Conversas de MSN – Parte III

5 09 2008

 

 

- Estou escrevendo uma carta em francês.

- Ah! Não quer que eu te ajude?

- huahuahuahuahua não acho uma boa idéia, imagina uma carta corporativamente séria escrita com o “seu” francês.  

- Ia ser legal.. podíamos começar com um “Bonjour mon coeur” e claro, inserir um “On dit que lorsqu’on rencontre l’amour de sa vie, le temps s’arrête. Et bien c’est vrai” no meio de algum parágrafo hahahaha..  

- Não sei se funciona.. ou melhor.. TENHO MEDO QUE FUNCIONE, acho melhor fazer do jeito tradicional huahuahuahuahua

- Está bem.. se você prefere assim..

- É que não pretendo cantar o cara para quem estou escrevendo a carta e sabemos que o seu francês é aquele francês-brega-fofo-de-comédias-românticas.

- Eh.. vai que ele corresponde, né?

- Sim.. isso pode ser um perigo!

- Realmente, porque sabemos que você já tem um compromisso comigo…

- É verdade… mas, mesmo que não tivesse, não me interessaria por um cara huahuahuahuahua

- Pode ser, mas, ainda assim, é mais bonito quando você diz que não pode por minha causa… hahahaha

- Mas isso vem em primeiro lugar! Mesmo eu sendo heterossexual, você é o motivo que vem primeiro!!!

- Yeah.. inclusive.. você deveria dizer que é heterossexual só por minha causa… hahaha

- Sim, claro! Se você não existisse, eu não me interessaria por uma mulher.. ahhh.. tá ficando esquisita a parada já.. huahuahuahuahuahua

- hahaha.. tá parecendo aquele filme, sabe? Trainspointing, se não me engano.. Aquele que o cara diz “você é a melhor garota” e a garota termina dizendo “se a gente não se conhecesse você estaria dizendo isso pra outra garota”… Deve ser a hora que bato a porta e saio indignada por você não ser hetero EXCLUSIVAMENTE por minha causa.. hahaha

- Mas até isso eu disse… a srta. ainda não está satisfeita?

- Ok.. então quer dizer que se o uso abusivo de conservantes e refeições a base de trakinas morango mais.. me levarem a morte precoce, você vai deixar de ser hetero? Hahahaha

- Uiiii.. senti até uma contração involuntária nos periféricos agora huahuahuahuahuahuahua…. Não posso deixar de ser hetero, mas não podemos fechar aí num assexuado? huahuahuahuahuahua





Novela mexicana – Season Finale

4 08 2008

 

Para quem perdeu a incrível parte inicial dessa incrível história com personagens excêntricos e autores de nomes duplos, eis aqui o tutorial de procedimentos:

Opção 1: Use o botão de rolagem do seu mouse e vá até o post anterior.

Opção 2: Em “bobagens fresquinhas”  clique em: “novela mexicana – Parte I”

Opção 3: CLIQUE AQUI

 

Em caráter excepcional teremos PS´s antes do texto.

PS: Informamos que, inicialmente, o nome masculino a ser utilizado seria Rodolfo José, mas como todos os PMNI (personagens masculinos não identificados) e PCIP (personagens com identidade preservada) recebem o nome de “João”, decidiu-se manter a coerência.

PS2: A personagem feminina não foi nomeada por discordância entre os autores.

PS3: Dinho e Má foram mantidos como autores também nesta parte final, o que explica muita, MUITA coisa..

PS4: Ahn.. eu adoro PS´s

 

Novela mexicana – Season Finale

Ele, em uma tentativa desesperada, tenta apelar para os bons momentos:

- Você poderia parar de me atacar e destacar as minhas qualidades, né? Tudo de bom que já fizemos juntos.

- Ok.. vou destacar como você é, mas lembre-se: você que está pedindo.

- Não, mudei de idéia.. Sério, não precisa. Depois desse tempo todo né.. não precisa por em palavras esse sentimento que nutre por mim.

- Nutria, você foi capaz de destruir tudo.

- Já sei! Já sei!

- O que?

- Já tenho uma explicação. Que outra coisa poderia causar esquecimento?

Hein, é isso, foi o álcool!! É culpa do álcool, bebi demais.. Só pode ser isso!!! Uísque maldito

- Não tente justificar o que não tem justificativa. Eu nunca vou te perdoar

- Mas meu amor, você tem que ser a pessoa nobre desta relação, tem que ser a pessoa que está acima da mesquinhez da vida. Saber perdoar e aceitar os outros com seus erros humanos.

