Movimento Anti-Atrofia Hepática*

29 09 2008

 

É sempre a mesma história todo final de semana: João Paulo ouve o mesmo sermão da mãe, vê o olhar de reprovação da mesma tia-avó, escuta a vizinha mandando a família se apegar a Deus e lá está mais uma corrente de oração em mais um sábado de confraternização etílica junto com o pessoal do escritório.

 

Sempre antes das 20 horas, Dona Mariluce se joga aos pés do filho e implora para que ele pense no fígado, outrora tão vermelhinho e sorridente como um daqueles cartões smile.

 

Quase todo domingo, Luís Gustavo, depois de ter tomando um porre, acorda de cueca, esparramado no sofá, com o mesmo olhar de “ressaca introspectiva,” enquanto ouve o mesmo sermão de Dona Marlene.

 

Mas, ora essa, nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito.

 

Quando Aristóteles (Ari, para os íntimos) proferiu esta grande máxima da filosofia, nunca imaginaria que tal citação, sem maiores pretensões artísticas, se tornaria uma verdade etílica universal. Afinal, o fígado, tal qual qualquer órgão do corpo humano, carece exercícios cotidianos a fim de apresentar um bom desempenho.


Assim como aquele tio de meia idade que, no auge do mais familiar dos churrascos de domingo, se escala pra pelada da gurizada a fim de “fazer bonito” relembrando a saudosa época em que jogou de volante nos áureos tempos do combate Barreirinha (quando era conhecido pela alcunha de “Zezão quebra-osso”), e que, irremediavelmente acaba, após alguns (poucos) minutos de profunda humilhação, por ser hospitalizado às pressas com uma torção no joelho esquerdo, uma hérnia de disco, e um princípio de parada cardíaca, as atividades de devassidão (leia-se aqui bebedeira) devem ser devidamente exercitadas. Como manter um fígado funcionando devidamente se você não o faz trabalhar?

 

A bebedeira de final de semana não é só mais um ato mundano, não é apenas uma forma da secretária quase aposentada e reprimida fazer um striptease em meio ao pessoal do escritório. A bebedeira é medicinal! Terapêutica!

 

Porém, evidentemente, a não ser que estejamos na Sibéria (neste caso, recomenda-se vodka sem gelo, a não ser que esta já tenha virado gelo, que, não se havendo alternativa, pode ser facilmente comido), obviamente as condições normais de pressão e temperatura hão de ser respeitadas.

 

Muito embora a palavra “limite” enseje um significado tanto quanto subjetivo quando não empregada para fins matemáticos, principiantes devem se portar como tais, e, a fim de não terem seus currículos vergonhosamente maculados, até mesmo antigos medalhistas devem conservar certa parcimônia em questões etílicas, ao menos quando já desabituados ao mundo de Marlboro.

 

Tudo isso para que, ao final da empreitada alcoólica, dois martinis não acabem fazendo você se sentar no chão do banheiro e chorar copiosamente enquanto interpreta os maiores sucessos do Roupa Nova, um pouco antes de acordar com a maior ressaca do mundo, em local incerto e não sabido.

 

Enfim, isso e mais todas aquelas coisas que fazem parte do incerto conjunto de coisas que não deviam acontecer, mas que, acredite: acontecem nas melhores famílias. Nas piores famílias, então, nem se fala…

 

* Texto escrito em parceria com meu ilustríssimo amigo, conselheiro e fornecedor de grandes idéias, notícias bizarras e demais coisas mundanas.. Marcos Brehm, outrora conhecido por Castor.. e/ou “oww.. eh meu.. você aí ô cor-de-rosa”…





Conversas de MSN - IV

23 09 2008

 

- Você me adora?

- Só um pouquinho!

- Eu sabia…sabia que era pouco….

- Se você me tratasse melhor…

- Se você me paparicasse mais…quem sabe eu te tratasse melhor….

- Melhor do que eu te trato??? Mais boazinha do que eu sou?

- Se você chama isso de ser boazinha… tenho pena das pessoas que você não gosta….(risos)

- Larga de ser reclamão.. que estou fazendo um negócio bem fofo para o seu aniversário…

- Lá vem merda…(risos)… mas eu adoro as coisas “fofas” que você faz…(risos).. até porque eu mereço coisas fofas…porque sou um cara sensível e tal….

- Sensível? Sensível???? Não, você é um CURITIBOCA sem coração…

- Você é menina de cidade grande né… Ribeirão Preto…..o auge da civilização urbana….(risos)….lá todo mundo sabe o que é bom….(risos)

- Não, na verdade eu sou uma menina tímida e recatada do interior..que fica assustada com o progresso dessa vila que é Curitiba..

