Conversas de MSN – Parte III

5 09 2008

 

 

- Estou escrevendo uma carta em francês.

- Ah! Não quer que eu te ajude?

- huahuahuahuahua não acho uma boa idéia, imagina uma carta corporativamente séria escrita com o “seu” francês.  

- Ia ser legal.. podíamos começar com um “Bonjour mon coeur” e claro, inserir um “On dit que lorsqu’on rencontre l’amour de sa vie, le temps s’arrête. Et bien c’est vrai” no meio de algum parágrafo hahahaha..  

- Não sei se funciona.. ou melhor.. TENHO MEDO QUE FUNCIONE, acho melhor fazer do jeito tradicional huahuahuahuahua

- Está bem.. se você prefere assim..

- É que não pretendo cantar o cara para quem estou escrevendo a carta e sabemos que o seu francês é aquele francês-brega-fofo-de-comédias-românticas.

- Eh.. vai que ele corresponde, né?

- Sim.. isso pode ser um perigo!

- Realmente, porque sabemos que você já tem um compromisso comigo…

- É verdade… mas, mesmo que não tivesse, não me interessaria por um cara huahuahuahuahua

- Pode ser, mas, ainda assim, é mais bonito quando você diz que não pode por minha causa… hahahaha

- Mas isso vem em primeiro lugar! Mesmo eu sendo heterossexual, você é o motivo que vem primeiro!!!

- Yeah.. inclusive.. você deveria dizer que é heterossexual só por minha causa… hahaha

- Sim, claro! Se você não existisse, eu não me interessaria por uma mulher.. ahhh.. tá ficando esquisita a parada já.. huahuahuahuahuahua

- hahaha.. tá parecendo aquele filme, sabe? Trainspointing, se não me engano.. Aquele que o cara diz “você é a melhor garota” e a garota termina dizendo “se a gente não se conhecesse você estaria dizendo isso pra outra garota”… Deve ser a hora que bato a porta e saio indignada por você não ser hetero EXCLUSIVAMENTE por minha causa.. hahaha

- Mas até isso eu disse… a srta. ainda não está satisfeita?

- Ok.. então quer dizer que se o uso abusivo de conservantes e refeições a base de trakinas morango mais.. me levarem a morte precoce, você vai deixar de ser hetero? Hahahaha

- Uiiii.. senti até uma contração involuntária nos periféricos agora huahuahuahuahuahuahua…. Não posso deixar de ser hetero, mas não podemos fechar aí num assexuado? huahuahuahuahuahua





Pessoas reais num mundo surreal I

10 08 2008

 

Era mais um final de semana como outro qualquer na capital paranaense. Estava frio, cinza e uma chuva fina e gelada caia ininterruptamente. Era dia de sofá, a preguiça assim determinou.

- Eu escolho o filme hoje.

- De jeito nenhum! Eu escolho o filme hoje.

- Certo, vamos fazer iguais pessoas adultas fariam.

- Hum.. cara ou coroa?

- Não! Isso é para franguinhos e não somos franguinhos. Quer dizer.. você é..

- A quem ta chamando de franguinha, hein? Hein? HEIN?

- Então vamos lá.. eu tenho um desafio pra você. Se você conseguir vencer, eu assisto o que você quiser.. nem que isso envolva aqueles malditos filmes do Harry Potter.

- Fechado!

- Então.. é o seguinte… Faça uma matriz transposta da identidade, ache seu determinante e a sua jacobiana. Chamando o determinante da transposta de “x” e sendo o mesmo um espaço percorrido num tempo “t”, onde “t” seja a jacobiana da matriz. Integre os resultados em função de “t” achando assim a velocidade. Decomponha a velocidade no espaço R3 em seus autovetores originais i, j e k. Após isso, calcule o produto interno do vetor velocidade encontrado com a matriz identidade prévia e me diga o resultado. Fácil assim. Tem 15 minutos!

- Não preciso de 15 minutos, já sei a resposta.

- Já?

- Sim. Jacobiana se fez Jacobiana pela dissecação do seu vetor externo, para, assim, atrair vetores convergente numa soma enlouquecida de operações de vetores que, então, se tornariam internos. Entendo, portanto, que a transposta da matriz é, na verdade, a inversão da identidade da matriz, algo que muito me chocou!!! Pois ao saber que o mesmo, ou mesma, queria decompor o escalar da velocidade em várias posições dos seus autovetores no espaço R3. Fazendo para isso uso, só posso pensar eu, das mais obscuras relações matemáticas. Portanto, me sinto obrigada a ser determinante com a Matriz e sua nova identidade transposta e inversa e devo alertá-lo da impossibilidade da multiplicação de matrizes de raízes diferentes. Mas esclarecendo que se pode, ainda, integrar o “x” bem ao tempo “t”, e, ao integrá-lo, tornar-se-á uma constante em sua vida e assim juntos viverão felizes para sempre, mas sem que ninguém derive, pois a derivada de uma constante nada mais é do que zero!!! E então?