- Eu te aceitava com todos seus defeitos porque eu acreditava que havia uma consideração e uma relação ali. Mas também não tenho nada que te perdoar, você não significa mais nada pra mim.. você é só um cara aí, não tinha obrigação de lembrar de nada.

- Poxa! Cadê a paixão enfurecida das palavras?!? Cadê a raiva? Briga comigo, me xinga… Mas não diga que sou só “um cara aí”.

- Perdi a vontade de brigar com você. Brigava porque gostava, agora tanto faz, né?

- Não, não diga isso!!! The dream can not be over!!! Paul is still alive… Existe uma chance, onde há vida há esperança…

- Não tenho mais vontade, O que posso fazer?

- A vontade não pode desaparecer de uma hora pra outra… Algo assim não some, não posso conceber como verdade.

- Não, não foi de uma hora pra outra.. foi cada dia um pouquinho.. até que eu pude enxergar a verdade.. você não me ama.

- Claro que eu te amo.

- Deixei de acreditar nisso…

- As coisas não deixam de ser verdade só porque você parou de acreditar nelas.

- Não era verdade, era uma ilusão.

- Não era e não é!!! Algo tão concreto, tão diário, como você pode dizer que era ilusão?

- Porque se fosse de verdade você lembraria, se importaria.. éramos um passatempo diário um para o outro.

- Passatempo diário? Não senhora! Eu me importo, veja quanto tempo estou aqui tentando dizer que me importo!!! Se não me importasse estaria aqui?

- Sim, devido ao passatempo diário.. Você não deve ter mais nada pra fazer.

- Que é isso!!! Tenho uma prova hoje… outra amanhã, outra na quarta.. Estou correndo risco de reprovação por você, sabia?

- João Carlos, dizer que eu sou mais importante do que uma prova não ameniza nada.. Sabemos que você colocaria qualquer coisa na frente das provas..

- É, realmente não foi um argumento lá muito forte. Mas ainda assim me importo, me importo tanto que faria qualquer coisa pra você me perdoar.

- Qualquer coisa?

- Sim, qualquer coisa…

- Olha só.. vai ter um espetáculo de balé essa semana.. um pessoal da Escandinava..

- Balé? Você sabe que eu odeio balé.

- Sabia! Você não se importa mesmo.

- Desculpe, desculpe. Claro que me importo. Se você quer ..

- A propósito.. cada ingresso custa R$360,00.

- O que? Tudo isso? A não, não, não.. R$360,00 pra ver escandinavos vestindo malhas e saltitando num palco ao som de música estranha?

- Tudo bem, tudo bem.. Se você acha que eu não mereço um agrado às vezes.. que nada significo.

- Ok, ok.. Nós vamos.

- Promete?

- Prometo..

- Jura que vamos? Você não mudará de idéia? Olha que você está dando sua palavra, hein.

- Nós vamos, não mudarei de idéia.

- Ah.. Eu te amo!

- Você sabe que eu também te amo. Não sei como pude esquecer esse dia.. até porque você faz aniversário exatamente um mês depois de mim… (pausa) Ei… espere um minuto.. (pausa).. Estamos em julho. Seu aniversário é um mês depois do meu.. Até onde me lembro nasci em outubro.

- Ok, ok, admito. Hoje não é meu aniversário.

- Que mente diabólica! Que mente diabólica!

- Eu não fiz nada. Você que veio me dando parabéns e implorando perdão por ter esquecido.

- E o que diabos eu tava esquecendo?

- De colocar o lixo pra fora ué… chega bêbado da rua e já quer ir dormir? A propósito.. que fique claro.. nós vamos no balé escandinavo. Foi promessa.. e sabemos que você sempre cumpre suas promessas…

- Mas.. masss..

- Nada de “mas.. mas”.. e vá por o lixo pra fora..e tomar um banho… que você está cheirando a cigarro e bebida.





Novela mexicana – Parte I

31 07 2008

 

Ele estava deitado na cama resmungando e terminando um projeto no seu inseparável notebook. Ela sentada no chão do quarto, bagunçando a coleção de cd´s dele:

- Se você tirar os cd´s da ordem teremos um crime passional aqui. (diz ele com seu conhecido tom ameaçador).

Ela ria:

- Sabe quantas vezes eu já baguncei esses cd´s.. quantas vezes você já me fez essa ameaça e ainda não me aconteceu nada?

- É que eu quero que você seja pega desprevenida. É um plano cruel para ficar a espreita e acabar com sua vida quando menos esperar.