- Você é tudo.. menos tímida e recatada (risos).. Mas eu sei…leva algum tempo pra se acostumar com os ônibus né.. eles são maiores e mais rápidos do que tratores né…(risos)…mas um dia você se acostuma

- Sempre cruel, sempre me maltratando.. sempre implicando com minha formação interiorana…..

- Faz parte do meu charme….(você está começando com as chantagens emocionais de novo!!!)…(risos)

- E quando foi que eu parei com as chantagens?

- Quando você sentiu aquela terrível dor na consciência por estar chantageando alguém que te ama tanto…

- Tá..mas eu não estou chantageando alguém que me ama TANTO..eu estou chantageando você.

- Essa doeu….Você é parente do Sr.Satanás?

- Aii..o que eu fiz agora?

- Você foi maldosa..pra variar….

- Eu? Maldosa? Você sabe que está além das minhas forças ser maldosa.. tenho um coração bondoso demais…

- (risos)…. À vezes eu me pergunto se você realmente tem um coração…

- Você que é frio e insensível… me maltrata.. e eu ainda sou a ruim da história??Eu sou a VITIMA..VI-TI-MA…

- (risos)….eu tinha esquecido que você é sempre a vítima…está na Constituição…

- Eh.. EU SEMPRE TENHO RAZÃO..A CULPA É SEMPRE SUA, lembra? Nossa relação é baseada na igualdade dos sexos..

- Às vezes eu me esqueço desse detalhe crucial….eu queria só ver que tribunal ia me declarar culpado na nossa relação….você é que iria pegar prisão perpétua….

- Me chama de chata.. cruel.. insensível, mas não me larga.. eu acho que você me adora hein…

- (risos)..esqueci de dizer o quanto você é “modesta”…essa não pode faltar….

- Pois é.. você também adora minha modéstia..

- (risos)..é que ela salta aos olhos….

- Ai…poxa.ultimamente eu ando tão humilde..tão boazinha..

- (risos)..com quem? (citar o Ale não vale)

- Mas.. mas.. mas.. Poxa! Ta.. Humpf! Com quem MERECE!!!!!!!

- (risos)…eu acho que não conheço…

- Você quer dizer que merece que eu seja boazinha com você?

- (risos)…e você acha que não??? De que planeta você veio?

- Vim de SP..onde as pessoas que mereciam carinho.. atenção….e coisa e tal não eram tão cruéis…

- É que nós aqui de CURITIBA somos mais exigentes sabe….(risos)

- Oh.. meu Deus.. Onde foi que errei? Arrogante..vil..cruel..curitibano…

- (risos)….você xinga os seus inimigos tanto quanto xinga seus amigos?

- Não..só chamo de arrogante ..vil e cruel..quem eu gosto.. os amigos de coração mesmo!

- (risos)…ah bom….e você pensa que eu saio por aí ignorando e maltratando qualquer uma?

- Boboca =P

 

Eu realmente acho que certas amizades são eternas! =)

E lá se vão quase nove anos de implicância, risos, telefonemas de madrugada, draminhas, apelidos ridículos, arrogância, conversas bizarras, patetices, enrascadas e, apesar da aposta de muitos incrédulos, com ambos ainda tendo um fígado :-)

Que venha mais um ano com a tradição de presente de aniversário criativo, brega e incrivelmente vergonhoso!





Conversas de MSN – Parte III

5 09 2008

 

 

- Estou escrevendo uma carta em francês.

- Ah! Não quer que eu te ajude?

- huahuahuahuahua não acho uma boa idéia, imagina uma carta corporativamente séria escrita com o “seu” francês.  

- Ia ser legal.. podíamos começar com um “Bonjour mon coeur” e claro, inserir um “On dit que lorsqu’on rencontre l’amour de sa vie, le temps s’arrête. Et bien c’est vrai” no meio de algum parágrafo hahahaha..  

- Não sei se funciona.. ou melhor.. TENHO MEDO QUE FUNCIONE, acho melhor fazer do jeito tradicional huahuahuahuahua

- Está bem.. se você prefere assim..

- É que não pretendo cantar o cara para quem estou escrevendo a carta e sabemos que o seu francês é aquele francês-brega-fofo-de-comédias-românticas.

- Eh.. vai que ele corresponde, né?

- Sim.. isso pode ser um perigo!

- Realmente, porque sabemos que você já tem um compromisso comigo…

- É verdade… mas, mesmo que não tivesse, não me interessaria por um cara huahuahuahuahua

- Pode ser, mas, ainda assim, é mais bonito quando você diz que não pode por minha causa… hahahaha

- Mas isso vem em primeiro lugar! Mesmo eu sendo heterossexual, você é o motivo que vem primeiro!!!

