The Bucket List

10 10 2008

 

Ilustríssimo Dr. Brehm pediu.. e se Dr. Brehm pediu, ta pedido!

 

MEME - “8 sonhos que a gente tem que realizar antes do grande encontro com Deus”

Regras:
• Escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de ir embora daqui;
• Passar o meme para 8 pessoas;
• Comentar no blog de quem lhe passou o meme;
• Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da “intimação”;
• Mencionar as regras.
—————-

 

Bem, antes de descobrir “quem somos”, “onde estamos”, “para onde vamos” e se “o fim” são grandes campos floridos e pessoas andando de branco, seria bacana:

 

1.      Sair, qualquer dia desses, com o Chico (o Buarque de Holanda), tomar umas cervejas, discutir uns livros, tomar mais umas cervejas e terminarmos bêbados, fazendo dueto, em um videokê qualquer, cantando “eu te amo” e “corrente”;

2.      Ir para Paris, comprar uma boina, sentar em um café qualquer com um livro do Baudelaire em mãos e um mp3 player abarrotado de músicas do Daniel Mille. Pedir um café e sentar em uma mesinha, enquanto olho o mundo ao redor fazendo uma cara blasé;

3.      Está certo, eu tenho uma samambaia. Está certo, eu tenho um cachorro, mas, ainda assim, de repente, talvez, quem sabe, ter aí umas criaturinhas humanas também não seria mal (mas espero morrer daqui muitos anos, para ter as tais criaturinhas humanas daqui uns belos anos, até lá.. bom.. eu tenho uma samambaia.. ahn.. e um cachorro.. e modéstia a parte, ando fazendo um bom trabalho. A samambaia ainda vive e o cachorro parece feliz com a vida que leva);

4.      Ter a certeza de que “tinham vivido juntos o suficiente para perceber que o amor era o amor em qualquer tempo e em qualquer parte”;

 5.      Fazer uma terceira tatuagem. Entre minhas excentricidades existe um incômodo com números pares, definitivamente, se eu morresse com um número par de desenhinhos na pele, eu não descansaria em paz por toda a eternidade;

6.      De algum modo, de algum jeito, seja por méritos próprios, seja por jogos de azar, terminar com uma considerável conta bancária para que eu termine meus dias em um lugar incrivelmente interessante, tomando drinks com enfeites feitos de papel crepom;

7.      Converter, no mínimo, umas 300 pessoas, as convencendo que, REALMENTE, ninguém pode gostar de pagode por livre e espontânea vontade (sempre quis salvar umas almas);

8.      Como já plantei uma árvore, como ter um filho está no planejamento 3, então, escrever e publicar um livro (que se cumpra!). E, de repente, quem sabe, terminar na ABL, afinal, se de Machado de Assis, terminamos em Paulo Coelho, é sinal que, hoje em dia, qualquer um pode virar imortal.

 

Ah.. as 8 pessoas!! Bem, como eu sou incrivelmente a favor do livre-arbítrio.. eu deixo o convite a todos que quiserem partilhar seus sonhos, esperanças, sandices, comigo e com qualquer um com um computador e acesso a Internet.





Movimento Anti-Atrofia Hepática*

29 09 2008

 

É sempre a mesma história todo final de semana: João Paulo ouve o mesmo sermão da mãe, vê o olhar de reprovação da mesma tia-avó, escuta a vizinha mandando a família se apegar a Deus e lá está mais uma corrente de oração em mais um sábado de confraternização etílica junto com o pessoal do escritório.

 

Sempre antes das 20 horas, Dona Mariluce se joga aos pés do filho e implora para que ele pense no fígado, outrora tão vermelhinho e sorridente como um daqueles cartões smile.

 

Quase todo domingo, Luís Gustavo, depois de ter tomando um porre, acorda de cueca, esparramado no sofá, com o mesmo olhar de “ressaca introspectiva,” enquanto ouve o mesmo sermão de Dona Marlene.

 

Mas, ora essa, nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito.

 

Quando Aristóteles (Ari, para os íntimos) proferiu esta grande máxima da filosofia, nunca imaginaria que tal citação, sem maiores pretensões artísticas, se tornaria uma verdade etílica universal. Afinal, o fígado, tal qual qualquer órgão do corpo humano, carece exercícios cotidianos a fim de apresentar um bom desempenho.


Assim como aquele tio de meia idade que, no auge do mais familiar dos churrascos de domingo, se escala pra pelada da gurizada a fim de “fazer bonito” relembrando a saudosa época em que jogou de volante nos áureos tempos do combate Barreirinha (quando era conhecido pela alcunha de “Zezão quebra-osso”), e que, irremediavelmente acaba, após alguns (poucos) minutos de profunda humilhação, por ser hospitalizado às pressas com uma torção no joelho esquerdo, uma hérnia de disco, e um princípio de parada cardíaca, as atividades de devassidão (leia-se aqui bebedeira) devem ser devidamente exercitadas. Como manter um fígado funcionando devidamente se você não o faz trabalhar?