- Sou seu fã, sabia?- diz entre risos - É difícil achar uma outra pessoa com tanto talento para ser excêntrica.

- Uiiii..Que medooo!

- Medo? Por quê?

- Não tenho certeza se quero ter fãs.. Lembra o que aconteceu com o Lennon?

- Ah! Mas eu não te mataria.. Não pelo menos não como fizeram com o Lennon..Você precisa de uma morte digna de você. Algo grandioso. Tinha que ser igual a do Kennedy, assim, na frente de milhões!! A do Lennon nem filmada foi…

- Eh, vendo por esse ângulo…não quero só escrever: “saio da vida pra entrar pra historia”..quero dizer em alto e bom som para as multidões que me amavam..

- Que te amavam não!! Que te amam e amarão, pois você nunca será esquecida. Estará para sempre no coração de todos os que um dia tiveram a felicidade de te conhecer. Será eterna, pois seu nome nunca morrerá. Será passado de geração para geração, na palavra escrita e falada, pois todos lembrarão do tempo em que o mundo tinha você…

- Ehh..e todos te odiarão..e o pior.. você vai usar aquelas roupas cinzas de prisão e bem.. você fica horrível de cinza.

- Bem, na verdade eu sempre fico bonitinho, mas vou ter um uniforme diferente: preto. Pra todos saberem quem foi o causador da maior desgraça da terra. Pra saberem quem destruiu o sonho de milhões. Claro que escreverei um livro sobre minha, ou melhor, nossa vida, que será transformado em filme e ganharei milhões.

- Milhões?

- Sim, até serei entrevistado no programa do Jô, no Late Show, etc. todos querendo entender o porque. Então direi: “Porque antes dela ser do mundo, ela havia sido apenas minha e vocês tiraram isso de mim. Então a tirei de vocês. Espero que gostem da sensação, seus malditos, malditos, todos vocês!!!”.

- Não sabia que era tão possessivo assim comigo.

- Não sou… só um sentimento de posse doentiamente controlado, o resto é cena.. Você sabe que sou um puta de um ator né! Na verdade vou fazer tudo isso pela fama…

- Que isso.. nós sabemos que a culpa irá te corroer e você viverá pra sempre atormentado com a minha presença..

- Ahh! Mas eu já vivo atormentado com sua presença em dias normais..

- Como é que é?

- Err.. nada.. quis dizer que você escolhe o filme.. e aí.. Harry Potter?





Conversas de MSN - Parte II

7 08 2008

 

Porque eu tenho conversas tão românticas, que deixariam as falas da Meg Ryan, naqueles filmes água com açúcar, no chão.

 

- E eu aqui acreditando que você era legal, que nossa relação era alicerçada nas bases do respeito, da confiança, da admiração, do carinho e respeito mútuo, ai vem você e diz: Pateta! Ilusão.. tudo ilusão. Na verdade você é um cara frio e cruel.. um coração de pedra.

- Você ainda achava que eu era um cara legal? Tipo, onde você esteve durante todo o nosso tempo juntos? SERÁ QUE VOCÊ NÃO PRESTAVA ATENÇÃO? Tipo, em que mundo você vive?? Acorde e sinta o cheiro da realidade curitibana!! Eu teria que ter um coração para o mesmo ser de pedra. Sim, foi tudo uma ilusão, mas criada por você, que não quis acreditar que na humanidade poderia haver homens como eu, mas nós existimos e gostamos de fazer o mal!!! Que tal meu discurso sociopata, hein?

- hahahaha.. Porque será que não estou surpresa?

- Porque eu não mudei nesses anos todos, não seria agora. Você não seria ingênua de acreditar em milagres.

- Em milagres eu acredito.. não acredito em você.

- Porque eu amo essa mulher mesmo? Ah sim.. Porque ela é doce, gentil, meiga, mas disfarça muito bem às vezes.

- hahaha.. Você que é amargo!

- Às vezes temos que nos contentar com o que a vida nos oferece, sabia? Nem que isso me envolva.

- Fácil pra você dizer isso.. eu sou a melhor coisa que já aconteceu na sua vida.

- Olha, infelizmente tenho que concordar. Aí você ainda pergunta por que eu sou amargo!!

- hahahahaha.. porque eu gosto de você mesmo? Ah sim.. porque é tão doce e gentil!

- Pois é!! Estava querendo mostrar como sou de verdade.. o meu eu real.. o que tem por trás dessa carcaça aproveitável, barba por fazer e sorriso despojado.

- Ah! Mas eu sei como é o seu eu real.. e como sei! Mas sabe-se lá porque eu gosto de você mesmo assim.

- Poxa! Como assim “sabe-se lá por quê?”. Porque alguém nesse mundo tinha que pagar pelos pecados da humanidade, ora essa! Sobrou pra você!!