- Yeah.. inclusive.. você deveria dizer que é heterossexual só por minha causa… hahaha

- Sim, claro! Se você não existisse, eu não me interessaria por uma mulher.. ahhh.. tá ficando esquisita a parada já.. huahuahuahuahuahua

- hahaha.. tá parecendo aquele filme, sabe? Trainspointing, se não me engano.. Aquele que o cara diz “você é a melhor garota” e a garota termina dizendo “se a gente não se conhecesse você estaria dizendo isso pra outra garota”… Deve ser a hora que bato a porta e saio indignada por você não ser hetero EXCLUSIVAMENTE por minha causa.. hahaha

- Mas até isso eu disse… a srta. ainda não está satisfeita?

- Ok.. então quer dizer que se o uso abusivo de conservantes e refeições a base de trakinas morango mais.. me levarem a morte precoce, você vai deixar de ser hetero? Hahahaha

- Uiiii.. senti até uma contração involuntária nos periféricos agora huahuahuahuahuahuahua…. Não posso deixar de ser hetero, mas não podemos fechar aí num assexuado? huahuahuahuahuahua





Síndrome da cidade grande

2 09 2008

 

Eu sou distraída demais para ser paranóica. Autista demais para me preocupar com os perigos da cidade grande e muito amante de música para prestar atenção nas pessoas mal encaradas.

Enquanto meus amigos andam pelas ruas olhando pessoas suspeitas e procurando possíveis rotas de fuga no caso de assalto, eu ando por aí com fones nos ouvidos, cantarolando The Clash.

 

Ao invés de fazer igual todo ser humano paranóico normal e sair de casa em horários diferentes, por rotas diferentes.. eu caminho pelas mesmas calçadas todos os dias, converso com os mesmos guardadores de carros e mostro a língua para o mesmo dono de bar amigo.

 

Se todo mundo sabe que não se deve falar com estranhos, se o certo é segurar a bolsa e sair correndo desesperadamente no primeiro “oi” ou “bom dia” que seja, eu não só respondo, como, algumas vezes, já acabei na “casa do pão de queijo”, tomando cappuccino com desconhecidos, enquanto esperava o ônibus na Marginal Tietê.

 

Por não ser quase nada paranóica, por não me imaginar sendo picada em pedacinhos e desovada num córrego qualquer, as pessoas a minha volta passam a ser paranóicas por mim. Minha mãe tem crises de desespero quando estou andando sozinha pelas ruas de São Paulo, me liga compulsivamente e manda zilhões de sms me mandando tomar cuidado. Quando chego tarde em casa, ela já está em agonia contando quantas horas faltam pra poder dar queixa de desaparecimento, isso sem contar nas vezes que se sente tentada a ligar para o namorado, sogra, cunhada, número qualquer rabiscado num guardanapo, quando não consegue falar comigo.

 

Os amigos entram em pânico e só faltam saltar diante de mim, como se fossem me proteger num tiroteio, quando alguém me dá “bom dia” e eu respondo. E depois escuto broncas no maior estilo “parece que não tem amor à vida”, como se sempre depois do “bom dia” viessem facadas, tiros e socos.

 

Ainda não sei se eu sou paranóica de menos ou se o mundo está paranóico demais, mas dia desses:

- Má, lembra daquele cara no bar?

- Vejamos.. tinha um bar, tinha umas caipirinhas, tinha um drink com sol de limão.. e um cara? Ah sim.. acho que, definitivamente, tinha um cara.

- Ah! Aquele paulistano bonitinho.. o que fez a piada com o canudinho, lembra?

- Hum.. aquele cara com quem você ficou?

- Sim!! Esse cara!

- Certo.. o que tem ele?

- Ele me ligou hoje.

- Ah! Que legal!

- Não é legal.. ele me convidou para sair, acredita?

- O que? Que absurdooo! O que ele está pensando, né? Te liga e depois te convida pra sair? Eu falava uns desaforos. Se ainda por cima ele te der bombons e quiser te pagar cerveja, sei lá.. acho que você deve dar um tapa na cara dele.

- Estou falando sério.. estou com medo.

- Ahn.. desculpe.. me chame de imbecil, mas eu ainda não consegui alcançar o pensamento, medo do que?

- Vai que o cara é um psicopata, vai que o “quer sair comigo” é um eufemismo para “matar, estuprar e picar em pedacinhos”.

