A festa da democracia

7 10 2008

 

Nesses meus vinte e cinco anos de existência, uma grande parcela vivida foi fazendo parte da tal festa da democracia. Muito além de domingos, muito além do título de eleitor aos dezesseis anos. Eu cresci no mundo político.

 

Tendo uma mãe coordenadora de campanha de diversos candidatos em diversas esferas políticas, palanques sempre fizeram parte da minha vida. Fui a criança bonitinha que entregava flores a candidatos, fui a simpática menina que sorria e entregava santinhos, fui incrivelmente apertada, amassada e abraçada pelo Fleury na campanha pelo governo de São Paulo, fiz inúmeros cata-ventos, distribui brindes, usei camisetas, fui mais apertada, mais espremida e mais abraçada pelo Fleury (foi então que no auge dos meus sete anos.. passei a entender o significado de ODIAR, sentimento nobre que passei a nutrir por cata-ventos, por gente me apertando e pelo futuro governador do Estado).

 

Hoje em dia, morando em outro Estado, longe de toda a confusão política e da família que se dedica à vida pública, cumpro só meu dever cívico de justificar a minha ausência na minha zona eleitoral. Mas neste domingo de festa da democracia, forças ocultas que regem o universo (também conhecidos como problemas técnicos de alta complexidade), me impediram de comparecer até uma zona eleitoral para justificar o fato de não votar. Foi aí que meu martírio e peregrinação, em busca de regularização do título de eleitor, começaram.

 

Minha primeira ação foi descobrir onde ficava o TRE em Curitiba. Fácil, não? Eh.. a parte difícil foi me dirigir até os confins do Prado Velho, em busca da Justiça Eleitoral. Se eu reclamava das calçadas íngremes do centro da cidade, definitivamente, foi porque nunca andei por ruelas estranhas com pedrinhas, lama e muito mato ao invés de calçadas, mas respirei fundo e no alto do meu salto 10, me equilibrei entre buracos, pedras e terra que fariam o caminho de Santiago de Compostela parecer fichinha.

 

Chegando ao TRE, andei por diversas salas, falei com milhares de funcionários, cada um me indicando um andar e uma sala diferente, e então eu entendi o porquê de chamarmos de “zona” eleitoral. Depois de toda minha peregrinação, acabei na zona 002, que, aparentemente, era onde eu deveria ter ido desde o início, já que, é a zona que abriga meu bairro. Quando pensei que meu problema ia finalmente ser resolvido, entram em cena os agentes do demônio no plano terrestre, também chamados de funcionários temporários do TRE:

- Boa tarde, eu não votei no domingo, nem justifiquei. Estou aqui para preencher os papéis e pagar a multa.

- Você mora em que bairro?

- Alto da XV.

- Hum.. eh.. então vota nessa zona mesmo.

- Não, não.. eu voto em São Paulo, mas eu moro aqui.

- Ah, quer transferir seu título? É só depois do dia 10.

PENSAMENTO INSISTENTE: Yeah.. quero transferir, disse que queria justificar pra ter umas preliminares antes.

- Não, não quero transferir.. não votei nem justifiquei domingo, quero quitar minha dívida com a justiça eleitoral.

- Ah! Mas é de São Paulo, aí você tem que ir para São Paulo.

- Não tem nada que eu possa fazer por aqui? Vou ter que viajar mais de 500 km para resolver isso?

- Porque você não votou domingo?

- Não votei porque estou a mais de 500 km de distância da minha zona eleitoral. Não justifiquei porque tinha perdido minha carteira com meus documentos.

- Votar é exercer seu direito bla bla bla a cidadania bla bla bla a democracia bla bla bla.

PENSAMENTO INSISTENTE: Yeah.. ok, ok.. Não votei porque eu tenho problemas com o álcool.. é isso.. driblei a lei seca e acabei bêbada na sarjeta…. incapacitada de exercer a cidadania.. dá pra resolver meu problema agora?

- Olha, desculpa.. mas agora já foi.. quero resolver o problema. O que podemos fazer?

- Peraí, vou chamar o João.

Chega o tal João:

- Pois não?

- Então, eu não votei domingo e não justifiquei, gostaria de regularizar a situação.

- Porque não votou?

PENSAMENTO INSISTENTE: Sou uma pervertida, a orgia sábado foi tão intensa que terminei algemada na cama. Podemos esquecer a parte do sermão de democracia e nos concentrar no MEU PROBLEMA DE AGORA?

- Perdi os documentos.

- Mas votar é exercer seu direito bla bla bla, a democracia  bla bla bla bla.

PENSAMENTO INSISTENTE: Yeah.. eu sou um ser humano desprezível me chicoteie.

- Ok, mas agora é tarde! Não posso voltar no tempo e cumprir meu dever cívico, mas o que podemos fazer para regularizar a situação?

- Certo, essa é sua zona eleitoral?

PENSAMENTO INSISTENTE: Se eu gritar que eu voto em São Paulo, talvez todos os funcionários nessa sala escutem, aí depois da quinta pessoa que chamarem pra me atender, não vou mais precisar repetir isso.

