Mah e suas aleatórias divagações

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O melhor dos meus enganos

Novembro 8, 2009 · 27 Comentários

cupido

Pois é… Estou eu aqui, em pleno domingo, tentando organizar as idéias e entender como alguém pode se apaixonar e re-apaixonar tantas vezes pela mesma pessoa, já sabendo como isso vai acabar. Que horror! Isso parece doentil. Amor bom é aquele que finda, com ou sem tragédia. Que deixa marcas e vira lembrança… Não, não se trata de um amor renovado pela maturidade… daqueles que a gente se mata de paixão, odeia, se afasta e um dia retoma. Não, nada disso… falo do mesmo amor de sempre, caótico, contraditório, aquele em que se desdenha a pessoa, tem vontade de bater, de desistir, de sair batendo a porta para sempre, mas passada a fúria inicial, ama ainda mais e pior… ama conscientemente. Sabe de todos os motivos pelo qual se odeia… e ainda assim ama, mesmo sabendo de todas as diferenças, mesmo lembrando de todos os finais sem começo, mesmo com todos os ciclos de indiferenças.
Maluquice! Só pode ser. Amores são de passagem. Têm seu ciclo. Acabam. E não ficam se reinventando sozinhos. Mas, não! Quando penso identificar os sinais do fim – das fases que bem conheço – começa tudo novamente e apaixonada estou… pelo mesmo homem, com os mesmos defeitos, com o mesmo jeito arrogante, com a mesma desconfiança desmedida quando eu digo que gosto e que me fez chorar em vários domingos desses. E eu continuo com o mesmo olhar de adolescente quando ele me liga, tropeçando nas palavras, agüentando as mesmas crises apocalípticas.  
Hoje caiu a ficha. “Meu Deus, ainda estou apaixonada por esse sujeito? Como assim? Mas-mas-mas e todas essas paixões eternas de uma semana que eu tive depois dele?”
Para não pensar, engoli todos os episódios de friends de uma só vez. Mas, como manter o controle diante dessa estarrecedora constatação? E se não acabar? O que eu vou fazer se o amor insistir, insistir e insistir? Que coisa mais assustadora! Qual será a fórmula para se desapaixonar? Por que ele já trilhou todos os caminhos tão conhecidos do passado, que funcionavam… que sempre funcionaram… e sempre que eu acho que já não me importo, lá vem ele, com suas mentiras cor-de-rosa, que eu não entendo.
Não, eu não mudei, muito menos ele. Eu continuo confusa e complicada, ele continua colocando o dedo na minha cara, me chamando de arrogante e dizendo que já me superou, não dando importância para as minhas mal-versadas declarações irônicas e torcendo o nariz para minhas atitudes intempestivas.  
Só pode ser loucura, não há explicação lógica… mas eu ainda não consigo acreditar, quando repito baixinho, repetidas vezes… que já não me importo mais.

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As importâncias, os expressos, o Sr. Francisco

Outubro 30, 2009 · 24 Comentários

Muitos o conhecem melhor do que ela. Mais gente ainda tem aquelas histórias para contar sobre ele. Há aquelas de quem ele gosta infinitas vezes mais. Provavelmente o Sr. Francisco da padaria, que o vê todos os dias, pedindo o mesmo café expresso, com a mesma cara de mal humorado, sabe muito mais a respeito dos gostos dele do que ela.
Ela? Ela mal o conhece, pelo menos ela repete isso todos os dias, a cada instante em que se vê preocupada com dores de ouvido, com insônia, com o “ah, estou triste” e com as discussões, todas elas.
Meu Deus! Ela mal o conhece… Então porque diabos ela não para de se importar? Porque ela não compra apenas as benditas aspirinas e o bronzeador ao invés de ficar esticando a conversa com o farmacêutico com “e o que temos aí para dores de ouvido”? Quantas vezes ele terá que dizer: “sou crescido, auto-suficiente e independente. Pára de se preocupar comigo, sua arrogante..”?
Ela mal o conhece.. como ela vai retrucar quando ele diz que ela o dispensaria por conveniência? Ah! Ela deveria dizer pra ele… Provavelmente ele não sabe que por conveniência ela já deveria tê-lo esquecido, por conveniência ela teria saído batendo a porta da primeira vez que ele desligou o telefone na cara dela. Provavelmente ele não sabe como ela sente sua falta quando ele não está por perto. Provavelmente ele não sabe como a faz rir. Provavelmente ele não sabe como ela admira aquele ar intelectual e aquele mau humor de fachada, que não o impede de aturar as gracinhas dela em uma segunda de manhã.
Não, não.. ela não deveria dizer nada, afinal, ela não é ninguém… gente mesmo é o Sr. Francisco, que sabe:  “um expresso médio e com pouco açúcar”… Ela? Ele mal a conhece..