 

A bebedeira de final de semana não é só mais um ato mundano, não é apenas uma forma da secretária quase aposentada e reprimida fazer um striptease em meio ao pessoal do escritório. A bebedeira é medicinal! Terapêutica!

 

Porém, evidentemente, a não ser que estejamos na Sibéria (neste caso, recomenda-se vodka sem gelo, a não ser que esta já tenha virado gelo, que, não se havendo alternativa, pode ser facilmente comido), obviamente as condições normais de pressão e temperatura hão de ser respeitadas.

 

Muito embora a palavra “limite” enseje um significado tanto quanto subjetivo quando não empregada para fins matemáticos, principiantes devem se portar como tais, e, a fim de não terem seus currículos vergonhosamente maculados, até mesmo antigos medalhistas devem conservar certa parcimônia em questões etílicas, ao menos quando já desabituados ao mundo de Marlboro.

 

Tudo isso para que, ao final da empreitada alcoólica, dois martinis não acabem fazendo você se sentar no chão do banheiro e chorar copiosamente enquanto interpreta os maiores sucessos do Roupa Nova, um pouco antes de acordar com a maior ressaca do mundo, em local incerto e não sabido.

 

Enfim, isso e mais todas aquelas coisas que fazem parte do incerto conjunto de coisas que não deviam acontecer, mas que, acredite: acontecem nas melhores famílias. Nas piores famílias, então, nem se fala…

 

* Texto escrito em parceria com meu ilustríssimo amigo, conselheiro e fornecedor de grandes idéias, notícias bizarras e demais coisas mundanas.. Marcos Brehm, outrora conhecido por Castor.. e/ou “oww.. eh meu.. você aí ô cor-de-rosa”…





Conversas de MSN - IV

23 09 2008

 

- Você me adora?

- Só um pouquinho!

- Eu sabia…sabia que era pouco….

- Se você me tratasse melhor…

- Se você me paparicasse mais…quem sabe eu te tratasse melhor….

- Melhor do que eu te trato??? Mais boazinha do que eu sou?

- Se você chama isso de ser boazinha… tenho pena das pessoas que você não gosta….(risos)

- Larga de ser reclamão.. que estou fazendo um negócio bem fofo para o seu aniversário…

- Lá vem merda…(risos)… mas eu adoro as coisas “fofas” que você faz…(risos).. até porque eu mereço coisas fofas…porque sou um cara sensível e tal….

- Sensível? Sensível???? Não, você é um CURITIBOCA sem coração…

- Você é menina de cidade grande né… Ribeirão Preto…..o auge da civilização urbana….(risos)….lá todo mundo sabe o que é bom….(risos)

- Não, na verdade eu sou uma menina tímida e recatada do interior..que fica assustada com o progresso dessa vila que é Curitiba..

- Você é tudo.. menos tímida e recatada (risos).. Mas eu sei…leva algum tempo pra se acostumar com os ônibus né.. eles são maiores e mais rápidos do que tratores né…(risos)…mas um dia você se acostuma

- Sempre cruel, sempre me maltratando.. sempre implicando com minha formação interiorana…..

- Faz parte do meu charme….(você está começando com as chantagens emocionais de novo!!!)…(risos)

- E quando foi que eu parei com as chantagens?

- Quando você sentiu aquela terrível dor na consciência por estar chantageando alguém que te ama tanto…

- Tá..mas eu não estou chantageando alguém que me ama TANTO..eu estou chantageando você.

- Essa doeu….Você é parente do Sr.Satanás?

- Aii..o que eu fiz agora?

- Você foi maldosa..pra variar….

- Eu? Maldosa? Você sabe que está além das minhas forças ser maldosa.. tenho um coração bondoso demais…

- (risos)…. À vezes eu me pergunto se você realmente tem um coração…

- Você que é frio e insensível… me maltrata.. e eu ainda sou a ruim da história??Eu sou a VITIMA..VI-TI-MA…

- (risos)….eu tinha esquecido que você é sempre a vítima…está na Constituição…

- Eh.. EU SEMPRE TENHO RAZÃO..A CULPA É SEMPRE SUA, lembra? Nossa relação é baseada na igualdade dos sexos..

- Às vezes eu me esqueço desse detalhe crucial….eu queria só ver que tribunal ia me declarar culpado na nossa relação….você é que iria pegar prisão perpétua….

