Como lidar com vegetarianos psicóticos

11 09 2008

 

- O que você está fazendo? (pergunta ele em tom visivelmente apreensivo).

- Abrindo uma caixinha de leite (ela responde com a famosa expressão “já vai começar”).

- Isso não é leite!! (diz com o conhecido tom de desprezo)

- ÉÉÉÉÉ.. malditas redes de supermercado nos alienando e nos fazendo acreditar que dentro de caixinhas de leite tem leite.

- Você sabe que isso não é leite de verdade, isso aí é conservante puro.

- Na verdade eu ADORO mesmo é o gosto de conservante, se eu pudesse compraria só o conservante, mas o leite vem junto, o que eu posso fazer?

- Você está se matando! Não vê isso?

- Eu sei.. era tomar leite ou me enforcar, fui pelo caminho menos doloroso, admito!

- Você não dá valor a nada mesmo… (diz enquanto abre a geladeira). Ai! M-e-u   D-e-u-s!!! (diz como quem não acredita no que vê).

- O que? O que? O QUE?

- Carne?!?!? Como você pode apoiar o assassinato de animais?

- Não é assassinato, é cadeia alimentar.

- Ahn?

- Veja bem, estou só cumprindo meu papel social. Como representante da espécie homo sapiens é meu dever comer carne. Comer a comida da comida é que seria errado.

- Oi??

- Você prega tanto a defesa dos animais e o que faz? Desequilibra o mundo comendo alface. Como predador natural das vacas é seu dever cívico comer um bife diariamente. Se o ecossistema está assim é por culpa de pessoas como você, que são incapazes de pensar no bem-estar dos animais.

- Eu desregulo o ecossistema??? Eu não respeito os animais? E-U?

- Obviamente. Temos os vegetais (produtores) na base da pirâmide, depois temos os animais herbívoros, acima os predadores, divididos em grupos, e no topo do grupo dos predadores, temos a espécie humana e você está desregulando a pirâmide! Você não se aceita e tenta ocupar o segundo nível trófico,  você é um ser humano e se vê como uma vaca. Tem medo de assumir suas responsabilidades no mundo.

- Maaa-aa-s-ss… ahn.. eu faço isso pelos animais!

- Não, você finge que seus motivos são puros, finge que faz isso para salvar o mundo, mas na verdade está comendo a comida da comida e provocando desequilíbrios ambientais, não se envergonha? Não duvido que o mico leão dourado esteja ameaçado de extinção por sua culpa. Não duvido que os leões estejam desaparecendo das savanas porque as pessoas estão comendo a comida da comida deles. Detesto essas pessoas sem consciência ecológica. Cenoura free!!! Parem com o desequilíbrio ambiental.. comam carne!!!

- Ma-a-a.. - sss

- Nada de “mimimimi.. mas, mas”, senta aí que eu vou te fritar um bife.





Pessoas reais num mundo surreal II

27 08 2008

 

3h00 da madrugada, toca o telefone. Todos os toques possíveis depois:

- Ahn… Alô

- Eu já falei para você parar de atender esses inconvenientes que te ligam de madrugada.

- Se você parasse de ligar eu não precisaria atender.

- Aí eu deixaria o caminho livre para outros ligarem e você sabe como eu sou possessivo. Você amar outro eu relevo, mas outros te acordando com o estridente barulho do telefone? Não suportaria.

- Não se preocupe, não existe outro além de você, ninguém é tão inconveniente.

- Quer namorar comigo?

- Ahn?

- Namorar.. quer namorar comigo?

- Ah! Claro que sim.. Opa! Espere.. VOCÊ JÁ NÃO TEM UMA NAMORADA?

- Não se preocupe com isso.. eu conheço um cara que conhece uns caras..

- Ahn?

- Ninguém nunca vai suspeitar.. O corpo pode ser desovado em um beco qualquer..

- Boa noite..

- Nãoooo! Espereeeee… me empresta seu carro?

- Essa hora? Pra que?

- Pra desovar o corpo, oras! Se usasse meu carro seria suspeito. Ninguém nunca suspeitaria de você, pra cometer um crime passional tem que ter sentimentos, ninguém acreditaria que você tem sentimentos.

- BOA NOITE.

- Hum.. ou eu poderia só terminar com ela. Que tal? Algo como: “o problema não é você, sou eu”.

- Você está me ligando pra ensaiar como terminar com a sua namorada?

- Devo fazer a moda antiga?

- O que?

- Terminar com ela. Não está prestando atenção na conversa?

- Eh.. Não! Posso voltar a dormir agora?

