
Oi? Humana? Demasiadamente humana?

Oi? Humana? Demasiadamente humana?
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Já é notório o meu dom de atrair gente esquisita, maluca e com traumas irreversíveis. Você, por exemplo, se você vem aqui, lê, acha relativa graça, mas não tem vontade nenhuma de manter qualquer tipo de contato comigo, não precisa se preocupar.. você está no grupo de pessoas normais, imune aos feromônios que exalo.
Se você lê o blog, acha que sou razoavelmente inteligente, razoavelmente engraçada e quer manter um relativo contato, desde que isso não envolva uma maior aproximação porque “uiiii… credo, contato humano”, você está no grupo dos esquisitos.
Agora, se você vem aqui.. lê todos os textos, sente uma imensa vontade de falar comigo, começa a achar que somos almas gêmeas, me escreve e tem vontade de estabelecer um vínculo de verdade comigo.. Ah.. aí não tem como negar, meu caro.. você está no grupo dos malucos. E se a vida imita a arte, a arte imita o mundo corporativo, então, é óbvio que essa classificação de excentricidade, que muito em breve será chamada por especialistas de “escala Maíra”, também se aplica na minha vida em tons pastéis.
Tentando mostrar serviço e resolver o maior número de problemas, sem ter que levar nada para a minha supervisora, chego na minha mesa e tem um ser sentado lá, como esse ano foi determinado como o ano de excelência em atendimento, faço o que qualquer outra assalariada faria no meu lugar: sorrio.
- O senhor está me esperando?
- Sim, estou… eu gostaria de fazer uma reclamação..
Faço minha melhor cara de mega executiva solidária e enquanto o cliente vai expondo todo seu descontentamento, vou concordando e fazendo minha melhor expressão de “entendo senhor, claro que é um absurdo o funcionário só te dizer onde está o papel higiênico.. Como assim ele não foi lá, entregou na sua mão e ainda se ofereceu para limpar a sua bunda? Realmente, realmente, na próxima reunião será exposto essa má vontade, chamaremos a atenção do funcionário e além dele limpar a sua bunda, ele ainda passará talco”.
Feito isso, com toda a simpatia que meu teto salarial pode comprar, resolvo o problema, dou um chaveirinho de brinde para o cliente e seguimos nossas vidas, só não imaginava que seguiríamos juntos a MINHA vida, afinal, ninguém tinha me dito que aquele cliente na verdade era um ser que precisa de muita medicação controlada e que de tempos em tempos, resolve fazer terapia lá na empresa, grudando em pobres e inocentes funcionárias novatas.
No outro dia o cliente estava lá e no outro, no outro e no outro.. sempre para falar comigo, sempre sentando na minha mesa e falando do sol, da lua, do arco-íris, dos meus olhos e citando Camões.
Como toda relação que se inicia, no começo tudo são flores, depois é assim.. você não sabe que você é a relação mais estável do cara e começam as brigas:
- Ahn.. então João, hoje eu estou fazendo trabalho administrativo.. eu não vou poder te atender.
- Eu sei que você está mentindo pra mim.. você está me dispensando para atender outro. Qual o nome dele? Me diz… qual o nome dele?
- Ahn… the boss, ser que determina em que setor estarei, mas não se preocupe.. tem gente no meu lugar, eles vão atender você.
João, ainda assim, não desistia, ia à empresa todo o dia, sentava e ficava fazendo anotações em seu caderninho, quando conseguia uma brecha, sentava na minha mesa e falava do sol, da lua… e fazia planos para o nosso relacionamento, sua primeira providência seria comprar um apartamento, porque ele não queria namorar (oi?) por muito tempo comigo, queria compromisso sério.
Meu trabalho consiste em, basicamente, saber as taxas de juros, aplicações rentáveis e lidar com pessoas e lidar com pessoas é uma coisa deveras complicada, uma vez que, ao contrário de plantas, elas costumam falar, ter chiliques, gritar e te chamar de vaca-vadia-filha-da-puta… o que já fez com que eu chorasse no banheiro por duas vezes. Tentando amenizar essa minha vida sofrida, enquanto não me transformo em alguém com tanto sentimento quanto uma minhoca, ou até que autorizem o estapeamento de clientes, mudei de setor e passei a atender só com hora marcada. O que não ameniza tanto assim, mas diminui um pouco a gritaria. Não que seja uma coisa muito seletiva, se um bêbado estiver passando, resolver entrar, olhar pra mim e resolver perguntar para alguém: “como é que eu faço para falar com aquela moça branca com aquelas roupas sem graça em tom pastel?”, vão lhe dizer que só precisar marcar horário e eu o atenderei. Então, é evidente que não me livrei do João. Ele marcava dois, três horários, para falar comigo DIARIAMENTE e continuava com as anotações em seu caderninho.