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Dos encontros arranjados

Junho 2, 2009 · 12 Comentários

Tenho a leve impressão que minhas relações interpessoais mais próximas tem apenas um objetivo de vida: tentar me engravidar (no bom sentido). Desde que fiquei solteira é um aqui e outro ali tentando me arrumar encontros. Se por um lado tem toda aquela coisa bacana nessa atitude, por outro eu acabo me metendo em enrascadas homéricas, não sei escolher minhas amizades, então é de se esperar que minhas amizades não tenham o menor discernimento na hora de escolher homens meio que até bonitinhos com destinação amorosa em potencial.
Mesmo sabendo da dura realidade mundana, eu, garota ingênua, crédula e etc..etc.. inocentemente… fui acreditar quando um ex-namorado da era mesozóica disse:
- Ma, eu preciso te apresentar uma pessoa.
- Um terapeuta ou algo do gênero?
- Não.
- O Eddie Vedder?
- Ahn.. não…
- Jonnhy Depp?
- Não…
- Hum… pronto.. não sei.. Acabaram as opções que despertariam gritinhos empolgados…
- Porque você daria gritinhos empolgados por um terapeuta?
- Ahn..eu te contaria, mas não teríamos a confidencialidade paciente-médico… não me sentiria segura.
- Ele não é terapeuta, não é bonito e sensual como eu, mas é esforçado… e o mais importante.. ele quer muito sair com você.
- Ele quem?
- O rapaz que vou te apresentar.
- Porque vai me apresentar um rapaz?
- Porque você está solteira. Não está? Ao menos estava…
- Estou, mas isso ser uma preocupação na sua vida é que é assustador. Qual é o problema do rapaz? Fala de uma vez. O que tem de errado com ele?
- Nada, justamente por isso que eu quero que você saia com ele.. ele precisa de alguns problemas e defeitos congênitos na vida… o que melhor do que você como namorada?
- Sabe.. é por essas e outras que nunca me pergunto “porque foi que terminamos mesmo?”. Você está sempre por perto me lembrando dos porquês.
- Posso marcar?
- O que?
- Um encontro com o rapaz.
- Ahn… não sei não…
- O que tem a perder? Sabemos que eu fui o único acidente de percurso na sua vida… de resto você manteve o alto nível lá em baixo.
- Vamos direto ao ponto: quantos toblerones e garrafas de vodka isso vai me render?
- Estou te fazendo um favor e ainda tenho que te comprar?
- Yeah… se você quer entrar na cafetinagem.. ao menos algum agrado você tem que dar para suas meninas.
- Ok, temos um acordo… não posso deixar você perder o Marcelo assim.
- Quem?
- Deixa com o pai aqui.
Pronto.. as fezes já tinham sido atiradas no ventilador. Eu, moça ingênua, crédula, romântica.. acreditei mesmo na pureza das intenções de um ex-namorado, que na sua imensa bondade, me daria uma mistura de Jonnhy Depp com Vedder e de brinde.. vodka e chocolate. E então o fatídico:
- Ma, esse é o Marcelo.. Marcelo.. essa é a menina má com quem você queria sair.
Dois beijinhos nas bochechas depois:
- Ahn.. Marcelo.. com licença um instante (digo arrastando o cupido moderno pelo braço) – Ok.. Qual é a pegadinha da vez?
- Hum.. interessante.. agora já sei porque você queria um terapeuta: paranóia em níveis consideráveis.
- Você olhou direito para esse cara?
- Ahn.. acho que sim… o que meus olhos masculinos não conseguiram detectar, mas que aparentemente trata-se de uma obviedade feminina?
- Ele está em um lugar considerável no grupo dos meio que até bonitinhos..
- Entendo… Mea culpa, minha máxima culpa… deve ser realmente desprezível te apresentar pessoas bonitas, né? O que posso fazer? Sou assim.. desapegado… o que importa mesmo é ter saúde, mas espero que você releve eu ter escolhido alguém assim, desconcertantemente apresentável. Agora larga de frescura e vamos lá (diz ele quase me puxando pelos cabelos e me colocando do lado do tal Marcelo).
Estranhamente Marcelo era um rapaz meio que até bonitinho, engraçado, inteligente… e me acompanhou em todas as doses imagináveis de vodka, ypioca e cerveja. Estranhamente nos demos bem e estranhamente eu estava beijando as bochechas do meu ex-namorado dizendo que ele tinha uma superioridade sentimental que eu não tinha, afinal, Marcelo não era emo, não aparentava níveis intoleráveis de esquisitice e nem parecia sofrer com traumas irreparáveis graças a uma família desestruturada. Infelizmente, quem vê cara não vê coração e nem set list. Inocente e bêbada que sou, não notei o risinho sádico que deve ter surgido em algum momento, na cara angelical do meu cupido.
No dia seguinte.. telefone insistente, telefone insistente, telefone insistente:
- Ahn.. huuuummm… aaaaaahhhh (digo, com minha conhecida eloqüência matinal)
- Ma?
- Ahnnnn.. ahhhhhh…. eu… (mais uma demonstração do meu notório bom gosto no uso de palavras)
- É o Marcelo, te acordei?
- Imagina (digo bocejando). Tudo bem?
- Sim.. sim.. estou te ligando para ver se você não quer sair de novo hoje. Ninguém faz desenhos de porta de banheiro nos guardanapos de maneira tão criativa. Me afeiçoei, o que posso fazer?
- Claro, vamos sim… (digo com a minha habitual simpatia de sábado às 15h da madrugada). Aonde vamos?
- Em um lugar que você vai ADORAR. Passo na sua casa para te pegar.
Depois de muitas trocas de roupas e alguns sapatos espalhados pelo chão, tcharannnnn: baile funk.
Desespero, angústia, pânico. É de conhecimento público que pinga, pepsi e música incrivelmente ruim, eu não tolero. Bem.. também é de conhecimento público que em mim habita Dona Sílvia, senhorinha de 80 anos. Dona Sílvia gosta mesmo de um belo botecão, com sua decoração rústica, suas doses duplas e garçons, diversos garçons vindo até a mesa e garantindo o suprimento das coisas básicas: vodka e bolachas de chopp para possíveis guerrinhas com amigos igualmente perturbados.
Mas era isso, lá estava eu, no meio de um baile funk.. estática.. até que começou uma música esquisita.. e todo mundo se organizou num trenzinho, ainda olhava espantada ao meu redor, nem deu tempo de pronunciar nada:
- Vamos Má (diz Marcelo me puxando para o meio daquela confusão esquisita).
Quando começou a tocar Mc Créu, Marcelo se libertou, estou pra dizer que nunca vi ninguém se requebrando daquele jeito. Quando ele tirou a camiseta e amarrou na cabeça, pensei que já tinha chegado ao fundo do poço, mal sabia eu que em bailes funks o chão não é o limite. Quando dei por mim, meu acompanhante já estava em cima do palco, com a camiseta nas mãos, ensaiando diversos passos. Tentei sumir no meio da multidão, mas infelizmente meu desejo de me transformar num avestruz e ter onde enfiar a cara, não foi realizado:
- Mááááá.. sobe aqui no palco Má, vamos mostrar para esses pelegos como se dança.
Pensamento Insistente: Isso não está acontecendo.. isso não está acontecendo.. ISSO NÃO ESTÁ ACONTECENDO…
- Anda Má, sobe aquiiii.
Como mulher inteligente, cosmopolita e com razoáveis gostos, fiz o que qualquer outra faria.. me enfiei no meio da multidão e, discretamente, corri desembestada até a saída.
Lição de vida do dia: Quando me oferecerem namorados, pedir tudo em vodka.

