Mah e suas aleatórias divagações

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Das verdades absolutas

Outubro 15, 2009 · 15 Comentários

Não, não diga nada… Antes que você ameace qualquer contato, você precisa saber da verdade. Eu demoro a acordar e pela manhã meu humor é inexistente. Tenho manias, diversas, centenas, bizarras. Sempre coloco o despertador para tocar meia hora antes do que preciso, para enrolar meia hora e ter a sensação de que dormi mais meia hora, quando na verdade dormi menos meia hora. Antes de dormir eu conto quantas horas vou ter para dormir, para ter uma margem de no mínimo 4 horas, menos do que isso me torna imprópria para o consumo.

Não consigo tomar água antes das 11 horas.. e não tomo água a não ser gelada, bem gelada, independente do frio que faça. Detesto chá, qualquer tipo, qualquer cor, qualquer gosto.. amo mesmo cappuccinos. Ando por São Paulo de café em café em busca dos melhores cappuccinos e o melhor é o da Barra Funda e não me diga que é loucura acordar e atravessar a cidade para tomar um cappuccino.

Gosto do metrô e gente, muita gente, desconhecidas… faço centenas de amizades de cinco minutos, mas fujo apavorada quando pedem meu telefone. Sou incrivelmente tagarela com todo mundo, mas não deixo que todos se aproximem demais, não tenho medo das pessoas, mas das aproximações.

Quando eu gosto, eu implico e implico demais… não me pergunte porque gosto, não peça razões, não diga que não dá para gostar em cinco minutos, porque as vezes eu gosto em cinco minutos e gosto de verdade, mesmo quando me dizem que sentimentos são desnecessários.

Ando de meias pela casa, não importa o calor senegalês que faça e gosto de regular o ar condicionado na temperatura nevar. Me visto como mendiga em casa, ou não me visto… canto e canto muito… e músicas bregas, adoro cantar músicas bregas. Converso com meu cachorro, ele sempre me olha com o ar entojado de repreensão quando acha que estou exagerando e eu estou sempre exagerando. Sou dramática ao extremo, caótica e tenho mudanças bruscas de humor, mas só quando acho que importa.

Tenho cara de boazinha, jeito de boazinha, mas não sou boazinha. Tenho talento especial para ser teimosa e mandona… e por isso estou sempre batendo o pé e fazendo birra. Fico brava e brigo e reclamo e saio batendo a porta, mas não fico brava por mais de dois dias. Não gosto de deixar pessoas, mas a coisa mais fácil do mundo é me deixar, não choro, não esperneio, não imploro, não tento dissuadi-lo, mas isso não quer dizer que eu quero que vá, nem que não dou a mínima se você for, mas você não vai entender e vai me chamar de fria.

Não minto bem, fico vermelha, começo a gaguejar e confesso tudo por mais que você esteja só sorrindo e perguntando sobre o tempo, ao invés de desconfiar.

Não sei planejar, sou impulsiva e vou te arrastar para o meu mundo confuso e complicado, mesmo que você não queira. Vou ser chata e muitas vezes você não vai entender o porque. Vou chorar por nada e ficar irritada a toa. Meu péssimo temperamento vai te deixar confuso na maior parte do tempo e irritado na parte restante.

Você vai desistir de mim com freqüência e vai me dizer isso, não vai aturar minhas manias.. vai me criticar por gostar de escutar músicas deitada no chão da sala, mais pelas músicas do que pelo chão, mas eu vou continuar no meu mundinho anos 70 e com a mesma paixão desmedida pelo Vedder, Doors e Chico. Vou comprar livros compulsivamente, variando entre romances, tragédias, clássicos e poesias, você vai descobrir minha adoração por Hemingway, Wilde e García Márquez, que, invariavelmente, vou ler sentada no chão da sacada, tomando vinho.

Você vai se perguntar diariamente porque me atura e muitas vezes não vai encontrar razões.

E isso meus amigos.. é só a ponta do iceberg….

PS: Pelo dia das crianças que passou, eu pirralha, sofrendo com os mandos e desmandos da minha mãe, e antes que me perguntem onde foi parar essa pinta na bochecha e eu tenha que pensar em respostas que ocasionalmente, envolverão malcriações (hahahaha), informo, a quem interessar possa, que saiu com o demaquilante…assim como o batom vermelho…. 
 Ahn.. como é que eu vou sorrir vestida assim, mãeeee?

