Meus queridos amigos, leitores assíduos, passantes virtuais e pessoas que procuram coisas estranhas e práticas não ortodoxas envolvendo fio terra, pasta de dente, desentupidor de pia, animais e KY gel, é com muito pesar que, por motivo de força maior, comunico meu afastamento do mundo virtual por alguns dias.
Lamento por todos os e-mails que não respondi, mas, por favor, não nos tire do seu “favoritos”, seu e-mail é muito importante para nós. Por favor, aguarde seu e-mail será o próximo a ser respondido.
A comunicação será restabelecida, novos textos publicados e os e-mails devidamente respondidos, assim que possível. Até lá.. faça como eu.. leia Clarice.
“Sentou-se para descansar e em breve fazia de conta que ela era uma mulher azul porque o crepúsculo mais tarde talvez fosse azul, faz de conta que fiava com fios de ouro as sensações, faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos, faz de conta que uma veia não se abrira e faz de conta que dela não estava em silêncio alvíssimo escorrendo sangue escarlate, e que ela não estivesse pálida de morte mas isso fazia de conta que estava mesmo de verdade, precisava no meio do faz de conta falar a verdade de pedra opaca para que contrastasse com o faz de conta verde-cintilante, faz de conta que amava e era amada, faz de conta que não precisava morrer de saudade, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus, não Lóri mas o seu nome secreto que ela por enquanto ainda não podia usufruir, faz de conta que vivia e não que estivesse morrendo pois viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte, faz de conta que ela não ficava de braços caídos quando os fios de ouro que fiava se embaraçavam e ela não sabia desfazer o fino fio frio, faz de conta que era sábia bastante para desfazer os nós de marinheiros que lhe atavam os pulsos, faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua, faz de conta que ela fechasse os olhos e os seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos da gratidão mais límpida, faz de conta que tudo o que tinha não era de faz-de-conta, faz de conta que se descontraíra o peito e a luz dourada a guiava pela floresta de açudes e tranqüilidade, faz de conta que ela não era lunar, faz de conta que ela não estava chorando por dentro - pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver”
[Clarice Lispector: Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres]
Blá blá blá