- Pois eh… e eu me pergunto..mais de 180 milhões e porque logo eu??? É muito azar mesmo.

- Não foi azar, você foi escolhida a dedo!! Precisávamos de alguém toda doce, gentil e boazinha.. Alguém que acreditasse na raça humana e que fosse capaz de perdoar e continuar me amando.

- Boazinha? Desde quando eu sou boazinha? Eu sou malvada, lembra?

- Você?? Malvada? Huahuahuahuahuahua. Não adianta.. Palavras que tentam ser duras e más saídas da boca de pessoa tão doce não causam o efeito desejado, pois são puras, tentam ser o que não podem ser. Até quando você diz “porra, não fode” soa bonitinho.

- hahahahaha.. Eu posso ser malvada, ta? Agressiva.. e tudo mais. Humpf!

- Você tenta às vezes, é fato, mas não consegue ser agressiva e cruel de verdade, só consegue ser doce e engraçada. Aceite! Apenas não está no seu ser paulistano… Porque você é assim, essa pessoa meiga, que merece um pirulito em forma de coração!! Suas ameaças são como as ameaças de uma criança braba, ela realmente acredita no que diz, mas ao invés de oferecer perigo.. só consegue ser fofinha!!! Mas você é muito má, é sim! Você e os ursinhos carinhosos, quando usavam seus poderes, tão ali ó, lado a lado na maldade.

- Vá catar coquinho!

- huahuahuahuahuahuahua. Viu só? Que pessoa agressiva, cruel e malvada me mandaria catar coquinho? Qualquer outra já teria cometido um crime passional.

 

 - Peste!

- Traste!

- Sua ridícula!

- Bestão!

- Cala a boca e agradeça por eu estar aqui.

- Vem me fazer calar…

- Xiuuu.. Agradeça..

- Me obrigue!

- Não me faça perder a paciência. Diz que está com saudades de mim.

- Se eu pensasse em você, talvez sentisse sua falta…

- Eu sei que você sente minha falta.

- haha.. não.. não sinto.. é costume.. igual restaurante tailandês.. não gosto de comida tailandesa.. mas eu acho bacana saber que o restaurante funciona até às 4h da manhã.. pra se um dia eu passar a gostar.. ele tá lá..haha

- Sente sim, sente sim, sente sim.

- Sinto nadaaaa…

- Sentee

-  Tá mendigando afagos, é? Quer que eu minta pra você?

- Pode dizer o que quiser, eu sei que a verdade é uma só.

- Aham.. não sinto sua falta.

- Quietaa.

- Vem me fazer ficar…

- Cala a bocaa

- Vemmmm fazerrr calar seu franguinho.

- Não quero te quebrar a cara.

- Não é homem o suficiente pra isso.

- Quieta e continua com seus dentes.

- Senão quem vai arrancar meus dentes.. você? ha-ha-ha

- Já mandei ficar quieta.

- Quando você quer uma coisa.. não basta desejar.. tem que ser homem e ir lá e fazer.

- Se você estivesse aqui agora.. você ia ver só patinha.

- hahaha.. desculpinha.. não tem coragem, FRANGUINHO!

- Se te quebro a cara eu vou preso.

- hahaha.. pois eu duvido.. se tiver a coragem de vir aqui me quebrar a cara.. eu não te denuncio.

- O que uma mulher faz pra ter o homem que deseja perto dela viu… se você me quer.. é só falar..

- haha! Peste.

- Traste!





Novela mexicana – Season Finale

4 08 2008

 

Para quem perdeu a incrível parte inicial dessa incrível história com personagens excêntricos e autores de nomes duplos, eis aqui o tutorial de procedimentos:

Opção 1: Use o botão de rolagem do seu mouse e vá até o post anterior.

Opção 2: Em “bobagens fresquinhas”  clique em: “novela mexicana – Parte I”

Opção 3: CLIQUE AQUI

 

Em caráter excepcional teremos PS´s antes do texto.

PS: Informamos que, inicialmente, o nome masculino a ser utilizado seria Rodolfo José, mas como todos os PMNI (personagens masculinos não identificados) e PCIP (personagens com identidade preservada) recebem o nome de “João”, decidiu-se manter a coerência.

PS2: A personagem feminina não foi nomeada por discordância entre os autores.

PS3: Dinho e Má foram mantidos como autores também nesta parte final, o que explica muita, MUITA coisa..

PS4: Ahn.. eu adoro PS´s

 

Novela mexicana – Season Finale

Ele, em uma tentativa desesperada, tenta apelar para os bons momentos:

- Você poderia parar de me atacar e destacar as minhas qualidades, né? Tudo de bom que já fizemos juntos.

- Ok.. vou destacar como você é, mas lembre-se: você que está pedindo.

- Não, mudei de idéia.. Sério, não precisa. Depois desse tempo todo né.. não precisa por em palavras esse sentimento que nutre por mim.

- Nutria, você foi capaz de destruir tudo.

- Já sei! Já sei!