Ahn.. como é que eu vou sorrir vestida assim, mãeeee?

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Agosto 10, 2009 · 14 Comentários

De acordo com Nietzsche, existe uma luta entre memória e esquecimento, onde, invariavelmente, as lembranças são vencidas pela força do orgulho.

Nietzsche expõe, ainda, que é o esquecimento que legitima a entrada do “novo”, criticando, assim, o senso comum, que insiste em tratar o esquecimento como uma força negativa, afirmando que é o esquecimento que mantém a ordem em nossa mente, e que, portanto, sem ele não poderia haver felicidade, presente ou esperança.

Ou.. como resumiria o leão da montanha: Saída pela direita.

E três vivas para o esquecimento!

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Paranóias, livros e desconhecidos

Março 11, 2009 · 13 Comentários

 

Estava na estação da Barra Funda, perdida em uma daquelas todas DUAS semi-livrarias que ficam entre a estação de metrô e o terminal rodoviário, enquanto esperava para encontrar uns amigos para almoçar. Cantarolava com os fones do mp3 player no ouvido, até que um moço de cabelos compridos, brincos e camiseta de uma banda alternativa qualquer, se aproxima:

- Você canta bem.

- Oi? (digo tirando os fones do ouvido).

- Você canta bem.

- Ahn.. não, não canto…

- Hum.. tem razão, não canta tãoo bem, mas não é das piores. De qualquer forma, você não falaria comigo se eu te abordasse dizendo: “mas você canta bem mais ou menos hein”… Me olharia com desprezo, continuaria com os fones e fingiria que não me ouviu, então seria obrigado a te perseguir por toda a livraria, você acharia que sou louco e eu terminaria na sala da segurança.

- Pelo visto você tem uma larga experiência em abordagem em livrarias.

- Pareço um compulsivo por conversas com desconhecidos em livrarias?

- Aparentemente é o que está fazendo…

- Mas é porque você está cantando Moptop.. eu nunca conheci ninguém que gostasse de Moptop… achei que valeria a pena sair do meu mundinho e lhe dirigir a palavra. E convenhamos.. você parece ser bem mais perigosa do que eu.

- Hum.. Porque é ameaçador estar folheando livros enquanto acompanho a seleção musical do mp3 player?

- Não… mas estar folheando um livro com um Jesus vestido de Bob Marley e os seguintes dizeres na capa: “o evangelho segundo Beef, camarada do grande JC”, não te parece meio assustador?

- É a hora que você revela que na verdade é um enviado de Cristo para me salvar e terminamos com você citando um Salmo?

- Não. Será possível querer se divorciar de um homem só porque ele se recusa a falar mal da Ginger Spice? Temo que sim.

- Oi?

- Nicky Hornby.

- Ahn? O escritor?

- Sim.. Ou estou citando um trecho dele ou assumindo minha homossexualidade. Realmente espero que você não cogite a última hipótese.

- Certo, tenho a convicção que você faz parte dos heterossexuais.. e agora te acho alfabetizado… Tenho profundo respeito por quem insere frases do Nick no dia-a-dia, independente da conotação homossexual.

- Esse livro é pra você – diz ele abrindo a mochila e me entregando o livro “Como ser legal”.

- Oi? Como assim pra mim? Por quê?

- Porque quando eu te vi, achei que você ia gostar desse livro, só precisava ter a certeza que você não iria perguntar “é auto-ajuda?” ou “está querendo dizer que não pareço legal?”. Agora tenho essa certeza, quero que você fique com o livro.

- Por acaso você roubou o livro e está me dando para que saia da livraria e o alarme dispare?

- Aqui não tem alarme.

- Por acaso rouba livros e sai com eles, porque sabe que aqui não tem um alarme que dispara?

- Não, não roubo livros. Esse é meu.. leia aqui na primeira folha.. veja:  Você é legal? Digo, você é bom?” e “Eduardo”, Eduardo sou eu. Muito prazer…

- Tá.. e porque você quer me dar um livro?