- Devo ignorá-la igual qualquer macho Neanderthal? Hum.. ou como homem moderno e sentimental que sou.. devo mandar um sms dizendo “acabou.. não me procure mais”? Isso seria rude, não? Talvez só mudar o status do relacionamento no orkut.. de “namorando” para “solteiro”. Sutil, não? E alguém vai acabar avisando pra ela que o namorado dela agora é solteiro.

- Posso voltar a dormir agora?

- Você não está ajudando, sabia?

- Eh..eu sei.. POSSO VOLTAR A DORMIR AGORA?

- Ok, me empresta o carro?





Pessoas reais num mundo surreal I

10 08 2008

 

Era mais um final de semana como outro qualquer na capital paranaense. Estava frio, cinza e uma chuva fina e gelada caia ininterruptamente. Era dia de sofá, a preguiça assim determinou.

- Eu escolho o filme hoje.

- De jeito nenhum! Eu escolho o filme hoje.

- Certo, vamos fazer iguais pessoas adultas fariam.

- Hum.. cara ou coroa?

- Não! Isso é para franguinhos e não somos franguinhos. Quer dizer.. você é..

- A quem ta chamando de franguinha, hein? Hein? HEIN?

- Então vamos lá.. eu tenho um desafio pra você. Se você conseguir vencer, eu assisto o que você quiser.. nem que isso envolva aqueles malditos filmes do Harry Potter.

- Fechado!

- Então.. é o seguinte… Faça uma matriz transposta da identidade, ache seu determinante e a sua jacobiana. Chamando o determinante da transposta de “x” e sendo o mesmo um espaço percorrido num tempo “t”, onde “t” seja a jacobiana da matriz. Integre os resultados em função de “t” achando assim a velocidade. Decomponha a velocidade no espaço R3 em seus autovetores originais i, j e k. Após isso, calcule o produto interno do vetor velocidade encontrado com a matriz identidade prévia e me diga o resultado. Fácil assim. Tem 15 minutos!

- Não preciso de 15 minutos, já sei a resposta.

- Já?

- Sim. Jacobiana se fez Jacobiana pela dissecação do seu vetor externo, para, assim, atrair vetores convergente numa soma enlouquecida de operações de vetores que, então, se tornariam internos. Entendo, portanto, que a transposta da matriz é, na verdade, a inversão da identidade da matriz, algo que muito me chocou!!! Pois ao saber que o mesmo, ou mesma, queria decompor o escalar da velocidade em várias posições dos seus autovetores no espaço R3. Fazendo para isso uso, só posso pensar eu, das mais obscuras relações matemáticas. Portanto, me sinto obrigada a ser determinante com a Matriz e sua nova identidade transposta e inversa e devo alertá-lo da impossibilidade da multiplicação de matrizes de raízes diferentes. Mas esclarecendo que se pode, ainda, integrar o “x” bem ao tempo “t”, e, ao integrá-lo, tornar-se-á uma constante em sua vida e assim juntos viverão felizes para sempre, mas sem que ninguém derive, pois a derivada de uma constante nada mais é do que zero!!! E então?

- Sou seu fã, sabia?- diz entre risos - É difícil achar uma outra pessoa com tanto talento para ser excêntrica.

- Uiiii..Que medooo!

- Medo? Por quê?

- Não tenho certeza se quero ter fãs.. Lembra o que aconteceu com o Lennon?

- Ah! Mas eu não te mataria.. Não pelo menos não como fizeram com o Lennon..Você precisa de uma morte digna de você. Algo grandioso. Tinha que ser igual a do Kennedy, assim, na frente de milhões!! A do Lennon nem filmada foi…

- Eh, vendo por esse ângulo…não quero só escrever: “saio da vida pra entrar pra historia”..quero dizer em alto e bom som para as multidões que me amavam..

- Que te amavam não!! Que te amam e amarão, pois você nunca será esquecida. Estará para sempre no coração de todos os que um dia tiveram a felicidade de te conhecer. Será eterna, pois seu nome nunca morrerá. Será passado de geração para geração, na palavra escrita e falada, pois todos lembrarão do tempo em que o mundo tinha você…

- Ehh..e todos te odiarão..e o pior.. você vai usar aquelas roupas cinzas de prisão e bem.. você fica horrível de cinza.

- Bem, na verdade eu sempre fico bonitinho, mas vou ter um uniforme diferente: preto. Pra todos saberem quem foi o causador da maior desgraça da terra. Pra saberem quem destruiu o sonho de milhões. Claro que escreverei um livro sobre minha, ou melhor, nossa vida, que será transformado em filme e ganharei milhões.