- Não, eu voto em São Paulo.

- Você é de São Paulo?

PENSAMENTO INSISTENTE: Puta que pariuuuuuuuu…

Sorriso amarelo:

- Sim, sou de São Paulo, mas moro aqui.

- Ah! Que legal.. e está gostando da cidade? Faz tempo que mora aqui?

PENSAMENTO INSISTENTE: Respire, acalme-se.. acalme-se..

- Sim, sim… já moro aqui há uns sete anos. E então, como resolvemos o problema com o título?

- Sete anos? Não quer transferir o título.

- Não, não.. quero pagar a milionária multa de 3 reais, regularizar minha situação e só.

- Ah.. Então.. eu não sei o que fazer, sabe como é.. funcionário temporário. Você não quer esperar o chefe do cartório? Ele já deve estar chegando, ele saberá o que fazer.

PENSAMENTO INSISTENTE: Que seja! Já vim até os confins da terra mesmo.

- Ok, eu espero.

 

Sentei em uma cadeira e esperei. Acho que nunca desejei tanto um homem como desejei aquele tal chefe do cartório. Contava os minutos para ele chegar e o fato é que, 1h20 depois, quando, finalmente, o vi entrando por aquela porta, acho que meu coração acelerou e minhas mãos começaram a suar. Senti vontade de apertar aquelas bochechas, bagunçar aqueles 8-12 fios de cabelo que povoam a sua careca e dizer algo como:

- I never wanted anyone as much as you..

João explica minuciosamente meu problema para o tal chefe do cartório e termina dizendo:

- E então chefe, ela tem que ir para São Paulo, né? Tribunal REGIONAL bla bla bla.. jurisdição bla bla bla

- Ahn.. não.. mocinha.. recuperou seus documentos?

- Sim, o número do título é XXXXXXX

- Ok, já entro no sistema e vejo a sua situação eleitoral. Você só vai precisar pagar uma multa.

PENSAMENTO INSISTENTE: Ah.. eu te amo chefe do cartório eleitoral! Se você tivesse uns 40 anos a menos e mais cabelo.. eu casava com você!

- Hum.. ok..

 

Consulta ao sistema realizada.

- Então.. Maíra, né?

- Isso.

- Então.. consta no sistema que sua situação está regularizada. Você votou domingo.

- Não, não.. não votei… nem justifiquei.

- Não, mas o sistema está dizendo que você votou, tem certeza que não votou?

PENSAMENTOI INSISTENTE: Ah.. de repente né.. vai ver eu uso tóxico.. estava tão drogada que viajei mais de 500 km e votei sem nem me dar conta.

- Olha, eu realmente não votei e não justifiquei, por mais interessante que seja vir até aqui, nesse lugar ermo.. não foi por prazer que o fiz. Eu REALMENTE não cumpri meu dever cívico e vim aqui me acertar com a justiça eleitoral.

- Hum.. alguém votou por você?

- Hein? Nãooo!

- Seu título foi fraudado?

- Ah.. se foi ninguém me ligou avisando que ia fraudar meu título.

- Você realmente não votou?

- Não.

- Bom, sua situação está regularizada, consta tudo normal nos sistemas. Você não precisa fazer nada.

 

Depois de tantas horas perdidas da minha vida, fiz a única coisa que poderia fazer: usei a agenda do meu celular.

- Ei.. Por acaso você está na PUC?

- Por acaso estou.. alguma a coisa a ver com trabalhar aqui e tal.

- Preciso me lamuriar e tomar um suco. Estou perdida nos confins do Prado Velho. Tem uns minutos?

- Para ouvir você se lamuriar, bebendo suco de morango? Claro!! Porque, não?

 

E assim terminei meu dia de quitação eleitoral no bloco amarelo, tomando suco e contando minha incrível vida sofrida, afirmando entender o que ACDC quis dizer com “I’m on the highway to hell”… se tem uma auto-estrada para o inferno, definitivamente, ela passa por aquelas ruelas dos confins do Prado Velho.  





Conversas de MSN - IV

23 09 2008

 

- Você me adora?

- Só um pouquinho!

- Eu sabia…sabia que era pouco….

- Se você me tratasse melhor…

- Se você me paparicasse mais…quem sabe eu te tratasse melhor….

- Melhor do que eu te trato??? Mais boazinha do que eu sou?

- Se você chama isso de ser boazinha… tenho pena das pessoas que você não gosta….(risos)

- Larga de ser reclamão.. que estou fazendo um negócio bem fofo para o seu aniversário…

- Lá vem merda…(risos)… mas eu adoro as coisas “fofas” que você faz…(risos).. até porque eu mereço coisas fofas…porque sou um cara sensível e tal….

- Sensível? Sensível???? Não, você é um CURITIBOCA sem coração…

- Você é menina de cidade grande né… Ribeirão Preto…..o auge da civilização urbana….(risos)….lá todo mundo sabe o que é bom….(risos)

- Não, na verdade eu sou uma menina tímida e recatada do interior..que fica assustada com o progresso dessa vila que é Curitiba..

