essa via é do senhor…

- Se bem que.. eu não sou ciumento… a gente podia sair mesmo assim… que horas você sai daqui?
PS: Yeah.. a prova cabal.. sou uma mulher deveras perigosa.. tenho demoníacas borboletas coloridas pintadas na pele.. Tirem as crianças dessa página! hahaha
 
 
Oi? Humana? Demasiadamente humana?

Oi? Humana? Demasiadamente humana?

 

Categorias: A vida como ela é · Animais · Histórias bizarras · Maluquices · Mundo corporativo · Uiiiiii · Íntimo e pessoal
Etiquetado: , , , , ,

Diga-me o quanto me ama, que te direi o quão insano és

Setembro 3, 2009 · 16 Comentários

Já é notório o meu dom de atrair gente esquisita, maluca e com traumas irreversíveis. Você, por exemplo, se você vem aqui, lê, acha relativa graça, mas não tem vontade nenhuma de manter qualquer tipo de contato comigo, não precisa se preocupar.. você está no grupo de pessoas normais, imune aos feromônios que exalo.

Se você lê o blog, acha que sou razoavelmente inteligente, razoavelmente engraçada e quer manter um relativo contato, desde que isso não envolva uma maior aproximação porque “uiiii… credo, contato humano”, você está no grupo dos esquisitos.

Agora, se você vem aqui.. lê todos os textos, sente uma imensa vontade de falar comigo, começa a achar que somos almas gêmeas, me escreve e tem vontade de estabelecer um vínculo de verdade comigo.. Ah.. aí não tem como negar, meu caro.. você está no grupo dos malucos. E se a vida imita a arte, a arte imita o mundo corporativo, então, é óbvio que essa classificação de excentricidade, que muito em breve será chamada por especialistas de “escala Maíra”, também se aplica na minha vida em tons pastéis.

Tentando mostrar serviço e resolver o maior número de problemas, sem ter que levar nada para a minha supervisora, chego na minha mesa e tem um ser sentado lá, como esse ano foi determinado como o ano de excelência em atendimento, faço o que qualquer outra assalariada faria no meu lugar: sorrio.

- O senhor está me esperando?

- Sim, estou… eu gostaria de fazer uma reclamação..

Faço minha melhor cara de mega executiva solidária e enquanto o cliente vai expondo todo seu descontentamento, vou concordando e fazendo minha melhor expressão de “entendo senhor, claro que é um absurdo o funcionário só te dizer onde está o papel higiênico.. Como assim ele não foi lá, entregou na sua mão e ainda se ofereceu para limpar a sua bunda? Realmente, realmente, na próxima reunião será exposto essa má vontade, chamaremos a atenção do funcionário e além dele limpar a sua bunda, ele ainda passará talco”.

Feito isso, com toda a simpatia que meu teto salarial pode comprar, resolvo o problema, dou um chaveirinho de brinde para o cliente e seguimos nossas vidas, só não imaginava que seguiríamos juntos a MINHA vida, afinal, ninguém tinha me dito que aquele cliente na verdade era um ser que precisa de muita medicação controlada e que de tempos em tempos, resolve fazer terapia lá na empresa, grudando em pobres e inocentes funcionárias novatas.

No outro dia o cliente estava lá e no outro, no outro e no outro.. sempre para falar comigo, sempre sentando na minha mesa e falando do sol, da lua, do arco-íris, dos meus olhos e citando Camões.

 Como toda relação que se inicia, no começo tudo são flores, depois é assim.. você não sabe que você é a relação mais estável do cara e começam as brigas:

- Ahn.. então João, hoje eu estou fazendo trabalho administrativo.. eu não vou poder te atender.

- Eu sei que você está mentindo pra mim.. você está me dispensando para atender outro. Qual o nome dele? Me diz… qual o nome dele?

- Ahn… the boss, ser que determina em que setor estarei, mas não se preocupe.. tem gente no meu lugar, eles vão atender você.