- Milhões?

- Sim, até serei entrevistado no programa do Jô, no Late Show, etc. todos querendo entender o porque. Então direi: “Porque antes dela ser do mundo, ela havia sido apenas minha e vocês tiraram isso de mim. Então a tirei de vocês. Espero que gostem da sensação, seus malditos, malditos, todos vocês!!!”.

- Não sabia que era tão possessivo assim comigo.

- Não sou… só um sentimento de posse doentiamente controlado, o resto é cena.. Você sabe que sou um puta de um ator né! Na verdade vou fazer tudo isso pela fama…

- Que isso.. nós sabemos que a culpa irá te corroer e você viverá pra sempre atormentado com a minha presença..

- Ahh! Mas eu já vivo atormentado com sua presença em dias normais..

- Como é que é?

- Err.. nada.. quis dizer que você escolhe o filme.. e aí.. Harry Potter?





Novela mexicana – Season Finale

4 08 2008

 

Para quem perdeu a incrível parte inicial dessa incrível história com personagens excêntricos e autores de nomes duplos, eis aqui o tutorial de procedimentos:

Opção 1: Use o botão de rolagem do seu mouse e vá até o post anterior.

Opção 2: Em “bobagens fresquinhas”  clique em: “novela mexicana – Parte I”

Opção 3: CLIQUE AQUI

 

Em caráter excepcional teremos PS´s antes do texto.

PS: Informamos que, inicialmente, o nome masculino a ser utilizado seria Rodolfo José, mas como todos os PMNI (personagens masculinos não identificados) e PCIP (personagens com identidade preservada) recebem o nome de “João”, decidiu-se manter a coerência.

PS2: A personagem feminina não foi nomeada por discordância entre os autores.

PS3: Dinho e Má foram mantidos como autores também nesta parte final, o que explica muita, MUITA coisa..

PS4: Ahn.. eu adoro PS´s

 

Novela mexicana – Season Finale

Ele, em uma tentativa desesperada, tenta apelar para os bons momentos:

- Você poderia parar de me atacar e destacar as minhas qualidades, né? Tudo de bom que já fizemos juntos.

- Ok.. vou destacar como você é, mas lembre-se: você que está pedindo.

- Não, mudei de idéia.. Sério, não precisa. Depois desse tempo todo né.. não precisa por em palavras esse sentimento que nutre por mim.

- Nutria, você foi capaz de destruir tudo.

- Já sei! Já sei!

- O que?

- Já tenho uma explicação. Que outra coisa poderia causar esquecimento?

Hein, é isso, foi o álcool!! É culpa do álcool, bebi demais.. Só pode ser isso!!! Uísque maldito

- Não tente justificar o que não tem justificativa. Eu nunca vou te perdoar

- Mas meu amor, você tem que ser a pessoa nobre desta relação, tem que ser a pessoa que está acima da mesquinhez da vida. Saber perdoar e aceitar os outros com seus erros humanos.

- Eu te aceitava com todos seus defeitos porque eu acreditava que havia uma consideração e uma relação ali. Mas também não tenho nada que te perdoar, você não significa mais nada pra mim.. você é só um cara aí, não tinha obrigação de lembrar de nada.

- Poxa! Cadê a paixão enfurecida das palavras?!? Cadê a raiva? Briga comigo, me xinga… Mas não diga que sou só “um cara aí”.

- Perdi a vontade de brigar com você. Brigava porque gostava, agora tanto faz, né?

- Não, não diga isso!!! The dream can not be over!!! Paul is still alive… Existe uma chance, onde há vida há esperança…

- Não tenho mais vontade, O que posso fazer?

- A vontade não pode desaparecer de uma hora pra outra… Algo assim não some, não posso conceber como verdade.

- Não, não foi de uma hora pra outra.. foi cada dia um pouquinho.. até que eu pude enxergar a verdade.. você não me ama.

- Claro que eu te amo.

- Deixei de acreditar nisso…

- As coisas não deixam de ser verdade só porque você parou de acreditar nelas.

- Não era verdade, era uma ilusão.

- Não era e não é!!! Algo tão concreto, tão diário, como você pode dizer que era ilusão?

- Porque se fosse de verdade você lembraria, se importaria.. éramos um passatempo diário um para o outro.

- Passatempo diário? Não senhora! Eu me importo, veja quanto tempo estou aqui tentando dizer que me importo!!! Se não me importasse estaria aqui?

- Sim, devido ao passatempo diário.. Você não deve ter mais nada pra fazer.