Como atender bem para atender sempre é nosso foco, a empresa tem um tal de canal direto com o cliente, ou seja, o cliente liga, faz a reclamação e em até 24h a pessoa citada na reclamação tem que telefonar para o cliente e dar uma posição do que vai fazer para resolver o problema. João, não contente em me ver todo o dia, falar comigo todo o dia e fazer anotações sobre mim todo o dia, também passou a telefonar para o serviço de reclamações, diariamente tinha uma reclamação direta a minha pessoa e diariamente eu tinha que ligar para o João e sempre que ligava:
- Ah.. princesa.. que bom é ouvir a sua voz.. pensei que você não fosse mais me ligar hoje.
- Então João, você abriu uma reclamação dizendo que eu não esclareci suas dúvidas acerca do…
- Ah.. não vamos falar dessas coisas.. me diga.. como foi o seu dia?
E, a última do nosso relacionamento complicado:
- Ma.. você tem uma reclamação de cliente para responder.
- Ah não, não, não.. de novo? Quantas reclamações do João ainda vou ter que responder? Não são conversas gravadas? Ninguém ouve ele falando dos meus olhos, da lua, de Camões? O cliente ser maluco não tira a obrigatoriedade das respostas?
- Ma, VÁ responder a reclamação, porque se passar o prazo de respostas bla bla bla o ranking interno bla bla bla, perda de colocação bla bla bla, multas etc, etc e etc.
RECLAMAÇÃO DO DIA: Cliente diz que funcionária ao invés de voltar sua atenção para todos que a estavam esperando, estava flertando com um cliente. Reclamante diz que funcionária ficou quase uma hora atendendo uma mesma pessoa, cliente diz que funcionária pegou na mão do cliente e ficou jogando charme, desrespeitando o local de trabalho, com esse claro comportamento amoral.
Com muito ódio no coração, ligo para dar minha posição sobre a reclamação:
- Alô.
- Oi João aqui é a…
- Eu sei que é você. O QUE VOCÊ QUER? Como tem a cara de pau de me ligar?
- Bem, estou ligando em resposta a sua reclamação..
- Ah.. é muito fácil você me ligar agora, né? Depois do que fez… Vai pedir desculpas? Você acha que resolve?
- Ahn.. na verdade não vou pedir desculpas, porque eu não fiz nada.
- Típico de você, nunca faz nada mesmo. Vai negar que estava flertando com o cliente?
- Ahn. Vou…
- Não minta, Maíra.. NÃO minta! Eu vi você pegando na mão dele…
- Sim, realmente… na verdade eu causei um derrame nele e fiz com que ele perdesse o movimento da mão direita, ficando impossibilitado de assinar, só para poder pegar nas mãos deles, com a desculpa de que precisava colher uma digital. Sou assim.. o que posso fazer? Tenho esse tesão incontrolável por quem tem mais de sessenta.
Meu chefe me olha por cima dos óculos com aquela cara de: “que merda essa garota está fazendo?”.
Continuo, desaforada:
- E quer saber? Pra mim chega… me esqueça.. NÃO ME PROCURE mais…
- EU QUE NÃO QUERO MAIS SABER DE VOCÊ. (Tum-tum-tum)
Como pessoa adulta e centrada que sou, faço o que qualquer outra faria no meu lugar:
- FREEEEEEDOOOOOOOOOWWWWWWWWW
Até ser surpreendida pelo olhar intimidador do meu chefe de “que merda você fez? Essas conversas são gravadas, atender bem para atender sempre”.
- Ahn.. mando flores? Bombons? Digo que sempre o amei?
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A senhora calmamente responde:
E a senhora continua sentada na minha mesa. O cliente que estou atendendo fica constrangido com a presença da desconhecida ao lado e continua com sua expressão “hein” e eu continuo, solidária, respondendo com minhas expressões “excelência em atendimento”, “hein ao cubo”. Gentilmente, peço licença para a senhora e peço para o senhor me acompanhar e termino de atendê-lo em outra mesa, quando retorno a minha mesa, lá está a senhora, ainda me esperando. Sento na minha cadeira, mantendo o sorriso que prometi em contrato, ceder para a empresa, mas mal dá tempo de perguntar como poderia ajudar:
- Porque você estava atendendo ele? (pergunta a cliente indignada)
- Oi?
- Porque você me deixou esperando para atender ele? Porque você o atendeu primeiro? Eu estou aqui te esperando.
- Senhora, quando a senhora chegou aqui eu já estava atendendo aquele senhor, eu a avisei e a senhora disse que iria esperar. Mas no que posso ajudá-la?
- Eu tive um sonho…
Faço minha cara blasé de mega executiva, enquanto balanço afirmamente a cabeça, afinal, atendimento é nosso foco, e de sonhos para vendas, investimentos, carta de 100 mil em aplicações e metas do mês batidas em uma tarde, é um pulo.
- Quer dizer.. na verdade foi uma visão..
- Entendo (ainda fazendo minha melhor cara mega executiva, tentando manter o tal sorriso corporativo)
- E Jesus apareceu pra mim nessa visão, ele me mandou vir aqui.
- Ok.. e como podemos ajudá-la senhora? (pergunto séria, mantendo, ainda, minha melhor expressão executiva)
- ELE me disse que eu tenho 500 mil em aplicações financeiras aqui nessa empresa.