João, ainda assim, não desistia, ia à empresa todo o dia, sentava e ficava fazendo anotações em seu caderninho, quando conseguia uma brecha, sentava na minha mesa e falava do sol, da lua… e fazia planos para o nosso relacionamento, sua primeira providência seria comprar um apartamento, porque ele não queria namorar (oi?) por muito tempo comigo, queria compromisso sério.

Meu trabalho consiste em, basicamente, saber as taxas de juros, aplicações rentáveis e lidar com pessoas e lidar com pessoas é uma coisa deveras complicada, uma vez que, ao contrário de plantas, elas costumam falar, ter chiliques, gritar e te chamar de vaca-vadia-filha-da-puta… o que já fez com que eu chorasse no banheiro por duas vezes. Tentando amenizar essa minha vida sofrida, enquanto não me transformo em alguém com tanto sentimento quanto uma minhoca, ou até que autorizem o estapeamento de clientes, mudei de setor e passei a atender só com hora marcada. O que não ameniza tanto assim, mas diminui um pouco a gritaria. Não que seja uma coisa muito seletiva, se um bêbado estiver passando, resolver entrar, olhar pra mim e resolver perguntar para alguém: “como é que eu faço para falar com aquela moça branca com aquelas roupas sem graça em tom pastel?”, vão lhe dizer que só precisar marcar horário e eu o atenderei. Então, é evidente que não me livrei do João. Ele marcava dois, três horários, para falar comigo DIARIAMENTE e continuava com as anotações em seu caderninho.

Como atender bem para atender sempre é nosso foco, a empresa tem um tal de canal direto com o cliente, ou seja, o cliente liga, faz a reclamação e em até 24h a pessoa citada na reclamação tem que telefonar para o cliente e dar uma posição do que vai fazer para resolver o problema. João, não contente em me ver todo o dia, falar comigo todo o dia e fazer anotações sobre mim todo o dia, também passou a telefonar para o serviço de reclamações, diariamente tinha uma reclamação direta a minha pessoa e diariamente eu tinha que ligar para o João e sempre que ligava:

- Ah.. princesa.. que bom é ouvir a sua voz.. pensei que você não fosse mais me ligar hoje.

- Então João, você abriu uma reclamação dizendo que eu não esclareci suas dúvidas acerca do…

- Ah.. não vamos falar dessas coisas.. me diga.. como foi o seu dia?

E, a última do nosso relacionamento complicado:

- Ma.. você tem uma reclamação de cliente para responder.

- Ah não, não, não.. de novo? Quantas reclamações do João ainda vou ter que responder? Não são conversas gravadas? Ninguém ouve ele falando dos meus olhos, da lua, de Camões? O cliente ser maluco não tira a obrigatoriedade das respostas?

- Ma, VÁ responder a reclamação, porque se passar o prazo de respostas bla bla bla o ranking interno bla bla bla, perda de colocação bla bla bla, multas etc, etc e etc.

RECLAMAÇÃO DO DIA: Cliente diz que funcionária ao invés de voltar sua atenção para todos que a estavam esperando, estava flertando com um cliente. Reclamante diz que funcionária ficou quase uma hora atendendo uma mesma pessoa, cliente diz que funcionária pegou na mão do cliente e ficou jogando charme, desrespeitando o local de trabalho, com esse claro comportamento amoral.

Com muito ódio no coração, ligo para dar minha posição sobre a reclamação:

- Alô.

- Oi João aqui é a…

- Eu sei que é você. O QUE VOCÊ QUER? Como tem a cara de pau de me ligar?

- Bem, estou ligando em resposta a sua reclamação..

- Ah.. é muito fácil você me ligar agora, né? Depois do que fez… Vai pedir desculpas? Você acha que resolve?

- Ahn.. na verdade não vou pedir desculpas, porque eu não fiz nada.

- Típico de você, nunca faz nada mesmo. Vai negar que estava flertando com o cliente?