- O que?

- Já tenho uma explicação. Que outra coisa poderia causar esquecimento?

Hein, é isso, foi o álcool!! É culpa do álcool, bebi demais.. Só pode ser isso!!! Uísque maldito

- Não tente justificar o que não tem justificativa. Eu nunca vou te perdoar

- Mas meu amor, você tem que ser a pessoa nobre desta relação, tem que ser a pessoa que está acima da mesquinhez da vida. Saber perdoar e aceitar os outros com seus erros humanos.

- Eu te aceitava com todos seus defeitos porque eu acreditava que havia uma consideração e uma relação ali. Mas também não tenho nada que te perdoar, você não significa mais nada pra mim.. você é só um cara aí, não tinha obrigação de lembrar de nada.

- Poxa! Cadê a paixão enfurecida das palavras?!? Cadê a raiva? Briga comigo, me xinga… Mas não diga que sou só “um cara aí”.

- Perdi a vontade de brigar com você. Brigava porque gostava, agora tanto faz, né?

- Não, não diga isso!!! The dream can not be over!!! Paul is still alive… Existe uma chance, onde há vida há esperança…

- Não tenho mais vontade, O que posso fazer?

- A vontade não pode desaparecer de uma hora pra outra… Algo assim não some, não posso conceber como verdade.

- Não, não foi de uma hora pra outra.. foi cada dia um pouquinho.. até que eu pude enxergar a verdade.. você não me ama.

- Claro que eu te amo.

- Deixei de acreditar nisso…

- As coisas não deixam de ser verdade só porque você parou de acreditar nelas.

- Não era verdade, era uma ilusão.

- Não era e não é!!! Algo tão concreto, tão diário, como você pode dizer que era ilusão?

- Porque se fosse de verdade você lembraria, se importaria.. éramos um passatempo diário um para o outro.

- Passatempo diário? Não senhora! Eu me importo, veja quanto tempo estou aqui tentando dizer que me importo!!! Se não me importasse estaria aqui?

- Sim, devido ao passatempo diário.. Você não deve ter mais nada pra fazer.

- Que é isso!!! Tenho uma prova hoje… outra amanhã, outra na quarta.. Estou correndo risco de reprovação por você, sabia?

- João Carlos, dizer que eu sou mais importante do que uma prova não ameniza nada.. Sabemos que você colocaria qualquer coisa na frente das provas..

- É, realmente não foi um argumento lá muito forte. Mas ainda assim me importo, me importo tanto que faria qualquer coisa pra você me perdoar.

- Qualquer coisa?

- Sim, qualquer coisa…

- Olha só.. vai ter um espetáculo de balé essa semana.. um pessoal da Escandinava..

- Balé? Você sabe que eu odeio balé.

- Sabia! Você não se importa mesmo.

- Desculpe, desculpe. Claro que me importo. Se você quer ..

- A propósito.. cada ingresso custa R$360,00.

- O que? Tudo isso? A não, não, não.. R$360,00 pra ver escandinavos vestindo malhas e saltitando num palco ao som de música estranha?

- Tudo bem, tudo bem.. Se você acha que eu não mereço um agrado às vezes.. que nada significo.

- Ok, ok.. Nós vamos.

- Promete?

- Prometo..

- Jura que vamos? Você não mudará de idéia? Olha que você está dando sua palavra, hein.

- Nós vamos, não mudarei de idéia.

- Ah.. Eu te amo!

- Você sabe que eu também te amo. Não sei como pude esquecer esse dia.. até porque você faz aniversário exatamente um mês depois de mim… (pausa) Ei… espere um minuto.. (pausa).. Estamos em julho. Seu aniversário é um mês depois do meu.. Até onde me lembro nasci em outubro.

- Ok, ok, admito. Hoje não é meu aniversário.

- Que mente diabólica! Que mente diabólica!

- Eu não fiz nada. Você que veio me dando parabéns e implorando perdão por ter esquecido.

- E o que diabos eu tava esquecendo?

- De colocar o lixo pra fora ué… chega bêbado da rua e já quer ir dormir? A propósito.. que fique claro.. nós vamos no balé escandinavo. Foi promessa.. e sabemos que você sempre cumpre suas promessas…

- Mas.. masss..

- Nada de “mas.. mas”.. e vá por o lixo pra fora..e tomar um banho… que você está cheirando a cigarro e bebida.





Novela mexicana – Parte I

31 07 2008

 

Ele estava deitado na cama resmungando e terminando um projeto no seu inseparável notebook. Ela sentada no chão do quarto, bagunçando a coleção de cd´s dele:

- Se você tirar os cd´s da ordem teremos um crime passional aqui. (diz ele com seu conhecido tom ameaçador).

Ela ria:

- Sabe quantas vezes eu já baguncei esses cd´s.. quantas vezes você já me fez essa ameaça e ainda não me aconteceu nada?