- Você é tudo.. menos tímida e recatada (risos).. Mas eu sei…leva algum tempo pra se acostumar com os ônibus né.. eles são maiores e mais rápidos do que tratores né…(risos)…mas um dia você se acostuma

- Sempre cruel, sempre me maltratando.. sempre implicando com minha formação interiorana…..

- Faz parte do meu charme….(você está começando com as chantagens emocionais de novo!!!)…(risos)

- E quando foi que eu parei com as chantagens?

- Quando você sentiu aquela terrível dor na consciência por estar chantageando alguém que te ama tanto…

- Tá..mas eu não estou chantageando alguém que me ama TANTO..eu estou chantageando você.

- Essa doeu….Você é parente do Sr.Satanás?

- Aii..o que eu fiz agora?

- Você foi maldosa..pra variar….

- Eu? Maldosa? Você sabe que está além das minhas forças ser maldosa.. tenho um coração bondoso demais…

- (risos)…. À vezes eu me pergunto se você realmente tem um coração…

- Você que é frio e insensível… me maltrata.. e eu ainda sou a ruim da história??Eu sou a VITIMA..VI-TI-MA…

- (risos)….eu tinha esquecido que você é sempre a vítima…está na Constituição…

- Eh.. EU SEMPRE TENHO RAZÃO..A CULPA É SEMPRE SUA, lembra? Nossa relação é baseada na igualdade dos sexos..

- Às vezes eu me esqueço desse detalhe crucial….eu queria só ver que tribunal ia me declarar culpado na nossa relação….você é que iria pegar prisão perpétua….

- Me chama de chata.. cruel.. insensível, mas não me larga.. eu acho que você me adora hein…

- (risos)..esqueci de dizer o quanto você é “modesta”…essa não pode faltar….

- Pois é.. você também adora minha modéstia..

- (risos)..é que ela salta aos olhos….

- Ai…poxa.ultimamente eu ando tão humilde..tão boazinha..

- (risos)..com quem? (citar o Ale não vale)

- Mas.. mas.. mas.. Poxa! Ta.. Humpf! Com quem MERECE!!!!!!!

- (risos)…eu acho que não conheço…

- Você quer dizer que merece que eu seja boazinha com você?

- (risos)…e você acha que não??? De que planeta você veio?

- Vim de SP..onde as pessoas que mereciam carinho.. atenção….e coisa e tal não eram tão cruéis…

- É que nós aqui de CURITIBA somos mais exigentes sabe….(risos)

- Oh.. meu Deus.. Onde foi que errei? Arrogante..vil..cruel..curitibano…

- (risos)….você xinga os seus inimigos tanto quanto xinga seus amigos?

- Não..só chamo de arrogante ..vil e cruel..quem eu gosto.. os amigos de coração mesmo!

- (risos)…ah bom….e você pensa que eu saio por aí ignorando e maltratando qualquer uma?

- Boboca =P

 

Eu realmente acho que certas amizades são eternas! =)

E lá se vão quase nove anos de implicância, risos, telefonemas de madrugada, draminhas, apelidos ridículos, arrogância, conversas bizarras, patetices, enrascadas e, apesar da aposta de muitos incrédulos, com ambos ainda tendo um fígado :-)

Que venha mais um ano com a tradição de presente de aniversário criativo, brega e incrivelmente vergonhoso!





Entre paracetamol, lenços e registros

15 09 2008

 

É final de semana, o que por si só sempre foi o suficiente para me deixar feliz, mas dessa vez uma gripe intensa me fez esquecer que as sextas são lindas por si só e que os sábados são gloriosos só porque são sábados. A felicidade deu lugar aos espirros, a vodka ao suco de laranja sem gelo e o bom humor a apatia.

 

 Eu me esforcei para ser sociável, acabei parando em um bar e tentei esquecer que a música só piorava a minha dor de cabeça e que manter os olhos abertos era um martírio. Tentava, desesperadamente, me convencer que o bacardi lemon nem é tão essencial para a vida humana e procurava achar graça no suco de laranja sem gelo.

 

Em menos de duas horas desisti de querer ter uma vida e resolvi ir pra casa e, numa atitude altamente altruísta, dispensei todo e qualquer ser humano das funções de enfermeiro, afinal, amar é incentivar a consumação de cerveja e, também, tudo que eu queria era me encher de porcarias sintéticas que aliviam a sensação de mal-estar e dormir.

 

Em casa, fiquei deitada na cama lembrando de saudosos tempos, quando ainda conseguia respirar sem maiores problemas. Ah! Que doce sensação, não? Você puxava o ar e o sentia entrando em seus pulmões. Que dias gloriosos foram esses! E agora você está assim, mal humorada, morrendo de gripe, achando que até seus dedos dos pés devem estar congestionados e que é por isso que cada parte do seu corpo dói. Teria outra explicação plausível?