- Ahn. Vou…

- Não minta, Maíra.. NÃO minta! Eu vi você pegando na mão dele…

- Sim, realmente… na verdade eu causei um derrame nele e fiz com que ele perdesse o movimento da mão direita, ficando impossibilitado de assinar, só para poder pegar nas mãos deles, com a desculpa de que precisava colher uma digital. Sou assim.. o que posso fazer? Tenho esse tesão incontrolável por quem tem mais de sessenta.

Meu chefe me olha por cima dos óculos com aquela cara de: “que merda essa garota está fazendo?”.

Continuo, desaforada:

- E quer saber? Pra mim chega… me esqueça.. NÃO ME PROCURE mais…

- EU QUE NÃO QUERO MAIS SABER DE VOCÊ. (Tum-tum-tum)

Como pessoa adulta e centrada que sou, faço o que qualquer outra faria no meu lugar:

- FREEEEEEDOOOOOOOOOWWWWWWWWW

Até ser surpreendida pelo olhar intimidador do meu chefe de “que merda você fez? Essas conversas são gravadas, atender bem para atender sempre”.

- Ahn.. mando flores? Bombons? Digo que sempre o amei?

Categorias: A vida como ela é · Animais · Histórias bizarras · Maluquices · Mundo corporativo · Uiiiiii · Íntimo e pessoal
Etiquetado: , , , ,

Feromônios

Agosto 6, 2009 · 17 Comentários

Eu exalo um feromônio que só as pessoas que precisam de medicação controlada podem sentir. Você, por exemplo, oh ser desconhecido que veio parar nesse blog. Tudo bem se você está aqui só de passagem, porque enquanto procurava por alguma pratica sexual pouco ortodoxa, o Google, por razões que a própria razão desconhece, te encaminhou pra cá, isso só prova que você está consumindo sua dose diária de pornografia. Preocupante é se você veio parar aqui, leu mais do que duas linhas, começou a achar interessante e se sentiu compelido a me mandar um e-mail… Aí meu caro, lamento te informar.. mas são os feromônios que eu exalo… te mantendo aqui… 
Sofro muito com essa minha condição de para-raio de maluco, principalmente agora, trabalhando em uma empresa que fica ao lado de um hospício e não, não estou falando metaforicamente.
Final de mês, caótica prospecção de novos clientes e busca desenfreada para atingir as metas financeiras para negócios de valor significativamente mais alto. Estou atendendo um cliente daqueles importantes, quando uma senhora com lá seus 40 anos chega e senta na cadeira ao lado. O cliente olha para mim com aquela cara de “hein”. Na linguagem das expressões, respondo com minha melhor cara de “hein” elevado ao cubo, viro para a senhora e gentilmente pergunto:
- Posso ajudá-la?

- Sim, preciso muito falar com você.

Como servir bem para servir sempre é um dos pilares da empresa, continuo com meu melhor sorriso corporativo:

- Tudo bem senhora, mas a senhora terá que esperar um pouco, porque agora estou atendendo esse senhor. É só comigo?
 

A senhora calmamente responde:

- Sim é só com você, mas eu espero.

E a senhora continua sentada na minha mesa. O cliente que estou atendendo fica constrangido com a presença da desconhecida ao lado e continua com sua expressão “hein” e eu continuo, solidária, respondendo com minhas expressões “excelência em atendimento”, “hein ao cubo”. Gentilmente, peço licença para a senhora e peço para o senhor me acompanhar e termino de atendê-lo em outra mesa, quando retorno a minha mesa, lá está a senhora, ainda me esperando. Sento na minha cadeira, mantendo o sorriso que prometi em contrato, ceder para a empresa, mas mal dá tempo de perguntar como poderia ajudar:

- Porque você estava atendendo ele? (pergunta a cliente indignada)

- Oi?

- Porque você me deixou esperando para atender ele? Porque você o atendeu primeiro? Eu estou aqui te esperando.

- Senhora, quando a senhora chegou aqui eu já estava atendendo aquele senhor, eu a avisei e a senhora disse que iria esperar. Mas no que posso ajudá-la?