- Ahn.. entendo… Jesus te disse que você tem 500 mil aqui. (tento impedir o arqueamento das sobrancelhas e o surgimento da expressão: “mais hein?”)
- Sim, eu vim buscar meu dinheiro.
- Ok, me empresta seu CPF e seu RG que eu vou consultar no sistema para a senhora (de repente.. quem vê cara, vê maluco, mas não vê saldo de aplicação).
Consulto, basicamente, TODOS os sistemas imagináveis, até o fatídico:
- Ahn.. lamento senhora, mas a senhora não tem 500 mil, inclusive, a senhora nem sequer é nossa cliente.
- JESUS ME DISSE.. D-I-S-S-E.. Ele me mostrou.. ele me mostrou o mármore do chão e tudo.. EU V-I. Jesus me M-O-S-T-R-O-U.
- Lamento senhora, talvez a senhora esteja se confundindo.. inclusive no chão é granito e não mármore. É a prova irrefutável, com certeza trata-se de outra empresa.
- Vocês estão me roubando (diz já exaltada)… O diabo é o rei da mentira e você, com suas artimanhas, está tentando me enganar, assim como a serpente bla bla bla.
- Senhora, por favor, acalme-se. Lamento, mas no CPF da senhora não tem nada. De repente, está no nome de Jesus, como ele não deve ter CPF, por ser uma entidade.. vamos tentar buscar pelo nome, Jesus de Nazareth? Emanuel Jesus? Emanuel Carpinteiro? José tinha sobrenome?
- Você está me achando com cara de palhaça? VOCÊ ACHA QUE EU SOU MALUCA?
- Senhora, por favor, pare de gritar.
- EU GRITO EM NOME DO SENHOR, PORQUE O SENHOR MANDOU EVANGELIZAR.
Nesse momento o caos foi instaurado, a cliente histérica não parava de gritar e entoar cânticos, enquanto repetia como tínhamos roubado 500 mil dela, tentei de todas as formas acalmar a senhora, mas infelizmente não tinha nenhum bastão ou um vidro de prozac em mãos. Meu chefe resolve entrar em ação:
- Senhora, peço que a senhora se retire, a senhora está atrapalhando o funcionamento da empresa e incomodando os clientes.
- Daqui eu não saio sem meus 500 mil, quero ver quem me tira daqui. Porque Abraão bla bla bla bla.
E mais gritos histéricos. Então, o chefe do departamento jurídico, resolve tentar controlar a situação, tentando falar com a senhora, o que não apenas não surtiu nenhum efeito. Como, ainda por cima, ele teve que travar uma luta com ela para recuperar as correspondências que o carteiro estava entregando para ele.. e que a senhora, acreditando ser aquilo papéis do demônio, resolveu tomar das suas mãos.
Com dois chefes do alto escalão, mais dois seguranças tentando controlar a situação, sem nenhum resultado minimamente positivo, chamo a polícia. Meu novo futuro chefe, figura única, chefe do empresarial, irritado com os gritos da cliente, que ecoavam por todos os andares do prédio, resolve nos agraciar com sua presença, chega perto da cliente, que ainda gritava histericamente e diz:
- Anda!
A senhora exaltada continua gritando e ele, novamente repete:
- Anda (enquanto aponta a saída).
Neste momento a senhora já não gritava mais… e ele repete pela terceira vez:
- Anda… Rala daqui… RALA!
E ela simplesmente devolve a correspondência do carteiro e vai embora. Meu novo futuro chefe olha pra mim e diz:
- Eu já não falei para você parar de se meter em confusão? Já não te disse que só eu posso descontar minhas frustrações e amenizar minha raiva e loucura, gritando com você?
- Yeah.. eu já sei disso, mas acho que você deve mandar uma cartinha comunicando os clientes também… ou, no mínimo, para o pessoal do hospício ao lado.
- Você está vendo? É por isso que você vai trabalhar comigo no empresarial… com você a diversão nunca acaba..
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31/12, dia místico que desperta os melhores sentimentos nas pessoas e faz com que se unam em um só coro: “ahn.. acho que estou bêbado”, permitindo que ninguém se responsabilize por nada feito, dito e pensado até o dia 02/01. Dia de promessas que nunca serão cumpridas, abraços até no entregador que veio trazer os salgadinhos e lágrimas enquanto se desejam um ano novo muito melhor. E, como de praxe, dia de arrependimentos, volta ao passado e telefonemas esquisitos:
- Alô.
- Oi, tem três chamadas feitas deste telefone para o meu celular. Foi você que me ligou?
- Má?
- Sim, eu! Agora é a hora que você diz quem é você e eu prometo dar gritinhos de empolgação, com algumas interjeições bem simpáticas, mesmo que não seja verdade.. Afinal.. estamos naquele período cabalístico de bons sentimentos.
- Ahh.. eu não acredito que você não sabe quem é.
- Não acredita? Como não acredita? Tudo é possível.. Uhuuu.. 2009 está aí.. pare com isso.. desconfiança não é um bom sentimento para se entrar o ano.