- Ahn? Você acha que o cara é meio psicótico? Ele fez alguma coisa estranha?

- Aí que está o problema… nada estranho, muito pelo contrário.. ele parece ser bem legal, divertido e educado.

- Certo, então você pensa que o cara é um psicótico porque ele não parece nada psicótico, é isso?

- E os psicóticos por acaso parecem ser psicóticos?

- Bom, se é pra ficar paranóica assim.. então não saia com ele, oras!

- Ah! Mas eu quero muito sair com ele.

- Então saia com ele, oras!!!

- Err, você tem razão… vou marcar num lugar público.. é isso! Vou ligar pra ele.

Algumas horas depois chega o sms:

- Estou com o cara, por enquanto está tudo bem. Ele tem um carro X da cor Y e o número da placa é WRC678, se eu não der sinal de vida em 1 hora, ligue para a polícia.

Uma hora depois ela liga:

- Ai, pronto.. estou em casa, deu tudo certo, o cara não fez nada. Ai!! Que sufoco!

- Ahn? Ele é gente boa, legal e não te matou e nem te colocou no porta-malas e você está arrependida de sair com ele?

- Ah! Dessa vez tive sorte, mas da próxima vez posso não ter tanta sorte… melhor parar de viver perigosamente assim..





Pessoas reais num mundo surreal II

27 08 2008

 

3h00 da madrugada, toca o telefone. Todos os toques possíveis depois:

- Ahn… Alô

- Eu já falei para você parar de atender esses inconvenientes que te ligam de madrugada.

- Se você parasse de ligar eu não precisaria atender.

- Aí eu deixaria o caminho livre para outros ligarem e você sabe como eu sou possessivo. Você amar outro eu relevo, mas outros te acordando com o estridente barulho do telefone? Não suportaria.

- Não se preocupe, não existe outro além de você, ninguém é tão inconveniente.

- Quer namorar comigo?

- Ahn?

- Namorar.. quer namorar comigo?

- Ah! Claro que sim.. Opa! Espere.. VOCÊ JÁ NÃO TEM UMA NAMORADA?

- Não se preocupe com isso.. eu conheço um cara que conhece uns caras..

- Ahn?

- Ninguém nunca vai suspeitar.. O corpo pode ser desovado em um beco qualquer..

- Boa noite..

- Nãoooo! Espereeeee… me empresta seu carro?

- Essa hora? Pra que?

- Pra desovar o corpo, oras! Se usasse meu carro seria suspeito. Ninguém nunca suspeitaria de você, pra cometer um crime passional tem que ter sentimentos, ninguém acreditaria que você tem sentimentos.

- BOA NOITE.

- Hum.. ou eu poderia só terminar com ela. Que tal? Algo como: “o problema não é você, sou eu”.

- Você está me ligando pra ensaiar como terminar com a sua namorada?

- Devo fazer a moda antiga?

- O que?

- Terminar com ela. Não está prestando atenção na conversa?

- Eh.. Não! Posso voltar a dormir agora?

- Devo ignorá-la igual qualquer macho Neanderthal? Hum.. ou como homem moderno e sentimental que sou.. devo mandar um sms dizendo “acabou.. não me procure mais”? Isso seria rude, não? Talvez só mudar o status do relacionamento no orkut.. de “namorando” para “solteiro”. Sutil, não? E alguém vai acabar avisando pra ela que o namorado dela agora é solteiro.

- Posso voltar a dormir agora?

- Você não está ajudando, sabia?

- Eh..eu sei.. POSSO VOLTAR A DORMIR AGORA?

- Ok, me empresta o carro?





Conversas de MSN - Parte II

7 08 2008

 

Porque eu tenho conversas tão românticas, que deixariam as falas da Meg Ryan, naqueles filmes água com açúcar, no chão.

 

- E eu aqui acreditando que você era legal, que nossa relação era alicerçada nas bases do respeito, da confiança, da admiração, do carinho e respeito mútuo, ai vem você e diz: Pateta! Ilusão.. tudo ilusão. Na verdade você é um cara frio e cruel.. um coração de pedra.

- Você ainda achava que eu era um cara legal? Tipo, onde você esteve durante todo o nosso tempo juntos? SERÁ QUE VOCÊ NÃO PRESTAVA ATENÇÃO? Tipo, em que mundo você vive?? Acorde e sinta o cheiro da realidade curitibana!! Eu teria que ter um coração para o mesmo ser de pedra. Sim, foi tudo uma ilusão, mas criada por você, que não quis acreditar que na humanidade poderia haver homens como eu, mas nós existimos e gostamos de fazer o mal!!! Que tal meu discurso sociopata, hein?