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Excêntricas Relações Interpessoais II

Janeiro 21, 2009 · 8 Comentários

 

 

- Mazinha… está ocupada mesmo ou vai fingir estar para poder me ignorar?

- Estou ocupada mesmo… mas isso não quer dizer que não use isso para te ignorar…

- Vejo que sua educação se foi com seu jeito doce e passou a adotar a forma curitibana de ser rancorosa e ignorar os outros!!!

- Não.. não.. imagina! Impressão sua… eu não saio por aí ignorando os outros, sendo mal educada com os outros.. e privando os outros do meu convívio… de forma alguma… agora.. esquecer VOCÊ.. ser mal educada com VOCÊ.. e ignorar VOCÊ.. Ahn.. não.. não…também não faz nenhum sentido.. evidente.. porque eu faria isso com você? Só por retaliação? Só por despeito? Só por coração partido? Que isso! Seria vingancinha.. e sabemos que meu jeito sentimental está acima da mesquinhez da vida..

- huhuahuhauhauhauhauhaua.. Você ainda está brava?

- Não..

- “Não”? Essa é sua resposta? iiiii.. então é pior do que eu pensava.. se já passamos da fase que você me maltrata, me xinga e faz com que eu me sinta um lixo.. quer dizer que chegamos na parte da indiferença onde você mal fala comigo… vai dizer que ainda gosta de mim, mas só por convenção social.. só por se incapaz de dizer que não gosta.. até se um malabarista uruguaio perguntasse se você gosta dele você diria que sim.

- Ahn.. mas eu tenho simpatia por malabaristas uruguaios…

- Mas não se importaria se um deles fosse lutar na guerra civil de Porto Príncipe…

- Hum.. se tivesse uma festa de despedida… se tivesse vodka e bacardi.. eu poderia até acabar chorando pelo uruguaio estar indo embora.

- Mas esqueceria dele no dia seguinte e não se importaria com Porto Príncipe…

- Ta, ta.. eu prometo que se eu sair com um malabarista uruguaio eu ligo pra ele no dia seguinte.. está bem?

- Já ta pensando em sair com outras pessoas?

- hahahahahaha.. yeah.. vou ali no sinaleiro pra convidar um uruguaio qualquer pra tomar um café.. com licença……

- Porque você foi pro bar sem mim?

- Ahn.. porque estamos brigados?

- Hum.. então, basicamente, porque você ainda está brava porque eu te disse um monte de merda e você disse que nunca mais queria me ver na vida.. e eu disse OK.. e desliguei o telefone na sua cara?

- Eh.. um motivo razoável… não acha?

- Mas poderia ter me convidado e poderíamos selar a paz… mas me odeia agora…não consegue mais olhar na minha cara.. vai ficar aquele clima esquisito entre a gente.. e não conseguiremos nem ter uma relação sentimental.. quanto mais uma relação social amistosa…

- Imagina!!!! Como assim não convidei? E os milhares de e-mails, as cartas via Correio, o recado que mandei escrever no céu da sua casa? Vai dizer que nada disso chegou? Não acredito… não dá mesmo pra confiar nos servidores de internet, no Google, nesta organização, ou devo dizer, desorganização estatal que é o Correio e muito menos nos pilotos de aviões particulares fretados para escrever mensagens aéreas…. Onde este Brasil irá parar?

- Ainda mereço conviver com você? Ainda mereço suas palavras? Ainda mereço seu amor?

- Ahn.. não.. mas a verdade é que você nunca mereceu mesmo…

- Mas você sempre soube disso, desde o início.. mas por você ser capaz de perdoar tudo que estamos aqui até hoje… Eu fazia a merda que fosse e você continuava me perdoando e me amando…

- Mas tudo tem limite né…

- Achei que o limite fosse não saber fazer brigadeiro… e não gostar de cachorros…

- É, mas resolvi incluir mais alguns.. tipo você ser um cretino começou a extrapolar um dos limites.