- Ahh.. não acredito. Não sabe mesmo quem é? Bonito, sensual, sexy, você adora..
- Aiii.. eu sabia que esse dia chegaria.. Eddie Vedder??
- Ahn?? Eddie Vedder? O cara daquela banda lá.. aquela.. ai.. esqueci o nome.
- O que???? “Aquela banda lá”? como OUSA falar assim do Pearl Jam?? TCHAU… a gente não deve se conhecer… é isso.. ou vou ter que começar a repensar todas minhas relações interpessoais.
- Mas continua a mesma nojentinha de sempre, né?
- Ahn.. agora não há como negar… você realmente parece me conhecer!
- Má, é o João.
- Ahn? O que ta fazendo na cidade? Você não ia acampar? Mentirosoooooo!
- Err.. Não Má.. não ESSE João… O João.. Não lembra?
- ….
(ele começa a cantar all by myself…)
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(Obs: Estrelinhas de divisão de histórias.. pra depois não dizer que fico de má vontade)
- Alô.
- Ma, eu preciso MUITO da sua ajuda.
- Nossa, o que aconteceu?
- Eu vou ficar bêbado e vou querer ligar para minha ex-namorada, você precisa me impedir.
- Ahn.. Você não vai ficar bêbado. Lembra que você não bebe? E.. bem.. eu sou sua ex-namorada.
- Droga! É a hora que eu digo que ainda não te esqueci e você faz aquele silêncio constrangedor?
- Não necessariamente, lembre-se que você não está bêbado, não precisamos seguir o protocolo.
- Ainda não te esqueci, Ma.
- …..
- Ma? Ma? Você está ai?
- Oi.. desculpa.. achei que íamos seguir o roteiro, não era minha deixa de silêncio constrangedor?
- A vida está nos dando uma nova chance, é ano novo, podemos fazer tudo diferente!!
- …
- Ma?
- Desculpe, tome pelo menos uma cerveja, talvez assim eu não me sinta tão mal seguindo o roteiro.
- ….
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(Obs: Estrelinhas de divisão de histórias.. pra depois não dizer que fico de má vontade)
- Vamos transar?
- Uhuuuu.. Vamos… Quem está falando?
- Eu conheço esse sotaque…
- Sotaque? Onde? Onde?
- Ma?
- Eddie Vedder??
- Ahn?
- Droga! Porque nunca funciona?
- Peste!!!!
- Carlos?
- Porra! O que você está fazendo com esse telefone?
- Ahn… Droga! Será que fiquei bêbada e peguei o celular de outra pessoa? Tá.. eu tomei aquelas vodkas.. champagne.. cerveja. Parece que tinha uísque também…. mas será que alguém mais teria esse telefone roxo? Hum.. ou bebi tanto que estou vendo roxo onde era prateado? Bem… pode ser.. tinha aquelas vodkas.. champagne…
- Merda! Esse é o SEU TELEFONE?
- Eh.. sim.. hum… isso.. ou eu estou pegando a pessoa que você queria… Meio improvável, não? Nunca tivemos o mesmo gosto.. você sempre preferiu mulheres.. eu homens… e bom.. não seria do nosso feitio ficar no meio termo e tentar um travesti, né?
- ….
- Carlos??
- Ah.. Oi.. estava fantasiando com você e a Luciana.
- Ahn?
- Desculpe… O que você disse mesmo? Parei de ouvir no “ou to pegando a pessoa que você queria pegar”…
- Mas como você é patético! Hahahaha
- O que está fazendo? Tá com alguém? Quanto tempo a gente se conhece mesmo? Já faz alguns anos, não? Engraçado.. notou que a gente nunca teve nada? Que tal sermos o arrependimento de virada de ano um do outro? De repente a gente encontra a Luciana…
- BOA NOITE…
- Não, Ma.. espera… serve só você também….
- BOA NOITE…
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(Obs: Estrelinhas de divisão de histórias.. pra depois não dizer que fico de má vontade)
PS: Bêbada e artista.. Feliz ano novo =)

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- Sabe.. eu estava pensando e.. hum.. o que você acha da gente constituir uma família?
- Ahh! Excelente.. podíamos comprar um cachorro e tal..
- Hein? Cachorro?
- Ah… Ou podíamos comprar uma samambaia… se preferir.
- Cães e samambaias não aprendem a tocar instrumentos musicais, nem poderão treinar boxe comigo. Me referia a crianças..
- Crianças? Tipo.. criaturas humanas?
- Bom.. de preferência sim, mas se você achar algum ET podemos cogitar a hipótese de criá-lo também… mas acho que seremos obrigados a ter um número seguro de criaturinhas humanas.
- Você está querendo que eu engravide?
- Bom, dizem que esse é o método mais eficaz para ter filhos, sabia? Desde os primórdios as pessoas têm feito assim, engravidado e tal.. tem dado certo, a raça humana continua aí para provar isso.
- Ah, não sei.. dizem por aí que engravidar acaba resultando em filhos.
- Você não quer ter filhos?
