Mah e suas aleatórias divagações

Da importância de se ler Charles Dickens

Maio 3, 2008 · 9 Comentários

 

 Ela estava dormindo, tendo seus sonhos sem sentido, quando começou a ouvir “She needs him, yeah… that’s why she’ll be back again.. Can’t find a better man.. Can’t find a better man.. CAN’T FIND A BETTER MAN”. Ela, de olhos fechados, com a cabeça enfiada no travesseiro, tateia ao seu redor, em busca daquele aparelho demoníaco, responsável pelo brusco despertar e, ainda sonolenta, desliga o celular enquanto resmunga: “merda de despertador”. Ela resmunga mais alguma coisa, ajeita o travesseiro e se enrola no edredom. Não se sabe se minutos ou segundos depois, mas o fato é que o celular voltou a tocar insistentemente. Ela abre os olhos, resmunga mais alguma coisa, dessa vez olha o visor, vê números desconhecidos e, ainda meio sonolenta, atende:

 

 - Se você não for um amigo(a) íntimo(a), com muita liberdade para me ligar a essas horas ou um desconhecido portador de alguma informação importantíssima, eu vou amaldiçoá-lo até a quinta geração por me acordar.

 

 - Você está namorando?

 

 - Ãhn?

 

 - Está namorando?

 

 - Não, estou dormindo (diz ela, sem entender muito bem o que está acontecendo).

 

 - Não perguntei nesse momento, não perguntei se interrompi alguma coisa. Perguntei se tem compromisso firmado, em alguma esfera, com algum indivíduo.

 

 - Quem fala?

 

 - Como quem fala? VOCÊ NÃO SABE QUEM ESTÁ FALANDO??

 

 - Não sei nem se eu estou falando ou sonhando. Que horas são? Pode me ligar depois do meio-dia? Não, não.. depois das 14h.. Isso, depois das 14h, decidido!

 

 - Eu estava pensando em você e me perguntando por que a gente terminou e não consegui encontrar a resposta. Você se lembra?

 

 - Não lembro nem que namoramos.

 

 - Eu estava saindo com uma garota e estava fazendo uma analogia envolvendo o David Copperfield e de repente ela fez gestos estranhos de empolgação feminina, enquanto repetia “eu A-DO-RO-OOO aquele mágico, pena que o Fantástico não passa mais aquele quadro com ele”. Assim, com essa ênfase no “adoro” e tudo.

 

 - Não sei se você está bêbado ou se eu estou dormindo, mas era para essa conversa ter sentido?

 

 - Ela começou a falar coisas do mágico, do Fantástico e eu pensei “Meu Deus! Com que tipo de mulher eu ando saindo?”. E enquanto ela falava de mágicas e de modelos norte-americanos, eu comecei a pensar em você e comecei a me perguntar por que diabos terminamos. Não consegui encontrar um motivo, tive que te ligar.

 

 - Definitivamente, não foi por eu não conhecer a obra de Charles Dickens. Posso voltar a dormir agora?

 

 - Lembrou que namoramos?

 

 - Sim, você tem o perfil exato para ser meu namorado. Ligar de madrugada para falar da sua atual e Charles Dickens, é algo que só um excêntrico faria. Sendo você maluco e excêntrico, só pode ter sido e/ou está prestes a se tornar meu namorado.

 

 - Então você também acha que deveríamos voltar?

 

 - Sim, eu deveria voltar a dormir, você deveria voltar a.. a.. hum.. passar para o próximo nome da agenda de ex-namorada?

 

 - Você continua com um humor ácido.

 

 - E você continua com a péssima mania de me ligar de madrugada.

 

 - Por isso terminamos?

 

 - Se bem me lembro, você que terminou comigo. Será que é porque eu fui e continuo sendo ácida?

 

 - Eu terminei com você?

 

 - Sim, foi quando eu descobri o sorvete de chocolate suíço com avelã, assisti compulsivamente “Sociedade dos poetas mortos” e me dediquei aos cd´s de jazz.

 

 - Até parece. Você disse um “tudo bem” e seguiu sua vida como se nada tivesse acontecido.

 

 - Jura que não lembra porque terminamos? Pelo ressentimento por eu não ter tentado o suicídio, parece que você se lembra bem do fim da relação.