 

Você não caminha mais, você se arrasta com suas pantufas de joaninha por todo o apartamento, enquanto deseja ser acéfala, para que aquela insuportável dor de cabeça deixe de fazer parte dos seus dias. Não há neosaldina que amenize, não há paracetamol que cure, não há vicky vaporub que descongestione.

 

Em meio a todo caos que tem sido respirar, você tenta desesperadamente dormir, mas você descobre que ou você deita na cama ou você respira. Você cogita ligar para seu avô e perguntar sobre as técnicas dele para dormir sentado, mas já passam das duas horas da manhã e é assim.. só você, a gripe e seu mau humor, numa madrugada fria.

 

Quando você pensa que nada mais pode acontecer, quando você acha que não tem o que piorar, você ouve aquele ruído vindo do banheiro. Muito a contra gosto você se levanta do sofá, caminha em direção ao barulho e tchan-tchan-tchan… tem o banheiro, tem um tapete encharcado e tem água, muita água… você tenta respirar fundo e se lembra que nem isso você pode fazer. Em uma atitude muito madura, você resmunga e tenta fechar o registro emperrado. Você é destra e sua mão direita está machucada, você tenta se convencer de que tem a mesma coordenação com a mão esquerda, mas é em vão. Você fica tão irritada que esquece da mão machucada, esquece da dor e fecha o registro, enquanto amaldiçoa os malditos problemas hidráulicos.

 

Porque eu? Porque diabos esses malditos problemas envolvendo canos e água me perseguem? Karma? E já começo a pensar sobre vidas passadas: “Pô! Se soubesse que ia ser um castigo tão cruel assim, eu nunca teria roubado o padre, batido no mendigo, bebido mais que devia e xingado a mãe da dona da padaria!!”.

 

A festa regada à música ruim e volume ensurdecedor continua dentro da minha cabeça, manter os olhos abertos em meio a lugares com luzes acesas tem sido uma provação e, infelizmente, não era possível controlar um vazamento e enxugar todo o alagamento no escuro.

 

Além de tudo o registro vazava. Você procura por fita veda rosca desesperadamente.. e lembra-se que ela acabou no último problema do chuveiro. Você amaldiçoa o chuveiro, o registro, a instalação hidráulica e se pergunta por que diabos você não está morando com seus pais, com seu irmão, com o zelador, com um bombeiro hidráulico, que seja! Você fecha o registro, resolve o problema do vazamento com fita crepe e um pano e começa a se sentir meio McGyver.

 

A irritação continua, a dor de cabeça só piora e você tem febre. Você madura, sensata, auto-suficiente, independente, senhora de si e cosmopolita faz o que qualquer outra faria.. grita “Merdaaaaaa”, resmunga e jura que vai resolver de vez o caos que virou seu banheiro, nem que pra isso tenha que derrubar paredes.

Se eu já tinha ficado triste com o chuveiro e suas seis fileiras de água com pingos caindo num intervalo de 6 segundos, imagine só a euforia de não ter água no banheiro como um todo.

 

A febre continua e você pensa em um banho gelado e lembra do problema com banheiro e vazamentos. Cogito deixar o apartamento alagando por 20 minutos enquanto tomo banho, depois resolvo partir para o plano B: a área de serviço. Tem uma portinha na área de serviço que leva para um lugar que civilizações antigas acreditavam ser um banheiro. Tem um vaso sanitário e um cano de chuveiro, tudo isso dentro de um cômodo do tamanho de uma porta do meu guarda-roupa, deveria servir em uma situação emergencial.

 

Abro o “chuveiro” (entende-se por chuveiro um cano sem um chuveiro de fato) e  a água em temperatura ambiente padrão Patagônia começa a jorrar. Lá se foram meus planos de não lavar a cabeça, visto que, forças místicas superiores fizeram a intensidade da água lavar minha cabeça, o vaso sanitário, as janelas do “banheiro” e a porta.

 

Acabo adormecendo no sofá da sala, assistindo as porcarias que só uma tevê aberta pode produzir às 3 horas da manhã. Mas, ao amanhecer, o problema hidráulico continua, ainda tenho febre, tomo paracetamol como se fosse tic-tac e, nostálgica, suspiro e lembro daqueles velhos tempos.. onde eu conseguia respirar tão bem. Ah!! Que dias gloriosos foram esses!

—-

PS: Querida Bia, nesta manhã festiva, eu (e toda aquela equipe responsável por esse blog - hahaha) queremos desejar a você blá blá blá blá, felicidade, sucesso, etc.. etc.. etc… e que o espírito (ops, isso é só no natal!), enfim, Feliz aniversário! =)





Me, myself and chuveiros

9 09 2008

 

Você tenta ser uma mulher superior, independente, senhora de si, corajosa e cool, mas acontece que vez ou outra, o inevitável acontece e você, a garota imperturbável com seu ar de mulher independente, acaba desabando diante do pior problema que uma mulher pode enfrentar depois da falta de creme para pentear: chuveiros.

 

Eu sou uma garota mimada, com os privilégios de quem tem um pai e dois irmãos. Assim, acabei sendo criada dentro de uma bolha, vivendo em um mundo cor-de-rosa, onde problemas elétricos eram inexistentes e nunca fui preparada para usar uma chave de fenda ou reconhecer uma chave allen 1/8.

