Pessoas reais num mundo surreal I

10 08 2008

 

Era mais um final de semana como outro qualquer na capital paranaense. Estava frio, cinza e uma chuva fina e gelada caia ininterruptamente. Era dia de sofá, a preguiça assim determinou.

- Eu escolho o filme hoje.

- De jeito nenhum! Eu escolho o filme hoje.

- Certo, vamos fazer iguais pessoas adultas fariam.

- Hum.. cara ou coroa?

- Não! Isso é para franguinhos e não somos franguinhos. Quer dizer.. você é..

- A quem ta chamando de franguinha, hein? Hein? HEIN?

- Então vamos lá.. eu tenho um desafio pra você. Se você conseguir vencer, eu assisto o que você quiser.. nem que isso envolva aqueles malditos filmes do Harry Potter.

- Fechado!

- Então.. é o seguinte… Faça uma matriz transposta da identidade, ache seu determinante e a sua jacobiana. Chamando o determinante da transposta de “x” e sendo o mesmo um espaço percorrido num tempo “t”, onde “t” seja a jacobiana da matriz. Integre os resultados em função de “t” achando assim a velocidade. Decomponha a velocidade no espaço R3 em seus autovetores originais i, j e k. Após isso, calcule o produto interno do vetor velocidade encontrado com a matriz identidade prévia e me diga o resultado. Fácil assim. Tem 15 minutos!

- Não preciso de 15 minutos, já sei a resposta.

- Já?

- Sim. Jacobiana se fez Jacobiana pela dissecação do seu vetor externo, para, assim, atrair vetores convergente numa soma enlouquecida de operações de vetores que, então, se tornariam internos. Entendo, portanto, que a transposta da matriz é, na verdade, a inversão da identidade da matriz, algo que muito me chocou!!! Pois ao saber que o mesmo, ou mesma, queria decompor o escalar da velocidade em várias posições dos seus autovetores no espaço R3. Fazendo para isso uso, só posso pensar eu, das mais obscuras relações matemáticas. Portanto, me sinto obrigada a ser determinante com a Matriz e sua nova identidade transposta e inversa e devo alertá-lo da impossibilidade da multiplicação de matrizes de raízes diferentes. Mas esclarecendo que se pode, ainda, integrar o “x” bem ao tempo “t”, e, ao integrá-lo, tornar-se-á uma constante em sua vida e assim juntos viverão felizes para sempre, mas sem que ninguém derive, pois a derivada de uma constante nada mais é do que zero!!! E então?

- Sou seu fã, sabia?- diz entre risos - É difícil achar uma outra pessoa com tanto talento para ser excêntrica.

- Uiiii..Que medooo!

- Medo? Por quê?

- Não tenho certeza se quero ter fãs.. Lembra o que aconteceu com o Lennon?

- Ah! Mas eu não te mataria.. Não pelo menos não como fizeram com o Lennon..Você precisa de uma morte digna de você. Algo grandioso. Tinha que ser igual a do Kennedy, assim, na frente de milhões!! A do Lennon nem filmada foi…

- Eh, vendo por esse ângulo…não quero só escrever: “saio da vida pra entrar pra historia”..quero dizer em alto e bom som para as multidões que me amavam..

- Que te amavam não!! Que te amam e amarão, pois você nunca será esquecida. Estará para sempre no coração de todos os que um dia tiveram a felicidade de te conhecer. Será eterna, pois seu nome nunca morrerá. Será passado de geração para geração, na palavra escrita e falada, pois todos lembrarão do tempo em que o mundo tinha você…

- Ehh..e todos te odiarão..e o pior.. você vai usar aquelas roupas cinzas de prisão e bem.. você fica horrível de cinza.

- Bem, na verdade eu sempre fico bonitinho, mas vou ter um uniforme diferente: preto. Pra todos saberem quem foi o causador da maior desgraça da terra. Pra saberem quem destruiu o sonho de milhões. Claro que escreverei um livro sobre minha, ou melhor, nossa vida, que será transformado em filme e ganharei milhões.

- Milhões?