- É que eu quero que você seja pega desprevenida. É um plano cruel para ficar a espreita e acabar com sua vida quando menos esperar.

Tomavam cappuccino e iam falando bobagens aleatórias, enquanto perturbavam a paz dos vizinhos com a poluição sonora no apartamento, fazendo uso das mais eficazes armas para conquistar inimizades no condomínio: risadas freqüentes e altas, vídeos do Charlie Brown e Snoopy (por presente dele, acreditando ser gosto pessoal dela) e músicas com o melhor de Weezer (por gosto pessoal dele) e Suzi Quatro (por gosto pessoal dos dois). Até que ele tem a brilhante idéia:

- Ahh! Vamos escrever um texto?

- Um texto? Sobre o que?

- Errr.. Qualquer merda.. pra você por no blog e dizer que escrevemos juntos, destacando que eu sou o tal do cara na sua vida. Uma coisa bem mexicana como você.. e bem humor sarcástico como eu.. ficando meio maluco como nós dois.  Se ficar uma merda não tem problema, os nossos amigos puxa-saco vão adorar a gente escrevendo juntos.

- Ta fazendo isso para que eu pare de bagunçar os cd´s, né?

- Sempre vendo a intenção por trás da ação. Matá-la daria mais trabalho e poderia sujar o carpê de sangue. Depois de um tempo a gente pega amor, sabe? Ahh!! Estou falando de amor pelo carpê, tá? Que fique claro!

- hahahaha… Besta!

 

Rá!!! :-)

 

Novela mexicana – Parte I

Ela estava deitada na cama, lendo. Ele chega sorridente e notoriamente bêbado:

- Oiii…

Silêncio.

- Oieeee (diz ele sentando na cama e tirando os sapatos).

Silêncio.

- Cof, cof…

Silêncio

- Ei.. Cheguei meu amor. (diz enquanto dá um beliscão na perna dela)

Ela larga o livro, levanta os olhos e olha para ele:

- Te conheço? (diz com indiferença).

- Aparentemente não o suficiente pra dizer que me ama.

- Não te amo.

- Ah! Eu sei que ama (diz enquanto a abraça). Nossa! Como estou cansado. Acho que vou dormir.

- Dormir??? Você não está esquecendo de nada?

- Estou?

- Não está?

- Ah sim! É hoje, né? Parabénssssss lindinha!!!

- Parabéns?

- Sim, sim.. Parabéns. Falta um minuto para meia-noite, tecnicamente ainda é seu aniversário. Quantos aninhos mesmo? Com esse rostinho, 18, né?

- Hummm.. O que te importa quantos anos? Você nem lembrava que era hoje.

- Isso quer dizer que deve ser 34… Época da negação.

- Nem isso você é capaz de lembrar. Lembra do meu nome pelo menos?

- Não faça essas acusações injustas… eu lembrei.

- Sei, sei. Agora, né? Mas tudo bem. Não terei mais que brigar com você por isso.

- Claro que não, lembrarei de todos os outros daqui por diante.

- Os daqui em diante eu passarei sem você.

- Como você é malvada… Que a chaga de mil demônios caia sobre você! Que a terra coma sua carne, mas preserve seus olhos, primeiro porque eles são lindos.. E segundo para você ver o horror de sua putrefação. Não existem palavras pra expressar minha tristeza depois disso que você disse.

- Pois pra mim existe. Estou profundamente descontente, afinal, nada significo pra você.

- Muitos outros te darão feliz aniversário atrasado. Você sabe disso. Porque brigar assim comigo?

- É totalmente diferente, você não está no bolo dos “muitos outros”, esperava mais de você.

- Bem, eu nunca quis te decepcionar, mas você exige de minhas forças mais do que posso proporcionar. Vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Eu sou apenas um semi-deus, né. E não vem com essa, não senhora.. Você disse e eu repito: “Não está esquecendo nada?!?”. Achei que você tava falando dos meus chinelos porque eu tava pisando no chão frio, portanto, lembrei sozinho.

- Agora não adianta mais.

- Não diga tal coisa. Não depois destes 78 anos de convivência… Não depois de trocar suas fraldas pela sua incontinência…

- Não me venha com suas piadinhas. Você jogou tudo fora, mas está certo.. não somos nada um do outro mesmo. Nada significo pra você.

- Poxa não fala assim, isso não é coisa de pessoa que tem Jesus no coração!! Não, não.

- Jesus eu tenho.. diria que não tenho você…

- Nossa… Nossaaaaa! Tipo, nossa.. Essa foi desnecessária…

- Não, foi necessária sim. Estou profundamente chateada com você

- Mas meu amor.. Eu passei o dia fora estudando.. Com a cabeça cheia. Só cheguei agora e você já chegou com os dois pés no meu peito.

- O pior é você mentir assim.. EU SEI QUE VOCÊ ESTAVA NO BAR, não minta que é bem pior.

- Mas eu tinha que ir estudar.. Daí estava atordoado. Ah, e mentir faz parte de minha natureza.

