Mah e suas aleatórias divagações

Síndrome da cidade grande

Setembro 2, 2008 · 11 Comentários

 

Eu sou distraída demais para ser paranóica. Autista demais para me preocupar com os perigos da cidade grande e muito amante de música para prestar atenção nas pessoas mal encaradas.

Enquanto meus amigos andam pelas ruas olhando pessoas suspeitas e procurando possíveis rotas de fuga no caso de assalto, eu ando por aí com fones nos ouvidos, cantarolando The Clash.

 

Ao invés de fazer igual todo ser humano paranóico normal e sair de casa em horários diferentes, por rotas diferentes.. eu caminho pelas mesmas calçadas todos os dias, converso com os mesmos guardadores de carros e mostro a língua para o mesmo dono de bar amigo.

 

Se todo mundo sabe que não se deve falar com estranhos, se o certo é segurar a bolsa e sair correndo desesperadamente no primeiro “oi” ou “bom dia” que seja, eu não só respondo, como, algumas vezes, já acabei na “casa do pão de queijo”, tomando cappuccino com desconhecidos, enquanto esperava o ônibus na Marginal Tietê.

 

Por não ser quase nada paranóica, por não me imaginar sendo picada em pedacinhos e desovada num córrego qualquer, as pessoas a minha volta passam a ser paranóicas por mim. Minha mãe tem crises de desespero quando estou andando sozinha pelas ruas de São Paulo, me liga compulsivamente e manda zilhões de sms me mandando tomar cuidado. Quando chego tarde em casa, ela já está em agonia contando quantas horas faltam pra poder dar queixa de desaparecimento, isso sem contar nas vezes que se sente tentada a ligar para o namorado, sogra, cunhada, número qualquer rabiscado num guardanapo, quando não consegue falar comigo.

 

Os amigos entram em pânico e só faltam saltar diante de mim, como se fossem me proteger num tiroteio, quando alguém me dá “bom dia” e eu respondo. E depois escuto broncas no maior estilo “parece que não tem amor à vida”, como se sempre depois do “bom dia” viessem facadas, tiros e socos.

 

Ainda não sei se eu sou paranóica de menos ou se o mundo está paranóico demais, mas dia desses:

- Má, lembra daquele cara no bar?

- Vejamos.. tinha um bar, tinha umas caipirinhas, tinha um drink com sol de limão.. e um cara? Ah sim.. acho que, definitivamente, tinha um cara.

- Ah! Aquele paulistano bonitinho.. o que fez a piada com o canudinho, lembra?

- Hum.. aquele cara com quem você ficou?

- Sim!! Esse cara!

- Certo.. o que tem ele?

- Ele me ligou hoje.

- Ah! Que legal!

- Não é legal.. ele me convidou para sair, acredita?

- O que? Que absurdooo! O que ele está pensando, né? Te liga e depois te convida pra sair? Eu falava uns desaforos. Se ainda por cima ele te der bombons e quiser te pagar cerveja, sei lá.. acho que você deve dar um tapa na cara dele.

- Estou falando sério.. estou com medo.

- Ahn.. desculpe.. me chame de imbecil, mas eu ainda não consegui alcançar o pensamento, medo do que?

- Vai que o cara é um psicopata, vai que o “quer sair comigo” é um eufemismo para “matar, estuprar e picar em pedacinhos”.

- Ahn? Você acha que o cara é meio psicótico? Ele fez alguma coisa estranha?

- Aí que está o problema… nada estranho, muito pelo contrário.. ele parece ser bem legal, divertido e educado.

- Certo, então você pensa que o cara é um psicótico porque ele não parece nada psicótico, é isso?

- E os psicóticos por acaso parecem ser psicóticos?

- Bom, se é pra ficar paranóica assim.. então não saia com ele, oras!

- Ah! Mas eu quero muito sair com ele.

- Então saia com ele, oras!!!

- Err, você tem razão… vou marcar num lugar público.. é isso! Vou ligar pra ele.

Algumas horas depois chega o sms:

- Estou com o cara, por enquanto está tudo bem. Ele tem um carro X da cor Y e o número da placa é WRC678, se eu não der sinal de vida em 1 hora, ligue para a polícia.

Uma hora depois ela liga:

- Ai, pronto.. estou em casa, deu tudo certo, o cara não fez nada. Ai!! Que sufoco!

- Ahn? Ele é gente boa, legal e não te matou e nem te colocou no porta-malas e você está arrependida de sair com ele?

- Ah! Dessa vez tive sorte, mas da próxima vez posso não ter tanta sorte… melhor parar de viver perigosamente assim..