- hahahaha.. Porque será que não estou surpresa?

- Porque eu não mudei nesses anos todos, não seria agora. Você não seria ingênua de acreditar em milagres.

- Em milagres eu acredito.. não acredito em você.

- Porque eu amo essa mulher mesmo? Ah sim.. Porque ela é doce, gentil, meiga, mas disfarça muito bem às vezes.

- hahaha.. Você que é amargo!

- Às vezes temos que nos contentar com o que a vida nos oferece, sabia? Nem que isso me envolva.

- Fácil pra você dizer isso.. eu sou a melhor coisa que já aconteceu na sua vida.

- Olha, infelizmente tenho que concordar. Aí você ainda pergunta por que eu sou amargo!!

- hahahahaha.. porque eu gosto de você mesmo? Ah sim.. porque é tão doce e gentil!

- Pois é!! Estava querendo mostrar como sou de verdade.. o meu eu real.. o que tem por trás dessa carcaça aproveitável, barba por fazer e sorriso despojado.

- Ah! Mas eu sei como é o seu eu real.. e como sei! Mas sabe-se lá porque eu gosto de você mesmo assim.

- Poxa! Como assim “sabe-se lá por quê?”. Porque alguém nesse mundo tinha que pagar pelos pecados da humanidade, ora essa! Sobrou pra você!!

- Pois eh… e eu me pergunto..mais de 180 milhões e porque logo eu??? É muito azar mesmo.

- Não foi azar, você foi escolhida a dedo!! Precisávamos de alguém toda doce, gentil e boazinha.. Alguém que acreditasse na raça humana e que fosse capaz de perdoar e continuar me amando.

- Boazinha? Desde quando eu sou boazinha? Eu sou malvada, lembra?

- Você?? Malvada? Huahuahuahuahuahua. Não adianta.. Palavras que tentam ser duras e más saídas da boca de pessoa tão doce não causam o efeito desejado, pois são puras, tentam ser o que não podem ser. Até quando você diz “porra, não fode” soa bonitinho.

- hahahahaha.. Eu posso ser malvada, ta? Agressiva.. e tudo mais. Humpf!

- Você tenta às vezes, é fato, mas não consegue ser agressiva e cruel de verdade, só consegue ser doce e engraçada. Aceite! Apenas não está no seu ser paulistano… Porque você é assim, essa pessoa meiga, que merece um pirulito em forma de coração!! Suas ameaças são como as ameaças de uma criança braba, ela realmente acredita no que diz, mas ao invés de oferecer perigo.. só consegue ser fofinha!!! Mas você é muito má, é sim! Você e os ursinhos carinhosos, quando usavam seus poderes, tão ali ó, lado a lado na maldade.

- Vá catar coquinho!

- huahuahuahuahuahuahua. Viu só? Que pessoa agressiva, cruel e malvada me mandaria catar coquinho? Qualquer outra já teria cometido um crime passional.

 

 - Peste!

- Traste!

- Sua ridícula!

- Bestão!

- Cala a boca e agradeça por eu estar aqui.

- Vem me fazer calar…

- Xiuuu.. Agradeça..

- Me obrigue!

- Não me faça perder a paciência. Diz que está com saudades de mim.

- Se eu pensasse em você, talvez sentisse sua falta…

- Eu sei que você sente minha falta.

- haha.. não.. não sinto.. é costume.. igual restaurante tailandês.. não gosto de comida tailandesa.. mas eu acho bacana saber que o restaurante funciona até às 4h da manhã.. pra se um dia eu passar a gostar.. ele tá lá..haha

- Sente sim, sente sim, sente sim.

- Sinto nadaaaa…

- Sentee

-  Tá mendigando afagos, é? Quer que eu minta pra você?

- Pode dizer o que quiser, eu sei que a verdade é uma só.

- Aham.. não sinto sua falta.

- Quietaa.

- Vem me fazer ficar…

- Cala a bocaa

- Vemmmm fazerrr calar seu franguinho.

- Não quero te quebrar a cara.

- Não é homem o suficiente pra isso.

- Quieta e continua com seus dentes.

- Senão quem vai arrancar meus dentes.. você? ha-ha-ha

- Já mandei ficar quieta.

- Quando você quer uma coisa.. não basta desejar.. tem que ser homem e ir lá e fazer.

- Se você estivesse aqui agora.. você ia ver só patinha.

- hahaha.. desculpinha.. não tem coragem, FRANGUINHO!

- Se te quebro a cara eu vou preso.

- hahaha.. pois eu duvido.. se tiver a coragem de vir aqui me quebrar a cara.. eu não te denuncio.