- Não, não é isso.. só não tinha pensado nisso agora, mas claro.. filhos.. Podíamos ter uns dois, né? Quer dizer.. se eu não desistir no primeiro parto.
- Mas pode ser que dois ainda não sejam suficientes.
- Suficientes pra que? Está querendo formar um exército? Um time de futebol? Completar uma mesa de poker?
- Não exatamente, mas veja bem.. ao menos um tem que ser músico, outro esportista e um intelectualizado. Então, é melhor ter uns cinco, porque não dá para forçar, entende?
- Ok, podemos ter cinco… é só você parir três.
- Lamento, sua função no mundo é parir, a minha é garantir o suprimento de cerveja e cuidar do controle remoto, cada um com sua função social.
- Já me comprometi a parir dois, ora essa!
- Mas nós precisamos de cinco filhos, precisamos ter nossos preferidos, cada um o seu, ou os seus.
- Então, por isso teremos dois.. um pra mim e outro pra você estragar.
- Estragar nada, será um novo grego! Um novo grego clássico! Filósofo e esportista… talvez aprenda a usar armas também.
- Usar armas? Como assim USAR ARMAS?
- Ah, tiro esportivo, espadas, nada demais.. se for um filósofo, não será um delinqüente.
- O que vamos fazer com um filósofo?
- Ahh! Quem é que vai ficar falando coisas terríveis comigo em um lindo dia ensolarado, quando as pessoas só pensam em cerveja e praia? Quem é que vai destruir tudo o que há de belo e encher de beleza tudo o que é metafísico? Acha que vou fazer isso sozinho à vida inteira?
- Como é que é?
- Ah! Eles vão adorar sofrer com o papai, vai…
- Meu Deus!!! O que aconteceu com aquela coisa de homens sonhando em ter filhos para levá-los ao estádio? Está decidido.. vamos comprar um cachorro, uma samambaia e dê-se por satisfeito!
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- Hum… Como é mesmo o seu nome?
- Maíra.
- Ahn?
- M-A-Í-R-A
- Maira?
- Não, não.. Maíííra
- Com “y”?
- Não, com “i”.
- Tem acento?
- Tem sim..
- Onde?
- Ahn.. (Maííííra.. vai ter acento onde? No “r”?Ta.. seja simpática, seja simpática.. sorria) No “i”.
- Mas qual dos dois?
- Oi? (cara de: “comoo assimmm? Como qual dos dois? Dois o que? Que outro “i” teria em Maíra?”)
- Qual dos dois acentos?
- Como assim? (Será uma piadinha daquelas corporativas? Será que eu devo dar uma risadinha? Ninguém pensaria em acento circunflexo em um ‘i’, pensaria?).
- O pinginho ou o risquinho?
- Ahn? (digo com cara de apavorada.. é uma piada.. só pode ser uma piada.. ta bom.. vou dar uma daquelas risadas forçadas.. decidido.. pareça natural.. pareça natural!)
- No “i”.. (diz impaciente.. no maior estilo: “é tão difícil assim responder qual dos dois acentos?”) o acento é o pinguinho ou o risquinho? (diz enquanto deve pensar: “detesto essas garotas imbecis… vou ter que desenhar?”)
- Hun?.. (cara de medo, muito medo). Acento agudo… (digo tomada pelo pânico).
- O risquinho, né?
- Yeah.. intimamente ele é chamado assim..
- Oi?
- Nada, nada (não é uma piada.. Aiii! Pensamento insistente: “Meu Deus.. me tira daquiiiiiiiiiii”)
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Eu adoro cachorro, de todos os tipos, tamanhos, raças.. eu simplesmente ADORO cachorros. Quando criança eu morava em um lugar que meu pai transformou em uma quase chácara. Já tive os mais diversos bichos de estimação, só não tive um golfinho porque meu pai disse que não era viável criar um golfinho na piscina. Em compensação já tive patos, ganso, coelhos, tartarugas, cavalos (mas esses não ficavam no quintal, mas sim na fazenda), mas sempre gostei mais de cachorro… e é assim até hoje.
Tirando Lênin, um pastor alemão que já me mordeu uma vez, já mordeu meu irmão mais velho uma vez, já mordeu meu primo uma vez, já mordeu meu irmão caçula 4934894034 vezes e já mordeu/assustou/arranhou/avançou em alguns passantes, os cachorros lá de casa sempre foram conhecidos por aquele jeito de cachorro bobão e pacato até que:
- Ah! Você ficou sabendo o que aconteceu com o Neto?
- Ahn?
- O Neto..coitado! Morreu em um acidente de moto..
- Ahn??
- O Neto.. não lembra dele?
- Quem??
- O filho da Maria.
- Maria?
- Ah! Enfim.. ela te deu o cachorro.
- Hein?? Cachorro???