- Que é isso!!! Tenho uma prova hoje… outra amanhã, outra na quarta.. Estou correndo risco de reprovação por você, sabia?

- João Carlos, dizer que eu sou mais importante do que uma prova não ameniza nada.. Sabemos que você colocaria qualquer coisa na frente das provas..

- É, realmente não foi um argumento lá muito forte. Mas ainda assim me importo, me importo tanto que faria qualquer coisa pra você me perdoar.

- Qualquer coisa?

- Sim, qualquer coisa…

- Olha só.. vai ter um espetáculo de balé essa semana.. um pessoal da Escandinava..

- Balé? Você sabe que eu odeio balé.

- Sabia! Você não se importa mesmo.

- Desculpe, desculpe. Claro que me importo. Se você quer ..

- A propósito.. cada ingresso custa R$360,00.

- O que? Tudo isso? A não, não, não.. R$360,00 pra ver escandinavos vestindo malhas e saltitando num palco ao som de música estranha?

- Tudo bem, tudo bem.. Se você acha que eu não mereço um agrado às vezes.. que nada significo.

- Ok, ok.. Nós vamos.

- Promete?

- Prometo..

- Jura que vamos? Você não mudará de idéia? Olha que você está dando sua palavra, hein.

- Nós vamos, não mudarei de idéia.

- Ah.. Eu te amo!

- Você sabe que eu também te amo. Não sei como pude esquecer esse dia.. até porque você faz aniversário exatamente um mês depois de mim… (pausa) Ei… espere um minuto.. (pausa).. Estamos em julho. Seu aniversário é um mês depois do meu.. Até onde me lembro nasci em outubro.

- Ok, ok, admito. Hoje não é meu aniversário.

- Que mente diabólica! Que mente diabólica!

- Eu não fiz nada. Você que veio me dando parabéns e implorando perdão por ter esquecido.

- E o que diabos eu tava esquecendo?

- De colocar o lixo pra fora ué… chega bêbado da rua e já quer ir dormir? A propósito.. que fique claro.. nós vamos no balé escandinavo. Foi promessa.. e sabemos que você sempre cumpre suas promessas…

- Mas.. masss..

- Nada de “mas.. mas”.. e vá por o lixo pra fora..e tomar um banho… que você está cheirando a cigarro e bebida.





Novela mexicana – Parte I

31 07 2008

 

Ele estava deitado na cama resmungando e terminando um projeto no seu inseparável notebook. Ela sentada no chão do quarto, bagunçando a coleção de cd´s dele:

- Se você tirar os cd´s da ordem teremos um crime passional aqui. (diz ele com seu conhecido tom ameaçador).

Ela ria:

- Sabe quantas vezes eu já baguncei esses cd´s.. quantas vezes você já me fez essa ameaça e ainda não me aconteceu nada?

- É que eu quero que você seja pega desprevenida. É um plano cruel para ficar a espreita e acabar com sua vida quando menos esperar.

Tomavam cappuccino e iam falando bobagens aleatórias, enquanto perturbavam a paz dos vizinhos com a poluição sonora no apartamento, fazendo uso das mais eficazes armas para conquistar inimizades no condomínio: risadas freqüentes e altas, vídeos do Charlie Brown e Snoopy (por presente dele, acreditando ser gosto pessoal dela) e músicas com o melhor de Weezer (por gosto pessoal dele) e Suzi Quatro (por gosto pessoal dos dois). Até que ele tem a brilhante idéia:

- Ahh! Vamos escrever um texto?

- Um texto? Sobre o que?

- Errr.. Qualquer merda.. pra você por no blog e dizer que escrevemos juntos, destacando que eu sou o tal do cara na sua vida. Uma coisa bem mexicana como você.. e bem humor sarcástico como eu.. ficando meio maluco como nós dois.  Se ficar uma merda não tem problema, os nossos amigos puxa-saco vão adorar a gente escrevendo juntos.

- Ta fazendo isso para que eu pare de bagunçar os cd´s, né?

- Sempre vendo a intenção por trás da ação. Matá-la daria mais trabalho e poderia sujar o carpê de sangue. Depois de um tempo a gente pega amor, sabe? Ahh!! Estou falando de amor pelo carpê, tá? Que fique claro!

- hahahaha… Besta!

 

Rá!!! :-)

 

Novela mexicana – Parte I

Ela estava deitada na cama, lendo. Ele chega sorridente e notoriamente bêbado:

- Oiii…

Silêncio.

- Oieeee (diz ele sentando na cama e tirando os sapatos).

Silêncio.