- Eu tive um sonho…

Faço minha cara blasé de mega executiva, enquanto balanço afirmamente a cabeça, afinal, atendimento é nosso foco, e de sonhos para vendas, investimentos, carta de 100 mil em aplicações e metas do mês batidas em uma tarde, é um pulo.

- Quer dizer.. na verdade foi uma visão..

- Entendo (ainda fazendo minha melhor cara mega executiva, tentando manter o tal sorriso corporativo)

- E Jesus apareceu pra mim nessa visão, ele me mandou vir aqui.

- Ok.. e como podemos ajudá-la senhora? (pergunto séria, mantendo, ainda, minha melhor expressão executiva)

- ELE me disse que eu tenho 500 mil em aplicações financeiras aqui nessa empresa.

- Ahn.. entendo… Jesus te disse que você tem 500 mil aqui. (tento impedir o arqueamento das sobrancelhas e o surgimento da expressão: “mais hein?”)

- Sim, eu vim buscar meu dinheiro.

- Ok, me empresta seu CPF e seu RG que eu vou consultar no sistema para a senhora (de repente.. quem vê cara, vê maluco, mas não vê saldo de aplicação).

Consulto, basicamente, TODOS os sistemas imagináveis, até o fatídico:

- Ahn.. lamento senhora, mas a senhora não tem 500 mil, inclusive, a senhora nem sequer é nossa cliente.

- JESUS ME DISSE.. D-I-S-S-E.. Ele me mostrou.. ele me mostrou o mármore do chão e tudo.. EU V-I. Jesus me M-O-S-T-R-O-U.

- Lamento senhora, talvez a senhora esteja se confundindo.. inclusive no chão é granito e não mármore. É a prova irrefutável, com certeza trata-se de outra empresa.

- Vocês estão me roubando (diz já exaltada)… O diabo é o rei da mentira e você, com suas artimanhas, está tentando me enganar, assim como a serpente bla bla bla.

- Senhora, por favor, acalme-se. Lamento, mas no CPF da senhora não tem nada. De repente, está no nome de Jesus, como ele não deve ter CPF, por ser uma entidade.. vamos tentar buscar pelo nome, Jesus de Nazareth? Emanuel Jesus? Emanuel Carpinteiro? José tinha sobrenome?

- Você está me achando com cara de palhaça? VOCÊ ACHA QUE EU SOU MALUCA?

- Senhora, por favor, pare de gritar.

- EU GRITO EM NOME DO SENHOR, PORQUE O SENHOR MANDOU EVANGELIZAR.

Nesse momento o caos foi instaurado, a cliente histérica não parava de gritar e entoar cânticos, enquanto repetia como tínhamos roubado 500 mil dela, tentei de todas as formas acalmar a senhora, mas infelizmente não tinha nenhum bastão ou um vidro de prozac em mãos. Meu chefe resolve entrar em ação:

- Senhora, peço que a senhora se retire, a senhora está atrapalhando o funcionamento da empresa e incomodando os clientes.

- Daqui eu não saio sem meus 500 mil, quero ver quem me tira daqui. Porque Abraão bla bla bla bla.

E mais gritos histéricos. Então, o chefe do departamento jurídico, resolve tentar controlar a situação, tentando falar com a senhora, o que não apenas não surtiu nenhum efeito. Como, ainda por cima, ele teve que travar uma luta com ela para recuperar as correspondências que o carteiro estava entregando para ele.. e que a senhora, acreditando ser aquilo papéis do demônio, resolveu tomar das suas mãos.

Com dois chefes do alto escalão, mais dois seguranças tentando controlar a situação, sem nenhum resultado minimamente positivo, chamo a polícia. Meu novo futuro chefe, figura única, chefe do empresarial, irritado com os gritos da cliente, que ecoavam por todos os andares do prédio, resolve nos agraciar com sua presença, chega perto da cliente, que ainda gritava histericamente e diz:

- Anda!