- O que uma mulher faz pra ter o homem que deseja perto dela viu… se você me quer.. é só falar..

- haha! Peste.

- Traste!





Novela mexicana – Season Finale

4 08 2008

 

Para quem perdeu a incrível parte inicial dessa incrível história com personagens excêntricos e autores de nomes duplos, eis aqui o tutorial de procedimentos:

Opção 1: Use o botão de rolagem do seu mouse e vá até o post anterior.

Opção 2: Em “bobagens fresquinhas”  clique em: “novela mexicana – Parte I”

Opção 3: CLIQUE AQUI

 

Em caráter excepcional teremos PS´s antes do texto.

PS: Informamos que, inicialmente, o nome masculino a ser utilizado seria Rodolfo José, mas como todos os PMNI (personagens masculinos não identificados) e PCIP (personagens com identidade preservada) recebem o nome de “João”, decidiu-se manter a coerência.

PS2: A personagem feminina não foi nomeada por discordância entre os autores.

PS3: Dinho e Má foram mantidos como autores também nesta parte final, o que explica muita, MUITA coisa..

PS4: Ahn.. eu adoro PS´s

 

Novela mexicana – Season Finale

Ele, em uma tentativa desesperada, tenta apelar para os bons momentos:

- Você poderia parar de me atacar e destacar as minhas qualidades, né? Tudo de bom que já fizemos juntos.

- Ok.. vou destacar como você é, mas lembre-se: você que está pedindo.

- Não, mudei de idéia.. Sério, não precisa. Depois desse tempo todo né.. não precisa por em palavras esse sentimento que nutre por mim.

- Nutria, você foi capaz de destruir tudo.

- Já sei! Já sei!

- O que?

- Já tenho uma explicação. Que outra coisa poderia causar esquecimento?

Hein, é isso, foi o álcool!! É culpa do álcool, bebi demais.. Só pode ser isso!!! Uísque maldito

- Não tente justificar o que não tem justificativa. Eu nunca vou te perdoar

- Mas meu amor, você tem que ser a pessoa nobre desta relação, tem que ser a pessoa que está acima da mesquinhez da vida. Saber perdoar e aceitar os outros com seus erros humanos.

- Eu te aceitava com todos seus defeitos porque eu acreditava que havia uma consideração e uma relação ali. Mas também não tenho nada que te perdoar, você não significa mais nada pra mim.. você é só um cara aí, não tinha obrigação de lembrar de nada.

- Poxa! Cadê a paixão enfurecida das palavras?!? Cadê a raiva? Briga comigo, me xinga… Mas não diga que sou só “um cara aí”.

- Perdi a vontade de brigar com você. Brigava porque gostava, agora tanto faz, né?

- Não, não diga isso!!! The dream can not be over!!! Paul is still alive… Existe uma chance, onde há vida há esperança…

- Não tenho mais vontade, O que posso fazer?

- A vontade não pode desaparecer de uma hora pra outra… Algo assim não some, não posso conceber como verdade.

- Não, não foi de uma hora pra outra.. foi cada dia um pouquinho.. até que eu pude enxergar a verdade.. você não me ama.

- Claro que eu te amo.

- Deixei de acreditar nisso…

- As coisas não deixam de ser verdade só porque você parou de acreditar nelas.

- Não era verdade, era uma ilusão.

- Não era e não é!!! Algo tão concreto, tão diário, como você pode dizer que era ilusão?

- Porque se fosse de verdade você lembraria, se importaria.. éramos um passatempo diário um para o outro.

- Passatempo diário? Não senhora! Eu me importo, veja quanto tempo estou aqui tentando dizer que me importo!!! Se não me importasse estaria aqui?

- Sim, devido ao passatempo diário.. Você não deve ter mais nada pra fazer.

- Que é isso!!! Tenho uma prova hoje… outra amanhã, outra na quarta.. Estou correndo risco de reprovação por você, sabia?

- João Carlos, dizer que eu sou mais importante do que uma prova não ameniza nada.. Sabemos que você colocaria qualquer coisa na frente das provas..

- É, realmente não foi um argumento lá muito forte. Mas ainda assim me importo, me importo tanto que faria qualquer coisa pra você me perdoar.

- Qualquer coisa?

- Sim, qualquer coisa…

- Olha só.. vai ter um espetáculo de balé essa semana.. um pessoal da Escandinava..

- Balé? Você sabe que eu odeio balé.

- Sabia! Você não se importa mesmo.

- Desculpe, desculpe. Claro que me importo. Se você quer ..

- A propósito.. cada ingresso custa R$360,00.

