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O melhor dos meus enganos
Novembro 8, 2009 · 27 Comentários
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As importâncias, os expressos, o Sr. Francisco
Outubro 30, 2009 · 24 Comentários
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Etiquetado: Arrogância, Café, Crises, Relações interpessoais complexas
Dos encontros arranjados
Junho 2, 2009 · 12 Comentários
- Um terapeuta ou algo do gênero?
- Não.
- O Eddie Vedder?
- Ahn.. não…
- Jonnhy Depp?
- Não…
- Hum… pronto.. não sei.. Acabaram as opções que despertariam gritinhos empolgados…
- Porque você daria gritinhos empolgados por um terapeuta?
- Ahn..eu te contaria, mas não teríamos a confidencialidade paciente-médico… não me sentiria segura.
- Ele não é terapeuta, não é bonito e sensual como eu, mas é esforçado… e o mais importante.. ele quer muito sair com você.
- Ele quem?
- O rapaz que vou te apresentar.
- Porque vai me apresentar um rapaz?
- Porque você está solteira. Não está? Ao menos estava…
- Estou, mas isso ser uma preocupação na sua vida é que é assustador. Qual é o problema do rapaz? Fala de uma vez. O que tem de errado com ele?
- Nada, justamente por isso que eu quero que você saia com ele.. ele precisa de alguns problemas e defeitos congênitos na vida… o que melhor do que você como namorada?
- Sabe.. é por essas e outras que nunca me pergunto “porque foi que terminamos mesmo?”. Você está sempre por perto me lembrando dos porquês.
- Posso marcar?
- O que?
- Um encontro com o rapaz.
- Ahn… não sei não…
- O que tem a perder? Sabemos que eu fui o único acidente de percurso na sua vida… de resto você manteve o alto nível lá em baixo.
- Vamos direto ao ponto: quantos toblerones e garrafas de vodka isso vai me render?
- Estou te fazendo um favor e ainda tenho que te comprar?
- Yeah… se você quer entrar na cafetinagem.. ao menos algum agrado você tem que dar para suas meninas.
- Ok, temos um acordo… não posso deixar você perder o Marcelo assim.
- Quem?
- Deixa com o pai aqui.
Pronto.. as fezes já tinham sido atiradas no ventilador. Eu, moça ingênua, crédula, romântica.. acreditei mesmo na pureza das intenções de um ex-namorado, que na sua imensa bondade, me daria uma mistura de Jonnhy Depp com Vedder e de brinde.. vodka e chocolate. E então o fatídico:
- Ma, esse é o Marcelo.. Marcelo.. essa é a menina má com quem você queria sair.
Dois beijinhos nas bochechas depois:
- Ahn.. Marcelo.. com licença um instante (digo arrastando o cupido moderno pelo braço) – Ok.. Qual é a pegadinha da vez?
- Hum.. interessante.. agora já sei porque você queria um terapeuta: paranóia em níveis consideráveis.
- Você olhou direito para esse cara?
- Ahn.. acho que sim… o que meus olhos masculinos não conseguiram detectar, mas que aparentemente trata-se de uma obviedade feminina?
- Ele está em um lugar considerável no grupo dos meio que até bonitinhos..
- Entendo… Mea culpa, minha máxima culpa… deve ser realmente desprezível te apresentar pessoas bonitas, né? O que posso fazer? Sou assim.. desapegado… o que importa mesmo é ter saúde, mas espero que você releve eu ter escolhido alguém assim, desconcertantemente apresentável. Agora larga de frescura e vamos lá (diz ele quase me puxando pelos cabelos e me colocando do lado do tal Marcelo).
Estranhamente Marcelo era um rapaz meio que até bonitinho, engraçado, inteligente… e me acompanhou em todas as doses imagináveis de vodka, ypioca e cerveja. Estranhamente nos demos bem e estranhamente eu estava beijando as bochechas do meu ex-namorado dizendo que ele tinha uma superioridade sentimental que eu não tinha, afinal, Marcelo não era emo, não aparentava níveis intoleráveis de esquisitice e nem parecia sofrer com traumas irreparáveis graças a uma família desestruturada. Infelizmente, quem vê cara não vê coração e nem set list. Inocente e bêbada que sou, não notei o risinho sádico que deve ter surgido em algum momento, na cara angelical do meu cupido.