- Eu não sou cretino… ta.. eu sou… mas eu sempre fui difícil de conviver… mas por você ser assim uma pessoa extremamente boazinha… sempre relevou e continuou me amando…

- Eh.. mas chega da exploração desmedida da minha alma!!!!

- Ontem eu estava vendo um filme e descobri que você, na verdade, é a ilusão do meu eu que quer ser feliz, mas está preso, ‘deep’ no meu subconsciente!!! huahauhuahuahuahuahuahua

- hahahahaha.. Isso só prova o quanto você é narcisista…

- Narcista?? Eu???

- Sim… porque você gosta de duas pessoas nesse mundo.. de você… e de mim.. então.. como você tem a teoria de que na verdade eu sou você…. você basicamente gosta de você mesmo…

- Viu só? Você acredita que eu gosto de você..

- Eu acredito que, por breves momentos, quando você passa a existir na forma humana.. você gosta de mim… hahahahaha

- Ma, você está sentada?!?! Tá, então deite, porque o que estou prestes a te escrever vai mudar a maneira de você encarar o mundo e o próprio mundo como você o conhece… Vá, tome um gole de uísque, eu sei, eu sei, você não gosta muito de uísque, mas vai por mim, esqueça o gole, vire a garrafa!!!

- hahahaha… Não acho uma boa idéia… aqui só tem aquele uísque barato imprestável… acho que faria menos mal encher o copo de álcool com eucalipto.. mas.. bom.. eu tenho rum… e vodka.. e bacardi… hum… vou misturar os três….

- huahuahuahuahuahua… e eu, ingênuo, ainda acho que você precisa que te mandem beber…Viu?? Você não é melhor do que eu.. talvez apenas mais bêbada.

- Ninguém consegue ser pior que você.. nem mais bêbado.. por mais que tentem.

- Somos iguais minha cara.. Você precisa de mim, ninguém mais te entende!!! E não… os destrambelhados não contam… por você ser assim também, chama esse tipo de pessoa!! huahuahuahuahuahuahuahuahua

- hahahahahahaha.. vou te falar já quem é destrambelhada seu pastel…

- Pastel? Viu.. você ainda gosta de mim huhauhauhauahuahua

- Ahn.. era isso que tinha pra dizer que iria mudar minha forma de ver o mundo?

- Não… Mostrando mais uma vez ser um sujeito homem, EU, contra tudo e contra todos, consegui ingressos para o show que a Senhorita Maíra Dorini queria ver.. provando ser esse o espírito dos que se arrependem e se humilham em busca de perdão huhauhauhauhauhauhaua.. E você nem imagina todos os tipos de humilhação que passei pra conseguir isso.. ta.. não passei humilhação, mas gastei uma nota preta huahuahuahuahua

- hahahahaha. Ta tentando me comprar?

- Sim.. descaradamente!!! Sem nenhum pudor mesmo huahuahuahuahua

- hahahahahahaha.. ok.. me dê os ingressos que vou convidar um malabarista uruguaio pra ir…

- Não.. é o pacote.. você ganha um ingresso pro show e de brinde leva um piazão de merda.. moreno, bonito e sensual huhauhauhauhauhaua

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Das lembranças

Janeiro 14, 2009 · 17 Comentários

Da sua casa não levo nada, nem mesmo o que chegou a ser meu. Deixo os cd´s, os adesivos no espelho e o quadro de metal com fotos e imãs de joaninhas. Deixo, também, os retratos, para que você tenha o trabalho de trocá-los. Levo os dvd´s, mas deixo os seus preferidos do Jeunet e mantenho a mentira social de que, na verdade, seus filmes preferidos são os do John Mclane. Levo o amor junto com os perfumes e a maquiagem que deixava espalhados pela casa. No lugar deixo o espaço que você sempre disse querer.

Da divisão dos sentimentos, acho que partilhamos de quinquilharias diversas entre aborrecimento, teimosia, orgulho, ciúme e culpas. Se eu puder optar, deixo só para você o constrangimento dos encontros acidentais e o desconforto dos encontros necessários.

Você fica com todos os abraços apertados e eu com as risadas que faziam solo na trilha sonora dos nossos dias.

Na nossa divisão de bens, fico com, pelo menos, o Jonnhy Cash, Doors e o Chico, que sempre foi mais meu do que seu. Menos aquelas três, quatro música que serão para sempre nossa. Você fica com as músicas que ouvimos juntos por mil vezes e com o Oswaldo Montenegro, que eu tanto implicava. Eu retomo as que gostava antes de você. Das novas descobertas que você fez a partir do meu mp3 player, deixo-te todas.

Os amigos que eram só seus antes de mim e os amigos que eram só meus antes de você, acho que já são nossos demais, então, sofrerão conosco os males da separação, sem saber a quem dar ouvidos e ombro.

Você fica com o bairro onde mora e eu com o bairro onde saíamos. Fico com aqueles cafés que sempre foram meus e com os bares com os melhores drinks coloridos e enfeites de papel crepom. Você fica com os botecos de decoração duvidosa e bebida barata, além da livraria pequena, com estantes antigas e títulos raros. Eu fico com a saudade do cheiro de café se misturando com um leve cheiro de madeira.

E na divisão das ruas, quarteirões e meios de transporte, você fica, obviamente, com o seu carro. Eu fico com o frio na barriga ao ver toda a frota de carros do mesmo ano e modelo que o seu – dos quais hei de conferir as placas sempre que passarem por mim ou eu por eles.