Tomavam cappuccino e iam falando bobagens aleatórias, enquanto perturbavam a paz dos vizinhos com a poluição sonora no apartamento, fazendo uso das mais eficazes armas para conquistar inimizades no condomínio: risadas freqüentes e altas, vídeos do Charlie Brown e Snoopy (por presente dele, acreditando ser gosto pessoal dela) e músicas com o melhor de Weezer (por gosto pessoal dele) e Suzi Quatro (por gosto pessoal dos dois). Até que ele tem a brilhante idéia:

- Ahh! Vamos escrever um texto?

- Um texto? Sobre o que?

- Errr.. Qualquer merda.. pra você por no blog e dizer que escrevemos juntos, destacando que eu sou o tal do cara na sua vida. Uma coisa bem mexicana como você.. e bem humor sarcástico como eu.. ficando meio maluco como nós dois.  Se ficar uma merda não tem problema, os nossos amigos puxa-saco vão adorar a gente escrevendo juntos.

- Ta fazendo isso para que eu pare de bagunçar os cd´s, né?

- Sempre vendo a intenção por trás da ação. Matá-la daria mais trabalho e poderia sujar o carpê de sangue. Depois de um tempo a gente pega amor, sabe? Ahh!! Estou falando de amor pelo carpê, tá? Que fique claro!

- hahahaha… Besta!

 

Rá!!! :-)

 

Novela mexicana – Parte I

Ela estava deitada na cama, lendo. Ele chega sorridente e notoriamente bêbado:

- Oiii…

Silêncio.

- Oieeee (diz ele sentando na cama e tirando os sapatos).

Silêncio.

- Cof, cof…

Silêncio

- Ei.. Cheguei meu amor. (diz enquanto dá um beliscão na perna dela)

Ela larga o livro, levanta os olhos e olha para ele:

- Te conheço? (diz com indiferença).

- Aparentemente não o suficiente pra dizer que me ama.

- Não te amo.

- Ah! Eu sei que ama (diz enquanto a abraça). Nossa! Como estou cansado. Acho que vou dormir.

- Dormir??? Você não está esquecendo de nada?

- Estou?

- Não está?

- Ah sim! É hoje, né? Parabénssssss lindinha!!!

- Parabéns?

- Sim, sim.. Parabéns. Falta um minuto para meia-noite, tecnicamente ainda é seu aniversário. Quantos aninhos mesmo? Com esse rostinho, 18, né?

- Hummm.. O que te importa quantos anos? Você nem lembrava que era hoje.

- Isso quer dizer que deve ser 34… Época da negação.

- Nem isso você é capaz de lembrar. Lembra do meu nome pelo menos?

- Não faça essas acusações injustas… eu lembrei.

- Sei, sei. Agora, né? Mas tudo bem. Não terei mais que brigar com você por isso.

- Claro que não, lembrarei de todos os outros daqui por diante.

- Os daqui em diante eu passarei sem você.

- Como você é malvada… Que a chaga de mil demônios caia sobre você! Que a terra coma sua carne, mas preserve seus olhos, primeiro porque eles são lindos.. E segundo para você ver o horror de sua putrefação. Não existem palavras pra expressar minha tristeza depois disso que você disse.

- Pois pra mim existe. Estou profundamente descontente, afinal, nada significo pra você.

- Muitos outros te darão feliz aniversário atrasado. Você sabe disso. Porque brigar assim comigo?

- É totalmente diferente, você não está no bolo dos “muitos outros”, esperava mais de você.

- Bem, eu nunca quis te decepcionar, mas você exige de minhas forças mais do que posso proporcionar. Vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Eu sou apenas um semi-deus, né. E não vem com essa, não senhora.. Você disse e eu repito: “Não está esquecendo nada?!?”. Achei que você tava falando dos meus chinelos porque eu tava pisando no chão frio, portanto, lembrei sozinho.

- Agora não adianta mais.

- Não diga tal coisa. Não depois destes 78 anos de convivência… Não depois de trocar suas fraldas pela sua incontinência…

- Não me venha com suas piadinhas. Você jogou tudo fora, mas está certo.. não somos nada um do outro mesmo. Nada significo pra você.

- Poxa não fala assim, isso não é coisa de pessoa que tem Jesus no coração!! Não, não.

- Jesus eu tenho.. diria que não tenho você…

- Nossa… Nossaaaaa! Tipo, nossa.. Essa foi desnecessária…

- Não, foi necessária sim. Estou profundamente chateada com você

- Mas meu amor.. Eu passei o dia fora estudando.. Com a cabeça cheia. Só cheguei agora e você já chegou com os dois pés no meu peito.

- O pior é você mentir assim.. EU SEI QUE VOCÊ ESTAVA NO BAR, não minta que é bem pior.

- Mas eu tinha que ir estudar.. Daí estava atordoado. Ah, e mentir faz parte de minha natureza.