 

 - O ressentimento é por você não ter me ligado 28 vezes, num intervalo de 2 horas, para dizer que queria voltar.

 

 - Eu acredito no livre arbítrio e você me disse ter certeza que era aquilo que queria, enfatizando que não ia me procurar e que eu deveria fazer o mesmo.

 

 - Eu queria que tivesse me ligado 28 vezes, aliás, 2 bastariam. A gente merecia um fim melhor, um motivo melhor.

 

 - Então está me ligando para que a gente termine decentemente?

 

 - Não, estou ligando para que a gente namore.

 

 - Namore e depois termine decentemente?

 

 - Não, só namore… O que me diz?

 

- Digo que, definitivamente, você gosta muito de Charles Dickens.

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9 respostas Até agora ↓

  • Alexandre // Maio 4, 2008 às 5:23 AM

    huahuahuahua
    Não é só pelo Dickens, tem tb o Pessoa huahuahuahuahua
    Afinal, é claro q vc ter essa carinha de boneca, essa pele branquinha e perfumada e deixar até um eunuco excitado com essa voz doce e sexy não siginifica e não tem influência em nada huahuahuahuahuahuahua

  • Pedro // Maio 4, 2008 às 3:30 PM

    Belo texto morena :-p
    Ehh, se vc diz que traição se perdoa, defeitos se ignora, mas saber fazer brigadeiro é fundamental, o que tem demais alguém focar na literatura? hahaha

  • Bruno // Maio 4, 2008 às 11:40 PM

    Fuuuuuuu
    Eu acho que ele gosta é de você :D

  • Anônimo // Maio 5, 2008 às 5:09 AM

    POR VOCÊ

    Se você quiser a lua
    Eu lhe digo: tome, é sua
    Porque eu fiz a lua pra você
    Se você quiser a estrela da manhã
    Amanhã mesmo
    Eu pego e mando pra você
    Por você todas as flores
    Exibiram novas cores
    Tudo pura inveja de você
    E milhões de passarinhos
    Nos seus ninhos
    Compuseram
    Este lindo iê-iê-iê
    Por você, senhorazinha, menina
    Que mais linda não vai ter nunca mais
    Mais LINDA (:

  • Felipe Lacerda // Maio 5, 2008 às 1:10 PM

    Ainda acho que você deveria ser escritora. Dou-lhe a maior força. Só não lhe dou uma editora que isso não tenho nem mesmo para mim.
    E acho mesmo que traição é perdoável (na medida da vontade) e timidez dá até para se tolerar, mas brigadeiros são mesmo fundamentais.
    Mando pra ti pães de queijo, doce de leite e queijo. Seu e-mail é de quantos megas? HAHAHAHAHHAHAAAHAHAH.
    (Já reparou como risadas na net parecem sempre doentias e psicóticas? Ou andei lendo gibis demais?
    Abraço, pequena má (mah) da internet.

    PS: Odeio quando isso acontece.

  • Dani // Maio 5, 2008 às 2:12 PM

    Eu acho que vc já é escritora, mas não se assume Mah hihihi
    Viva David Coperfield, um personagem, que além de denso e interessante, ainda serve de conversas malucas para casais solteiros que deveriam voltar a ser casais. Três vivas para Charles Dickens e para meus amigos excêntricos. Mais três vivas para as conversas de madrugada. Mais três vivas pelo final de semana prolongado. E por fim, três vivas por toda a bebida e bagunça que fizemos :-p

  • Carlos Alexandre // Maio 5, 2008 às 3:55 PM

    Doente de amor procurei remédio na vida noturna com a Flor da noite em uma boate aqui na zona sul, a dor do Amor é com outro amor que a gente cura, vim curar a Dor nesse mal de amor na boate azul

    hsuahushuahushushushushushushuahuahua

    Chamex, sempre uma alegria a mais no meu dia, excelente texto “morena”

  • euemeuegogrande // Maio 5, 2008 às 4:20 PM

    Não gosto de Copperfiled, prefiro o David Blane!!!!!! huauhauhauhauhuahuhua

  • Guilherme // Maio 7, 2008 às 4:25 AM

    o legal é postar e fazer as pessoas rirem.
    preciso voltar mais vezes.. hahaha.

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