- E não acreditar em você faz parte da minha. E não te perdoar e te excluir da minha vida, faz mais parte ainda.

- Mas começou agora, porque você não era assim. Eu aprontava tudo que queria e você continuava me perdoando e me amando…

- Você foi um erro…

- O que posso fazer pra você ver que estou arrependido?

- Não somos mais nada um do outro.. não adianta.

- Flores?!?!

- Não precisa João Carlos.. deixemos como está.

- Xiii.. João Carlos e uma frase de resignação?!? O caso é sério.. Você nunca me chamou de João Carlos antes…

- Não tenho mais porque te dar apelidinhos bregas, fofos e íntimos. Você é um falso.

- Falso nada. Eu estou embriagado e todos sabem que quando a bebida entra a verdade saí, então, por lógica, só pode ser verdade.

- Não há sinceridade nas suas palavras.

- Como não? São tão sinceras quanto palavras minhas podem ser.

- Exato! Por isso mesmo.. não há nada sincero vindo de você.

- Isso magoa!!! Depois de tanta dedicação, de tanto apoio a você.

- Dedicação? Não houve dedicação e a magoada, chateada e ofendida aqui, sou eu.

- Isso daria versos pra uma música… Podíamos ficar milionários.

- Não existe “a gente”. Existe eu e você separadamente.

- Mas aí, nem numa parceria para o estrelato? Podíamos ser como os dois

caras dos Rolling Stones, que não se falam, se odeiam, mas que estão ricos.. Se bem que, eu não te odeio, só você a mim..

- Mas provavelmente o cara dos Stones lembra do aniversário do outro… Antes você me odiasse pelo menos lembraria. Diria “hoje é aniversário daquela desgraçada”, mas lembraria. Humpf!!

 

Por: Dinho e Má =)

 

Será que esse texto terminará assim? Será que eles não confessarão que não terminaram de escrever porque foram ver dvd´s? Será que todo mundo vai notar que as falas do texto são aquelas manjadas, que eles falam todo dia um para o outro? Acompanhe o fim (ou a falta de fim) das histórias desses dois, sempre com personagens excêntricos, falas malucas e DR´s imprevisíveis.. hahaha





Amor em tempos de tevê a cabo

28 07 2008

 

 

Ela estava na sala. Ele na cozinha. Ela gargalhava tendo a tevê como companhia. Ele escutava as risadas enquanto pegava mais uma cerveja:

- O que está fazendo? (pergunta ele surgindo na porta da sala).

- “I’m saying it ‘coz it’s true. Inside of us, we both know that you belong with Victor. Is there a Victor in your class?” (diz ela entre risos).

- Hã?

- “We’ll always have Fresno” (ainda rindo).

- Certo, isso pode fazer sentido aí dentro, mas no mundo aqui fora… Repito a pergunta: O que está fazendo?

- Assistindo Dr. House (diz quase suspirando).

- Não tem nada melhor pra fazer não?

- Devo ter.. não quero me gabar, mas meu namorado é conhecido por ter sempre uma vasta e divertida programação na manga. E aí.. o que vamos fazer hoje?

- Hoje? Nossa! Todas as seqüências de Máquina Mortífera. Imperdível!!

- Máquina Mortífera?

- Ah! Não quero me gabar, mas minha namorada é a melhor.. ela vai alugar os dvd´s.

- Ei! Como assim? Sua namorada não sou eu? Teve um pedido, um sim..  eu estava prestando atenção.. nem estava passando House na tevê.. Hum.. ou estava? Será que na verdade você perguntou se eu queria mais cerveja? Ah! Eu nunca me lembro…

- Na verdade eu te pedi em namoro e você disse você disse: “siiimmmm”, com uma empolgação que me comoveu.. e logo depois você completou com: “… de vodka”.

- Ah! Eu sou assim.. uma romântica, o que posso fazer?

- Mas então, já que concordamos que você é minha namorada, eu repito: minha namorada vai alugar os dvd´s!

- Não vai não! Sua namorada vai assistir Dr. House.

- Hummm.. Será que ainda dá tempo de me arrepender? Será que é um sinal pra terminar com você? Eu posso voltar com a minha ex, pelo menos assim eu teria meu box de Máquina Mortífera. Ah.. bons tempos aqueles de namorada submissa.

- Por mim tudo bem, mas dá pra esperar terminar esse episódio? Adoro a parte que ele diz: We have been blessed with the miracle of a new symptom. Brother, can you testifiy as to why this poor child’s eyeball rolled back into his head?”. Depois você pode me deixar em casa, comprar flores e implorar pra voltar com a sua ex.

- Posso te fazer uma pergunta séria?

- Posso responder com interjeições? Há um sério risco de não prestar atenção na pergunta… Já está na parte do “Come on in, brothers and sister! Welcome to the house of the Lord!” Eu mencionei que me amarro nese episódio?