- E não acreditar em você faz parte da minha. E não te perdoar e te excluir da minha vida, faz mais parte ainda.

- Mas começou agora, porque você não era assim. Eu aprontava tudo que queria e você continuava me perdoando e me amando…

- Você foi um erro…

- O que posso fazer pra você ver que estou arrependido?

- Não somos mais nada um do outro.. não adianta.

- Flores?!?!

- Não precisa João Carlos.. deixemos como está.

- Xiii.. João Carlos e uma frase de resignação?!? O caso é sério.. Você nunca me chamou de João Carlos antes…

- Não tenho mais porque te dar apelidinhos bregas, fofos e íntimos. Você é um falso.

- Falso nada. Eu estou embriagado e todos sabem que quando a bebida entra a verdade saí, então, por lógica, só pode ser verdade.

- Não há sinceridade nas suas palavras.

- Como não? São tão sinceras quanto palavras minhas podem ser.

- Exato! Por isso mesmo.. não há nada sincero vindo de você.

- Isso magoa!!! Depois de tanta dedicação, de tanto apoio a você.

- Dedicação? Não houve dedicação e a magoada, chateada e ofendida aqui, sou eu.

- Isso daria versos pra uma música… Podíamos ficar milionários.

- Não existe “a gente”. Existe eu e você separadamente.

- Mas aí, nem numa parceria para o estrelato? Podíamos ser como os dois

caras dos Rolling Stones, que não se falam, se odeiam, mas que estão ricos.. Se bem que, eu não te odeio, só você a mim..

- Mas provavelmente o cara dos Stones lembra do aniversário do outro… Antes você me odiasse pelo menos lembraria. Diria “hoje é aniversário daquela desgraçada”, mas lembraria. Humpf!!

 

Por: Dinho e Má =)

 

Será que esse texto terminará assim? Será que eles não confessarão que não terminaram de escrever porque foram ver dvd´s? Será que todo mundo vai notar que as falas do texto são aquelas manjadas, que eles falam todo dia um para o outro? Acompanhe o fim (ou a falta de fim) das histórias desses dois, sempre com personagens excêntricos, falas malucas e DR´s imprevisíveis.. hahaha





Amor em tempos de tevê a cabo

28 07 2008

 

 

Ela estava na sala. Ele na cozinha. Ela gargalhava tendo a tevê como companhia. Ele escutava as risadas enquanto pegava mais uma cerveja:

- O que está fazendo? (pergunta ele surgindo na porta da sala).

- “I’m saying it ‘coz it’s true. Inside of us, we both know that you belong with Victor. Is there a Victor in your class?” (diz ela entre risos).

- Hã?

- “We’ll always have Fresno” (ainda rindo).

- Certo, isso pode fazer sentido aí dentro, mas no mundo aqui fora… Repito a pergunta: O que está fazendo?

- Assistindo Dr. House (diz quase suspirando).

- Não tem nada melhor pra fazer não?

- Devo ter.. não quero me gabar, mas meu namorado é conhecido por ter sempre uma vasta e divertida programação na manga. E aí.. o que vamos fazer hoje?

- Hoje? Nossa! Todas as seqüências de Máquina Mortífera. Imperdível!!

- Máquina Mortífera?

- Ah! Não quero me gabar, mas minha namorada é a melhor.. ela vai alugar os dvd´s.

- Ei! Como assim? Sua namorada não sou eu? Teve um pedido, um sim..  eu estava prestando atenção.. nem estava passando House na tevê.. Hum.. ou estava? Será que na verdade você perguntou se eu queria mais cerveja? Ah! Eu nunca me lembro…

- Na verdade eu te pedi em namoro e você disse você disse: “siiimmmm”, com uma empolgação que me comoveu.. e logo depois você completou com: “… de vodka”.

- Ah! Eu sou assim.. uma romântica, o que posso fazer?

- Mas então, já que concordamos que você é minha namorada, eu repito: minha namorada vai alugar os dvd´s!

- Não vai não! Sua namorada vai assistir Dr. House.

- Hummm.. Será que ainda dá tempo de me arrepender? Será que é um sinal pra terminar com você? Eu posso voltar com a minha ex, pelo menos assim eu teria meu box de Máquina Mortífera. Ah.. bons tempos aqueles de namorada submissa.

- Por mim tudo bem, mas dá pra esperar terminar esse episódio? Adoro a parte que ele diz: We have been blessed with the miracle of a new symptom. Brother, can you testifiy as to why this poor child’s eyeball rolled back into his head?”. Depois você pode me deixar em casa, comprar flores e implorar pra voltar com a sua ex.

- Posso te fazer uma pergunta séria?