No dia seguinte.. telefone insistente, telefone insistente, telefone insistente:
- Ahn.. huuuummm… aaaaaahhhh (digo, com minha conhecida eloqüência matinal)
- Ma?
- Ahnnnn.. ahhhhhh…. eu… (mais uma demonstração do meu notório bom gosto no uso de palavras)
- É o Marcelo, te acordei?
- Imagina (digo bocejando). Tudo bem?
- Sim.. sim.. estou te ligando para ver se você não quer sair de novo hoje. Ninguém faz desenhos de porta de banheiro nos guardanapos de maneira tão criativa. Me afeiçoei, o que posso fazer?
- Claro, vamos sim… (digo com a minha habitual simpatia de sábado às 15h da madrugada). Aonde vamos?
- Em um lugar que você vai ADORAR. Passo na sua casa para te pegar.
Depois de muitas trocas de roupas e alguns sapatos espalhados pelo chão, tcharannnnn: baile funk.
Desespero, angústia, pânico. É de conhecimento público que pinga, pepsi e música incrivelmente ruim, eu não tolero. Bem.. também é de conhecimento público que em mim habita Dona Sílvia, senhorinha de 80 anos. Dona Sílvia gosta mesmo de um belo botecão, com sua decoração rústica, suas doses duplas e garçons, diversos garçons vindo até a mesa e garantindo o suprimento das coisas básicas: vodka e bolachas de chopp para possíveis guerrinhas com amigos igualmente perturbados.
Mas era isso, lá estava eu, no meio de um baile funk.. estática.. até que começou uma música esquisita.. e todo mundo se organizou num trenzinho, ainda olhava espantada ao meu redor, nem deu tempo de pronunciar nada:
- Vamos Má (diz Marcelo me puxando para o meio daquela confusão esquisita).
Quando começou a tocar Mc Créu, Marcelo se libertou, estou pra dizer que nunca vi ninguém se requebrando daquele jeito. Quando ele tirou a camiseta e amarrou na cabeça, pensei que já tinha chegado ao fundo do poço, mal sabia eu que em bailes funks o chão não é o limite. Quando dei por mim, meu acompanhante já estava em cima do palco, com a camiseta nas mãos, ensaiando diversos passos. Tentei sumir no meio da multidão, mas infelizmente meu desejo de me transformar num avestruz e ter onde enfiar a cara, não foi realizado:
- Mááááá.. sobe aqui no palco Má, vamos mostrar para esses pelegos como se dança.
Pensamento Insistente: Isso não está acontecendo.. isso não está acontecendo.. ISSO NÃO ESTÁ ACONTECENDO…
- Anda Má, sobe aquiiii.
Como mulher inteligente, cosmopolita e com razoáveis gostos, fiz o que qualquer outra faria.. me enfiei no meio da multidão e, discretamente, corri desembestada até a saída.
Lição de vida do dia: Quando me oferecerem namorados, pedir tudo em vodka.
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Das lembranças
Janeiro 14, 2009 · 17 Comentários
Da sua casa não levo nada, nem mesmo o que chegou a ser meu. Deixo os cd´s, os adesivos no espelho e o quadro de metal com fotos e imãs de joaninhas. Deixo, também, os retratos, para que você tenha o trabalho de trocá-los. Levo os dvd´s, mas deixo os seus preferidos do Jeunet e mantenho a mentira social de que, na verdade, seus filmes preferidos são os do John Mclane. Levo o amor junto com os perfumes e a maquiagem que deixava espalhados pela casa. No lugar deixo o espaço que você sempre disse querer.