- O que? Tudo isso? A não, não, não.. R$360,00 pra ver escandinavos vestindo malhas e saltitando num palco ao som de música estranha?

- Tudo bem, tudo bem.. Se você acha que eu não mereço um agrado às vezes.. que nada significo.

- Ok, ok.. Nós vamos.

- Promete?

- Prometo..

- Jura que vamos? Você não mudará de idéia? Olha que você está dando sua palavra, hein.

- Nós vamos, não mudarei de idéia.

- Ah.. Eu te amo!

- Você sabe que eu também te amo. Não sei como pude esquecer esse dia.. até porque você faz aniversário exatamente um mês depois de mim… (pausa) Ei… espere um minuto.. (pausa).. Estamos em julho. Seu aniversário é um mês depois do meu.. Até onde me lembro nasci em outubro.

- Ok, ok, admito. Hoje não é meu aniversário.

- Que mente diabólica! Que mente diabólica!

- Eu não fiz nada. Você que veio me dando parabéns e implorando perdão por ter esquecido.

- E o que diabos eu tava esquecendo?

- De colocar o lixo pra fora ué… chega bêbado da rua e já quer ir dormir? A propósito.. que fique claro.. nós vamos no balé escandinavo. Foi promessa.. e sabemos que você sempre cumpre suas promessas…

- Mas.. masss..

- Nada de “mas.. mas”.. e vá por o lixo pra fora..e tomar um banho… que você está cheirando a cigarro e bebida.





Novela mexicana – Parte I

31 07 2008

 

Ele estava deitado na cama resmungando e terminando um projeto no seu inseparável notebook. Ela sentada no chão do quarto, bagunçando a coleção de cd´s dele:

- Se você tirar os cd´s da ordem teremos um crime passional aqui. (diz ele com seu conhecido tom ameaçador).

Ela ria:

- Sabe quantas vezes eu já baguncei esses cd´s.. quantas vezes você já me fez essa ameaça e ainda não me aconteceu nada?

- É que eu quero que você seja pega desprevenida. É um plano cruel para ficar a espreita e acabar com sua vida quando menos esperar.

Tomavam cappuccino e iam falando bobagens aleatórias, enquanto perturbavam a paz dos vizinhos com a poluição sonora no apartamento, fazendo uso das mais eficazes armas para conquistar inimizades no condomínio: risadas freqüentes e altas, vídeos do Charlie Brown e Snoopy (por presente dele, acreditando ser gosto pessoal dela) e músicas com o melhor de Weezer (por gosto pessoal dele) e Suzi Quatro (por gosto pessoal dos dois). Até que ele tem a brilhante idéia:

- Ahh! Vamos escrever um texto?

- Um texto? Sobre o que?

- Errr.. Qualquer merda.. pra você por no blog e dizer que escrevemos juntos, destacando que eu sou o tal do cara na sua vida. Uma coisa bem mexicana como você.. e bem humor sarcástico como eu.. ficando meio maluco como nós dois.  Se ficar uma merda não tem problema, os nossos amigos puxa-saco vão adorar a gente escrevendo juntos.

- Ta fazendo isso para que eu pare de bagunçar os cd´s, né?

- Sempre vendo a intenção por trás da ação. Matá-la daria mais trabalho e poderia sujar o carpê de sangue. Depois de um tempo a gente pega amor, sabe? Ahh!! Estou falando de amor pelo carpê, tá? Que fique claro!

- hahahaha… Besta!

 

Rá!!! :-)

 

Novela mexicana – Parte I

Ela estava deitada na cama, lendo. Ele chega sorridente e notoriamente bêbado:

- Oiii…

Silêncio.

- Oieeee (diz ele sentando na cama e tirando os sapatos).

Silêncio.

- Cof, cof…

Silêncio

- Ei.. Cheguei meu amor. (diz enquanto dá um beliscão na perna dela)

Ela larga o livro, levanta os olhos e olha para ele:

- Te conheço? (diz com indiferença).

- Aparentemente não o suficiente pra dizer que me ama.

- Não te amo.

- Ah! Eu sei que ama (diz enquanto a abraça). Nossa! Como estou cansado. Acho que vou dormir.

- Dormir??? Você não está esquecendo de nada?

- Estou?

- Não está?

- Ah sim! É hoje, né? Parabénssssss lindinha!!!

- Parabéns?

- Sim, sim.. Parabéns. Falta um minuto para meia-noite, tecnicamente ainda é seu aniversário. Quantos aninhos mesmo? Com esse rostinho, 18, né?

- Hummm.. O que te importa quantos anos? Você nem lembrava que era hoje.