- Não quero te dar UM livro, quero te dar ESSE livro, porque você me lembra a personagem principal dele.

- Lembra que você disse que eu parecia ser mais perigosa que você? Então.. ahn.. ta parecendo o contrário agora. Lembra dos seguranças? Começam a fazer sentido…

- O que vai fazer? Correr desesperadamente, enquanto grita apavorada que eu quero te dar um livro? Acho que isso ainda não é crime, quer dizer.. seria se fosse um livro do Paulo Coelho. Você não gosta do Paulo Coelho, gosta?

- Não.. não gosto..

- Viu? Resposta correta.. Parabéns!!! Você acaba de ganhar um livro, “Como ser legal”, do Nick Hornby.

 

PS: Este post é um oferecimento de Alessandro, criatura que me “obriga” a atualizar o blog =P

PS2: Eu tenho um amigo famoso, eu não gosto de ficar por aí alardeando.. mas é isso.. eu tenho um amigo famoso.. Então, para colaborar para o aumento da sua fama e, indiretamente, realizarem meu sonho da caixa de lápis de cor própria. Acessem o site Apaixonados por Quadrinhos, cadastrem-se e votem, de preferência, em Cuca e Racha, do meu querido amigo Sampaio

Sampaio é educação sexual!

Sampaio é educação sexual!

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Aqueles dois

Julho 23, 2008 · 10 Comentários

Ele estava andando pelo shopping quando se deparou com uma criatura muito cheia de trejeitos felizes. Ela vinha saltitando, balançando a cabeça de um lado para o outro, meio que dançando também, e sorria… Ela nem prestou atenção nele e nem percebeu que desde a entrada do shopping, ele a seguia com os olhos.

Ele quase morreu de pavor quando viu que ela tinha um mp3 player e estava lá..  com seus fones de ouvido, cabelos esvoaçantes e boca exageradamente em movimento, cantando com o “mute” acionado, enquanto caminhava em sua direção.

Ele entrou em pânico, estava prestes a se armar em posição de luta, se não fosse o pavor e a sua involuntária rendição aquela cena de comercial de margarina.

Ela de cinco queijos. Ele de calabresa com muita cebola. Os dois de pizza fria com café.

Ela de Woody Allen. Ele de David Lynch. Os dois exatamente de William Wallace gritando FREEEEDOOOOOWWWWW.

Ela de Amelie Poulain. Ele de Star Wars. Os dois de “any of you fuckin pricks move, I’ll execute every motherfuckin last one of .. ya!” em Pulp Fiction.

Ela de cinema. Ele de tevê a cabo. Os dois de finais de semana na maratona cartoon.

Ela de Gabriel García Márquez. Ele de Dostoievski. Os dois com aversão a Paulo Coelho.

Ela de Álvaro de Campos. Ele de Alberto Caeiro. Os dois apaixonados por Fernando Pessoa.

Ela de qualquer coisa com legendas e mais de um capítulo. Ele de Seinfeld. Os dois rindo, segurando uma colher e imitando o Joey falando greeeaa-aaaaat

Ela de Chico. Ele de Led, os dois de Ferris Buller, cantando Twist and shout, enquanto imitam a mesma dancinha.

Ela Clocks, enquanto faz a escova de cabelo de microfone. Ele com cara de mal humorado, enfatizando que detesta Coldplay.  Os dois no carro, desafinados, volume ensurdecedor, fazendo dueto em You give me fever, feeeeverrr“, enquanto ela estala os dedos e ele batuca o volante.

Ela de Regina Spektor. Ele de Hã?? Regina o que???

Ela rindo. Ele tentando convencê-la que aquele é o olhar de furioso dele, não o de poodle sem dono.

Ela bêbada, com um copo de gelo nas mãos, já meio rouca e cantando “1, 2, 3 indiozinhos.. 4, 5, 6 indiozinhos 7, 8, 9, 10 indiozinhos iam navegando pelo rioooo-oooo”. Ele gargalhando, pedindo mais uma caipirinha e dizendo que vai denunciá-la para a FUNAI por maus tratos aos índios e para o MEC pelo péssimo emprego da música em questão.