Da divisão dos sentimentos, acho que partilhamos de quinquilharias diversas entre aborrecimento, teimosia, orgulho, ciúme e culpas. Se eu puder optar, deixo só para você o constrangimento dos encontros acidentais e o desconforto dos encontros necessários.
Você fica com todos os abraços apertados e eu com as risadas que faziam solo na trilha sonora dos nossos dias.
Na nossa divisão de bens, fico com, pelo menos, o Jonnhy Cash, Doors e o Chico, que sempre foi mais meu do que seu. Menos aquelas três, quatro música que serão para sempre nossa. Você fica com as músicas que ouvimos juntos por mil vezes e com o Oswaldo Montenegro, que eu tanto implicava. Eu retomo as que gostava antes de você. Das novas descobertas que você fez a partir do meu mp3 player, deixo-te todas.
Os amigos que eram só seus antes de mim e os amigos que eram só meus antes de você, acho que já são nossos demais, então, sofrerão conosco os males da separação, sem saber a quem dar ouvidos e ombro.
Você fica com o bairro onde mora e eu com o bairro onde saíamos. Fico com aqueles cafés que sempre foram meus e com os bares com os melhores drinks coloridos e enfeites de papel crepom. Você fica com os botecos de decoração duvidosa e bebida barata, além da livraria pequena, com estantes antigas e títulos raros. Eu fico com a saudade do cheiro de café se misturando com um leve cheiro de madeira.
E na divisão das ruas, quarteirões e meios de transporte, você fica, obviamente, com o seu carro. Eu fico com o frio na barriga ao ver toda a frota de carros do mesmo ano e modelo que o seu – dos quais hei de conferir as placas sempre que passarem por mim ou eu por eles.
Eu fico com a saudade da poltrona do seu quarto, com a saudade do tic-tac do relógio em forma de moto e com a saudade da luz que entrava pelas frestas da cortina nas manhãs de sábado. Você fica com os papéis de bombom em cima da escrivaninha.
As lembranças, não precisamos dividir… fico com todas, até mesmo com aquelas que um dia pareceram ruins..
* Ahn… ta bom.. ta bom.. eis o texto
** Tinha outro título, mas um daqueles meus quatro, cinco leitores… me escreveu um e-mail… e citou o poeta… me comovo quando citam o poeta.. então… fica o título que o leitor de e-mail preocupadinho e solidário deu :-)
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Happy new year!
Janeiro 2, 2009 · 26 Comentários
31/12, dia místico que desperta os melhores sentimentos nas pessoas e faz com que se unam em um só coro: “ahn.. acho que estou bêbado”, permitindo que ninguém se responsabilize por nada feito, dito e pensado até o dia 02/01. Dia de promessas que nunca serão cumpridas, abraços até no entregador que veio trazer os salgadinhos e lágrimas enquanto se desejam um ano novo muito melhor. E, como de praxe, dia de arrependimentos, volta ao passado e telefonemas esquisitos:
- Alô.
- Oi, tem três chamadas feitas deste telefone para o meu celular. Foi você que me ligou?
- Má?
- Sim, eu! Agora é a hora que você diz quem é você e eu prometo dar gritinhos de empolgação, com algumas interjeições bem simpáticas, mesmo que não seja verdade.. Afinal.. estamos naquele período cabalístico de bons sentimentos.
- Ahh.. eu não acredito que você não sabe quem é.
- Não acredita? Como não acredita? Tudo é possível.. Uhuuu.. 2009 está aí.. pare com isso.. desconfiança não é um bom sentimento para se entrar o ano.
- Ahh.. não acredito. Não sabe mesmo quem é? Bonito, sensual, sexy, você adora..
- Aiii.. eu sabia que esse dia chegaria.. Eddie Vedder??
- Ahn?? Eddie Vedder? O cara daquela banda lá.. aquela.. ai.. esqueci o nome.
- O que???? “Aquela banda lá”? como OUSA falar assim do Pearl Jam?? TCHAU… a gente não deve se conhecer… é isso.. ou vou ter que começar a repensar todas minhas relações interpessoais.