- Me chama de chata.. cruel.. insensível, mas não me larga.. eu acho que você me adora hein…

- (risos)..esqueci de dizer o quanto você é “modesta”…essa não pode faltar….

- Pois é.. você também adora minha modéstia..

- (risos)..é que ela salta aos olhos….

- Ai…poxa.ultimamente eu ando tão humilde..tão boazinha..

- (risos)..com quem? (citar o Ale não vale)

- Mas.. mas.. mas.. Poxa! Ta.. Humpf! Com quem MERECE!!!!!!!

- (risos)…eu acho que não conheço…

- Você quer dizer que merece que eu seja boazinha com você?

- (risos)…e você acha que não??? De que planeta você veio?

- Vim de SP..onde as pessoas que mereciam carinho.. atenção….e coisa e tal não eram tão cruéis…

- É que nós aqui de CURITIBA somos mais exigentes sabe….(risos)

- Oh.. meu Deus.. Onde foi que errei? Arrogante..vil..cruel..curitibano…

- (risos)….você xinga os seus inimigos tanto quanto xinga seus amigos?

- Não..só chamo de arrogante ..vil e cruel..quem eu gosto.. os amigos de coração mesmo!

- (risos)…ah bom….e você pensa que eu saio por aí ignorando e maltratando qualquer uma?

- Boboca =P

 

Eu realmente acho que certas amizades são eternas! =)

E lá se vão quase nove anos de implicância, risos, telefonemas de madrugada, draminhas, apelidos ridículos, arrogância, conversas bizarras, patetices, enrascadas e, apesar da aposta de muitos incrédulos, com ambos ainda tendo um fígado :-)

Que venha mais um ano com a tradição de presente de aniversário criativo, brega e incrivelmente vergonhoso!





Conversas de MSN – Parte III

5 09 2008

 

 

- Estou escrevendo uma carta em francês.

- Ah! Não quer que eu te ajude?

- huahuahuahuahua não acho uma boa idéia, imagina uma carta corporativamente séria escrita com o “seu” francês.  

- Ia ser legal.. podíamos começar com um “Bonjour mon coeur” e claro, inserir um “On dit que lorsqu’on rencontre l’amour de sa vie, le temps s’arrête. Et bien c’est vrai” no meio de algum parágrafo hahahaha..  

- Não sei se funciona.. ou melhor.. TENHO MEDO QUE FUNCIONE, acho melhor fazer do jeito tradicional huahuahuahuahua

- Está bem.. se você prefere assim..

- É que não pretendo cantar o cara para quem estou escrevendo a carta e sabemos que o seu francês é aquele francês-brega-fofo-de-comédias-românticas.

- Eh.. vai que ele corresponde, né?

- Sim.. isso pode ser um perigo!

- Realmente, porque sabemos que você já tem um compromisso comigo…

- É verdade… mas, mesmo que não tivesse, não me interessaria por um cara huahuahuahuahua

- Pode ser, mas, ainda assim, é mais bonito quando você diz que não pode por minha causa… hahahaha

- Mas isso vem em primeiro lugar! Mesmo eu sendo heterossexual, você é o motivo que vem primeiro!!!

- Yeah.. inclusive.. você deveria dizer que é heterossexual só por minha causa… hahaha

- Sim, claro! Se você não existisse, eu não me interessaria por uma mulher.. ahhh.. tá ficando esquisita a parada já.. huahuahuahuahuahua

- hahaha.. tá parecendo aquele filme, sabe? Trainspointing, se não me engano.. Aquele que o cara diz “você é a melhor garota” e a garota termina dizendo “se a gente não se conhecesse você estaria dizendo isso pra outra garota”… Deve ser a hora que bato a porta e saio indignada por você não ser hetero EXCLUSIVAMENTE por minha causa.. hahaha

- Mas até isso eu disse… a srta. ainda não está satisfeita?

- Ok.. então quer dizer que se o uso abusivo de conservantes e refeições a base de trakinas morango mais.. me levarem a morte precoce, você vai deixar de ser hetero? Hahahaha

- Uiiii.. senti até uma contração involuntária nos periféricos agora huahuahuahuahuahuahua…. Não posso deixar de ser hetero, mas não podemos fechar aí num assexuado? huahuahuahuahuahua





Síndrome da cidade grande

2 09 2008

 

Eu sou distraída demais para ser paranóica. Autista demais para me preocupar com os perigos da cidade grande e muito amante de música para prestar atenção nas pessoas mal encaradas.

Enquanto meus amigos andam pelas ruas olhando pessoas suspeitas e procurando possíveis rotas de fuga no caso de assalto, eu ando por aí com fones nos ouvidos, cantarolando The Clash.