- Cof, cof…

Silêncio

- Ei.. Cheguei meu amor. (diz enquanto dá um beliscão na perna dela)

Ela larga o livro, levanta os olhos e olha para ele:

- Te conheço? (diz com indiferença).

- Aparentemente não o suficiente pra dizer que me ama.

- Não te amo.

- Ah! Eu sei que ama (diz enquanto a abraça). Nossa! Como estou cansado. Acho que vou dormir.

- Dormir??? Você não está esquecendo de nada?

- Estou?

- Não está?

- Ah sim! É hoje, né? Parabénssssss lindinha!!!

- Parabéns?

- Sim, sim.. Parabéns. Falta um minuto para meia-noite, tecnicamente ainda é seu aniversário. Quantos aninhos mesmo? Com esse rostinho, 18, né?

- Hummm.. O que te importa quantos anos? Você nem lembrava que era hoje.

- Isso quer dizer que deve ser 34… Época da negação.

- Nem isso você é capaz de lembrar. Lembra do meu nome pelo menos?

- Não faça essas acusações injustas… eu lembrei.

- Sei, sei. Agora, né? Mas tudo bem. Não terei mais que brigar com você por isso.

- Claro que não, lembrarei de todos os outros daqui por diante.

- Os daqui em diante eu passarei sem você.

- Como você é malvada… Que a chaga de mil demônios caia sobre você! Que a terra coma sua carne, mas preserve seus olhos, primeiro porque eles são lindos.. E segundo para você ver o horror de sua putrefação. Não existem palavras pra expressar minha tristeza depois disso que você disse.

- Pois pra mim existe. Estou profundamente descontente, afinal, nada significo pra você.

- Muitos outros te darão feliz aniversário atrasado. Você sabe disso. Porque brigar assim comigo?

- É totalmente diferente, você não está no bolo dos “muitos outros”, esperava mais de você.

- Bem, eu nunca quis te decepcionar, mas você exige de minhas forças mais do que posso proporcionar. Vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Eu sou apenas um semi-deus, né. E não vem com essa, não senhora.. Você disse e eu repito: “Não está esquecendo nada?!?”. Achei que você tava falando dos meus chinelos porque eu tava pisando no chão frio, portanto, lembrei sozinho.

- Agora não adianta mais.

- Não diga tal coisa. Não depois destes 78 anos de convivência… Não depois de trocar suas fraldas pela sua incontinência…

- Não me venha com suas piadinhas. Você jogou tudo fora, mas está certo.. não somos nada um do outro mesmo. Nada significo pra você.

- Poxa não fala assim, isso não é coisa de pessoa que tem Jesus no coração!! Não, não.

- Jesus eu tenho.. diria que não tenho você…

- Nossa… Nossaaaaa! Tipo, nossa.. Essa foi desnecessária…

- Não, foi necessária sim. Estou profundamente chateada com você

- Mas meu amor.. Eu passei o dia fora estudando.. Com a cabeça cheia. Só cheguei agora e você já chegou com os dois pés no meu peito.

- O pior é você mentir assim.. EU SEI QUE VOCÊ ESTAVA NO BAR, não minta que é bem pior.

- Mas eu tinha que ir estudar.. Daí estava atordoado. Ah, e mentir faz parte de minha natureza.

- E não acreditar em você faz parte da minha. E não te perdoar e te excluir da minha vida, faz mais parte ainda.

- Mas começou agora, porque você não era assim. Eu aprontava tudo que queria e você continuava me perdoando e me amando…

- Você foi um erro…

- O que posso fazer pra você ver que estou arrependido?

- Não somos mais nada um do outro.. não adianta.

- Flores?!?!

- Não precisa João Carlos.. deixemos como está.

- Xiii.. João Carlos e uma frase de resignação?!? O caso é sério.. Você nunca me chamou de João Carlos antes…

- Não tenho mais porque te dar apelidinhos bregas, fofos e íntimos. Você é um falso.

- Falso nada. Eu estou embriagado e todos sabem que quando a bebida entra a verdade saí, então, por lógica, só pode ser verdade.

- Não há sinceridade nas suas palavras.

- Como não? São tão sinceras quanto palavras minhas podem ser.

- Exato! Por isso mesmo.. não há nada sincero vindo de você.

- Isso magoa!!! Depois de tanta dedicação, de tanto apoio a você.

- Dedicação? Não houve dedicação e a magoada, chateada e ofendida aqui, sou eu.

- Isso daria versos pra uma música… Podíamos ficar milionários.

- Não existe “a gente”. Existe eu e você separadamente.