- Mas continua a mesma nojentinha de sempre, né?
- Ahn.. agora não há como negar… você realmente parece me conhecer!
- Má, é o João.
- Ahn? O que ta fazendo na cidade? Você não ia acampar? Mentirosoooooo!
- Err.. Não Má.. não ESSE João… O João.. Não lembra?
- ….
(ele começa a cantar all by myself…)
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(Obs: Estrelinhas de divisão de histórias.. pra depois não dizer que fico de má vontade)
- Alô.
- Ma, eu preciso MUITO da sua ajuda.
- Nossa, o que aconteceu?
- Eu vou ficar bêbado e vou querer ligar para minha ex-namorada, você precisa me impedir.
- Ahn.. Você não vai ficar bêbado. Lembra que você não bebe? E.. bem.. eu sou sua ex-namorada.
- Droga! É a hora que eu digo que ainda não te esqueci e você faz aquele silêncio constrangedor?
- Não necessariamente, lembre-se que você não está bêbado, não precisamos seguir o protocolo.
- Ainda não te esqueci, Ma.
- …..
- Ma? Ma? Você está ai?
- Oi.. desculpa.. achei que íamos seguir o roteiro, não era minha deixa de silêncio constrangedor?
- A vida está nos dando uma nova chance, é ano novo, podemos fazer tudo diferente!!
- …
- Ma?
- Desculpe, tome pelo menos uma cerveja, talvez assim eu não me sinta tão mal seguindo o roteiro.
- ….
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(Obs: Estrelinhas de divisão de histórias.. pra depois não dizer que fico de má vontade)
- Vamos transar?
- Uhuuuu.. Vamos… Quem está falando?
- Eu conheço esse sotaque…
- Sotaque? Onde? Onde?
- Ma?
- Eddie Vedder??
- Ahn?
- Droga! Porque nunca funciona?
- Peste!!!!
- Carlos?
- Porra! O que você está fazendo com esse telefone?
- Ahn… Droga! Será que fiquei bêbada e peguei o celular de outra pessoa? Tá.. eu tomei aquelas vodkas.. champagne.. cerveja. Parece que tinha uísque também…. mas será que alguém mais teria esse telefone roxo? Hum.. ou bebi tanto que estou vendo roxo onde era prateado? Bem… pode ser.. tinha aquelas vodkas.. champagne…
- Merda! Esse é o SEU TELEFONE?
- Eh.. sim.. hum… isso.. ou eu estou pegando a pessoa que você queria… Meio improvável, não? Nunca tivemos o mesmo gosto.. você sempre preferiu mulheres.. eu homens… e bom.. não seria do nosso feitio ficar no meio termo e tentar um travesti, né?
- ….
- Carlos??
- Ah.. Oi.. estava fantasiando com você e a Luciana.
- Ahn?
- Desculpe… O que você disse mesmo? Parei de ouvir no “ou to pegando a pessoa que você queria pegar”…
- Mas como você é patético! Hahahaha
- O que está fazendo? Tá com alguém? Quanto tempo a gente se conhece mesmo? Já faz alguns anos, não? Engraçado.. notou que a gente nunca teve nada? Que tal sermos o arrependimento de virada de ano um do outro? De repente a gente encontra a Luciana…
- BOA NOITE…
- Não, Ma.. espera… serve só você também….
- BOA NOITE…
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(Obs: Estrelinhas de divisão de histórias.. pra depois não dizer que fico de má vontade)
PS: Bêbada e artista.. Feliz ano novo =)

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Os diferentes gostos de domingo
Novembro 20, 2008 · 17 Comentários
Certas coisas cheiravam a certezas e tinham gosto de domingo, naquele tempo em que domingo ainda era feliz, naqueles dias que domingo significava respirar tão fundo e balançar na rede. Dias de acordar às 5 horas da manhã e ir até a mangueira, com aqueles olhinhos curiosos e uma caneca com açúcar e canela em mãos, maravilhada com a descoberta de que o leite não vinha em saquinhos.