E foi assim que de repente lá em casa passou a ter uma criatura que alguns chamavam de cachorro, outros de criatura demoníaca. Um fila enorme e incrivelmente sociopata, que ficava isolado no outro lado do quintal de casa, afastado por um muro e dois portões do convívio social, sendo alimentado só pelo meu pai e privado de carinhos na barriga e brincadeiras com bolinhas, por se tratar de um cachorro incrivelmente bravo. E assim seguimos nossas vidas, eu já não morava mais com meu pai e nas raras vezes que estava lá de passagem, nem chegava perto do cachorro.. sabia de sua existência pelos latidos altos e em som grave e vivia bem assim.. até que meu pai fez uma operação e eu era a única pessoa passando uns dias em casa, então, ou eu alimentava o cachorro ou ele morria de fome. Confesso que cogitei deixar o cachorro morrer de fome cada vez que ele rosnava pra mim e avançava sobre a grade, mas eu lembrei que eu adoro cachorros, então, pensei:
- Que isso.. medo eu tenho de ratos, que são animais ferozes e perigosos, vê se eu vou ter medo de um simples cachorro.
E assim, munida de muita coragem, atravessei o portão que liga o quintal social ao quintal dos cachorros e senhora de mim, peguei o saco de ração com a bravura de uma guerreira dos tempos romanos, pelo menos por breves momentos, até o cachorro começar a latir, rosnar e bater na grade do outro portão, então, como qualquer mulherzinha que se preze, larguei o saco de ração e sai de lá antes que ele descobrisse que era maior do que a grade que nos separava.
Depois dessa tentativa frustrada, como mulher adulta, independente e auto-suficiente que sou, fiz o que qualquer outra faria no meu lugar: chamei um homem.
- Ei! O que está fazendo?
- Nada. Por quê? Tá querendo fazer alguma coisa?
-Sim, estava pensando em alimentar uma criatura com corpo de cachorro e fúria de leão, está afim?
- Oi??
- Não consigo dar comida pro cachorro, ele me detesta!
- Que patinha!! – diz ele rindo – Já estou indo.
Então ele, ser do sexo masculino, senhor de si, corajoso e macho pra caramba, atravessou aquele portão, com a determinação de um William Wallace, lutando por suas crenças e menos de um minuto depois:
- Meu! Aquilo não é um cachorro… não vai dar não, Má.. não tenho coragem de encostar na grade pra por ração.. nem água.
- Ahh.. mas o que fazemos então? Não podemos deixar o cachorro morrer de fome.. chamamos os bombeiros?
- Hum… eu tenho um plano.
- Qual?
- A gente pega uma mangueira e um banquinho, subimos no banquinho e jogamos água por cima do muro, até encher a vasilha de água – diz destemido.
- E a ração?
- Uma coisa de cada vez, uma coisa de cada vez..
E assim, corajosamente, colocamos água para o cachorro.
- Já sei como colocar ração.
- Como?
- Só precisamos distrair o cachorro.
- Ah! E como distraímos uma besta demoníaca faminta?
- Tenho certeza que você vai dar um jeito.
- Eu????
- Eh.. é só você ficar lá na parte da frente da casa e manter o cachorro lá, enquanto eu entro e coloco a ração.
- E como vou manter o cachorro lá? Vou dar minha mão pra ele morder?
- Isso!!! Grande idéia
- Ahn?
- Vá jogando alguma coisa pra ele comer..
E assim fiquei, na parte da frente da casa, jogando pedaços de pão para o cachorro, enquanto meu amigo entrava cuidadosamente e colocava ração para o cachorro. Missão cumprida.
Dois dias depois, pensei novamente:
- Merda! Tenho que dar comida pro cachorro.. vou ligar para o… Ahhh! O que eu sou? Uma franguinha? Desde quando tenho medo de cachorros ferozes e com dentes afiados?
E, numa técnica milenar, aprendida nos filmes do Karatê Kid, fiquei por minutos, encarando o cachorro por cima do muro, ele me encarando e latindo, eu o encarando e cogitando latir e assim foi até que ele parasse de latir e de avançar sobre a grade. Então, determinada, entrei pelo portão, peguei o saco de ração e o cachorro voltou a latir e a rosnar, eu olhava pra ele, ele olhava pra mim.. ou ele avançava em mim.. ou eu avançava nele, mas não ia sair de lá sem colocar comida e água, já tinha decidido e eu sou conhecida pela minha teimosa. E pronto, lá estava eu, senhora de mim novamente, uma pessoa capaz de colocar água e ração para um cachorro sem a ajuda de terceiros.
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Porque eu tenho conversas tão poéticas, com dizeres tão belos, tão carregados de amor, fraternidade, luz, paz e sacanagem, que deixariam com inveja Fernando Pessoa, envergonhariam Vinicius de Moraes e deixariam vermelho Nelson Rodrigues… Abaixo trechos de conversas bizarras, com conteúdo chulo e sem nenhuma relevância.
- Logo vi que era uma alma bondosa…com esse rostinho angelical, que não sabe o que é melanina…
- Já vai começar a me chamar de branquela?
- Mas você é branquela..
- Preconceito de cor é inafiançável, sabia? INAFIANCÁVEL! Hmpf!!!
- Se você fumar um e ficar com o olho vermelho, passa por albina facinho, facinho..