- Mas aí, nem numa parceria para o estrelato? Podíamos ser como os dois

caras dos Rolling Stones, que não se falam, se odeiam, mas que estão ricos.. Se bem que, eu não te odeio, só você a mim..

- Mas provavelmente o cara dos Stones lembra do aniversário do outro… Antes você me odiasse pelo menos lembraria. Diria “hoje é aniversário daquela desgraçada”, mas lembraria. Humpf!!

 

Por: Dinho e Má =)

 

Será que esse texto terminará assim? Será que eles não confessarão que não terminaram de escrever porque foram ver dvd´s? Será que todo mundo vai notar que as falas do texto são aquelas manjadas, que eles falam todo dia um para o outro? Acompanhe o fim (ou a falta de fim) das histórias desses dois, sempre com personagens excêntricos, falas malucas e DR´s imprevisíveis.. hahaha





Amor em tempos de tevê a cabo

28 07 2008

 

 

Ela estava na sala. Ele na cozinha. Ela gargalhava tendo a tevê como companhia. Ele escutava as risadas enquanto pegava mais uma cerveja:

- O que está fazendo? (pergunta ele surgindo na porta da sala).

- “I’m saying it ‘coz it’s true. Inside of us, we both know that you belong with Victor. Is there a Victor in your class?” (diz ela entre risos).

- Hã?

- “We’ll always have Fresno” (ainda rindo).

- Certo, isso pode fazer sentido aí dentro, mas no mundo aqui fora… Repito a pergunta: O que está fazendo?

- Assistindo Dr. House (diz quase suspirando).

- Não tem nada melhor pra fazer não?

- Devo ter.. não quero me gabar, mas meu namorado é conhecido por ter sempre uma vasta e divertida programação na manga. E aí.. o que vamos fazer hoje?

- Hoje? Nossa! Todas as seqüências de Máquina Mortífera. Imperdível!!

- Máquina Mortífera?

- Ah! Não quero me gabar, mas minha namorada é a melhor.. ela vai alugar os dvd´s.

- Ei! Como assim? Sua namorada não sou eu? Teve um pedido, um sim..  eu estava prestando atenção.. nem estava passando House na tevê.. Hum.. ou estava? Será que na verdade você perguntou se eu queria mais cerveja? Ah! Eu nunca me lembro…

- Na verdade eu te pedi em namoro e você disse você disse: “siiimmmm”, com uma empolgação que me comoveu.. e logo depois você completou com: “… de vodka”.

- Ah! Eu sou assim.. uma romântica, o que posso fazer?

- Mas então, já que concordamos que você é minha namorada, eu repito: minha namorada vai alugar os dvd´s!

- Não vai não! Sua namorada vai assistir Dr. House.

- Hummm.. Será que ainda dá tempo de me arrepender? Será que é um sinal pra terminar com você? Eu posso voltar com a minha ex, pelo menos assim eu teria meu box de Máquina Mortífera. Ah.. bons tempos aqueles de namorada submissa.

- Por mim tudo bem, mas dá pra esperar terminar esse episódio? Adoro a parte que ele diz: We have been blessed with the miracle of a new symptom. Brother, can you testifiy as to why this poor child’s eyeball rolled back into his head?”. Depois você pode me deixar em casa, comprar flores e implorar pra voltar com a sua ex.

- Posso te fazer uma pergunta séria?

- Posso responder com interjeições? Há um sério risco de não prestar atenção na pergunta… Já está na parte do “Come on in, brothers and sister! Welcome to the house of the Lord!” Eu mencionei que me amarro nese episódio?

- Desde que você responda com uma interjeição sincera e séria.

- Como seria uma interjeição séria?

- Só prometa que vai responder com sinceridade.

- Quer trazer uma bíblia para que eu faça o juramento de “dizer a verdade, nada mais que a verdade”?

- Lá está você fazendo piada.

- Ok, desculpe, faça sua pergunta séria que responderei.

- Você me trocaria pelo Dr. House sem titubear, não é?

- Ah! Quer um abraço?

- Você prometeu que ia responder seriamente.

- Ah! Essa é a pergunta séria?

- Me trocaria?

- Você está me perguntando se eu trocaria você por um personagem fictício de uma série norte-americana? Mais sério do que isso só se me pedisse pra escolher entre você e o Pepe Legal.