Dias de jabuticaba no pé, vaga-lumes, visitas as plantações de café, passeios de camionete, cavalos selados, alface fresco na horta… Assim foi minha infância, grande parte dela passada em companhia do meu avô, por aqueles pastos, por aquele pomar com jabuticabas e mangas… e por mais urbana que eu seja, são aqueles dias de caçada de vaga-lumes, de andar de trator, de abrir porteiras e passear por entre os pastos, que ficaram na memória como as mais doces recordações do meu avô.
É o cheiro de pé de pitanga que sinto todo domingo e por mais que aquela primeira cadeira do lado esquerdo da mesa esteja vazia, são as mesmas histórias que ecoam pela minha mente quando olho pra ela.
Era sempre assim, ele sentava com uma latinha de cerveja com água tônica ou uma taça de vinho e repetia aquela história de como subiu naquele navio aos 16 anos e de repente estava no Brasil. As risadas ainda podem ser ouvidas ao fundo, quando ele narrava o inconcebível episódio do frango assado que ele esqueceu na mala. A história das três namoradas antes da vovó, o namoro com a vovó no cinema, as balinhas para distrair os cunhados, o casamento em Aparecida, naquele tempo onde não existiam estradas e os carros andavam só a 30 km por hora. O sorriso de canto de lábio e as histórias das caçadas de tatu, de espingardas e de laxantes em garrafas de café… Ah! As histórias com gosto de domingo!
As plantações, as idas até a máquina de arroz, as brincadeiras na palha, olhar admirada todo aquele maquinário que te fazia se sentir uma formiguinha, ficar toda orgulhosa no colo do seu avô, enquanto ele te ensinava como o arroz da palha, de repente, está dentro de um saco e voltar para casa senhora de si, carregando aquele primeiro pacote de arroz que você empacotou, como quem carrega o pote de ouro do fim do arco-íris.
Férias tinham gosto de bolo de milho e pamonha, naquelas tardes em que seu avô chegava com as espigas que tinha apanhado antes da colheita de verdade… e lá estava sua avó na beira do fogão, ensinando as mil coisas que você poderia fazer com o milho, quando, na verdade, você a olhava arteira, imaginando se não poderia roubar um ou outro milho para dar para os cavalos.
Domingo tinha um som peculiar… som de bolero, som de músicas antigas, som de Mercedita tocada na vitrola. Domingo tinha som de vovô… sentado naquele mesmo sofá, tentando entender as particularidades do controle remoto, aquele aparato semi-alienígena. Você sentava no tapete e ria, explicando como ligar. Depois ele veio a se tornar o expert dos controles remotos e descobriu as maravilhas da tevê a cabo e vocês passavam o dia vendo aqueles programas portugueses, onde você não entendia nenhuma das piadas e ele ria e falava daqueles “alfacinhas de Algarve”.
Os dias de shopping tinham gosto de reclamações, onde ele, impaciente, implorava para sua avó comprar logo o que tinha que comprar, mesmo quando ele não ia junto para as compras, ele reclamava quando demoravam… e esperava, sentado naquela poltrona em frente a porta de entrada, só para dizer : “caipiras que são assim, não podem ficar na cidade grande que já se deslumbram”.
Vovô adorava comprar carros, sua maior diversão era escolher camionetes, negociava por meses antes de comprar de fato. Adorava gado, cavalos, leilões e plantações. Vovô adorava dar bezerros de presente… e vovô adorava domingos.
E foi em uma terça que prometemos estar no final de semana naquele hospital, e foi em uma terça que minha mãe disse que ele tinha que melhorar porque no final de semana o levaríamos para casa. E foi em uma terça que ele sorriu e brincou pela última vez e foi em uma terça que ele balbuciou umas poucas palavras, as últimas palavras ditas. Mas esperou o domingo… aquele domingo que prometemos ir ao hospital para levá-lo pra casa e foi em um domingo que o cheiro de pitanga deu lugar ao cheiro mórbido das flores, e foi em um domingo que as gargalhadas deram lugar aos olhos inchados e ao choro. E foi em um domingo que cumprimos nossa promessa, e foi em um domingo que o levamos pra casa, mas não do jeito que queríamos, mas foi em um domingo… assim que chegamos no hospital, porque os domingos eram os nossos domingos… porque minha mãe tinha dito e prometido que meu irmão estaria lá… naquele domingo… e que o levaria pra casa… foi em um domingo.. o último domingo.
