Ele foi como uma chuva de verão: surgiu de repente e com a intensidade de uma tempestade tropical.
Ela não gostou dele de início, não que tenha desgostado de fato, mas por mais que ele soasse literário, soubesse usar o pretérito mais que perfeito e em uma avaliação parcial, parecesse simpático, ela, ainda assim, achava que ele era como qualquer outro. Ou melhor, ela achava que ele era mais um curitibano mal humorado que achava que paulistas migravam para Curitiba com o intuito de perturbar a paz em elevadores, roubar empregos e jogar papel pelas calçadas. Mesmo assim, ela não foi mais nem menos simpática do que normalmente seria com qualquer outro.
Em qualquer situação normal ela nunca falaria com ele. Em qualquer situação normal, ele nunca falaria com ela.
Ele era uma mistura das histórias de Goethe com um toque de Hemingway. Tinha o sarcasmo digno de muitos poetas clássicos e o humor pastelão de comédias antigas.
Ela era quase um filme de Luís Bruñuel, uma pintura de Dali, um evento surreal. Era dramática de um jeito mexicano, caótica, egocêntrica, mimada, prolixa e a linearidade não estava presente no seu dia-a-dia.
Ele não gosta de cachorros. Ela brinca até com o cachorro da ajuda do Word, e fala toda empolgada com quem estiver por perto “ele está abanando o rabinho pra mim”, daquele jeito patético e com entonações entusiasmadas que só ela é capaz de conseguir, falando dessas coisas malucas e sem nenhuma relevância.
Ele é preto e branco. Ela é em cores.
Ela, algumas vezes, chegou a achá-lo antipático, arrogante e presunçoso. Chegou a detestar o jeito dele falar… a fazendo parecer dependente e vulnerável, mas então ele mescla seu surto de arrogância com belas frases poéticas e ela fica intrigada demais para conseguir criticá-lo por mais de duas linhas.
Não se sabe como se tornaram amigos, a ponto do absurdo dela sentir falta de perturbar a paz dele e ele sentir falta de ter a paz interrompida por ela, se tornar verdade.
Só não digo que ele e ela são opostos por completo, pois possuem a teimosia, o orgulho e a utopia de auto-suficiência como semelhanças.
Mas uma coisa é certa, por mais que, como toda chuva de verão, ele passe.. ela nunca mais olhará uma sanduicheira da mesma maneira.
PS: Informamos que esta é uma obra de ficção, sendo os personagens inventados.. e/ou originados de delírios.
Blá blá blá