 

Não sei se são as leis de Murphy agindo, não sei se meu apartamento está localizado justo no limite da declinação mais meridional da elíptica do sol, não sei se eu tenho mais problemas com chuveiros ou se eu só PASSEI A PRESTAR ATENÇÃO NOS PROBLEMAS DE CHUVEIRO, mas o fato é que eu tenho a síndrome da mulher que mora sozinha e, cotidianamente, tenho que lidar com isso. E enquanto estava no ritual matinal envolvendo xampu, cremes e sabonete, me deparei com a falta d´agua. Como qualquer mulher calma e centrada:

 

- Merdaaaaaa! Eu não acredito que acabou a água justo agora. Como diabos a água acaba sem nenhum aviso prévio? Ah não.. eu vou ligar para o síndico agora.. onde já se viu!!! Vou passar o dia com a cabeça cheia de xampu??? Merda! Merda! Merda! Merdaaaa! (resmungo enquanto saio do chuveiro, me enrolando na toalha e procurando pela toquinha de banho rosa com borboletinhas)

 

Antes de mostrar toda minha indignação para com a autoridade do prédio, resolvo abrir toda e qualquer torneira existente em casa e, para meu espanto, em todas a água saia abundantemente, então, seguidora da filosofia que uma garota deve aprender a lidar com seus problemas e desgostos sem que isso acabe em Djavan e chocolate, totalmente independente e senhora de mim, disco os números da salvação, também conhecidos como número de telefone de um representante do sexo masculino:

 

- Socorrooo! Deus está me punindo porque não consigo tomar banho em 10 minutos!

- Porque sempre parece que estamos no meio da conversa quando eu atendo uma ligação sua?

- Está dizendo que nunca sou clara o suficente?

- Não, estou dizendo que você começa a conversa do meio então parte para o começo, volta para o meio, fala compulsivamente e então temos o fim. Mas você não ser clara o suficiente seria minha próxima colocação.

- A minha cabeça está cheia de xampu, poderíamos nos concentrar nos meus problemas e depois nas suas reclamações a meu respeito?

- Sempre egocêntrica.. “meus sentimentos”, “minhas falas”, “meu cabelo cheio de xampu”. Ahn? Cabelo cheio de xampu?!? Porque você saiu do chuveiro para me telefonar?

- Foi uma mensagem do Senhor, Ele se manifestou para Maomé, para Paulo.. parece que chegou a minha vez.

- Oi??

- Meu chuveiro parou de funcionar, tenho que explicar tudo???

- Hum.. o que houve? Queimou?

- Não! Se fosse isso teria terminado de lavar a cabeça, né? Essa coisa de frescura com água gelada é coisa de franguinha! A água acabou.

- Então você se enganou com a mensagem do Senhor para você.  Está claro que ele queria que você ligasse para a SANEPAR.

- Não, porque antes Ele me fez abrir todas as torneiras e a água é abundante, menos no chuveiro, que continua com suas cinco fileirinhas de água e pingos caindo num intervalo de 6 segundos.

- Ai, ai.. você é muito maluca! Posso ver isso a tarde?

- Hum.. já está no trabalho?

- Yeah…

- E as prioridades?

- Tenho certeza que seu chuveiro sabe que ele é muito importante pra mim, mas ele tem que compreender que há homens engravatados sentados em uma sala esperando por uma apresentação em ppt.

- Tudo bem.. eu dou um jeito..

- Nãooo! Se você me disser que vai mexer no chuveiro eu dou uma desculpa e saio agora. É mais fácil do que te salvar de um prédio em chamas.

- Engraçadinho!  Não vou arrumar.. quer dizer.. só vou arrumar uma maneira paliativa de lavar a cabeça.

 

Patéticas cenas de uma mulher na área de serviço do seu apartamento, debruçada sobre o tanque, lavando a cabeça.

 

A tarde ele chega, abre o chuveiro e:

- Certo, o fluxo de água parece bem normal pra mim.

- O que você fez?

- Mexi naquela torneirinha mágica ali e a água começou a sair. Não é bárbaro?

- Deve ser sua máscula presença intimidando o chuveiro.

E tudo funcionou normalmente, até aquele outro dia. Novamente, os mesmos números da salvação:

- Casa comigo?

- Casar? Ué.. pensei que você achasse que o casamento cria semi-zumbis e destrói a forma humana das pessoas.

- Hum.. e acho, mas a gente não precisa casar, podemos só morar juntos. O que acha? Quando traz suas coisas? Hoje?

- Você andou bebendo?

- Eu acho que minha samambaia está precisando de uma figura paternal em casa.

- Doida! (diz gargalhando). Posso saber o que você aprontou?

- Meu chuveiro só funciona com você em casa. O que posso fazer? Ou me mudo, ou paro de tomar banho, ou caso com você. Pareceu o menos complicado, odeio encaixotar coisas e tenho a síndrome de abstinência de sabonetes e xampu… sou asseada o que posso fazer?