- Isso quer dizer que deve ser 34… Época da negação.

- Nem isso você é capaz de lembrar. Lembra do meu nome pelo menos?

- Não faça essas acusações injustas… eu lembrei.

- Sei, sei. Agora, né? Mas tudo bem. Não terei mais que brigar com você por isso.

- Claro que não, lembrarei de todos os outros daqui por diante.

- Os daqui em diante eu passarei sem você.

- Como você é malvada… Que a chaga de mil demônios caia sobre você! Que a terra coma sua carne, mas preserve seus olhos, primeiro porque eles são lindos.. E segundo para você ver o horror de sua putrefação. Não existem palavras pra expressar minha tristeza depois disso que você disse.

- Pois pra mim existe. Estou profundamente descontente, afinal, nada significo pra você.

- Muitos outros te darão feliz aniversário atrasado. Você sabe disso. Porque brigar assim comigo?

- É totalmente diferente, você não está no bolo dos “muitos outros”, esperava mais de você.

- Bem, eu nunca quis te decepcionar, mas você exige de minhas forças mais do que posso proporcionar. Vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Eu sou apenas um semi-deus, né. E não vem com essa, não senhora.. Você disse e eu repito: “Não está esquecendo nada?!?”. Achei que você tava falando dos meus chinelos porque eu tava pisando no chão frio, portanto, lembrei sozinho.

- Agora não adianta mais.

- Não diga tal coisa. Não depois destes 78 anos de convivência… Não depois de trocar suas fraldas pela sua incontinência…

- Não me venha com suas piadinhas. Você jogou tudo fora, mas está certo.. não somos nada um do outro mesmo. Nada significo pra você.

- Poxa não fala assim, isso não é coisa de pessoa que tem Jesus no coração!! Não, não.

- Jesus eu tenho.. diria que não tenho você…

- Nossa… Nossaaaaa! Tipo, nossa.. Essa foi desnecessária…

- Não, foi necessária sim. Estou profundamente chateada com você

- Mas meu amor.. Eu passei o dia fora estudando.. Com a cabeça cheia. Só cheguei agora e você já chegou com os dois pés no meu peito.

- O pior é você mentir assim.. EU SEI QUE VOCÊ ESTAVA NO BAR, não minta que é bem pior.

- Mas eu tinha que ir estudar.. Daí estava atordoado. Ah, e mentir faz parte de minha natureza.

- E não acreditar em você faz parte da minha. E não te perdoar e te excluir da minha vida, faz mais parte ainda.

- Mas começou agora, porque você não era assim. Eu aprontava tudo que queria e você continuava me perdoando e me amando…

- Você foi um erro…

- O que posso fazer pra você ver que estou arrependido?

- Não somos mais nada um do outro.. não adianta.

- Flores?!?!

- Não precisa João Carlos.. deixemos como está.

- Xiii.. João Carlos e uma frase de resignação?!? O caso é sério.. Você nunca me chamou de João Carlos antes…

- Não tenho mais porque te dar apelidinhos bregas, fofos e íntimos. Você é um falso.

- Falso nada. Eu estou embriagado e todos sabem que quando a bebida entra a verdade saí, então, por lógica, só pode ser verdade.

- Não há sinceridade nas suas palavras.

- Como não? São tão sinceras quanto palavras minhas podem ser.

- Exato! Por isso mesmo.. não há nada sincero vindo de você.

- Isso magoa!!! Depois de tanta dedicação, de tanto apoio a você.

- Dedicação? Não houve dedicação e a magoada, chateada e ofendida aqui, sou eu.

- Isso daria versos pra uma música… Podíamos ficar milionários.

- Não existe “a gente”. Existe eu e você separadamente.

- Mas aí, nem numa parceria para o estrelato? Podíamos ser como os dois

caras dos Rolling Stones, que não se falam, se odeiam, mas que estão ricos.. Se bem que, eu não te odeio, só você a mim..

- Mas provavelmente o cara dos Stones lembra do aniversário do outro… Antes você me odiasse pelo menos lembraria. Diria “hoje é aniversário daquela desgraçada”, mas lembraria. Humpf!!

 

Por: Dinho e Má =)

 

Será que esse texto terminará assim? Será que eles não confessarão que não terminaram de escrever porque foram ver dvd´s? Será que todo mundo vai notar que as falas do texto são aquelas manjadas, que eles falam todo dia um para o outro? Acompanhe o fim (ou a falta de fim) das histórias desses dois, sempre com personagens excêntricos, falas malucas e DR´s imprevisíveis.. hahaha





Devaneios de domingo

13 07 2008