- Posso responder com interjeições? Há um sério risco de não prestar atenção na pergunta… Já está na parte do “Come on in, brothers and sister! Welcome to the house of the Lord!” Eu mencionei que me amarro nese episódio?

- Desde que você responda com uma interjeição sincera e séria.

- Como seria uma interjeição séria?

- Só prometa que vai responder com sinceridade.

- Quer trazer uma bíblia para que eu faça o juramento de “dizer a verdade, nada mais que a verdade”?

- Lá está você fazendo piada.

- Ok, desculpe, faça sua pergunta séria que responderei.

- Você me trocaria pelo Dr. House sem titubear, não é?

- Ah! Quer um abraço?

- Você prometeu que ia responder seriamente.

- Ah! Essa é a pergunta séria?

- Me trocaria?

- Você está me perguntando se eu trocaria você por um personagem fictício de uma série norte-americana? Mais sério do que isso só se me pedisse pra escolher entre você e o Pepe Legal.

- Eu sabia! Isso foi um sim.. não foi? Só faltou você completar com “.. de vodka”

 





Em uma segunda dessas

24 06 2008

 

 

Ele entra pela porta, sorridente, sem camisa e batucando em uma maleta que estava em suas mãos:

- Amor!!! (diz enquanto pula em cima do sofá e a abraça) Pergunta onde eu estava.

Ela fecha o livro que estava lendo:

- Hum.. tá.. espera aí… Pode fingir que está entrando novamente? Pra dar mais realismo.

- Está bem, recomeçando (diz ele se levantando, abrindo a porta e fazendo a mesma entrada).

Dessa vez nem dá tempo dele dizer nada:

- PORRA!! Posso saber onde diabos o SENHOR ESTAVA???

- Ow, quando você vai parar de se intrometer na vida dos outros?!?! Que coisa. Porra!!! Assim você me sufoca… não me dá espaço.. Se eu quisesse que você soubesse onde eu estava, teria te contado, porraaa. Puta que pariu, viu!!!

- Então não fala porraaaaaa… Não quero mais saber da sua vida.. Vai catar coquinho.

- Catar coquinho??? – diz ele gargalhando - Você fica tão fofa nervosa.

- Se liga ow..QUEM TÁ NERVOSA AQUI, HEIN..HEIN, HEIN??

- Devo ser eu, desculpa, é que tomei muitas porradas no futebol.

- Hum… Você estava jogando, é verdade.. segunda é dia de futebol, estava no contrato, letras miúdas, tinha esquecido. Fez muitos gols?

- Onde você pensou que eu estivesse? Na esbórnia? Por isso mantenho este meu porte físico de Deus Grego!!! Poxa, mas é claro que fiz gols né. Fora o espetáculo. Mas foi bem isso, era eu passar pelos caras pra tomar porrada.

- É duro ser artilheiro. Quantos gols fez?

- Pois é.. o que compensa a dor de ser perseguido em campo é o salário. Fiz a incrível quantia de UMMMMM golaçooooo.

- Quase o novo ídolo do ataque palestrino (diz ela entre risos cínicos).

- Mas nem só de gol é feito o futebol!!! Já diria nosso excelentíssimo técnico, o senhor Parreira: “Gol é um detalhe”. E as assistências?!?! E o espetáculo?!!?

- Ah! Quer dizer que teve espetáculo??

- Err.. na verdade não, mas os três pontos foram nossos. Nosso time ganhou de 8×4!!! E o negócio é o seguinte, além de jogar muito, sou o capitão do time e ainda o cara, apesar de mais velho, com mais fôlego.

- Fico só imaginando o nível dos outros jogadores.

- É ruim, é muito ruim. Um dia você tem que ir lá ver.

- Tudo bem, e se pagar umas cervejas eu até bato palmas, grito seu nome e digo que você joga muitooooo.

- Dois minutos me vendo jogar e você não vai agüentar, você vai gritar. Nem que seja da bolada. Hoje quebrei dois no jogo. De raiva mesmo, estava sendo perseguido em campo.

- Não sabe que essa é a sina dos craques? Tipo..ser perseguido em campo..

- Ah é??!?! Acha mesmo que sou um craque, amor??

- Err.. não,  mas o seu time deve ter usado a seguinte tática..espalharam por aí, em conversas informais, que você era o craque do time para os marcadores adversários te perseguirem em campo..Com isso confundiram o pessoal e deixaram as reais estrelas livres pra brilhar.

- Hmpf! VÁ CATAR COQUINHO!





Uma lição de amizade

15 06 2008

  

- Como foi de dia dos namorados?