- Eu sabia! Isso foi um sim.. não foi? Só faltou você completar com “.. de vodka”

 





Devaneios de domingo

13 07 2008

 

                                 

 

 

 Domingo de meias, nem tristeza, nem felicidade.. nuances de cinza. Traços vermelhos e sonhos em cores em um filme preto e branco. Melancolia? Culpa das trágicas histórias dos filmes anos 50, que pessoas não deveriam, em hipótese alguma, assistir sozinhas em um domingo ou, pelo menos, não sem a companhia de um pote de sorvete de chocolate que fosse.

 

Havia um estranho incomodo no ar. Uma sensação real, rodeada de situações confusas, estrelada por imagens inacreditáveis que nos esmagam com uma força brutal, enfraquecem, desnorteiam, jogam nosso corpo de uma realidade para outra, de um estado para outro, deixam impotente, inerte, irreconhecível. Absurdo? Em um instante paz, calmaria, encantamento… No instante seguinte, chuva, vento, angústia… sentindo em cada pequeno movimento uma pressão enorme que poderia sufocar lentamente.

 

Cada verdade é apenas uma parte de um todo ambivalente, complexo, confuso e contraditório, afinal, cada alma tem um mundo.

 

Não sabia ao certo, mas aquilo dominava seus pensamentos, percorria suas artérias e ocupava todos os átrios e ventrículos do seu coração. Confusão? Todos os sentimentos se misturavam à condição da sua existência e retornavam em outra composição para a atmosfera: suspiros.

 

Era, desde o princípio, previsívelEra o senhor do seu rir e pesar. 

 

A direção constantemente abandonada do nosso destino,

A nossa incerteza pagã sem alegria,

A nossa fraqueza cristã sem fé,

O nosso budismo inerte, sem amor pelas coisas nem êxtases,

A nossa febre, a nossa palidez, a nossa impaciência de fracos,

A nossa vida, o mãe, a nossa perdida vida…

 

[Passagem das horas - Álvaro de Campos]





A fase da negação

27 06 2008

 

Estavam no bar. Ele a olhava fixamente com um sorriso de canto de lábio, ela ria e falava compulsivamente sobre papéis, mundo corporativo, frio, cor-de-rosa e insanidades aleatórias, de maneira completamente não linear.

- Desisto! Quem é ele? (diz ele batendo na mesa e interrompendo uma das histórias dela)

- Ah! Você não conhece.. é aquele boy novo daquele…

- Não, não é disso que estou falando. Quero saber quem é o cara.

- Ahn? Cara? Que cara?

- O cara por quem você está apaixonada.

- Eu?? Apaixonada? – diz entre risos – Eu não tô apaixonada.

- Sim, está.. mas não descobri ainda por quem. Eu conheço? Não, não devo conhecer.. senão já teria notado.

- Eu não to apaixonada, meuuu!

- Ihhh… ele é casado?

- Hein? Não!!! Ele não é casado.

- Rá! Se tem um ele que não é casado é sinal de que tem um ELE que é solteiro. Qual é o problema então?

- Problema? Que problema? Não tem problema nenhum.

- Então porque não estão namorando? (pausa) (pausa) Xiiiii…

- O que? O que?

- Você realmente gosta dele, né?

- Mas quer merda!!! Não tô apaixonada.

- Se não estivesse apaixonada, estaria namorando.

- Ahn?? Não é o contrário?

- Seria, mas você tem um modo de funcionamento muito peculiar. Qual o problema com esse cara? Aliás, qual a razão totalmente sem sentido, mas que na sua mente parece ter coerência?

- Se eu estivesse apaixonada eu saberia, não?

- Mas você sabe que está, mas está na fase da negação.

- Negação?

- Sim, por causa do funcionamento peculiar, racionalidade, medo e coisas que soam e cheiram a certezas. Você está e tenta se convencer que não está… sei lá.. aquelas coisas de gostar do controle da situação, não pisar em ovos.

- Quantas cervejas você tomou antes que eu chegasse?

- Não o suficiente para não perceber que está mudando de assunto.

- Não estou apaixonada.

- Então prove!

- Como?

- Fique com um cara hoje.

Ela ri:

- Quem? Você? Se for essa sua técnica de convencimento já digo que foi uma péssima abordagem.

- Por quê? Você quer ficar comigo? Ai Meu Deus! Sou eu? Você está apaixonada por mim? É.. por isso tem demorado pra retornar as minhas ligações.. é isso.. antes você não estava apaixonada, podia me ligar compulsivamente, agora me ama.. não quer que eu perceba e tenta me evitar para que eu não note o sentimento mais profundo.

- Quer me fazer ficar com você e ainda tentando me fazer pensar que sou eu que quero porque estou apaixonada por você, mas não sei lidar com isso?