- hahahaha… Já te disseram que você é muito gentil? Diz sempre essas coisas tão bonitas pras garotas?
- Sou assim… Bruto… Rústico. Já tá caidinha por mim… fale a verdade!
- Ah.. e quem não estaria? São muitas palavras bonitas.. e sabe, né? Eu sou uma sentimental….
- Imagine quando experimentar os 5 minutos de prazer (já contando as preliminares, claro!) total e ininterrupto!! O melhor que a endorfina pode te proporcionar… Sou assim… Uma máquina de sexo. Vai querer uma senha? (sabe, a procura é grande).
- Uauuu.. 5 minutos completos? Você é um profissional do amor. Seu talento na empresa está sendo subutilizado…
- 5 minutos!! Realmente formidável… Cheguei há 6 minutos uma vez… Mas é que o cinto emperrou, e demorei pra tirar as calças… Se eu estivesse usando ceroulas, ia pra uns 6 minutos e meio, fácil, fácil… Uma eternidade, praticamente.
- O importante é que os 5 minutos de prazer absoluto foram mantidos. Você é assim.. quase um..um.. um.. Alexandre Frota? Estou desinformada dos reis do pornô.. desculpe..hahahahaha
- O Frotinha é bom, mas John Holmes é o meu herói… Um cara, digamos, de enorme talento. Destaque para o “enorme”
- hahaha.. tudo bem.. quando eu quiser agradá-lo eu cito John Holmes e falo que devem ter o mesmo enorme talento…
- Que nada… esse meu pintinho de comer cú de canarinho nunca fez mal pra ninguém… Aliás, não quero falar sobre isso…
- hahahahaha.. Dá pra você parar de me fazer rir? Eu tô trabalhando, pô!
- Tá… Eu tenho esse pintinho de nada, você ri, e ainda acha ruim?!?!
- Quer que eu diga umas frases de consolo, envolvendo metáforas péssimas sobre tamanho da varinha? hahaha
- Que falta de sensibilidade! É pequeno, mas é meu. Tem um valor sentimental…é coisa pouca, mas já me quebrou algum galho… Sua BRUTA!!
- – -
- A gente vai ser assim também, né?
- Assim também como?
- Assim como esses outros malucos da América Latina. Como o Chávez, o Evo, o Lula. De repente estaremos no poder.
- Não será de repente, todo o plano estratégico está traçado. Estamos só na primeira fase…Mas você não será presidente de um paíseco como o Brasil. Nós vamos alçar vôos mais altos. Será Estados Unidos. Será China. De repente você pode é ser a nova ditadora de Cuba.
- E você acha que daria certo?
- Ainda não, porque você é bonitinha, engraçadinha e boazinha demais para ser uma déspota. Mas eu já estou trabalhando nisso.. você é meu projeto.
- Posso comandar um país escandinavo? Posso? Posssoo?
- Por alguma razão especial?
- Claro que sim.. pela figura bonitinha que eles fazem no mapa..
- huahuahuahuahuahuahua.. besta!
- – -
- Vejo que está mesmo focado em me arrumar um novo namorado.
- Já arrumei: Sr. X. Fiquei bem feliz só de pensar na probabilidade de vocês namorarem, ficarem, ou alguma expressão genérica do tipo. Enfim: Correrem pelos parreirais de Santa Felicidade de mãos dadas.
- hahahaha.. Notou que tenta me arrumar um namorado desde que eu tinha um namorado?
- Hum.. é.. Tem o Sr. Y. também, mas acho que o Sr. X. tem mais o seu perfil, vocês se entendem melhor. Mas pode ser qualquer um dos dois. Ambos topariam facinho (não ao mesmo tempo, portanto, não se empolgue).
- hahahahaha.. Ahh!! Que desmancha prazer.. só porque comecei a ter umas idéias com isso.. Tem certeza que não topariam? De repente né… você podia dar uma sondada…hahahahaha
- Não custa perguntar, mas acho que seria complicado. Quem sabe com mais um cabrito, um pastor alemão… e muito, muito KY gel!!
- hahahaha.. Você acha que consegue um cabrito fácil? hahaha
- Posso dar meus pulos. Quer um par de botas 7 léguas também (conhece a teoria?)
- Não.. mas tenho certeza que vai resolver isso..
- Então… o esquema é colocar as botas 7 léguas nas patas de trás do bichinho aí ele fica tentando se livrar, meio rebolando, saca? Não fica tão passivo na relação.
- hahahahahahahahaha…. nunca mais vou conseguir olhar um pobre cabrito sem lembrar de você.
- Porque logo o cabrito? Podia ser a bota sete léguas, né?
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Eu sou uma pessoa altamente distraída. Esqueço datas, telefones, nomes, rostos, enfim, se alguma coisa é passível de esquecimento, é bem provável que eu esqueça. Tendo uma vida nômade e falando com qualquer amigo de cinco minutos como se ele fosse à pessoa mais íntima do mundo, tenho sérios problemas para lembrar das pessoas depois e por mais que tenha achado bárbara a conversa envolvendo moscas da Namíbia, eu vou esquecer da pessoa e do assunto, não por implicância pessoal, mas sim devido a algum problema genético que me torna incapaz de decorar nomes e me faz chamar Thiago de Lucas, por meses e perguntar “quem é Juliano”, quando estão falando de um amigo super íntimo.