- Com muita DR.. O ponto alto da noite foi a vitória do Palmeiras sobre o Cruzeiro.

- Veja pelo lado bom: Você pode ficar encalhada, mas ao menos o Palmeiras ganhou. Uma tiazona que torce pra um time campeão é melhor que uma tiazona que torce pra um time fracassado…. Ou não… Ah! Deve ser.

- Sim.. sim.. e não foi um completo fracasso, eu ainda tenho com quem discutir relação, com quem brigar..

- Sexo, briga… são conceitos parecidos, pelo menos.. soco, pulo, grito… saca? Mas se é difícil manter um namorado você podia só engravidar.. pelo menos constitui família.

- Você sempre querendo me engravidar (no bom sentido hahaha).

- No bom sentido não! No ótimo sentido. Quem vai fazer o trabalho, é algo indiferente. Me paga uma pizza e umas cervejas, me fala umas coisas bonitas no ouvido e pronto. Resolvo isso. Ou então terceirizo pra alguém… Candidatos é o que não faltam.

- hahahahaha.. muito obrigada por dizer que eu só preciso embebedar alguém.. está ficando cada vez mais animador.

- Não que seja extremamente necessário embebedar pra conseguir. Mas torna tudo mais fácil. E além do mais, ficar bêbado é bom, seja lá qual for o motivo. Neste caso, seria por uma boa causa.

- Pois é.. beber é sempre bom.. embebedar uma pessoa em uma medida desesperada pra conseguir sexo que soa meio deprimente..

- Se não funcionar, sempre há a possibilidade de pagar por sexo. Fique fria. Algum jeito a gente dá.

- Obrigada, fico aliviada em saber que se eu não conseguir nada, você está aí pra me dar cobertura hahaha.





Da importância de se ler Charles Dickens

3 05 2008

 

 Ela estava dormindo, tendo seus sonhos sem sentido, quando começou a ouvir “She needs him, yeah… that’s why she’ll be back again.. Can’t find a better man.. Can’t find a better man.. CAN’T FIND A BETTER MAN”. Ela, de olhos fechados, com a cabeça enfiada no travesseiro, tateia ao seu redor, em busca daquele aparelho demoníaco, responsável pelo brusco despertar e, ainda sonolenta, desliga o celular enquanto resmunga: “merda de despertador”. Ela resmunga mais alguma coisa, ajeita o travesseiro e se enrola no edredom. Não se sabe se minutos ou segundos depois, mas o fato é que o celular voltou a tocar insistentemente. Ela abre os olhos, resmunga mais alguma coisa, dessa vez olha o visor, vê números desconhecidos e, ainda meio sonolenta, atende:

 

 - Se você não for um amigo(a) íntimo(a), com muita liberdade para me ligar a essas horas ou um desconhecido portador de alguma informação importantíssima, eu vou amaldiçoá-lo até a quinta geração por me acordar.

 

 - Você está namorando?

 

 - Ãhn?

 

 - Está namorando?

 

 - Não, estou dormindo (diz ela, sem entender muito bem o que está acontecendo).

 

 - Não perguntei nesse momento, não perguntei se interrompi alguma coisa. Perguntei se tem compromisso firmado, em alguma esfera, com algum indivíduo.

 

 - Quem fala?

 

 - Como quem fala? VOCÊ NÃO SABE QUEM ESTÁ FALANDO??

 

 - Não sei nem se eu estou falando ou sonhando. Que horas são? Pode me ligar depois do meio-dia? Não, não.. depois das 14h.. Isso, depois das 14h, decidido!

 

 - Eu estava pensando em você e me perguntando por que a gente terminou e não consegui encontrar a resposta. Você se lembra?

 

 - Não lembro nem que namoramos.

 

 - Eu estava saindo com uma garota e estava fazendo uma analogia envolvendo o David Copperfield e de repente ela fez gestos estranhos de empolgação feminina, enquanto repetia “eu A-DO-RO-OOO aquele mágico, pena que o Fantástico não passa mais aquele quadro com ele”. Assim, com essa ênfase no “adoro” e tudo.

 

 - Não sei se você está bêbado ou se eu estou dormindo, mas era para essa conversa ter sentido?

 

 - Ela começou a falar coisas do mágico, do Fantástico e eu pensei “Meu Deus! Com que tipo de mulher eu ando saindo?”. E enquanto ela falava de mágicas e de modelos norte-americanos, eu comecei a pensar em você e comecei a me perguntar por que diabos terminamos. Não consegui encontrar um motivo, tive que te ligar.

 

 - Definitivamente, não foi por eu não conhecer a obra de Charles Dickens. Posso voltar a dormir agora?

 

 - Lembrou que namoramos?