- Sempre sentimental!

 

Ferramentas,  fitas, registros e algum tempo depois, o problema foi totalmente resolvido.

 





Pessoas reais num mundo surreal I

10 08 2008

 

Era mais um final de semana como outro qualquer na capital paranaense. Estava frio, cinza e uma chuva fina e gelada caia ininterruptamente. Era dia de sofá, a preguiça assim determinou.

- Eu escolho o filme hoje.

- De jeito nenhum! Eu escolho o filme hoje.

- Certo, vamos fazer iguais pessoas adultas fariam.

- Hum.. cara ou coroa?

- Não! Isso é para franguinhos e não somos franguinhos. Quer dizer.. você é..

- A quem ta chamando de franguinha, hein? Hein? HEIN?

- Então vamos lá.. eu tenho um desafio pra você. Se você conseguir vencer, eu assisto o que você quiser.. nem que isso envolva aqueles malditos filmes do Harry Potter.

- Fechado!

- Então.. é o seguinte… Faça uma matriz transposta da identidade, ache seu determinante e a sua jacobiana. Chamando o determinante da transposta de “x” e sendo o mesmo um espaço percorrido num tempo “t”, onde “t” seja a jacobiana da matriz. Integre os resultados em função de “t” achando assim a velocidade. Decomponha a velocidade no espaço R3 em seus autovetores originais i, j e k. Após isso, calcule o produto interno do vetor velocidade encontrado com a matriz identidade prévia e me diga o resultado. Fácil assim. Tem 15 minutos!

- Não preciso de 15 minutos, já sei a resposta.

- Já?

- Sim. Jacobiana se fez Jacobiana pela dissecação do seu vetor externo, para, assim, atrair vetores convergente numa soma enlouquecida de operações de vetores que, então, se tornariam internos. Entendo, portanto, que a transposta da matriz é, na verdade, a inversão da identidade da matriz, algo que muito me chocou!!! Pois ao saber que o mesmo, ou mesma, queria decompor o escalar da velocidade em várias posições dos seus autovetores no espaço R3. Fazendo para isso uso, só posso pensar eu, das mais obscuras relações matemáticas. Portanto, me sinto obrigada a ser determinante com a Matriz e sua nova identidade transposta e inversa e devo alertá-lo da impossibilidade da multiplicação de matrizes de raízes diferentes. Mas esclarecendo que se pode, ainda, integrar o “x” bem ao tempo “t”, e, ao integrá-lo, tornar-se-á uma constante em sua vida e assim juntos viverão felizes para sempre, mas sem que ninguém derive, pois a derivada de uma constante nada mais é do que zero!!! E então?

- Sou seu fã, sabia?- diz entre risos - É difícil achar uma outra pessoa com tanto talento para ser excêntrica.

- Uiiii..Que medooo!

- Medo? Por quê?

- Não tenho certeza se quero ter fãs.. Lembra o que aconteceu com o Lennon?

- Ah! Mas eu não te mataria.. Não pelo menos não como fizeram com o Lennon..Você precisa de uma morte digna de você. Algo grandioso. Tinha que ser igual a do Kennedy, assim, na frente de milhões!! A do Lennon nem filmada foi…

- Eh, vendo por esse ângulo…não quero só escrever: “saio da vida pra entrar pra historia”..quero dizer em alto e bom som para as multidões que me amavam..

- Que te amavam não!! Que te amam e amarão, pois você nunca será esquecida. Estará para sempre no coração de todos os que um dia tiveram a felicidade de te conhecer. Será eterna, pois seu nome nunca morrerá. Será passado de geração para geração, na palavra escrita e falada, pois todos lembrarão do tempo em que o mundo tinha você…

- Ehh..e todos te odiarão..e o pior.. você vai usar aquelas roupas cinzas de prisão e bem.. você fica horrível de cinza.

- Bem, na verdade eu sempre fico bonitinho, mas vou ter um uniforme diferente: preto. Pra todos saberem quem foi o causador da maior desgraça da terra. Pra saberem quem destruiu o sonho de milhões. Claro que escreverei um livro sobre minha, ou melhor, nossa vida, que será transformado em filme e ganharei milhões.

- Milhões?

- Sim, até serei entrevistado no programa do Jô, no Late Show, etc. todos querendo entender o porque. Então direi: “Porque antes dela ser do mundo, ela havia sido apenas minha e vocês tiraram isso de mim. Então a tirei de vocês. Espero que gostem da sensação, seus malditos, malditos, todos vocês!!!”.

- Não sabia que era tão possessivo assim comigo.

- Não sou… só um sentimento de posse doentiamente controlado, o resto é cena.. Você sabe que sou um puta de um ator né! Na verdade vou fazer tudo isso pela fama…

- Que isso.. nós sabemos que a culpa irá te corroer e você viverá pra sempre atormentado com a minha presença..

- Ahh! Mas eu já vivo atormentado com sua presença em dias normais..

- Como é que é?

- Err.. nada.. quis dizer que você escolhe o filme.. e aí.. Harry Potter?