 

Ao invés de fazer igual todo ser humano paranóico normal e sair de casa em horários diferentes, por rotas diferentes.. eu caminho pelas mesmas calçadas todos os dias, converso com os mesmos guardadores de carros e mostro a língua para o mesmo dono de bar amigo.

 

Se todo mundo sabe que não se deve falar com estranhos, se o certo é segurar a bolsa e sair correndo desesperadamente no primeiro “oi” ou “bom dia” que seja, eu não só respondo, como, algumas vezes, já acabei na “casa do pão de queijo”, tomando cappuccino com desconhecidos, enquanto esperava o ônibus na Marginal Tietê.

 

Por não ser quase nada paranóica, por não me imaginar sendo picada em pedacinhos e desovada num córrego qualquer, as pessoas a minha volta passam a ser paranóicas por mim. Minha mãe tem crises de desespero quando estou andando sozinha pelas ruas de São Paulo, me liga compulsivamente e manda zilhões de sms me mandando tomar cuidado. Quando chego tarde em casa, ela já está em agonia contando quantas horas faltam pra poder dar queixa de desaparecimento, isso sem contar nas vezes que se sente tentada a ligar para o namorado, sogra, cunhada, número qualquer rabiscado num guardanapo, quando não consegue falar comigo.

 

Os amigos entram em pânico e só faltam saltar diante de mim, como se fossem me proteger num tiroteio, quando alguém me dá “bom dia” e eu respondo. E depois escuto broncas no maior estilo “parece que não tem amor à vida”, como se sempre depois do “bom dia” viessem facadas, tiros e socos.

 

Ainda não sei se eu sou paranóica de menos ou se o mundo está paranóico demais, mas dia desses:

- Má, lembra daquele cara no bar?

- Vejamos.. tinha um bar, tinha umas caipirinhas, tinha um drink com sol de limão.. e um cara? Ah sim.. acho que, definitivamente, tinha um cara.

- Ah! Aquele paulistano bonitinho.. o que fez a piada com o canudinho, lembra?

- Hum.. aquele cara com quem você ficou?

- Sim!! Esse cara!

- Certo.. o que tem ele?

- Ele me ligou hoje.

- Ah! Que legal!

- Não é legal.. ele me convidou para sair, acredita?

- O que? Que absurdooo! O que ele está pensando, né? Te liga e depois te convida pra sair? Eu falava uns desaforos. Se ainda por cima ele te der bombons e quiser te pagar cerveja, sei lá.. acho que você deve dar um tapa na cara dele.

- Estou falando sério.. estou com medo.

- Ahn.. desculpe.. me chame de imbecil, mas eu ainda não consegui alcançar o pensamento, medo do que?

- Vai que o cara é um psicopata, vai que o “quer sair comigo” é um eufemismo para “matar, estuprar e picar em pedacinhos”.

- Ahn? Você acha que o cara é meio psicótico? Ele fez alguma coisa estranha?

- Aí que está o problema… nada estranho, muito pelo contrário.. ele parece ser bem legal, divertido e educado.

- Certo, então você pensa que o cara é um psicótico porque ele não parece nada psicótico, é isso?

- E os psicóticos por acaso parecem ser psicóticos?

- Bom, se é pra ficar paranóica assim.. então não saia com ele, oras!

- Ah! Mas eu quero muito sair com ele.

- Então saia com ele, oras!!!

- Err, você tem razão… vou marcar num lugar público.. é isso! Vou ligar pra ele.

Algumas horas depois chega o sms:

- Estou com o cara, por enquanto está tudo bem. Ele tem um carro X da cor Y e o número da placa é WRC678, se eu não der sinal de vida em 1 hora, ligue para a polícia.

Uma hora depois ela liga:

- Ai, pronto.. estou em casa, deu tudo certo, o cara não fez nada. Ai!! Que sufoco!

- Ahn? Ele é gente boa, legal e não te matou e nem te colocou no porta-malas e você está arrependida de sair com ele?

- Ah! Dessa vez tive sorte, mas da próxima vez posso não ter tanta sorte… melhor parar de viver perigosamente assim..





Pessoas reais num mundo surreal II

27 08 2008

 

3h00 da madrugada, toca o telefone. Todos os toques possíveis depois:

- Ahn… Alô

- Eu já falei para você parar de atender esses inconvenientes que te ligam de madrugada.

- Se você parasse de ligar eu não precisaria atender.

- Aí eu deixaria o caminho livre para outros ligarem e você sabe como eu sou possessivo. Você amar outro eu relevo, mas outros te acordando com o estridente barulho do telefone? Não suportaria.

- Não se preocupe, não existe outro além de você, ninguém é tão inconveniente.