- Sim, até serei entrevistado no programa do Jô, no Late Show, etc. todos querendo entender o porque. Então direi: “Porque antes dela ser do mundo, ela havia sido apenas minha e vocês tiraram isso de mim. Então a tirei de vocês. Espero que gostem da sensação, seus malditos, malditos, todos vocês!!!”.

- Não sabia que era tão possessivo assim comigo.

- Não sou… só um sentimento de posse doentiamente controlado, o resto é cena.. Você sabe que sou um puta de um ator né! Na verdade vou fazer tudo isso pela fama…

- Que isso.. nós sabemos que a culpa irá te corroer e você viverá pra sempre atormentado com a minha presença..

- Ahh! Mas eu já vivo atormentado com sua presença em dias normais..

- Como é que é?

- Err.. nada.. quis dizer que você escolhe o filme.. e aí.. Harry Potter?





Entre pipoca e lágrimas

15 07 2008

 

Moletom, sofá e Dr. House, ela jurava que nada a faria abandonar os travesseiros e o edredom naquele dia, quer dizer, abriria uma exceção: João, definitivamente, pelo João ela abriria uma exceção, não tiraria as pantufas para correr de encontro a ele.. Ah! Mas pelo João, somente pelo João, seria capaz de apertar o pause do controle remoto. Era isso: dvd´s, moletom, edredom, sofá e o João, entregador de pizza amigo, trazendo o mesmo pedido de sempre: tomate seco com rúcula. Mas..

 

- Alô..

- Vamos sair?

- Não.

- Vamos sair?

- Não.

- VAMOS SAIR?

- Err.. hum.. não!

- Você fez um juramento lembra?

- Amar, respeitar e ser fiel até que a morte nos separe? Hum, não, não.. não era isso. Era? Xiiii… Senhor, perdoai.. eu pequei!

- “Com esse pedaço de carpê nas mãos, tendo Deus como testemunha, eu juro que nunca mais deixarei ninguém do meu círculo de amizade ir ao cinema sozinho”. Lembra-se?

 

Merda! Eu adoro cinema, cadeiras nas últimas fileiras, tela grande, saquinhos de M&M, mas a verdade é que o cinema, pra mim, é uma prova de que seres humanos são feitos para viver em sociedade. Em um dos meus piores pesadelos, estou em um cinema vazio, com um pote de jujubas, assistindo repetidamente Casablanca e chorando ao som de “as time goes by”.

 

Toda imagem de independência, toda a ilusão de auto-suficiência, toda arrogância de “não preciso de você pra nada”, se esfacela diante da bilheteria de um cinema.  Com quem vou rir nos trailers? Quem vai repetir comigo “há-há-há eu não tinha pensado nisso”, naquela mesma propaganda de Seguros do Unibanco? Com quem vou fazer observações (im)pertinentes? Definitivamente, o ser humano não nasceu pra ser só e por mais que os curitibanos (variante da espécie homo sapiens, mas com inúmeras peculiaridades) afirmarem que vão ao cinema sozinho por gosto pessoal, eu acredito que nenhum ser humano pode, REALMENTE, achar DIVERTIDO ir ao cinema sozinho, mas.. sei lá.. talvez a estranha seja eu, afinal, sou excêntrica.. faço solos de air guitar ouvindo Doors. Mas, enfim, convite para cinema é covardia. Como recusar? É uma alma em desespero, clamando por ajuda:

 

- Hum.. e qual é a boa de hoje? Documentário cambojano? As mazelas da Somália? Ou outro incrível filme iraniano sobre tratadores de avestruz? (ele é sempre responsável pelos mais “incríveis” convites, sempre acho que está testando o quanto eu posso suportar).

- A nova animação da Pixar.

 

(Pausa para a confissão pública: eu A-D-O-R-O desenhos).

 

- Está sendo cínico? Está dizendo isso para me fazer ficar feliz, dizer umas interjeições que expressam felicidade e depois acabar com todas minhas ilusões, num ato de puro sadismo?

- Não, estou realmente te chamando para assistir o novo desenho da Pixar.

- Por quê?

- Porque sei que você adora desenhos, oras!