 

 - Sim, você tem o perfil exato para ser meu namorado. Ligar de madrugada para falar da sua atual e Charles Dickens, é algo que só um excêntrico faria. Sendo você maluco e excêntrico, só pode ter sido e/ou está prestes a se tornar meu namorado.

 

 - Então você também acha que deveríamos voltar?

 

 - Sim, eu deveria voltar a dormir, você deveria voltar a.. a.. hum.. passar para o próximo nome da agenda de ex-namorada?

 

 - Você continua com um humor ácido.

 

 - E você continua com a péssima mania de me ligar de madrugada.

 

 - Por isso terminamos?

 

 - Se bem me lembro, você que terminou comigo. Será que é porque eu fui e continuo sendo ácida?

 

 - Eu terminei com você?

 

 - Sim, foi quando eu descobri o sorvete de chocolate suíço com avelã, assisti compulsivamente “Sociedade dos poetas mortos” e me dediquei aos cd´s de jazz.

 

 - Até parece. Você disse um “tudo bem” e seguiu sua vida como se nada tivesse acontecido.

 

 - Jura que não lembra porque terminamos? Pelo ressentimento por eu não ter tentado o suicídio, parece que você se lembra bem do fim da relação.

 

 - O ressentimento é por você não ter me ligado 28 vezes, num intervalo de 2 horas, para dizer que queria voltar.

 

 - Eu acredito no livre arbítrio e você me disse ter certeza que era aquilo que queria, enfatizando que não ia me procurar e que eu deveria fazer o mesmo.

 

 - Eu queria que tivesse me ligado 28 vezes, aliás, 2 bastariam. A gente merecia um fim melhor, um motivo melhor.

 

 - Então está me ligando para que a gente termine decentemente?

 

 - Não, estou ligando para que a gente namore.

 

 - Namore e depois termine decentemente?

 

 - Não, só namore… O que me diz?

 

- Digo que, definitivamente, você gosta muito de Charles Dickens.





Seja do jeito que for…

11 04 2008

 

 Eles formavam o casal mais improvável da face da terra, era constante a desconfiança de terceiros: “se alguém está ameaçando vocês e os obrigando a namorar, pisquem duas vezes, PISQUEM DUAS VEZES”.

 

 Ele todo sério, certinho, responsável, bom moço, não bebe, não fuma, não usa tóxico, batizado, crismado, freqüentador de missa. Do tipo que acorda cedo para andar de bicicleta, que conhece milhares de cachoeiras e que se vê com os olhos brilhando quando falam em fazer trilhas. Filmes pra ele costumam envolver muito sangue e atuações consagradas de atores do mesmo naipe de Charles Bronson. Só de ouvir falar em filmes em preto e branco e francês, ele a olha com cara de pânico.

 

 Ela? Ah! Ela é urbana, detesta acordar cedo, tem alergia a exposição em excesso ao verde, o pulmão entope com ar puro por muito tempo, é assumidamente fã de botecos, adora filmes em preto e branco, ama o Fellini, não tem absolutamente nada contra o cinema francês e vive citando as falas do Lucca Brasi. Ele, além de não saber quem é Lucca Brasi, acha que o “Leão da Montanha”, este sim, merece ser citado.  

 

 Mas mesmo assim, o casal mais improvável da face da terra namorou por bem mais tempo do que apostaram os mais otimistas. Namoraram até que todas as risadas, as gracinhas, o cantarolar de música brega, as discussões sobre filmes.. virassem nada e passassem a dar lugar a olhares dispersos, sorrisos nervosos, silêncio em frente à tv. Tentando, em vão, encontrar uma palavra que consertasse, um ato que resolvesse, alguma coisa que apagasse. Mas não encontraram nada, não encontram nada que pudesse uni-los novamente, nada além de uma intimidade gasta e silêncio. Não encontraram nada porque simplesmente não havia mais nada? Não se sabe… mas… bem… ah… enfim… terminaram.





As dicas insanas das revistas femininas

18 09 2007

Um belo dia uma desocupada resolveu escrever sobre lugares para se conhecer homens. Que bares que nada, diziam elas, o ideal é você conhecer homens no supermercado, que aí sim você está buscando um homem decente, que realmente quer compromisso e todas essas teorias que tiraram sabe lá da onde. Vai ver que os melhores machos da espécie são aqueles que sabem escolher batatas e só você não sabia.

Bem, você tem um namorado, ele é do tipo que vai as compras com você sem você ter que gritar muito. Claro que isso está muito mais ligado com a vontade dele de comprar cerveja, queijo e salaminho do que com o fato dele ter um espírito corporativo.