Ela 20 e poucos anos de orgulho e inconveniência. Ele desde 1979 magoando pessoas com palavras ásperas e mal medidas. Os dois desde vidas passadas, só pode!

Dia desses, ele no hospital, ela também, motivações diferentes, mas os dois estavam lá por uma causa em comum: ele. 

- Estou acordado já faz uns 10 minutos, ouvindo você chorar compulsivamente. Ou eu estou morrendo ou você já descobriu que não vende cerveja na cantina do hospital. Pelo jeito sincero que está chorando acho que a última opção é a mais provável, por mais que eu esteja morrendo.

Ela ri, enxugando as lágrimas:

- Pelo visto você já está fora de perigo.

- Pelo visto você me ama.

- Err.. Na verdade não amo.. Estava chorando porque constatei que vou ter que passar o dia aqui com você e meu… não tem tevê a cabo.  Estou pensando se vale a pena. Deve estar passando os irmãos Winchester essa hora.

- Eu quase ter morrido me livra da bronca por ter deixado você esperando?

- De jeito nenhum! Perdoaria se fizesse igual todo mundo.. se tivesse se atrasado por estar com umas vadias, por estar jogando sinuca ou pela cerveja com o pessoal do trabalho. Essa de apelar para o “eu estava inconsciente” para se livrar de uns esporros, não vai funcionar.

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Devaneios de domingo

Julho 13, 2008 · 6 Comentários

 

                                 

 

 

 Domingo de meias, nem tristeza, nem felicidade.. nuances de cinza. Traços vermelhos e sonhos em cores em um filme preto e branco. Melancolia? Culpa das trágicas histórias dos filmes anos 50, que pessoas não deveriam, em hipótese alguma, assistir sozinhas em um domingo ou, pelo menos, não sem a companhia de um pote de sorvete de chocolate que fosse.

 

Havia um estranho incomodo no ar. Uma sensação real, rodeada de situações confusas, estrelada por imagens inacreditáveis que nos esmagam com uma força brutal, enfraquecem, desnorteiam, jogam nosso corpo de uma realidade para outra, de um estado para outro, deixam impotente, inerte, irreconhecível. Absurdo? Em um instante paz, calmaria, encantamento… No instante seguinte, chuva, vento, angústia… sentindo em cada pequeno movimento uma pressão enorme que poderia sufocar lentamente.

 

Cada verdade é apenas uma parte de um todo ambivalente, complexo, confuso e contraditório, afinal, cada alma tem um mundo.

 

Não sabia ao certo, mas aquilo dominava seus pensamentos, percorria suas artérias e ocupava todos os átrios e ventrículos do seu coração. Confusão? Todos os sentimentos se misturavam à condição da sua existência e retornavam em outra composição para a atmosfera: suspiros.

 

Era, desde o princípio, previsívelEra o senhor do seu rir e pesar. 

 

A direção constantemente abandonada do nosso destino,

A nossa incerteza pagã sem alegria,

A nossa fraqueza cristã sem fé,

O nosso budismo inerte, sem amor pelas coisas nem êxtases,

A nossa febre, a nossa palidez, a nossa impaciência de fracos,

A nossa vida, o mãe, a nossa perdida vida…

 

[Passagem das horas - Álvaro de Campos]

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Em total reclusão desse lugar chamado mundo virtual

Maio 15, 2008 · 18 Comentários

 

Meus queridos amigos, leitores assíduos, passantes virtuais e pessoas que procuram coisas estranhas e práticas não ortodoxas envolvendo fio terra, pasta de dente, desentupidor de pia, animais e KY gel, é com muito pesar que, por motivo de força maior, comunico meu afastamento do mundo virtual por alguns dias.

 

Lamento por todos os e-mails que não respondi, mas, por favor, não nos tire do seu “favoritos”, seu e-mail é muito importante para nós. Por favor, aguarde seu e-mail será o próximo a ser respondido.

A comunicação será restabelecida, novos textos publicados e os e-mails devidamente respondidos, assim que possível. Até lá.. faça como eu.. leia Clarice.