- Quer namorar comigo?

- Ahn?

- Namorar.. quer namorar comigo?

- Ah! Claro que sim.. Opa! Espere.. VOCÊ JÁ NÃO TEM UMA NAMORADA?

- Não se preocupe com isso.. eu conheço um cara que conhece uns caras..

- Ahn?

- Ninguém nunca vai suspeitar.. O corpo pode ser desovado em um beco qualquer..

- Boa noite..

- Nãoooo! Espereeeee… me empresta seu carro?

- Essa hora? Pra que?

- Pra desovar o corpo, oras! Se usasse meu carro seria suspeito. Ninguém nunca suspeitaria de você, pra cometer um crime passional tem que ter sentimentos, ninguém acreditaria que você tem sentimentos.

- BOA NOITE.

- Hum.. ou eu poderia só terminar com ela. Que tal? Algo como: “o problema não é você, sou eu”.

- Você está me ligando pra ensaiar como terminar com a sua namorada?

- Devo fazer a moda antiga?

- O que?

- Terminar com ela. Não está prestando atenção na conversa?

- Eh.. Não! Posso voltar a dormir agora?

- Devo ignorá-la igual qualquer macho Neanderthal? Hum.. ou como homem moderno e sentimental que sou.. devo mandar um sms dizendo “acabou.. não me procure mais”? Isso seria rude, não? Talvez só mudar o status do relacionamento no orkut.. de “namorando” para “solteiro”. Sutil, não? E alguém vai acabar avisando pra ela que o namorado dela agora é solteiro.

- Posso voltar a dormir agora?

- Você não está ajudando, sabia?

- Eh..eu sei.. POSSO VOLTAR A DORMIR AGORA?

- Ok, me empresta o carro?





Conversas de MSN - Parte II

7 08 2008

 

Porque eu tenho conversas tão românticas, que deixariam as falas da Meg Ryan, naqueles filmes água com açúcar, no chão.

 

- E eu aqui acreditando que você era legal, que nossa relação era alicerçada nas bases do respeito, da confiança, da admiração, do carinho e respeito mútuo, ai vem você e diz: Pateta! Ilusão.. tudo ilusão. Na verdade você é um cara frio e cruel.. um coração de pedra.

- Você ainda achava que eu era um cara legal? Tipo, onde você esteve durante todo o nosso tempo juntos? SERÁ QUE VOCÊ NÃO PRESTAVA ATENÇÃO? Tipo, em que mundo você vive?? Acorde e sinta o cheiro da realidade curitibana!! Eu teria que ter um coração para o mesmo ser de pedra. Sim, foi tudo uma ilusão, mas criada por você, que não quis acreditar que na humanidade poderia haver homens como eu, mas nós existimos e gostamos de fazer o mal!!! Que tal meu discurso sociopata, hein?

- hahahaha.. Porque será que não estou surpresa?

- Porque eu não mudei nesses anos todos, não seria agora. Você não seria ingênua de acreditar em milagres.

- Em milagres eu acredito.. não acredito em você.

- Porque eu amo essa mulher mesmo? Ah sim.. Porque ela é doce, gentil, meiga, mas disfarça muito bem às vezes.

- hahaha.. Você que é amargo!

- Às vezes temos que nos contentar com o que a vida nos oferece, sabia? Nem que isso me envolva.

- Fácil pra você dizer isso.. eu sou a melhor coisa que já aconteceu na sua vida.

- Olha, infelizmente tenho que concordar. Aí você ainda pergunta por que eu sou amargo!!

- hahahahaha.. porque eu gosto de você mesmo? Ah sim.. porque é tão doce e gentil!

- Pois é!! Estava querendo mostrar como sou de verdade.. o meu eu real.. o que tem por trás dessa carcaça aproveitável, barba por fazer e sorriso despojado.

- Ah! Mas eu sei como é o seu eu real.. e como sei! Mas sabe-se lá porque eu gosto de você mesmo assim.

- Poxa! Como assim “sabe-se lá por quê?”. Porque alguém nesse mundo tinha que pagar pelos pecados da humanidade, ora essa! Sobrou pra você!!

- Pois eh… e eu me pergunto..mais de 180 milhões e porque logo eu??? É muito azar mesmo.

- Não foi azar, você foi escolhida a dedo!! Precisávamos de alguém toda doce, gentil e boazinha.. Alguém que acreditasse na raça humana e que fosse capaz de perdoar e continuar me amando.

- Boazinha? Desde quando eu sou boazinha? Eu sou malvada, lembra?