A senhora exaltada continua gritando e ele, novamente repete:

- Anda (enquanto aponta a saída).

Neste momento a senhora já não gritava mais… e ele repete pela terceira vez:

- Anda… Rala daqui… RALA!

E ela simplesmente devolve a correspondência do carteiro e vai embora. Meu novo futuro chefe olha pra mim e diz:

- Eu já não falei para você parar de se meter em confusão? Já não te disse que só eu posso descontar minhas frustrações e amenizar minha raiva e loucura, gritando com você?

- Yeah.. eu já sei disso, mas acho que você deve mandar uma cartinha comunicando os clientes também… ou, no mínimo, para o pessoal do hospício ao lado.

- Você está vendo? É por isso que você vai trabalhar comigo no empresarial… com você a diversão nunca acaba..

Categorias: A vida como ela é · Animais · Histórias bizarras · Maluquices · Mundo corporativo · Uiiiiii · Íntimo e pessoal
Etiquetado: , , , , , ,

Maíra no país corporativo

Junho 21, 2009 · 24 Comentários

Eu ia viajar nesse final de semana, mas fui convocada para trabalhar em um evento da empresa.. e não.. por “evento da empresa” eu não quero dizer vestido longo, vodka e muito rock, mas sim uniforme, panfletos, sorrisos e prospecção de novos clientes.
Quando finalmente cheguei em casa sexta, fui me arrastando até o quarto, deixando um rastro de sapatos, brincos, meias e roupas, por onde eu passei.. Não tive nem forças para tirar a maquiagem e fui dormir o sono das Isauras. Então, acordo assustada:

- Meus Deus! Onde estou? – Alguns minutos se passam e concluo: “estou no salão”.

Meu cabeleireiro me olha e diz:

- E aí bonitinha! Você está um T-U-D-O hoje.
Entro em pânico:

- Meu Deus! Meu Deus! O que vim fazer aqui? Eu não podia ter vindo pra cá.. eu tenho que trabalhar.. meu chefe vai me matar, minha supervisora vai arrancar meu couro. Tô ferrada.. o que vou dizer? Que explicação vou dar? Que horas são? Ai..ai..

- Calma Ma… relaxa menina.. essa testa não foi feita para ter rugas de preocupação.

- Vou dizer que tive um problema de família.. ahn.. com meu pai.. isso.. Hum.. melhor.. um problema comigo.. isso.. fiquei internada.. passei mal horrores, não pude ligar, decidido! Minha veia atriz mexicana deve servir de alguma coisa.

Então esqueço a preocupação e começo a folhear a revista, quando, de repente, olho no espelho e estou loira e com um corte de cabelo novo. Pânico, pânico, pânico:

- Ohhh my… como assiiiim? Como vou explicar esse novo cabelo se eu estava internada e por isso não pude ir trabalhar? Digo que era um tumor cerebral e depois da cirurgia me deram um cabelo de brinde? Aiii.. meu chefe vai me matar, minha supervisora vai arrancar meu couro.

Então acordo assustada de novo.. e a primeira coisa que vejo é um quadro com fotos na parede do meu quarto.. respiro aliviada… até olhar no relógio e ver que está marcando 14h… levanto desesperada, me arrumo na velocidade da luz e saio pela porta ainda colocando os brincos.. e dou de cara com o vizinho, subindo a escada:

- Ma.. onde tá indo essa hora?

- Trabalhar…

- Trabalhar?

- Eh.. um evento da empresa e bla bla bla…

- Mas Ma.. são 5h da manhã..

- Oi? Não são duas horas da tarde?