- Não! Eu sei que está apaixonada.. e sei que não é por mim, mas não custava tentar. Mas e aí.. vai ficar com o cara?

- Cara? Que cara? O por quem estou apaixonada?

- Ah! Então você está apaixonada…

- Não sei.. você disse que estou…

- Se não está marque de sair por uma semana com aquele cara que te mandou aquela cantada escrita no guardanapo.

- O que escreveu “se você querer”??

- Exato!

- Olha..o “se você querer” eu relevava.. o “encomodar” eu deixava passar.. mas, definitivamente, o “entertida”.. ah não.. não tem como.

- A-hááááá.. Já sei!! É o João.

- Hein?!?! Não!!!!

- Hmmm… é… não, não é o João mesmo… o João eu conheço. Quando vou conhecer esse tal cara??

- Gente! Desculpe o atraso, maldito trânsito, maldito horário comercial, malditas calçadas, salto quebrado. Merda! Garçom.. uma caipirinha de rum, capricha no limão (diz, enquanto puxa uma cadeira e se junta a eles). Ihh.. que caras são essas? Do que estão falando?

- Ela está apaixonada! – diz ele com olhar cínico e com o maldito sorriso de canto de lábio.

- Apaixonada?!?!? Por quem??

- Não conhecemos, mas ele não é casado.. é o que sei.

- EU NÃO TÔ APAIXONADA!

- Xiii… A fase da negação, é?

- Exato! A negação… Garçom… mais uma cerveja e Cranberries de música de fundo, porque temos aqui uma mulher apaixonada!





Em uma segunda dessas

24 06 2008

 

 

Ele entra pela porta, sorridente, sem camisa e batucando em uma maleta que estava em suas mãos:

- Amor!!! (diz enquanto pula em cima do sofá e a abraça) Pergunta onde eu estava.

Ela fecha o livro que estava lendo:

- Hum.. tá.. espera aí… Pode fingir que está entrando novamente? Pra dar mais realismo.

- Está bem, recomeçando (diz ele se levantando, abrindo a porta e fazendo a mesma entrada).

Dessa vez nem dá tempo dele dizer nada:

- PORRA!! Posso saber onde diabos o SENHOR ESTAVA???

- Ow, quando você vai parar de se intrometer na vida dos outros?!?! Que coisa. Porra!!! Assim você me sufoca… não me dá espaço.. Se eu quisesse que você soubesse onde eu estava, teria te contado, porraaa. Puta que pariu, viu!!!

- Então não fala porraaaaaa… Não quero mais saber da sua vida.. Vai catar coquinho.

- Catar coquinho??? – diz ele gargalhando - Você fica tão fofa nervosa.

- Se liga ow..QUEM TÁ NERVOSA AQUI, HEIN..HEIN, HEIN??

- Devo ser eu, desculpa, é que tomei muitas porradas no futebol.

- Hum… Você estava jogando, é verdade.. segunda é dia de futebol, estava no contrato, letras miúdas, tinha esquecido. Fez muitos gols?

- Onde você pensou que eu estivesse? Na esbórnia? Por isso mantenho este meu porte físico de Deus Grego!!! Poxa, mas é claro que fiz gols né. Fora o espetáculo. Mas foi bem isso, era eu passar pelos caras pra tomar porrada.

- É duro ser artilheiro. Quantos gols fez?

- Pois é.. o que compensa a dor de ser perseguido em campo é o salário. Fiz a incrível quantia de UMMMMM golaçooooo.

- Quase o novo ídolo do ataque palestrino (diz ela entre risos cínicos).

- Mas nem só de gol é feito o futebol!!! Já diria nosso excelentíssimo técnico, o senhor Parreira: “Gol é um detalhe”. E as assistências?!?! E o espetáculo?!!?

- Ah! Quer dizer que teve espetáculo??

- Err.. na verdade não, mas os três pontos foram nossos. Nosso time ganhou de 8×4!!! E o negócio é o seguinte, além de jogar muito, sou o capitão do time e ainda o cara, apesar de mais velho, com mais fôlego.

- Fico só imaginando o nível dos outros jogadores.

- É ruim, é muito ruim. Um dia você tem que ir lá ver.

- Tudo bem, e se pagar umas cervejas eu até bato palmas, grito seu nome e digo que você joga muitooooo.

- Dois minutos me vendo jogar e você não vai agüentar, você vai gritar. Nem que seja da bolada. Hoje quebrei dois no jogo. De raiva mesmo, estava sendo perseguido em campo.

- Não sabe que essa é a sina dos craques? Tipo..ser perseguido em