- Você?? Malvada? Huahuahuahuahuahua. Não adianta.. Palavras que tentam ser duras e más saídas da boca de pessoa tão doce não causam o efeito desejado, pois são puras, tentam ser o que não podem ser. Até quando você diz “porra, não fode” soa bonitinho.

- hahahahaha.. Eu posso ser malvada, ta? Agressiva.. e tudo mais. Humpf!

- Você tenta às vezes, é fato, mas não consegue ser agressiva e cruel de verdade, só consegue ser doce e engraçada. Aceite! Apenas não está no seu ser paulistano… Porque você é assim, essa pessoa meiga, que merece um pirulito em forma de coração!! Suas ameaças são como as ameaças de uma criança braba, ela realmente acredita no que diz, mas ao invés de oferecer perigo.. só consegue ser fofinha!!! Mas você é muito má, é sim! Você e os ursinhos carinhosos, quando usavam seus poderes, tão ali ó, lado a lado na maldade.

- Vá catar coquinho!

- huahuahuahuahuahuahua. Viu só? Que pessoa agressiva, cruel e malvada me mandaria catar coquinho? Qualquer outra já teria cometido um crime passional.

 

 - Peste!

- Traste!

- Sua ridícula!

- Bestão!

- Cala a boca e agradeça por eu estar aqui.

- Vem me fazer calar…

- Xiuuu.. Agradeça..

- Me obrigue!

- Não me faça perder a paciência. Diz que está com saudades de mim.

- Se eu pensasse em você, talvez sentisse sua falta…

- Eu sei que você sente minha falta.

- haha.. não.. não sinto.. é costume.. igual restaurante tailandês.. não gosto de comida tailandesa.. mas eu acho bacana saber que o restaurante funciona até às 4h da manhã.. pra se um dia eu passar a gostar.. ele tá lá..haha

- Sente sim, sente sim, sente sim.

- Sinto nadaaaa…

- Sentee

-  Tá mendigando afagos, é? Quer que eu minta pra você?

- Pode dizer o que quiser, eu sei que a verdade é uma só.

- Aham.. não sinto sua falta.

- Quietaa.

- Vem me fazer ficar…

- Cala a bocaa

- Vemmmm fazerrr calar seu franguinho.

- Não quero te quebrar a cara.

- Não é homem o suficiente pra isso.

- Quieta e continua com seus dentes.

- Senão quem vai arrancar meus dentes.. você? ha-ha-ha

- Já mandei ficar quieta.

- Quando você quer uma coisa.. não basta desejar.. tem que ser homem e ir lá e fazer.

- Se você estivesse aqui agora.. você ia ver só patinha.

- hahaha.. desculpinha.. não tem coragem, FRANGUINHO!

- Se te quebro a cara eu vou preso.

- hahaha.. pois eu duvido.. se tiver a coragem de vir aqui me quebrar a cara.. eu não te denuncio.

- O que uma mulher faz pra ter o homem que deseja perto dela viu… se você me quer.. é só falar..

- haha! Peste.

- Traste!





Novela mexicana – Season Finale

4 08 2008

 

Para quem perdeu a incrível parte inicial dessa incrível história com personagens excêntricos e autores de nomes duplos, eis aqui o tutorial de procedimentos:

Opção 1: Use o botão de rolagem do seu mouse e vá até o post anterior.

Opção 2: Em “bobagens fresquinhas”  clique em: “novela mexicana – Parte I”

Opção 3: CLIQUE AQUI

 

Em caráter excepcional teremos PS´s antes do texto.

PS: Informamos que, inicialmente, o nome masculino a ser utilizado seria Rodolfo José, mas como todos os PMNI (personagens masculinos não identificados) e PCIP (personagens com identidade preservada) recebem o nome de “João”, decidiu-se manter a coerência.

PS2: A personagem feminina não foi nomeada por discordância entre os autores.

PS3: Dinho e Má foram mantidos como autores também nesta parte final, o que explica muita, MUITA coisa..

PS4: Ahn.. eu adoro PS´s

 

Novela mexicana – Season Finale

Ele, em uma tentativa desesperada, tenta apelar para os bons momentos:

- Você poderia parar de me atacar e destacar as minhas qualidades, né? Tudo de bom que já fizemos juntos.

- Ok.. vou destacar como você é, mas lembre-se: você que está pedindo.

- Não, mudei de idéia.. Sério, não precisa. Depois desse tempo todo né.. não precisa por em palavras esse sentimento que nutre por mim.

- Nutria, você foi capaz de destruir tudo.

- Já sei! Já sei!

- O que?

- Já tenho uma explicação. Que outra coisa poderia causar esquecimento?