Entre pipoca e lágrimas

15 07 2008

 

Moletom, sofá e Dr. House, ela jurava que nada a faria abandonar os travesseiros e o edredom naquele dia, quer dizer, abriria uma exceção: João, definitivamente, pelo João ela abriria uma exceção, não tiraria as pantufas para correr de encontro a ele.. Ah! Mas pelo João, somente pelo João, seria capaz de apertar o pause do controle remoto. Era isso: dvd´s, moletom, edredom, sofá e o João, entregador de pizza amigo, trazendo o mesmo pedido de sempre: tomate seco com rúcula. Mas..

 

- Alô..

- Vamos sair?

- Não.

- Vamos sair?

- Não.

- VAMOS SAIR?

- Err.. hum.. não!

- Você fez um juramento lembra?

- Amar, respeitar e ser fiel até que a morte nos separe? Hum, não, não.. não era isso. Era? Xiiii… Senhor, perdoai.. eu pequei!

- “Com esse pedaço de carpê nas mãos, tendo Deus como testemunha, eu juro que nunca mais deixarei ninguém do meu círculo de amizade ir ao cinema sozinho”. Lembra-se?

 

Merda! Eu adoro cinema, cadeiras nas últimas fileiras, tela grande, saquinhos de M&M, mas a verdade é que o cinema, pra mim, é uma prova de que seres humanos são feitos para viver em sociedade. Em um dos meus piores pesadelos, estou em um cinema vazio, com um pote de jujubas, assistindo repetidamente Casablanca e chorando ao som de “as time goes by”.

 

Toda imagem de independência, toda a ilusão de auto-suficiência, toda arrogância de “não preciso de você pra nada”, se esfacela diante da bilheteria de um cinema.  Com quem vou rir nos trailers? Quem vai repetir comigo “há-há-há eu não tinha pensado nisso”, naquela mesma propaganda de Seguros do Unibanco? Com quem vou fazer observações (im)pertinentes? Definitivamente, o ser humano não nasceu pra ser só e por mais que os curitibanos (variante da espécie homo sapiens, mas com inúmeras peculiaridades) afirmarem que vão ao cinema sozinho por gosto pessoal, eu acredito que nenhum ser humano pode, REALMENTE, achar DIVERTIDO ir ao cinema sozinho, mas.. sei lá.. talvez a estranha seja eu, afinal, sou excêntrica.. faço solos de air guitar ouvindo Doors. Mas, enfim, convite para cinema é covardia. Como recusar? É uma alma em desespero, clamando por ajuda:

 

- Hum.. e qual é a boa de hoje? Documentário cambojano? As mazelas da Somália? Ou outro incrível filme iraniano sobre tratadores de avestruz? (ele é sempre responsável pelos mais “incríveis” convites, sempre acho que está testando o quanto eu posso suportar).

- A nova animação da Pixar.

 

(Pausa para a confissão pública: eu A-D-O-R-O desenhos).

 

- Está sendo cínico? Está dizendo isso para me fazer ficar feliz, dizer umas interjeições que expressam felicidade e depois acabar com todas minhas ilusões, num ato de puro sadismo?

- Não, estou realmente te chamando para assistir o novo desenho da Pixar.

- Por quê?

- Porque sei que você adora desenhos, oras!

- Hum… Você fez alguma coisa que faria eu te odiar pra sempre e está tentando ser legal para me impedir de te odiar pra sempre?

- Eu sempre faço coisas que fariam você me odiar, mas sabe Deus porque, nunca funciona.

- Eu estou doente, né? Eu estou com os dias contados e você, na sua infinita bondade, está tentando me deixar feliz antes da passagem, confesse!

- Pobre criança inocente! Você sabe que eu nunca faria isso.. minha bondade é extremamente finita, isso seria uma atitude cristã demais pra mim.

- Está precisando de um rim?

- Não, só de companhia para o cinema… e talvez de um fígado, mas creio que você não seja a escolha mais acertada para essa necessidade. Então, 15 minutos?

- Claro! Aí você me espera por mais 1 hora e vamos.

 

E lá estávamos nós e milhares de criança, em uma sala de cinema, comendo pipoca e assistindo Wall-E, quando:

 

- Má, você está chorando?

- Chorando?? Eu?? Eu não tô chorando.

- Então vamos sair daqui correndo para o hospital, deve ter algo estranho, estão saindo lágrimas dos seus olhos, LÁGRIMAS!! Sem você chorarrr.. Um médico, UM MÉDICO. Sococorro! Glândula lacrimal fora de controle!

 

E, em um ataque de fúria, o belisquei.. ferozmente!

E Wall-E fez o que nem a morte do pai do Simba em “Rei Leão” fez.. Patéticas cenas de uma pessoa adulta, chorando assistindo um desenho. Constrangedor! Na próxima vamos ver algo meio “Piaf”, “menos” triste.






Conversas de farmácia

16 12 2007

Era mais um dia como outro qualquer na capital paranaense… Estava frio, cinza, uma garoa fina e gelada caia ininterruptamente (nossa, deve ter algum erro no meio dessa palavra!!!).