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Conversas de MSN – III
Setembro 5, 2008 · 9 Comentários
- Estou escrevendo uma carta em francês.
- Ah! Não quer que eu te ajude?
- huahuahuahuahua não acho uma boa idéia, imagina uma carta corporativamente séria escrita com o “seu” francês.
- Ia ser legal.. podíamos começar com um “Bonjour mon coeur” e claro, inserir um “On dit que lorsqu’on rencontre l’amour de sa vie, le temps s’arrête. Et bien c’est vrai” no meio de algum parágrafo hahahaha..
- Não sei se funciona.. ou melhor.. TENHO MEDO QUE FUNCIONE, acho melhor fazer do jeito tradicional huahuahuahuahua
- Está bem.. se você prefere assim..
- É que não pretendo cantar o cara para quem estou escrevendo a carta e sabemos que o seu francês é aquele francês-brega-fofo-de-comédias-românticas.
- Eh.. vai que ele corresponde, né?
- Sim.. isso pode ser um perigo!
- Realmente, porque sabemos que você já tem um compromisso comigo…
- É verdade… mas, mesmo que não tivesse, não me interessaria por um cara huahuahuahuahua
- Pode ser, mas, ainda assim, é mais bonito quando você diz que não pode por minha causa… hahahaha
- Mas isso vem em primeiro lugar! Mesmo eu sendo heterossexual, você é o motivo que vem primeiro!!!
- Yeah.. inclusive.. você deveria dizer que é heterossexual só por minha causa… hahaha
- Sim, claro! Se você não existisse, eu não me interessaria por uma mulher.. ahhh.. tá ficando esquisita a parada já.. huahuahuahuahuahua
- hahaha.. tá parecendo aquele filme, sabe? Trainspointing, se não me engano.. Aquele que o cara diz “você é a melhor garota” e a garota termina dizendo “se a gente não se conhecesse você estaria dizendo isso pra outra garota”… Deve ser a hora que bato a porta e saio indignada por você não ser hetero EXCLUSIVAMENTE por minha causa.. hahaha
- Mas até isso eu disse… a srta. ainda não está satisfeita?
- Ok.. então quer dizer que se o uso abusivo de conservantes e refeições a base de trakinas morango mais.. me levarem a morte precoce, você vai deixar de ser hetero? Hahahaha
- Uiiii.. senti até uma contração involuntária nos periféricos agora huahuahuahuahuahuahua…. Não posso deixar de ser hetero, mas não podemos fechar aí num assexuado? huahuahuahuahuahua
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Pessoas reais num mundo surreal I
Agosto 10, 2008 · 16 Comentários
Era mais um final de semana como outro qualquer na capital paranaense. Estava frio, cinza e uma chuva fina e gelada caia ininterruptamente. Era dia de sofá, a preguiça assim determinou.
- Eu escolho o filme hoje.
- De jeito nenhum! Eu escolho o filme hoje.
- Certo, vamos fazer iguais pessoas adultas fariam.
- Hum.. cara ou coroa?
- Não! Isso é para franguinhos e não somos franguinhos. Quer dizer.. você é..
- A quem ta chamando de franguinha, hein? Hein? HEIN?
- Então vamos lá.. eu tenho um desafio pra você. Se você conseguir vencer, eu assisto o que você quiser.. nem que isso envolva aqueles malditos filmes do Harry Potter.
- Fechado!