“Sentou-se para descansar e em breve fazia de conta que ela era uma mulher azul porque o crepúsculo mais tarde talvez fosse azul, faz de conta que fiava com fios de ouro as sensações, faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos, faz de conta que uma veia não se abrira e faz de conta que dela não estava em silêncio alvíssimo escorrendo sangue escarlate, e que ela não estivesse pálida de morte mas isso fazia de conta que estava mesmo de verdade, precisava no meio do faz de conta falar a verdade de pedra opaca para que contrastasse com o faz de conta verde-cintilante, faz de conta que amava e era amada, faz de conta que não precisava morrer de saudade, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus, não Lóri mas o seu nome secreto que ela por enquanto ainda não podia usufruir, faz de conta que vivia e não que estivesse morrendo pois viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte, faz de conta que ela não ficava de braços caídos quando os fios de ouro que fiava se embaraçavam e ela não sabia desfazer o fino fio frio, faz de conta que era sábia bastante para desfazer os nós de marinheiros que lhe atavam os pulsos, faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua, faz de conta que ela fechasse os olhos e os seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos da gratidão mais límpida, faz de conta que tudo o que tinha não era de faz-de-conta, faz de conta que se descontraíra o peito e a luz dourada a guiava pela floresta de açudes e tranqüilidade, faz de conta que ela não era lunar, faz de conta que ela não estava chorando por dentro – pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver”

[Clarice Lispector: Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres]

 

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Da importância de se ler Charles Dickens

Maio 3, 2008 · 9 Comentários

 

 Ela estava dormindo, tendo seus sonhos sem sentido, quando começou a ouvir “She needs him, yeah… that’s why she’ll be back again.. Can’t find a better man.. Can’t find a better man.. CAN’T FIND A BETTER MAN”. Ela, de olhos fechados, com a cabeça enfiada no travesseiro, tateia ao seu redor, em busca daquele aparelho demoníaco, responsável pelo brusco despertar e, ainda sonolenta, desliga o celular enquanto resmunga: “merda de despertador”. Ela resmunga mais alguma coisa, ajeita o travesseiro e se enrola no edredom. Não se sabe se minutos ou segundos depois, mas o fato é que o celular voltou a tocar insistentemente. Ela abre os olhos, resmunga mais alguma coisa, dessa vez olha o visor, vê números desconhecidos e, ainda meio sonolenta, atende:

 

 - Se você não for um amigo(a) íntimo(a), com muita liberdade para me ligar a essas horas ou um desconhecido portador de alguma informação importantíssima, eu vou amaldiçoá-lo até a quinta geração por me acordar.

 

 - Você está namorando?

 

 - Ãhn?

 

 - Está namorando?

 

 - Não, estou dormindo (diz ela, sem entender muito bem o que está acontecendo).

 

 - Não perguntei nesse momento, não perguntei se interrompi alguma coisa. Perguntei se tem compromisso firmado, em alguma esfera, com algum indivíduo.

 

 - Quem fala?

 

 - Como quem fala? VOCÊ NÃO SABE QUEM ESTÁ FALANDO??

 

 - Não sei nem se eu estou falando ou sonhando. Que horas são? Pode me ligar depois do meio-dia? Não, não.. depois das 14h.. Isso, depois das 14h, decidido!

 

 - Eu estava pensando em você e me perguntando por que a gente terminou e não consegui encontrar a resposta. Você se lembra?

 

 - Não lembro nem que namoramos.

 

 - Eu estava saindo com uma garota e estava fazendo uma analogia envolvendo o David Copperfield e de repente ela fez gestos estranhos de empolgação feminina, enquanto repetia “eu A-DO-RO-OOO aquele mágico, pena que o Fantástico não passa mais aquele quadro com ele”. Assim, com essa ênfase no “adoro” e tudo.

 

 - Não sei se você está bêbado ou se eu estou dormindo, mas era para essa conversa ter sentido?

 

 - Ela começou a falar coisas do mágico, do Fantástico e eu pensei “Meu Deus! Com que tipo de mulher eu ando saindo?”. E enquanto ela falava de mágicas e de modelos norte-americanos, eu comecei a pensar em você e comecei a me perguntar por que diabos terminamos. Não consegui encontrar um motivo, tive que te ligar.

 

 - Definitivamente, não foi por eu não conhecer a obra de Charles Dickens. Posso voltar a dormir agora?

 

 - Lembrou que namoramos?