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11 respostas Até agora ↓

  • Alexandre // Setembro 3, 2008 às 4:12 AM

    Ma, a verdade é que você é paranóica de menos, o mundo é paranóico demais e ainda por cima você insiste em ser amiga de gente maluquinha huahuahuahuahuahuahua
    Com essa sua crença de que o mundo é um lugar legal pra se viver e com sua compulsão por sorrisos e simpatia, só não foi desovada ainda num córrego porque Deus protege os autistas e na falta dele, Alexandre cobre o turno huahuahuahuahua
    ILD
    Beijos estalados

  • Leandro Henrique // Setembro 4, 2008 às 6:02 AM

    O mundo é paranóico sim Máh… Quanto a você… bem… as x penso que você não é deste mundo! huahuhuahuahua bjus bjus

  • Dani // Setembro 4, 2008 às 4:48 PM

    Amigaaa! Eu acho que além do mundo ser paranóico, você ainda escolhe suas amizades a dedo: a maioria tem que ter, no mínimo, tendência a medicação controlada hihihi

    ;*

  • Alesbier // Setembro 5, 2008 às 1:43 AM

    odeio essas historias ficticias.. esses personagens inventados.

    a casa do pao de queijo aqui de curitiba eh sensacional… 12 paes de queijo por 1,70.
    nao tem como passar fome no centro.

  • Vlademir // Setembro 5, 2008 às 4:53 PM

    Dona Prozac, pelo jeito não tens só um anjo-da-guarda: Deus deve ter designado uma guarnição inteira de anjos!

    Ri às pampas imaginando o Alexandre como suplente de anjo-da-guarda:

    (Hora da rendição da guarda)

    Alexandre para anjo – E aí, qual a boa?
    Anjo para Alexandre – Tá loco, meu! Depois de hoje vou pedir transferência ou mudar de profissão!
    Alexandre para anjo – Calma! Pra você ver, eu tô aqui há uma eternidade e ela nunca me obedece, imagina se ela vai dar bola pra um novato como você! Vai por mim, daqui um tempo você acostuma…

    Como seria uma oração pra esse contingente todo mais o suplente?

    As sandices de vocês costumam pôr um sorriso no meu rosto em dias cinzas como hoje.

    Beijos, guria!

  • Pedro // Setembro 5, 2008 às 7:21 PM

    A Má na verdade não existe.. é apenas um delírio coletivo pra transformar esse mundão num lugar minimamente tolerável… ela surge de repente.. em mesas de bar, com um copo de caipirinha na mão, para consolar os melancólicos e mal humorados… é só você invocá-la com duas garrafas de bacardi apple e uma de grey goose.. e pronto! hahaha

    PS: Deuses, anjos, Alexandre, Pedro, Dani.. (digo, a Dani não porque vocês são tão surtadas que só podem ser do mesmo planeta).. só a Má pra juntar tantos seres em uma causa em comum: vodka, risadas e Maíra

  • Andre // Setembro 5, 2008 às 7:46 PM

    Lindinha! Você é muito bom coração pra fazer parte deste mundo paranóico, por isso a força-tarefa pra impedir que algo te aconteça.. e ainda assim você continua com aquela propensão inacreditável de ser envolver em acidentes rs

  • Danilo // Setembro 5, 2008 às 8:04 PM

    Erguendo os braços para o céu distante
    E apostrofando os deuses invisíveis,
    Os homens clamam: – “Deuses impassíveis,
    A quem serve o destino triunfante,

    Porque é que nos criastes?! Incessante
    Corre o tempo e só gera, inextinguíveis,
    Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis,
    Num turbilhão cruel e delirante…

    Pois não era melhor na paz clemente
    Do nada e do que ainda não existe,
    Ter ficado a dormir eternamente?

    Porque é que para a dor nos evocastes?”
    Mas os deuses, com voz inda mais triste,
    Dizem: – “Homens! Porque é que nos criastes?”

    Antero de Quental

    Acho que a criação dos homens, dos deuses, da vodka e do chocolate, só tem uma razão: Maíra, a ‘nojentinha’ mais graciosa do mundo :)

  • Dani // Setembro 6, 2008 às 2:56 PM

    Humpf!!! ;@@@

    Surtada??? Blerggggg.. somos é caoticamentes avançadas, como diz minha super amiga Má =)
    Devo dizer que o Ale não preza muito a sutileza, ele sendo “anjo da guarda designinado pra dar cobertura para o contigente” é algo mais como “sabe o cigarro?” (piada interna rs), mas como diz a Má é coisa de não saber lidar com os sentimentos hihihi

  • Castor // Setembro 9, 2008 às 5:22 PM

    Onde estão os seres psicóticos quando mais se precisam deles?
    No mais, um pouco de poluição não faz mal a ninguém… Muito embora uma vida de sol, calor, areia, mar, cerveja e “otras cositas más” seja sempre bem vinda.
    Se for possível gelar a cerveja de modo alternativo, dispenso até energia elétrica.
    Beijos!

  • Alexandre // Setembro 9, 2008 às 11:02 PM

    huahuahuahuahuahuahuahuahuahuahuahua
    Quando fui designado pra tomar conta dessa paulistana doida precisei de muita coragem e um pouco de estupidez para aceitar a missão.. mas não costumo fugir aos desafios huahuahuahuahuahuahua
    Sobre a sutileza e comando da minha equipe de anjos é mais como
    “Porraaa querubim 02, não fodeeeee! Já mandei ficar a espreita… se você falhar o marreco vai voarrrr” huahuahuahuahuahua

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