Enquanto você está na seção de frios, você o avista na seção de verduras. Evidente que ele é um dos poucos seres do sexo masculino naquele recinto. Evidente que aquele lugar está cheio de mulheres e obviamente grande parte delas deve ter lido as tais dicas que falavam que o homem da vida delas estava em alguma seção do mercado. Você começa a reparar que muitas das passantes o abordam. Você fica com dó, mal sabem elas que da última vez que ele comprou batatas, já as trouxe estragadas.

Você nota que ele até sorri e é simpático. A quantidade de mulher em volta aumenta e você decide acabar com a diversão do menino, já se aproxima dele dando um leve beliscão em seu braço.

- Ai sua doida! Posso saber o que eu fiz agora?

- Ficou dando trela para desconhecidas. Precisa ser simpático assim, precisa?

- Mas eu não sou simpático, sabemos que está além das minhas forças ser simpático, não?

É, mas parece que hoje você está se esforçado bastante.

- Eu sou esforçado… eu me esforço bastante. Não faço a barba, me visto da maneira mais largada possível. Não penteio o cabelo, esforço-me ao máximo para não ser um DEUS GREGO.. Pois como você sabe, sou comprometido e não posso ser objeto de desejo para outras mulheres. Mas que culpa tenho se todo meu esforço é inútil? Se mesmo assim não evito os olhares penetrantes, as cantadas sutis, os abraços mais acintosos…. Que culpa tenho eu, hein?

- É né.. que culpa você tem? (outro beliscão.. no mesmo braço).

- Nem me fale.. não posso me livrar disso. Sofro, desgasto-me no esforço de tentar parecer o que não sou.. mas prometo que morrerei tentando não ser tão absurdamente lindo.. principalmente escolhendo um pé de alface.

Você dá outro beliscão.. no mesmo braço.

- Aiiii! Você tem que parar com essas manias, deixa inventarem uma delegacia pros homens que você está perdida!! Posso saber o que foi agora?

- Nada não, só por costume mesmo!!





Às compras!

1 08 2007

- Você está ocupada?

- Não.. Por quê?

- Vamos ao shopping?

- Shopping?

- Sim.. fazer compras…

Olho desconfiada. Quando um homem fala pra você “vamos fazer compras”, sem complementar com a frase “a cerveja acabou”, é sinal de que alguma coisa está errada.

- A gente pode ir naquele shopping que você gosta.

A desconfiança é substituída pelo medo, compras e shopping vindo em uma mesma frase, dita por um homem, é sinal de que o tal apocalipse que tanto falam por aí está próximo.

- O que foi que você aprontou?

- Eu? Nada..

- E porque está me convidando pra ir a um shopping fazer compras?

- Porque preciso comprar umas coisas e queria que você fosse junto. Agora larga de frescura e vá se arrumar antes que eu desista.

Então vocês chegam ao shopping. Você já pensa em botas, roupas, brincos, pulseiras, até que seus sonhos de consumo desenfreado são interrompidos pelo:

- Ali, vamos!

E você é puxada pelo braço até a Leroy Merlin. Pneus, ferramentas, você nem sabia que tinha tanta palavra que começava com “chave” acompanhada de mais algum complemento. Você conhecia o martelo, o alicate, a chave de fenda e a chave inglesa e sentia-se plenamente feliz com essas informações, já em desespero você pergunta:

- O que estamos fazendo aqui?

- Compras ué. Não foi pra isso que viemos?

- Viemos comprar ferramentas????

- Pois é. Só hoje, montando o rack, vi que precisava de uma maleta de ferramentas… só tenho o básico do básico.

- Você me trouxe pra cá pra ficar escolhendo chave de fenda?

- Claro que não! Chave de fenda eu já tenho. Mas ora essa! E a quantidade de vezes que já tive que ficar sentado horas e horas em banquinhos da praça de alimentação esperando a senhorita se decidir entre o sapato marrom sei lá o que e o camurça blá blá blá?

- Exatamente, você ficou sentado na praça de alimentação tomando cerveja, agora.. eu estou aqui.. dentro de uma loja de ferramentas…

- Pare de reclamar e me ajude a procurar uma chave allen de 1/8″ até 7/32”.

- Claro! Deve estar ali do lado daquele monte de coisa estranha, ou ali mais a frente.. junto com aquele monte de coisa estranha.

E assim foram 4 horas perdidas da minha vida, enquanto eu via a indecisão de um homem, que pensava em qual maldita mala de ferramentas levar. Vez ou outra ele lembrava da minha existência:

- Hum, levamos a chave de boca phillips ou a torks?

- Que seja…

- É, para oito bicos, phillips.. tem razão.

- Que seja…