- Hum… Você fez alguma coisa que faria eu te odiar pra sempre e está tentando ser legal para me impedir de te odiar pra sempre?

- Eu sempre faço coisas que fariam você me odiar, mas sabe Deus porque, nunca funciona.

- Eu estou doente, né? Eu estou com os dias contados e você, na sua infinita bondade, está tentando me deixar feliz antes da passagem, confesse!

- Pobre criança inocente! Você sabe que eu nunca faria isso.. minha bondade é extremamente finita, isso seria uma atitude cristã demais pra mim.

- Está precisando de um rim?

- Não, só de companhia para o cinema… e talvez de um fígado, mas creio que você não seja a escolha mais acertada para essa necessidade. Então, 15 minutos?

- Claro! Aí você me espera por mais 1 hora e vamos.

 

E lá estávamos nós e milhares de criança, em uma sala de cinema, comendo pipoca e assistindo Wall-E, quando:

 

- Má, você está chorando?

- Chorando?? Eu?? Eu não tô chorando.

- Então vamos sair daqui correndo para o hospital, deve ter algo estranho, estão saindo lágrimas dos seus olhos, LÁGRIMAS!! Sem você chorarrr.. Um médico, UM MÉDICO. Sococorro! Glândula lacrimal fora de controle!

 

E, em um ataque de fúria, o belisquei.. ferozmente!

E Wall-E fez o que nem a morte do pai do Simba em “Rei Leão” fez.. Patéticas cenas de uma pessoa adulta, chorando assistindo um desenho. Constrangedor! Na próxima vamos ver algo meio “Piaf”, “menos” triste.





Ah! O cinema…

21 07 2007

Eu sempre adorei cinema e sempre assisti quase todo e qualquer tipo de filme.. transitava no mundo dos filmes tchecos, franceses, chineses (não, isso não envolve Jackie Chan), mas também sempre assisti filmes tipo “Duro de matar”.

Provavelmente por ter um pai e dois irmãos, cresci sabendo quem era Charles Bronson e sua contribuição para a produção cinematográfica. Conhecia Texas Ranger e todo e qualquer seriado de ação com muita luta coreografada e diálogos nada trabalhados. Tá.. de Texas Ranger, Charles Bronson e Steven Segal, nunca gostei muito, agora.. Duro de Matar, Rocky, Exterminador do Futuro, Máquina Mortífera.. sempre foram filmes em que assistia com vontade, já que, durante toda minha infância/adolescência, era assim.. todo final de semana alugávamos filmes e como meus irmãos nunca aceitavam assistir  a pequena sereia, eu tinha que ceder.

Mas certos filmes sempre olhei com apreensão e Harry Potter era um deles, nunca quis assistir, nunca quis ler os livros, até que um belo dia estava na casa de um grande amigo, o Adriano. Ele tinha acabado de se mudar pra São Paulo, é paulistano de origem, mas tinha se tornado interiorano por opção, mas o mundo corporativo fez com que ele tivesse que morar novamente na cidade que nunca para. Pois bem, estávamos na casa dele em Pinheiros, era um final de semana de muita chuva, e bem, isso significava caos e pontos de alagamento, então resolvemos que o máximo de contato com o ambiente lá fora, seria com o entregador de pizza, e assim reunimos uma galera ali mesmo.

Eram as primeiras semanas do Adriano na cidade e o apartamento ainda não estava completamente mobiliado, uma vez que, só as coisas de necessidade básica foram compradas, tais como: televisão de 29 polegadas com a tevê a cabo já instalada, home theater e o playstation. Na sala tínhamos almofadas e um belo sofá. Já as acomodações tanto do quarto dele quanto do quarto de hóspedes eram sacos de dormir. Armário, guarda-roupa, cama, fogão, tudo podia esperar… tudo que ele precisava pra viver era a tevê, o playstation e os canais da tevê a cabo.

Depois das cervejas, papo-furado, jogos no playstation e muita risada, a galera foi embora. Ficamos eu, Dani e Adriano zapeando os canais da tevê a cabo e de repente (não sei bem como e porque paramos ali) lá estávamos na HBO vendo Harry Potter e a pedra filosofal, e pior.. gostando. Lá pelo meio do filme acabou a luz do prédio, ainda chovia bastante. Ficamos revoltados por não poder terminar de ver o filme e no outro dia alugamos todos os filmes do Harry Potter já lançados.