- Desde que você responda com uma interjeição sincera e séria.

- Como seria uma interjeição séria?

- Só prometa que vai responder com sinceridade.

- Quer trazer uma bíblia para que eu faça o juramento de “dizer a verdade, nada mais que a verdade”?

- Lá está você fazendo piada.

- Ok, desculpe, faça sua pergunta séria que responderei.

- Você me trocaria pelo Dr. House sem titubear, não é?

- Ah! Quer um abraço?

- Você prometeu que ia responder seriamente.

- Ah! Essa é a pergunta séria?

- Me trocaria?

- Você está me perguntando se eu trocaria você por um personagem fictício de uma série norte-americana? Mais sério do que isso só se me pedisse pra escolher entre você e o Pepe Legal.

- Eu sabia! Isso foi um sim.. não foi? Só faltou você completar com “.. de vodka”

 





Aqueles dois

23 07 2008

Ele estava andando pelo shopping quando se deparou com uma criatura muito cheia de trejeitos felizes. Ela vinha saltitando, balançando a cabeça de um lado para o outro, meio que dançando também, e sorria… Ela nem prestou atenção nele e nem percebeu que desde a entrada do shopping, ele a seguia com os olhos.

Ele quase morreu de pavor quando viu que ela tinha um mp3 player e estava lá..  com seus fones de ouvido, cabelos esvoaçantes e boca exageradamente em movimento, cantando com o “mute” acionado, enquanto caminhava em sua direção.

Ele entrou em pânico, estava prestes a se armar em posição de luta, se não fosse o pavor e a sua involuntária rendição aquela cena de comercial de margarina.

Ela de cinco queijos. Ele de calabresa com muita cebola. Os dois de pizza fria com café.

Ela de Woody Allen. Ele de David Lynch. Os dois exatamente de William Wallace gritando FREEEEDOOOOOWWWWW.

Ela de Amelie Poulain. Ele de Star Wars. Os dois de “any of you fuckin pricks move, I’ll execute every motherfuckin last one of .. ya!” em Pulp Fiction.

Ela de cinema. Ele de tevê a cabo. Os dois de finais de semana na maratona cartoon.

Ela de Gabriel García Márquez. Ele de Dostoievski. Os dois com aversão a Paulo Coelho.

Ela de Álvaro de Campos. Ele de Alberto Caeiro. Os dois apaixonados por Fernando Pessoa.

Ela de qualquer coisa com legendas e mais de um capítulo. Ele de Seinfeld. Os dois rindo, segurando uma colher e imitando o Joey falando greeeaa-aaaaat

Ela de Chico. Ele de Led, os dois de Ferris Buller, cantando Twist and shout, enquanto imitam a mesma dancinha.

Ela Clocks, enquanto faz a escova de cabelo de microfone. Ele com cara de mal humorado, enfatizando que detesta Coldplay.  Os dois no carro, desafinados, volume ensurdecedor, fazendo dueto em You give me fever, feeeeverrr“, enquanto ela estala os dedos e ele batuca o volante.

Ela de Regina Spektor. Ele de Hã?? Regina o que???

Ela rindo. Ele tentando convencê-la que aquele é o olhar de furioso dele, não o de poodle sem dono.

Ela bêbada, com um copo de gelo nas mãos, já meio rouca e cantando “1, 2, 3 indiozinhos.. 4, 5, 6 indiozinhos 7, 8, 9, 10 indiozinhos iam navegando pelo rioooo-oooo”. Ele gargalhando, pedindo mais uma caipirinha e dizendo que vai denunciá-la para a FUNAI por maus tratos aos índios e para o MEC pelo péssimo emprego da música em questão.

Ela 20 e poucos anos de orgulho e inconveniência. Ele desde 1979 magoando pessoas com palavras ásperas e mal medidas. Os dois desde vidas passadas, só pode!

Dia desses, ele no hospital, ela também, motivações diferentes, mas os dois estavam lá por uma causa em comum: ele. 

- Estou acordado já faz uns 10 minutos, ouvindo você chorar compulsivamente. Ou eu estou morrendo ou você já descobriu que não vende cerveja na cantina do hospital. Pelo jeito sincero que está chorando acho que a última opção é a mais provável, por mais que eu esteja morrendo.

Ela ri, enxugando as lágrimas:

- Pelo visto você já está fora de perigo.

- Pelo visto você me ama.

- Err.. Na verdade não amo.. Estava chorando porque constatei que vou ter que passar o dia aqui com você e meu… não tem tevê a cabo.  Estou pensando se vale a pena. Deve estar passando os irmãos Winchester essa hora.

- Eu quase ter morrido me livra da bronca por ter deixado você esperando?

- De jeito nenhum! Perdoaria se fizesse igual todo mundo.. se tivesse se atrasado por estar com umas vadias, por estar jogando sinuca ou pela cerveja com o pessoal do trabalho. Essa de apelar para o “eu estava inconsciente” para se livrar de uns esporros, não vai funcionar.