Hein, é isso, foi o álcool!! É culpa do álcool, bebi demais.. Só pode ser isso!!! Uísque maldito

- Não tente justificar o que não tem justificativa. Eu nunca vou te perdoar

- Mas meu amor, você tem que ser a pessoa nobre desta relação, tem que ser a pessoa que está acima da mesquinhez da vida. Saber perdoar e aceitar os outros com seus erros humanos.

- Eu te aceitava com todos seus defeitos porque eu acreditava que havia uma consideração e uma relação ali. Mas também não tenho nada que te perdoar, você não significa mais nada pra mim.. você é só um cara aí, não tinha obrigação de lembrar de nada.

- Poxa! Cadê a paixão enfurecida das palavras?!? Cadê a raiva? Briga comigo, me xinga… Mas não diga que sou só “um cara aí”.

- Perdi a vontade de brigar com você. Brigava porque gostava, agora tanto faz, né?

- Não, não diga isso!!! The dream can not be over!!! Paul is still alive… Existe uma chance, onde há vida há esperança…

- Não tenho mais vontade, O que posso fazer?

- A vontade não pode desaparecer de uma hora pra outra… Algo assim não some, não posso conceber como verdade.

- Não, não foi de uma hora pra outra.. foi cada dia um pouquinho.. até que eu pude enxergar a verdade.. você não me ama.

- Claro que eu te amo.

- Deixei de acreditar nisso…

- As coisas não deixam de ser verdade só porque você parou de acreditar nelas.

- Não era verdade, era uma ilusão.

- Não era e não é!!! Algo tão concreto, tão diário, como você pode dizer que era ilusão?

- Porque se fosse de verdade você lembraria, se importaria.. éramos um passatempo diário um para o outro.

- Passatempo diário? Não senhora! Eu me importo, veja quanto tempo estou aqui tentando dizer que me importo!!! Se não me importasse estaria aqui?

- Sim, devido ao passatempo diário.. Você não deve ter mais nada pra fazer.

- Que é isso!!! Tenho uma prova hoje… outra amanhã, outra na quarta.. Estou correndo risco de reprovação por você, sabia?

- João Carlos, dizer que eu sou mais importante do que uma prova não ameniza nada.. Sabemos que você colocaria qualquer coisa na frente das provas..

- É, realmente não foi um argumento lá muito forte. Mas ainda assim me importo, me importo tanto que faria qualquer coisa pra você me perdoar.

- Qualquer coisa?

- Sim, qualquer coisa…

- Olha só.. vai ter um espetáculo de balé essa semana.. um pessoal da Escandinava..

- Balé? Você sabe que eu odeio balé.

- Sabia! Você não se importa mesmo.

- Desculpe, desculpe. Claro que me importo. Se você quer ..

- A propósito.. cada ingresso custa R$360,00.

- O que? Tudo isso? A não, não, não.. R$360,00 pra ver escandinavos vestindo malhas e saltitando num palco ao som de música estranha?

- Tudo bem, tudo bem.. Se você acha que eu não mereço um agrado às vezes.. que nada significo.

- Ok, ok.. Nós vamos.

- Promete?

- Prometo..

- Jura que vamos? Você não mudará de idéia? Olha que você está dando sua palavra, hein.

- Nós vamos, não mudarei de idéia.

- Ah.. Eu te amo!

- Você sabe que eu também te amo. Não sei como pude esquecer esse dia.. até porque você faz aniversário exatamente um mês depois de mim… (pausa) Ei… espere um minuto.. (pausa).. Estamos em julho. Seu aniversário é um mês depois do meu.. Até onde me lembro nasci em outubro.

- Ok, ok, admito. Hoje não é meu aniversário.

- Que mente diabólica! Que mente diabólica!

- Eu não fiz nada. Você que veio me dando parabéns e implorando perdão por ter esquecido.

- E o que diabos eu tava esquecendo?

- De colocar o lixo pra fora ué… chega bêbado da rua e já quer ir dormir? A propósito.. que fique claro.. nós vamos no balé escandinavo. Foi promessa.. e sabemos que você sempre cumpre suas promessas…

- Mas.. masss..

- Nada de “mas.. mas”.. e vá por o lixo pra fora..e tomar um banho… que você está cheirando a cigarro e bebida.





Aqueles dois

23 07 2008

Ele estava andando pelo shopping quando se deparou com uma criatura muito cheia de trejeitos felizes. Ela vinha saltitando, balançando a cabeça de um lado para o outro, meio que dançando também, e sorria… Ela nem prestou atenção nele e nem percebeu que desde a entrada do shopping, ele a seguia com os olhos.

Ele quase morreu de pavor quando viu que ela tinha um mp3 player e estava lá..  com seus fones de ouvido, cabelos esvoaçantes e boca exageradamente em movimento, cantando com o “mute” acionado, enquanto caminhava em sua direção.