Desde então é assim.. estréia um filme do tal bruxinho e lá estou eu em cinemas, disputando lugares com a criançada… e claro, nesse último não foi diferente, lá estava eu assistindo “Harry Potter e a ordem da fênix”, acompanhando atentamente a volta de Voldermort e na expectativa de uma batalha final próxima.

Depois tive que explicar para os nobres amigos que tiveram a boa vontade de me acompanhar, quem eram os tais “trouxas”, o que eram os comensais da morte e porque diabos a tradução de Harry James era Harry Thiago. Saudades do Adriano e da Dani, meus acompanhantes oficias pra ver Harry Potter, mas agradeço a boa vontade de quem nunca assistiu a esse filme e foi só pra fazer companhia. E não se preocupem, os nomes serão mantidos no mais absoluto sigilo… hahahaha





Conversas sobre filmes

27 06 2007

- Poxa! X-men 2!!! A gente TEM que ver esse filme…

- Hum.. você sabe que nem o Mel Gibson, ou muito menos o Brad Pitt, participam desse filme, né?

- Claro que sei né…

- Então porque a gente “TEM” que assistir esse filme mesmo?

- Por acaso você só vê filmes com esses dois atores aí, é?

- Não.. mas não podemos dizer a mesma coisa da senhorita, né?

- Quanta injustiça!!! Eu assisto filmes com diversos outros atores, tá?

- Adam Sandler não pode ser considerado ator, sabia?

- Seu bobo!!! Pior você que me leva pra assistir filme iraniano, onde pessoas começam o filme sofrendo e terminam sofrendo ao cubo.

- Ué, mas você tem que aprender que o mundo é cruel, que as pessoas são infelizes.. que só você e a “Pollyana” tem essa visão distorcida da vida.

- Mas você vai ver esse filme comigo ou não?

- Vou sim. Só queria mesmo saber por que essa sua empolgação.

- Por toda a história né… os mutantes.. aquela coisa linda.

- Por acaso o que ou quem é a tal coisa linda que você está mencionando?

- O Wolwerine é lógico né!!!

- Sabia!! E você hein.. Sempre achando lindos os homens com características minhas.

- Características suas? Ah sim! Esse corte bizarro de barba não conta.. é uma das coisas que não aprecio…

- Fala sério, nós somos iguaizinhos!!

- Poxa.. a gente podia então colocar aquelas garras em você também, né?

- Não acho que seja uma boa idéia.

- Humm.. porque não?

- Não sei, uma dúvida me surgiu agora.. Imagina só.. até aprender a controlar aquelas coisas.. como é que um homem faz xixi? Deve dar um certo medinho… por mais que você pense que não vai acontecer nada… Deve ser um pesadelo toda vez que a vontade aperta.

- Como assim?

- Imagina.. sendo homem.. todo o trabalhão. Ter que colocar o dito cujo pra fora.. e pra dar aquela balançada depois? Imagina se o negócio das garras sai do controle? Ai!

- Poxa.. não sei, né? Me falta uma maior experiência sobre o assunto para te dizer como proceder. Mas será que dar uns pulinhos não resolve?

- Dar uns pulinhos?? – Muitos risos - Doida!!!!

- Poxa, não deixa de ser uma idéia, né?

- Mas assim.. Eu acho que dando uns pulinhos até se pode, quem sabe.. amenizar o problema da sacudida, mas não creio que dando uns pulinhos dê pra guardá-lo.

- Será que todo mundo tem esse tipo de conversa, ou é algo muito da gente, hein?

- Não sei, mas acho melhor deixarmos esse tipo e conversa entre a gente.. se não for um hábito normal, podem estranhar…

- Tem razão, ao comentar o filme vamos ter dúvidas não tão profundas e densas.

Ele começa a rir, ela pergunta:

- O que foi?

Ele responde entre gargalhadas:

- Me imaginei no banheiro masculino.. dando os tais pulinhos que você sugeriu