Vida independente - Como matar animais ferozes

9 07 2008

 

No auge dos meus dezessete, dezoitos anos.. consegui a minha independência, ainda comprava danoninho e jujuba, ainda vivia do dinheiro dos meus pais, mas tinha me tornado uma adulta que fazia suas próprias compras no mercado e podia almoçar bolacha (não biscoito, que fique claro!) negresco, se eu quisesse.

Morava sozinha e apesar de sofrer com uma forte crise de abstinência provocada pela falta de tevê a cabo, eu superava a infelicidade disto com as festas open bar da USP.

E nessa vida independente e solitária, em um dia de calor senegalês, em um dia de ar condicionado quebrado, em um dia em que me sentia mais ou menos como o vilão de Exterminador do Futuro II, dissolvendo, me partindo em milhares de partículas e me transformando em uma poçinha, eis que tomo a sábia decisão: 

- Vou dormir de janela aberta, não era isso que os antigos faziam em tempos longínquos, em uma vida de privações.. uma existência sem os prazeres do ar condicionado? Isso! Janela aberta, afinal, eu moro no quinto andar, que perigo uma janela aberta teria?

Então, lá estava eu, reclamando insistentemente do calor absurdo, lembrando como minha criação me estragou e eu me tornei uma pessoa que necessita de um ar condicionado no nevar para ter uma boa noite de sono, mas.. em um determinado momento, fui vencida pelo cansaço.. e em meio aos lençóis de algodão e a falta de vento entrando pela janela.. adormeci.

E lá, nos meus devaneios, lá dormindo e sonhando com camelos e o deserto do Saara, eis que de repente sinto algo em minha perna, instintivamente peguei o travesseiro e bati na perna, jogando o que quer que fosse para longe. Cambaleando, levantei e acendi a luz, então me deparo com aquilo: algo preto, rastejando sobre o piso. Dormindo, sonhando, delirando, pensei comigo:

- O que seria isso? Uma borboleta mutante e feia, feia, feia?

Então, saindo do meu estado de transe, deixando para a trás a demência do sono, eis que:

- Aiiiiii.. um morcegooo! Um morcegooo.. UM M-O-R-C-E-G-O (grito, enquanto faço o que qualquer outra mulher destemida faria: subo na cama).

Respiro fundo, tento superar o ataque de pânico e começo a pensar em soluções:

- Posso pular da cama, sair correndo.. trancar o morcego no quarto e dormir na sala. Amanhã eu cuido do morcego (eu = cara de sofredora, voz mansa implorando para um homem tirar aquele bicho asqueroso do meu quarto).

Me pareceu coerente. Então, destemida sai correndo do quarto, enquanto soltava algumas interjeições de pânico. Deitei na sala:

- Merda! Não vou conseguir dormir aqui, sofá desconfortável… Que absurdo! Eu com pânico de um morceguinho?  Que mulherzinha! Claro que eu consigo me livrar de um morcego.

Então, bravamente, armada com uma vassoura, entro no quarto decidida:

- Alguém aqui vai morrer e não serei eu, está me ouvindo Batman?

E lá, senhora de mim, tentava matar, com a vassoura, o morcego que se arrastava pelo chão. Mas no meu planejamento ele morria, não grudava na vassoura:

- Merda! 

E então, provando sua superioridade, provando ser conhecedor de diversas artimanhas para assustar mulheres indefesas, eis que o morcego começa a voar pelo quarto. Mais pânico, mais gritinhos, interjeições e corrida destemida até a sala, enquanto trancava a porta do quarto.

Corajosa, independente, senhora de mim, tomei uma decisão: fui pedir socorro para o ex-namorado e vizinho:

- Tem um monstro no meu quarto!

- Jeito estranho de pedir desculpa e fazer as pazes.

- Estou falando sério.. tem um monstro no meu quarto.

- Se você quer dormir em casa, é só pedir.. não precisa inventar desculpas malucas.

- Tem um animal asqueroso e feroz no meu quarto, vamos lá matá-lo (digo o empurrando até meu apartamento).

- Se você quer que eu durma com você na sua casa, é só precisa pedir.. não preci.. 

- Entra lá no quarto.. tem um morcego horrível… eu espero aqui.

Ele abre a porta, entra e minutos depois sai:

- Certo, não tem nada lá dentro. Isso tudo é porque você quer que eu durma aqui ou porque você quer dormir lá em casa, mas é incapaz de engolir o orgulho e pedir desculpa?

- Como não tem nada lá dentro? Claro que tem… (digo enquanto entro corajosa dentro do quarto).

Olho em volta, vasculho e nada do morcego. Concluo:

- Deve ter saído pela janela, então.. pode ir agora.

- Ahn? Como assim? Você me acorda, me faz vir aqui por nada e nem um pedido de desculpa, nem um assumir que estava mentindo?

- Errr.. não.. TCHAU!…