Ele entrou em pânico, estava prestes a se armar em posição de luta, se não fosse o pavor e a sua involuntária rendição aquela cena de comercial de margarina.

Ela de cinco queijos. Ele de calabresa com muita cebola. Os dois de pizza fria com café.

Ela de Woody Allen. Ele de David Lynch. Os dois exatamente de William Wallace gritando FREEEEDOOOOOWWWWW.

Ela de Amelie Poulain. Ele de Star Wars. Os dois de “any of you fuckin pricks move, I’ll execute every motherfuckin last one of .. ya!” em Pulp Fiction.

Ela de cinema. Ele de tevê a cabo. Os dois de finais de semana na maratona cartoon.

Ela de Gabriel García Márquez. Ele de Dostoievski. Os dois com aversão a Paulo Coelho.

Ela de Álvaro de Campos. Ele de Alberto Caeiro. Os dois apaixonados por Fernando Pessoa.

Ela de qualquer coisa com legendas e mais de um capítulo. Ele de Seinfeld. Os dois rindo, segurando uma colher e imitando o Joey falando greeeaa-aaaaat

Ela de Chico. Ele de Led, os dois de Ferris Buller, cantando Twist and shout, enquanto imitam a mesma dancinha.

Ela Clocks, enquanto faz a escova de cabelo de microfone. Ele com cara de mal humorado, enfatizando que detesta Coldplay.  Os dois no carro, desafinados, volume ensurdecedor, fazendo dueto em You give me fever, feeeeverrr“, enquanto ela estala os dedos e ele batuca o volante.

Ela de Regina Spektor. Ele de Hã?? Regina o que???

Ela rindo. Ele tentando convencê-la que aquele é o olhar de furioso dele, não o de poodle sem dono.

Ela bêbada, com um copo de gelo nas mãos, já meio rouca e cantando “1, 2, 3 indiozinhos.. 4, 5, 6 indiozinhos 7, 8, 9, 10 indiozinhos iam navegando pelo rioooo-oooo”. Ele gargalhando, pedindo mais uma caipirinha e dizendo que vai denunciá-la para a FUNAI por maus tratos aos índios e para o MEC pelo péssimo emprego da música em questão.

Ela 20 e poucos anos de orgulho e inconveniência. Ele desde 1979 magoando pessoas com palavras ásperas e mal medidas. Os dois desde vidas passadas, só pode!

Dia desses, ele no hospital, ela também, motivações diferentes, mas os dois estavam lá por uma causa em comum: ele. 

- Estou acordado já faz uns 10 minutos, ouvindo você chorar compulsivamente. Ou eu estou morrendo ou você já descobriu que não vende cerveja na cantina do hospital. Pelo jeito sincero que está chorando acho que a última opção é a mais provável, por mais que eu esteja morrendo.

Ela ri, enxugando as lágrimas:

- Pelo visto você já está fora de perigo.

- Pelo visto você me ama.

- Err.. Na verdade não amo.. Estava chorando porque constatei que vou ter que passar o dia aqui com você e meu… não tem tevê a cabo.  Estou pensando se vale a pena. Deve estar passando os irmãos Winchester essa hora.

- Eu quase ter morrido me livra da bronca por ter deixado você esperando?

- De jeito nenhum! Perdoaria se fizesse igual todo mundo.. se tivesse se atrasado por estar com umas vadias, por estar jogando sinuca ou pela cerveja com o pessoal do trabalho. Essa de apelar para o “eu estava inconsciente” para se livrar de uns esporros, não vai funcionar.





Entre pipoca e lágrimas

15 07 2008

 

Moletom, sofá e Dr. House, ela jurava que nada a faria abandonar os travesseiros e o edredom naquele dia, quer dizer, abriria uma exceção: João, definitivamente, pelo João ela abriria uma exceção, não tiraria as pantufas para correr de encontro a ele.. Ah! Mas pelo João, somente pelo João, seria capaz de apertar o pause do controle remoto. Era isso: dvd´s, moletom, edredom, sofá e o João, entregador de pizza amigo, trazendo o mesmo pedido de sempre: tomate seco com rúcula. Mas..

 

- Alô..

- Vamos sair?

- Não.

- Vamos sair?

- Não.

- VAMOS SAIR?

- Err.. hum.. não!

- Você fez um juramento lembra?

- Amar, respeitar e ser fiel até que a morte nos separe? Hum, não, não.. não era isso. Era? Xiiii… Senhor, perdoai.. eu pequei!

- “Com esse pedaço de carpê nas mãos, tendo Deus como testemunha, eu juro que nunca mais deixarei ninguém do meu cí