 

 - Sim, você tem o perfil exato para ser meu namorado. Ligar de madrugada para falar da sua atual e Charles Dickens, é algo que só um excêntrico faria. Sendo você maluco e excêntrico, só pode ter sido e/ou está prestes a se tornar meu namorado.

 

 - Então você também acha que deveríamos voltar?

 

 - Sim, eu deveria voltar a dormir, você deveria voltar a.. a.. hum.. passar para o próximo nome da agenda de ex-namorada?

 

 - Você continua com um humor ácido.

 

 - E você continua com a péssima mania de me ligar de madrugada.

 

 - Por isso terminamos?

 

 - Se bem me lembro, você que terminou comigo. Será que é porque eu fui e continuo sendo ácida?

 

 - Eu terminei com você?

 

 - Sim, foi quando eu descobri o sorvete de chocolate suíço com avelã, assisti compulsivamente “Sociedade dos poetas mortos” e me dediquei aos cd´s de jazz.

 

 - Até parece. Você disse um “tudo bem” e seguiu sua vida como se nada tivesse acontecido.

 

 - Jura que não lembra porque terminamos? Pelo ressentimento por eu não ter tentado o suicídio, parece que você se lembra bem do fim da relação.

 

 - O ressentimento é por você não ter me ligado 28 vezes, num intervalo de 2 horas, para dizer que queria voltar.

 

 - Eu acredito no livre arbítrio e você me disse ter certeza que era aquilo que queria, enfatizando que não ia me procurar e que eu deveria fazer o mesmo.

 

 - Eu queria que tivesse me ligado 28 vezes, aliás, 2 bastariam. A gente merecia um fim melhor, um motivo melhor.

 

 - Então está me ligando para que a gente termine decentemente?

 

 - Não, estou ligando para que a gente namore.

 

 - Namore e depois termine decentemente?

 

 - Não, só namore… O que me diz?

 

- Digo que, definitivamente, você gosta muito de Charles Dickens.

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Relatos de uma obsessivo-compulsiva

Novembro 19, 2007 · 5 Comentários

Eu admito, sou uma pessoa cheia de “obsessões”. Sempre foi assim, nos diversos períodos da minha vida, o que sempre mudou foi o objeto que despertava meu sentimento obsessivo. Lembro-me quando comecei a ter obsessão por tintas de cabelo, coisas da idade, provavelmente. Todo mês era uma cor diferente, não importava as leves nuances de diferença entre o vermelho acaju e o castanho médio avermelhado intenso, eu simplesmente tinha que pintar e repintar, com tintas com fotos diferentes da caixinha anterior.

Um pouco depois a tintura passou a perder a graça, talvez pela falta de inovação nas cores, já tinha passado por tudo, repito TUDO, até uma coloração meio laranja consegui certa vez. Passei a adotar as mesmas cores básicas então: vermelho, castanho e preto é o máximo de variação agora.

No momento mesmo, metade de mim é castanho (a tal da “cor natural”), a outra metade preta, porque resolvi que não quero mais cabelo preto. Essa minha cor “morena jambo” em contraste com o cabelo preto sempre faz surgir àquela piadinha “ahhh, tá virando EMO, hein Má”. Então resolvi poupar as pessoas de ouvirem minha resposta raivosa “você vê alguma franjinha aqui? NÃO! Então, não sou EMO. Ah! E também detesto Simple Plan”.

Saí da compulsão desenfreada por tintas e então vieram os esmaltes,  passei a ter esmalte de todas as cores, várias tonalidades de vermelho, preto black (existe outro tipo de preto?) café, café rubro, marrom alguma coisa e até um amarelo “não me perca na neve” entrou nessa brincadeira. Ainda adoro esmaltes, mas novamente a variação de cores diminuiu drasticamente.

Atualmente o que me ajuda a satisfazer meu novo vício é a Saraiva. Tornei-me uma compulsiva por livros, admito que a primeira coisa que penso em feriados, antes do “vou viajar”, é “será que tem promoções na Saraiva? Nessa época muitos títulos estão pela metade do preço, parcelados sem juros em não sei quantas vezes em todos os cartões. Ai, ai (suspiros) Frete grátis para todo o Brasil”.