Os amigos de longa data já sabem que costumo dar feliz aniversário um dia, uma semana, às vezes um mês depois. Só os amigos de verdade entendem que a probabilidade de receber algum sms em branco, pela metade, sem sentido, com o destino errado, é grande, se estivermos falando de mim. Isso sem contar às vezes que demorei pra responder e-mails por perdê-los na imensidão do Outlook, nas vezes que fiz pessoas se perder por não ter o menor senso de localização e todas as vezes que eu disse “ter certeza” e alguma merda acontecer. Tudo isso porque eu sou assim: avoada.
E graças a essas características que eu me tornei assim, uma lenda viva. Já é notória a minha total incapacidade para cuidar de dois tipos de formas vivas: peixes e plantas. Não que eu não goste deles, não que eu seja um ser humano cruel, mas eu SIMPLESMENTE não tenho a capacidade de tomar conta de coisas que não gritem, chorem, soltem grunhidos, mordam meu pé, enfim, que se façam presente.
Já tive cerca de 348473930 peixes nessa minha vida, começando com um beta, peixe altamente fácil de se cuidar, fica ali sozinho num aquário pequeno, não precisando de muitos cuidados, nem todo o aparato de um “aquário de verdade”.
Era fácil assim: umas bolinhas da ração por dia e pronto, ele ficaria bem, certo? Certo, Hum… isto é, se não estivermos falando de mim. Eu acho que o alimentava uma vez por semana, era praticamente como ter um abajur, eu até achava bonitinho, mas nunca lembrava que tinha um. Vez ou outra eu lembrava da existência do bichinho aí ia correndo ver se ele permanecia vivo, se a água no aquário ainda não estava verde, enfim, essas coisas de gente responsável.
Às vezes eu lembrava de trocar a água do aquário, mas, infelizmente, só fui descobrir que deveria usar água mineral, uma vez que, água com cloro fazia o bichinho ir desbotando e escamando até a morte, quando eu já tinha desistido de ter peixes.
Bem, certa vez tentei ter um aquário de verdade, com aparato de oxigenação, pedrinhas e decoração ao fundo, e diversas espécies de peixes coloridos. Bom, se eu não conseguia manter um peixe vivo por muito tempo, um monte junto então, nem se fala. Há quem acredite que eu levei os peixinhos a loucura e essa foi a razão principal para pelo menos 3 deles terem saltado do aquário para o tapete, desesperados, e em busca de uma morte digna.
Para o bem da natureza, nunca mais ousei ter peixes novamente. Então, em um dos meus aniversários (acho que ali pelos 18 anos) comecei minha empreitada com plantas. Um amigo me deu um bonsai, evidente que se tratava de um amigo com discernimento, que sabe que eu sou possuidora de uma paciência quase oriental. Eu até me esforcei bastante para cuidar da plantinha, comecei a chamá-lo de Sr. Myagui, às vezes conversava com ele e ouvíamos Nirvana juntos, mas como Sr. Myagui não gritava, não rugia, não latia, não fazia qualquer tipo de barulho para me lembrar que precisava de água e sol, não deu outra: adquiriu uma aparência meio assim marrom e um belo dia minha mãe o jogou no lixo.
Esse mesmo amigo, ainda tentando me provar que eu tinha vocação com jardinagem, resolveu me dar mais uma chance e foi assim que ganhei orquídeas. Resolvi me dedicar a essas e provar que eu era capaz de manter uma planta viva, espalhei post-its no espelho do banheiro com lembretes referentes à água, sol e plantas. Mas nesse caso acho que sufoquei demais meu vasinho com orquídeas, acho que foi tanta água e tanto sol, que apesar de todo meu esforço, lá se foi ela descansar pra sempre no lixo.
Vendo minha boa vontade e toda a sensação de culpa existente no meu ser, meu amigo, novamente, resolveu me provar que plantas eram meu destino e que o culpado tinha sido ele, por me dar plantas “sofisticadas” demais. Foi assim que eu ganhei um vasinho com uns 6 cactos. Rá! Muito fácil. Quem conseguiria matar cactos? Nem precisa de sol, água de vez em quando, até eu, na minha conhecida distração e incompetência, seria capaz de ter cactos, certo? Errado, não sem um quê de vergonha, devo confessar: “doce engano”. No começo tudo bem, água quando eu lembrava e tudo bem, assim foi por uns meses, mas depois.. novamente, sem eles gritando “eu preciso de água”, acabei por esquecer deles e quando me dei conta lá estava eu com um vasinho cheio de plantas murchas e com a já conhecida aparência marrom.
Hoje em dia? Ah! Minha fama se espalhou entre os amigos e é assim: flores só de plástico ou de dobraduras e animais só os barulhentos. Porque a Má? Ah! A Má é uma avoada!
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