- Então.. é o seguinte… Faça uma matriz transposta da identidade, ache seu determinante e a sua jacobiana. Chamando o determinante da transposta de “x” e sendo o mesmo um espaço percorrido num tempo “t”, onde “t” seja a jacobiana da matriz. Integre os resultados em função de “t” achando assim a velocidade. Decomponha a velocidade no espaço R3 em seus autovetores originais i, j e k. Após isso, calcule o produto interno do vetor velocidade encontrado com a matriz identidade prévia e me diga o resultado. Fácil assim. Tem 15 minutos!
- Não preciso de 15 minutos, já sei a resposta.
- Já?
- Sim. Jacobiana se fez Jacobiana pela dissecação do seu vetor externo, para, assim, atrair vetores convergente numa soma enlouquecida de operações de vetores que, então, se tornariam internos. Entendo, portanto, que a transposta da matriz é, na verdade, a inversão da identidade da matriz, algo que muito me chocou!!! Pois ao saber que o mesmo, ou mesma, queria decompor o escalar da velocidade em várias posições dos seus autovetores no espaço R3. Fazendo para isso uso, só posso pensar eu, das mais obscuras relações matemáticas. Portanto, me sinto obrigada a ser determinante com a Matriz e sua nova identidade transposta e inversa e devo alertá-lo da impossibilidade da multiplicação de matrizes de raízes diferentes. Mas esclarecendo que se pode, ainda, integrar o “x” bem ao tempo “t”, e, ao integrá-lo, tornar-se-á uma constante em sua vida e assim juntos viverão felizes para sempre, mas sem que ninguém derive, pois a derivada de uma constante nada mais é do que zero!!! E então?
- Sou seu fã, sabia?- diz entre risos - É difícil achar uma outra pessoa com tanto talento para ser excêntrica.
- Uiiii..Que medooo!
- Medo? Por quê?
- Não tenho certeza se quero ter fãs.. Lembra o que aconteceu com o Lennon?
- Ah! Mas eu não te mataria.. Não pelo menos não como fizeram com o Lennon..Você precisa de uma morte digna de você. Algo grandioso. Tinha que ser igual a do Kennedy, assim, na frente de milhões!! A do Lennon nem filmada foi…
- Eh, vendo por esse ângulo…não quero só escrever: “saio da vida pra entrar pra historia”..quero dizer em alto e bom som para as multidões que me amavam..
- Que te amavam não!! Que te amam e amarão, pois você nunca será esquecida. Estará para sempre no coração de todos os que um dia tiveram a felicidade de te conhecer. Será eterna, pois seu nome nunca morrerá. Será passado de geração para geração, na palavra escrita e falada, pois todos lembrarão do tempo em que o mundo tinha você…
- Ehh..e todos te odiarão..e o pior.. você vai usar aquelas roupas cinzas de prisão e bem.. você fica horrível de cinza.
- Bem, na verdade eu sempre fico bonitinho, mas vou ter um uniforme diferente: preto. Pra todos saberem quem foi o causador da maior desgraça da terra. Pra saberem quem destruiu o sonho de milhões. Claro que escreverei um livro sobre minha, ou melhor, nossa vida, que será transformado em filme e ganharei milhões.
- Milhões?
- Sim, até serei entrevistado no programa do Jô, no Late Show, etc. todos querendo entender o porque. Então direi: “Porque antes dela ser do mundo, ela havia sido apenas minha e vocês tiraram isso de mim. Então a tirei de vocês. Espero que gostem da sensação, seus malditos, malditos, todos vocês!!!”.
- Não sabia que era tão possessivo assim comigo.
- Não sou… só um sentimento de posse doentiamente controlado, o resto é cena.. Você sabe que sou um puta de um ator né! Na verdade vou fazer tudo isso pela fama…
- Que isso.. nós sabemos que a culpa irá te corroer e você viverá pra sempre atormentado com a minha presença..
- Ahh! Mas eu já vivo atormentado com sua presença em dias normais..
- Como é que é?
- Err.. nada.. quis dizer que você escolhe o filme.. e aí.. Harry Potter?
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