Ela estava na seção de anti-gripais de uma farmácia qualquer, com a sua eterna dúvida: “qual comprimido levo?”. Enquanto ela analisava diversas cartelinhas, fazia cara de pensativa e espirrava, espirrava, espirrava, ouviu um “Ei!”. Ela levantou os olhos e olhou para sua frente, onde estava moço do “ei”, que continuou:

- Você não pretende levar isso, pretende?

- Oi? (ela olha para os lados). É comigo?

- Sim, sim.. com você mesmo. Não pretende levar isso, né?

- Ah! Pretendo sim. Se eu não tomar uma providência essa gripe vai entrar na minha declaração de Imposto de Renda deste ano como dependente. E outra, se tem uma coisa que eu aprendi nesses anos todos de vida é que as porcarias sintéticas servem justamente para isso: aliviar essa sensação de mal estar.

- Você deveria confiar mais nos seus leucócitos.

- Como?

- Seus leucócitos, oras.. Eles mesmos cuidarão para eliminar os invasores do seu organismo.

- Diga-me, você sempre se intromete nas compras das pessoas ou tem visto muita propaganda de paracetamol, onde pessoas espirram e lá vem o ator perguntar “é gripe?”.

Ele sorri encabulado e diz:

- Ah! Desculpe-me! É que vi sua cara de dúvida olhando para as cartelinhas, senti a obrigação de te reconfortar, te avisar dos leucócitos, mas principalmente, dizer que não se mistura medicação que contenha paracetamol.

- É médico? Enfermeiro? Hipocondríaco?

- hahahaha. Estudo Medicina. Estou no terceiro ano.

- Sabia! Deve tomar cuidado, viu? Está claramente sofrendo de obsessão.

- Não diga - risos - És psicóloga?

- Praticamente. Passar no vestibular me torna apta a exercer a profissão, mesmo que eu tenha optado por outro curso, não?

- Depende, o que cursou?

- Administração.

- Ah sim! Praticamente cursos “cromátides-irmãs”.

Ela sorri:

- Sua sorte é que eu sempre gostei muito de biologia, mas vou te contar uma coisa.. pessoas normais não iam rir dessa piadinha e nem entender que está falando de divisão celular, meiose e blá blá blá. Outro sinal claro de obsessão.

- Desculpe - risos -, eu não reparei que tinha dito isso em voz alta. Vem sempre aqui?

- Só quando preciso de remédios, absorventes, tinta pra cabelo, lenços de papel, ou quando preciso de um médico e não quero ir para o hospital. É comprovado.. é só a gente ficar em uma seção da farmácia misturando medicamento, que algum surge do além para falar em leucócitos.

- Hahahaha. Você é sempre engraçada assim?

- Provavelmente não.. deve ser o que acontece quando se mistura medicação com paracetamol.





Só sei que foi assim…

7 12 2007

* Uma chuva que não para, uma pessoa de cabelo cacheado parecendo um poodle alvoroçado, lutando para não ser transformada em um algodão doce, nessa linda cidade cinzenta; 

* Chuva que não para causando a destruição de um pobre guarda-chuva inocente; 

* Saindo da faculdade, uma chuva que não para, um guarda-chuva quebrado e um dilema: “será isso um cabelo ou um algodão doce?” e eis que surge ele:

- Vim te buscar (diz ele sorrindo, na maior pose “o salvador do mundo”).

A princípio veio a felicidade, mas depois de alguns segundos:

- Auwww, SUA DOIDA! Você me beliscou.. eu venho te buscar nessa chuva danada e você me belisca? Cadê aquela coisa de amor, gratidão e etc?

- Isso é uma moto (diz ela indignada).

- Não?!?! Sério mesmo? Quando eu comprei me disseram que era um liquidificador! Achei mesmo estranho aquela parte de ter que abastecer, mas agora que você está dizendo isso.. sabe que começa a fazer sentindo? (pausa) (pausa) Meu Deus! Meu Deus! É  u-m-a  m-o-t-o!!

- Engraçadinho!! Você sabe que eu detesto motos naturalmente, mas hoje ainda tem o fato de estar chovendo.

- Imaginei mesmo que isso fosse te deixar não tão feliz, então olha o que eu trouxe pra você.. (diz ele entregando um capacete cor-de-rosa com umas borboletinhas desenhadas).

- Você comprou um capacete cor-de-rosa pra mim? (pergunta ela rindo).

- É.. e pipoca doce daqueles saquinhos cor-de-rosa também.

- Hahahahaha.. Quantos anos você acha que eu tenho, hein?

- Ah!! Essa é difícil, viu.. 5?? 

* Chegando em casa ensopada e cheia de trabalhos pra terminar e tchan-tchan-tchan (onomatopéia de suspense) acabou a luz. Patéticas cenas de uma mulher independente sem uma lanterna ou uma mísera vela que fosse.. escovando os dentes, tomando banho, tirando a maquiagem.. tendo como única fonte de luz o mega visor do celular…