Ai..ai… não tenho mais pique para essas raves corporativas… Passei o domingo com ressaca trabalhista… se eu estivesse sentindo meus pés, provavelmente eles estariam doendo agora..
Caquética mulher de 26 anos, no final de um sábado corporativo, já sem forças para sorrir

Caquética mulher de 26 anos, no final de um sábado corporativo, já sem forças para sorrir

Categorias: A vida como ela é · Bobagens · Histórias bizarras · Mundo corporativo · Íntimo e pessoal
Etiquetado: , , ,

Só um tapinha

Junho 18, 2009 · 13 Comentários

Segundo Nelson Rodrigues, as mulheres normais gostam de apanhar. Como eu faço parte daquele grupo de mulheres excêntricas, não gosto nem um pouco dessa coisa de apanhar, por mais atrativo que possa parecer levar uns sopapos, ficar roxa, vermelha, machucada e etc.. Socos, tapas e pontapés, nunca me trouxeram nem uma sensação prazerosa. Talvez por culpa da minha criação, convivendo com dois irmãos, sendo um mais velho, os cascudos eram constantes e como dizem: “quem tem demais não dá valor”, cresci com (pasme!) essa convicção de que apanhar não era nada bacana.

Visto esse meu probleminha em aceitar levar uns tapas, fui eliminando possíveis profissões, tais como: puta, lutadora, atendente de telemarketing.. e resolvi abraçar um desses empregos amenos, que oferecem plano de saúde, hora extra, vale alimentação.. sem pedir nenhum hematoma em troca, até que:

- Má, você já terminou de atender seus clientes de hoje?

- Sim, esse que saiu foi meu último.

- Será que você pode me dar uma ajuda? Aquelas pessoas todas estão esperando para serem atendidas. Pode atender alguns deles pra mim?

Eu, do alto do meu salto dez, com toda aquela bondade corporativa que me é peculiar, resolvo que não custava nada ajudar e vou lá conversar com as pessoas que estão sentadas esperando. E lá estou eu ouvindo todos os infortúnios de um senhor com idade mais ou menos entre meu avô e Matusalém, enquanto faço minha melhor cara de “entendo senhor” e explico o que podemos fazer para resolver o problema, quando, de repente, surge uma mulher histérica, me puxando pelo braço:

- Sua vadia de merda.. o que você tá querendo com meu marido?

Olho assustada procurando as câmeras escondidas, enquanto a senhora histérica continua me xingando de todas as coisas imagináveis.

- Calma senhora.. acalme-se, por favor … vamos sentar e conversar.

- Escuta aqui sua vadiazinha.. tá pensando que é muita coisa porque é bem mais nova do que eu?

E lá estou eu olhando chocada para a mulher, tentando entender que situação surreal era aquela, perdida no meio dos meus devaneios, enquanto tentava fazer minha melhor cara de compreensão, sou surpreendida por um daqueles tapas na cara de barulho estrondoso e efeito altamente dolorido. Como mulher madura, independente, cosmopolita e altamente profissional, faço o que qualquer outra faria: fico nervosa e desando a chorar. Sim, LAMENTÁVEL!

Enquanto o segurança tenta colocar a mulher para fora, um cliente solidário ameaça chamar a polícia se a senhora continuar me importunando.. e de repente me vejo em meio a lencinhos e milhares de copos de água.. enquanto a mulher ainda esbraveja e a polícia chega. Choro, choro e choro compulsivamente e sou consolada por clientes em geral, quando consigo me recompor, atendo mais três clientes que, provavelmente, comovidos com a situação, fecham contratos com valores financeiros altamente satisfatórios. Quando o expediente finalmente encerra, praticamente imploro para meu chefe me colocar em um daqueles serviços burocráticos, me ofereço para verificação de conformidade de processos, tirar xerox, contar envelopes, qualquer coisa maçante, repetitiva e sem contato com nenhum ser humano externo, mas sou obrigada a ouvir:

- Você está doida? Você leva muito jeito com atendimento.. Ok.. você foi agredida hoje, mas veja esses contratos TODOS que você fechou. Os clientes gostam desse seu jeito meigo, foque nisso!

Yeah.. aparentemente eu apanho de uma forma MUITO meiga… SOFRO!

Categorias: A vida como ela é · Histórias bizarras · Mundo Surreal · Mundo corporativo · Uiiiiii · Vida independente · Íntimo e pessoal
Etiquetado: , , , ,