Eu fico com a saudade da poltrona do seu quarto, com a saudade do tic-tac do relógio em forma de moto e com a saudade da luz que entrava pelas frestas da cortina nas manhãs de sábado. Você fica com os papéis de bombom em cima da escrivaninha.

As lembranças, não precisamos dividir… fico com todas, até mesmo com aquelas que um dia pareceram ruins..

* Ahn… ta bom.. ta bom.. eis o texto

** Tinha outro título, mas um daqueles meus quatro, cinco leitores… me escreveu um e-mail… e citou o poeta… me comovo quando citam o poeta.. então… fica o título que o leitor de e-mail preocupadinho e solidário deu :-)

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Happy new year!

Janeiro 2, 2009 · 26 Comentários

 

31/12, dia místico que desperta os melhores sentimentos nas pessoas e faz com que se unam em um só coro: “ahn.. acho que estou bêbado”, permitindo que ninguém se responsabilize por nada feito, dito e pensado até o dia 02/01. Dia de promessas que nunca serão cumpridas, abraços até no entregador que veio trazer os salgadinhos e lágrimas enquanto se desejam um ano novo muito melhor. E, como de praxe, dia de arrependimentos, volta ao passado e telefonemas esquisitos:

- Alô.

- Oi, tem três chamadas feitas deste telefone para o meu celular. Foi você que me ligou?

- Má?

- Sim, eu! Agora é a hora que você diz quem é você e eu prometo dar gritinhos de empolgação, com algumas interjeições bem simpáticas, mesmo que não seja verdade.. Afinal.. estamos naquele período cabalístico de bons sentimentos.

- Ahh.. eu não acredito que você não sabe quem é.

- Não acredita? Como não acredita? Tudo é possível.. Uhuuu.. 2009 está aí.. pare com isso.. desconfiança não é um bom sentimento para se entrar o ano.

- Ahh.. não acredito. Não sabe mesmo quem é? Bonito, sensual, sexy, você adora..

- Aiii.. eu sabia que esse dia chegaria.. Eddie Vedder??

- Ahn?? Eddie Vedder? O cara daquela banda lá.. aquela.. ai.. esqueci o nome.

- O que???? “Aquela banda lá”? como OUSA falar assim do Pearl Jam?? TCHAU… a gente não deve se conhecer… é isso.. ou vou ter que começar a repensar todas minhas relações interpessoais.

- Mas continua a mesma nojentinha de sempre, né?

- Ahn.. agora não há como negar… você realmente parece me conhecer!

- Má, é o João.

- Ahn?  O que ta fazendo na cidade? Você não ia acampar? Mentirosoooooo!

- Err.. Não Má.. não ESSE João… O João.. Não lembra?

- ….

(ele começa a cantar all by myself…)

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(Obs: Estrelinhas de divisão de histórias.. pra depois não dizer que fico de má vontade)

- Alô.

- Ma, eu preciso MUITO da sua ajuda.

- Nossa, o que aconteceu?

- Eu vou ficar bêbado e vou querer ligar para minha ex-namorada, você precisa me impedir.

- Ahn.. Você não vai ficar bêbado. Lembra que você não bebe? E.. bem.. eu sou sua ex-namorada.

- Droga! É a hora que eu digo que ainda não te esqueci e você faz aquele silêncio constrangedor?

- Não necessariamente, lembre-se que você não está bêbado, não precisamos seguir o protocolo.

- Ainda não te esqueci, Ma.

- …..

- Ma? Ma? Você está ai?

- Oi.. desculpa.. achei que íamos seguir o roteiro, não era minha deixa de silêncio constrangedor?

- A vida está nos dando uma nova chance, é ano novo, podemos fazer tudo diferente!!

- …

- Ma?

- Desculpe, tome pelo menos uma cerveja,  talvez assim eu não me sinta tão mal seguindo o roteiro.

- ….

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(Obs: Estrelinhas de divisão de histórias.. pra depois não dizer que fico de má vontade)

- Vamos transar?

- Uhuuuu.. Vamos… Quem está falando?

- Eu conheço esse sotaque…

- Sotaque? Onde? Onde?

- Ma?

- Eddie Vedder??

- Ahn?

- Droga! Porque nunca funciona?

- Peste!!!!

- Carlos?

- Porra! O que você está fazendo com esse telefone?

- Ahn… Droga! Será que fiquei bêbada e peguei o celular de outra pessoa? Tá.. eu tomei aquelas vodkas.. champagne.. cerveja. Parece que tinha uísque também…. mas será que alguém mais teria esse telefone roxo? Hum.. ou bebi tanto que estou vendo roxo onde era prateado? Bem… pode ser..  tinha aquelas vodkas.. champagne…

- Merda! Esse é o SEU TELEFONE?

- Eh.. sim.. hum… isso.. ou eu estou pegando a pessoa que você queria… Meio improvável, não? Nunca tivemos o mesmo gosto.. você sempre preferiu mulheres.. eu homens… e bom.. não seria do nosso feitio ficar no meio termo e tentar um travesti, né?

- ….

- Carlos??

- Ah.. Oi.. estava fantasiando com você e a Luciana.

- Ahn?