Normalmente essas visitas ao site da livraria terminam em muitas encomendas. No último feriado não foi diferente, mais cinco livros para devorar, dentre eles best-sellers que fariam com que muitos balançassem a cabeça, descrentes.. mas o importante é que apesar de me manter lendo o Jabor.. eu ainda não me rendi a Paulo Coelho.

- – -

PS: Créditos de mudança de layout para Eduardo, que resolveu fazer mais do que dizer “eita que visualzinho adolescente o desse blog, favor tirar aquelas coisas em verde.. deixar mais clean.. e tags menina! Blogueira que é blogueira usa tags”.. Ufa! Ainda bem que não sou blogueira.. e ainda bem que Edu é praticante da máxima “quando a gente quer alguma coisa, a gente mesmo faz”

PS2: Invejinha da vida paulistana, infelizmente dizer que sou muito apegada as minhas raízes e que me guio pelo calendário oficial da cidade de São Paulo não funcionou.. mas uma bela continuidade de feriado para quem está refletindo na praia :-)

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A página 161

Outubro 27, 2007 · 5 Comentários

Edoardo Vilhena, conhecido por Doda, o cara do Bloda, tentando saber se as lendas urbanas que contam por aí, envolvendo teorias de que sou “simpática” e algumas outras coisas positivas (não positivistas por que positivismo é uma doutrina e blá blá blá e sim.. eu já aprendi Ju!) é real mesmo e o quanto isso é apenas crendice popular, sempre (nosso sempre aqui é algo em torno de 2, 3 vezes) me desafia com essas coisas de corrente de blog (acabo de descobrir a classificação “meme”.. veja só!).

Bem, como eu ainda não quero mostrar a realidade nua e crua para o Doda, como eu ainda acho que se ele tem alguma ilusão de “boa gente” isso deve ser mantido..  

1 – Pegar um livro próximo (apaguei o parêntese original do meme porque ele ofendia minha inteligência – Eu poderia me dar o trabalho de procurar o complemento para oferecer a você, caro leitor, a possibilidade de saber se isso ofende a sua inteligência ou se o Doda é um QI acima da média, mas.. não estou querendo me dar mais trabalho);

2 – Abrir na página 161;

3 – Procurar a 5ª frase completa;

4 – Postar essa frase em seu blog;

5 – (apaguei o quinto passo pelo mesmo motivo que apaguei o parêntese do primeiro item – Novamente você, caro leitor.. vai ter que ficar sem saber o que diabos era o item 5, reclamações sobre isso AQUI);

6 – Repassar para outros 5 blogs.

Bom, eu comecei a ler esse livro há algum tempo atrás, mas na minha última viagem resolvi levá-lo para ler no ônibus, claro que isso não deu certo.. Às vezes a pessoa precisa simplesmente aceitar.. EU NÃO CONSIGO LER EM ÔNIBUS.. obviamente deve ser bloqueio por ter crescido ouvindo “não leia no carro que isso vai te deixar cega!”, enfim, não só não consegui ler o livro como fiz inúmeros amigos de 6 horas (tempo que durou a última viagem de ônibus), enquanto aguardava chegar ao meu destino. Na volta o livro foi esquecido, mas agora o tenho de novo em minhas mãos.

 Livro: A gente se acostuma a tudo (não, não é auto-ajuda, é um livro de crônicas reunidas).

 Autor: João Ubaldo Ribeiro

 Página 161, quinta frase blá blá blá “Se eu fosse Nelson Rodrigues, teria a coragem de dizer que mora um puxa-saco na alma de cada um de nós, mesmo que, em alguns casos, bem pequenininho”. 

(Trecho da crônica “Que tal uma tolerância zero para nós?” – Relato da subserviência à autoridade.. Acho que muito se aplica, afinal, olha eu aqui cedendo a autoridade do Doda e cumprido uma ordem dele, mesmo declarando por aí que “não gosto desse papo de meme”).

Ah sim.. temos o repassar.. Está lendo isso aqui? Está de passagem? Caiu aqui procurando “site do pastor alemao tarado” (hãn? O cachorro?? Ah! Meu invejável público de leitores!) não importa, esteja a vontade para relatar a sua página 161 para a gente.

 

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