- Desculpe… O que você disse mesmo? Parei de ouvir no “ou to pegando a pessoa que você queria pegar”…

- Mas como você é patético! Hahahaha

- O que está fazendo? Tá com alguém? Quanto tempo a gente se conhece mesmo? Já faz alguns anos, não? Engraçado.. notou que a gente nunca teve nada? Que tal sermos o arrependimento de virada de ano um do outro? De repente a gente encontra a Luciana…

- BOA NOITE…

- Não, Ma.. espera… serve só você também….

- BOA NOITE…

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(Obs: Estrelinhas de divisão de histórias.. pra depois não dizer que fico de má vontade)

PS: Bêbada e artista.. Feliz ano novo =)

 Era pra ser um cavalo marinho grunge.. mas não pergunte quanto eu havia bebido...
Era pra ser um cavalo marinho grunge.. mas não pergunte quanto eu havia bebido…

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Os diferentes gostos de domingo

Novembro 20, 2008 · 17 Comentários

Vovô e Nico

Vovô e Nico

 

Certas coisas cheiravam a certezas e tinham gosto de domingo, naquele tempo em que domingo ainda era feliz, naqueles dias que domingo significava respirar tão fundo e balançar na rede. Dias de acordar às 5 horas da manhã e ir até a mangueira, com aqueles olhinhos curiosos e uma caneca com açúcar e canela em mãos, maravilhada com a descoberta de que o leite não vinha em saquinhos.

 

Dias de jabuticaba no pé, vaga-lumes, visitas as plantações de café, passeios de camionete, cavalos selados, alface fresco na horta… Assim foi minha infância, grande parte dela passada em companhia do meu avô, por aqueles pastos, por aquele pomar com jabuticabas e mangas… e por mais urbana que eu seja, são aqueles dias de caçada de vaga-lumes, de andar de trator, de abrir porteiras e passear por entre os pastos, que ficaram na memória como as mais doces recordações do meu avô.

 

É o cheiro de pé de pitanga que sinto todo domingo e por mais que aquela primeira cadeira do lado esquerdo da mesa esteja vazia, são as mesmas histórias que ecoam pela minha mente quando olho pra ela.

 

Era sempre assim, ele sentava com uma latinha de cerveja com água tônica ou uma taça de vinho e repetia aquela história de como subiu naquele navio aos 16 anos e de repente estava no Brasil. As risadas ainda podem ser ouvidas ao fundo, quando ele narrava o inconcebível episódio do frango assado que ele esqueceu na mala. A história das três namoradas antes da vovó, o namoro com a vovó no cinema, as balinhas para distrair os cunhados, o casamento em Aparecida, naquele tempo onde não existiam estradas e os carros andavam só a 30 km por hora. O sorriso de canto de lábio e as histórias das caçadas de tatu, de espingardas e de laxantes em garrafas de café… Ah! As histórias com gosto de domingo!

 

As plantações, as idas até a máquina de arroz, as brincadeiras na palha, olhar admirada todo aquele maquinário que te fazia se sentir uma formiguinha, ficar toda orgulhosa no colo do seu avô, enquanto ele te ensinava como o arroz da palha, de repente, está dentro de um saco e voltar para casa senhora de si, carregando aquele primeiro pacote de arroz que você empacotou, como quem carrega o pote de ouro do fim do arco-íris.

 

Férias tinham gosto de bolo de milho e pamonha, naquelas tardes em que seu avô chegava com as espigas que tinha apanhado antes da colheita de verdade… e lá estava sua avó na beira do fogão, ensinando as mil coisas que você poderia fazer com o milho, quando, na verdade, você a olhava arteira, imaginando se não poderia roubar um ou outro milho para dar para os cavalos.

 

Domingo tinha um som peculiar… som de bolero, som de músicas antigas, som de Mercedita tocada na vitrola. Domingo tinha som de vovô… sentado naquele mesmo sofá, tentando entender as particularidades do controle remoto,  aquele aparato semi-alienígena. Você sentava no tapete e ria, explicando como ligar. Depois ele veio a se tornar o expert dos controles remotos e descobriu as maravilhas da tevê a cabo e vocês passavam o dia vendo aqueles programas portugueses, onde você não entendia nenhuma das piadas e ele ria e falava daqueles “alfacinhas de Algarve”.

 

Os dias de shopping tinham gosto de reclamações, onde ele, impaciente, implorava para sua avó comprar logo o que tinha que comprar, mesmo quando ele não ia junto para as compras, ele reclamava quando demoravam… e esperava, sentado naquela poltrona em frente a porta de entrada, só para dizer : “caipiras que são assim, não podem ficar na cidade grande que já se deslumbram”.

 

Vovô adorava comprar carros, sua maior diversão era escolher camionetes, negociava por meses antes de comprar de fato. Adorava gado, cavalos, leilões e plantações. Vovô adorava dar bezerros de presente… e vovô adorava domingos.

 

E foi em uma terça que prometemos estar no final de semana naquele hospital, e foi em uma terça que minha mãe disse que ele tinha que melhorar porque  no final de semana o levaríamos para casa. E foi em uma terça que ele sorriu e brincou pela última vez e foi em uma terça que ele balbuciou umas poucas palavras, as últimas palavras ditas. Mas esperou o domingo… aquele domingo que prometemos ir ao hospital para levá-lo pra casa e foi em um domingo que o cheiro de pitanga deu lugar ao cheiro mórbido das flores, e foi em um domingo que as gargalhadas deram lugar aos olhos inchados e ao choro. E foi em um domingo que cumprimos nossa promessa, e foi em um domingo que o levamos pra casa, mas não do jeito que queríamos, mas foi em um domingo… assim que chegamos no hospital, porque os domingos eram os nossos domingos… porque minha mãe tinha dito e prometido que meu irmão estaria lá… naquele domingo… e que o levaria pra casa… foi em um domingo.. o último domingo.

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Tributo ao quase

Novembro 10, 2008 · 12 Comentários

 

Acontece de repente, em um lugar qualquer, em final de semana qualquer, com dois personagens quaisquer. Justo naquele dia que ela jurou que ia ficar deitada no chão da sala, ouvindo todas as fases musicais do Chico. Justo naquele bar de nome engraçado, que a fez torcer o nariz e não querer ir de jeito nenhum. 

 

Ela estava só esperando aquela caipirinha de vodka e morango, mas quem aparece é ele: o dono da risada que faz solo na trilha sonora da sua vida. Naquele momento ela esquece de tudo, como se só ele existisse, como se só ele tivesse importância. As palavras fluem da sua boca e soam como poemas de Camões: melodiosas, serenas, ritmadas, suportada por uma voz grave, um tanto quanto rouca e ela sorri insistentemente a cada sílaba pronunciada. Era uma risada para cada sete, oito palavras e ela se esforçava para entender como seria possível viver sem aquelas risadas. As outras pessoas ao seu lado viram estátuas de cera, imóveis e silenciosas e até a quantidade de vezes que ela pisca cai pela metade e ela começa a duvidar que realmente existam outras pessoas no mundo. 

 

Ela tem vontade de se ajoelhar diante daquela amiga que a levou arrastada até aquele bar e criar uma oração de devoção. Quase que ela ficou em casa. Quase que aquele novo filme a levou ao cinema. Quase que aquela nova banda a levou para aquele bar de sempre. Quase que ela não ligou para ele e quase não o chamou para aquele bar de nome engraçado. Quase que ela continuou fazendo de conta que ele não estava dizendo o que estava dizendo e quase que ela deixou todos aqueles dois, três contras superarem o número infinito de prós. E o “quase” passa a ocupar o topo na lista de suas palavras preferidas.

 

E ela começa a se perguntar: e se for verdade? E se for verdade que existe aquela pessoa que é sempre capaz de roubar seus pensamentos e te deixar feliz na mais cinza das quartas-feiras? E se for verdade que algumas coisas são pra sempre? E se for verdade que dá pra amar alguém que gosta de Oswaldo Montenegro? E se os clichês acontecem?  E insistentemente ela se pergunta: e se for verdade?

 

E ela tenta entender como é que alguém pode se apaixonar tantas e tantas vezes pela mesma pessoa e como ela pode entre uma risada e outra, entre uma implicância e outra, de repente, daquele jeito ridículo, ter a certeza de que é ele.

 

Ele que a conhece melhor do que qualquer pessoa. Ele que adivinha seus pensamentos, completa suas frases e provoca os sorrisos mais sinceros com todo aquele mau humor e cinismo que lhe é tão peculiar. Ele que liga pra ela quase todo dia as 3h07 da madrugada para dizer que ela tem que parar de atender os inconvenientes que ligam de madrugada.

 

Ela que conhece cada defeitinho irritante dele e que, mesmo assim, consegue gostar tanto ou mais dos defeitos do que das qualidades.

 

E ela já pensa em formar um grupo de adoradores do “quase” e ela para de se perguntar “e se for verdade?” e já tem todas as certezas do mundo. O amor persiste, para ambos, desde aquele engraçado e atrapalhado dia de maio, sempre foi verdade.

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Conversas de MSN – III

Setembro 5, 2008 · 9 Comentários

 

- Estou escrevendo uma carta em francês.

- Ah! Não quer que eu te ajude?

- huahuahuahuahua não acho uma boa idéia, imagina uma carta corporativamente séria escrita com o “seu” francês.  

- Ia ser legal.. podíamos começar com um “Bonjour mon coeur” e claro, inserir um “On dit que lorsqu’on rencontre l’amour de sa vie, le temps s’arrête. Et bien c’est vrai” no meio de algum parágrafo hahahaha..  

- Não sei se funciona.. ou melhor.. TENHO MEDO QUE FUNCIONE, acho melhor fazer do jeito tradicional huahuahuahuahua

- Está bem.. se você prefere assim..

- É que não pretendo cantar o cara para quem estou escrevendo a carta e sabemos que o seu francês é aquele francês-brega-fofo-de-comédias-românticas.

- Eh.. vai que ele corresponde, né?

- Sim.. isso pode ser um perigo!

- Realmente, porque sabemos que você já tem um compromisso comigo…

- É verdade… mas, mesmo que não tivesse, não me interessaria por um cara huahuahuahuahua

- Pode ser, mas, ainda assim, é mais bonito quando você diz que não pode por minha causa… hahahaha

- Mas isso vem em primeiro lugar! Mesmo eu sendo heterossexual, você é o motivo que vem primeiro!!!

- Yeah.. inclusive.. você deveria dizer que é heterossexual só por minha causa… hahaha

- Sim, claro! Se você não existisse, eu não me interessaria por uma mulher.. ahhh.. tá ficando esquisita a parada já.. huahuahuahuahuahua

- hahaha.. tá parecendo aquele filme, sabe? Trainspointing, se não me engano.. Aquele que o cara diz “você é a melhor garota” e a garota termina dizendo “se a gente não se conhecesse você estaria dizendo isso pra outra garota”… Deve ser a hora que bato a porta e saio indignada por você não ser hetero EXCLUSIVAMENTE por minha causa.. hahaha

- Mas até isso eu disse… a srta. ainda não está satisfeita?

- Ok.. então quer dizer que se o uso abusivo de conservantes e refeições a base de trakinas morango mais.. me levarem a morte precoce, você vai deixar de ser hetero? Hahahaha

- Uiiii.. senti até uma contração involuntária nos periféricos agora huahuahuahuahuahuahua…. Não posso deixar de ser hetero, mas não podemos fechar aí num assexuado? huahuahuahuahuahua

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Pessoas reais num mundo surreal I

Agosto 10, 2008 · 16 Comentários

 

 

Era mais um final de semana como outro qualquer na capital paranaense. Estava frio, cinza e uma chuva fina e gelada caia ininterruptamente. Era dia de sofá, a preguiça assim determinou.

- Eu escolho o filme hoje.

- De jeito nenhum! Eu escolho o filme hoje.

- Certo, vamos fazer iguais pessoas adultas fariam.

- Hum.. cara ou coroa?

- Não! Isso é para franguinhos e não somos franguinhos. Quer dizer.. você é..

- A quem ta chamando de franguinha, hein? Hein? HEIN?

- Então vamos lá.. eu tenho um desafio pra você. Se você conseguir vencer, eu assisto o que você quiser.. nem que isso envolva aqueles malditos filmes do Harry Potter.

- Fechado!

- Então.. é o seguinte… Faça uma matriz transposta da identidade, ache seu determinante e a sua jacobiana. Chamando o determinante da transposta de “x” e sendo o mesmo um espaço percorrido num tempo “t”, onde “t” seja a jacobiana da matriz. Integre os resultados em função de “t” achando assim a velocidade. Decomponha a velocidade no espaço R3 em seus autovetores originais i, j e k. Após isso, calcule o produto interno do vetor velocidade encontrado com a matriz identidade prévia e me diga o resultado. Fácil assim. Tem 15 minutos!

- Não preciso de 15 minutos, já sei a resposta.

- Já?

- Sim. Jacobiana se fez Jacobiana pela dissecação do seu vetor externo, para, assim, atrair vetores convergente numa soma enlouquecida de operações de vetores que, então, se tornariam internos. Entendo, portanto, que a transposta da matriz é, na verdade, a inversão da identidade da matriz, algo que muito me chocou!!! Pois ao saber que o mesmo, ou mesma, queria decompor o escalar da velocidade em várias posições dos seus autovetores no espaço R3. Fazendo para isso uso, só posso pensar eu, das mais obscuras relações matemáticas. Portanto, me sinto obrigada a ser determinante com a Matriz e sua nova identidade transposta e inversa e devo alertá-lo da impossibilidade da multiplicação de matrizes de raízes diferentes. Mas esclarecendo que se pode, ainda, integrar o “x” bem ao tempo “t”, e, ao integrá-lo, tornar-se-á uma constante em sua vida e assim juntos viverão felizes para sempre, mas sem que ninguém derive, pois a derivada de uma constante nada mais é do que zero!!! E então?

- Sou seu fã, sabia?- diz entre risos - É difícil achar uma outra pessoa com tanto talento para ser excêntrica.

- Uiiii..Que medooo!

- Medo? Por quê?

- Não tenho certeza se quero ter fãs.. Lembra o que aconteceu com o Lennon?

- Ah! Mas eu não te mataria.. Não pelo menos não como fizeram com o Lennon..Você precisa de uma morte digna de você. Algo grandioso. Tinha que ser igual a do Kennedy, assim, na frente de milhões!! A do Lennon nem filmada foi…

- Eh, vendo por esse ângulo…não quero só escrever: “saio da vida pra entrar pra historia”..quero dizer em alto e bom som para as multidões que me amavam..

- Que te amavam não!! Que te amam e amarão, pois você nunca será esquecida. Estará para sempre no coração de todos os que um dia tiveram a felicidade de te conhecer. Será eterna, pois seu nome nunca morrerá. Será passado de geração para geração, na palavra escrita e falada, pois todos lembrarão do tempo em que o mundo tinha você…

- Ehh..e todos te odiarão..e o pior.. você vai usar aquelas roupas cinzas de prisão e bem.. você fica horrível de cinza.

- Bem, na verdade eu sempre fico bonitinho, mas vou ter um uniforme diferente: preto. Pra todos saberem quem foi o causador da maior desgraça da terra. Pra saberem quem destruiu o sonho de milhões. Claro que escreverei um livro sobre minha, ou melhor, nossa vida, que será transformado em filme e ganharei milhões.

- Milhões?

- Sim, até serei entrevistado no programa do Jô, no Late Show, etc. todos querendo entender o porque. Então direi: “Porque antes dela ser do mundo, ela havia sido apenas minha e vocês tiraram isso de mim. Então a tirei de vocês. Espero que gostem da sensação, seus malditos, malditos, todos vocês!!!”.

- Não sabia que era tão possessivo assim comigo.

- Não sou… só um sentimento de posse doentiamente controlado, o resto é cena.. Você sabe que sou um puta de um ator né! Na verdade vou fazer tudo isso pela fama…

- Que isso.. nós sabemos que a culpa irá te corroer e você viverá pra sempre atormentado com a minha presença..

- Ahh! Mas eu já vivo atormentado com sua presença em dias normais..

- Como é que é?

- Err.. nada.. quis dizer que você escolhe o filme.. e aí.. Harry Potter?

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