Dizia o jornalista Fernando Pessoa Ferreira que “a maior atração turística de Curitiba é o inverno, que começa em fevereiro e termina em dezembro. Nos outros meses, chove”. Eu diria que nem precisa muito, diria que o período de inverno é alternado com o período de verão, que por sua vez é alternado com o período de tempestades, tudo no mesmo dia.
Claro que o verão termina às 18 horas e as tempestades começam justamente nesse horário, porque é o horário que estou saindo do trabalho. Trata-se de um problema claramente pessoal, porque já foi comprovado: quando saio mais cedo do trabalho, os temporais também começam mais cedo e o frio começa a ressurgir quando estou num dia de roupas de verão.
Apesar de ter 24 anos eu sofro de uma menopausa precoce, enfim, sinto um calor senegalês até nos dias suavemente quentes de Curitiba, então na bela segunda-feira de sol e calor intenso lá estava eu vestida moda praia.. de vestido frente única de cores mais alegres e vibrantes. Tudo ia muito bem até as 18 horas, quando de repente.. 4 quarteirões de casa eu fui surpreendida por uma mega tempestade com ventos fortes e granizo e logo na segunda-feira de cabelo bom. Sabe qual a probabilidade de uma pessoa de cabelo cacheado estar feliz com seu cabelo sem ter feito escova ou estar usando presilhinhas? As chances de isso acontecer são mínimas.. MÍNIMAS!
Era uma batalha árdua, a chuva vinha de todos os lados e o guarda-chuva e nada seriam a mesma coisa, quer dizer.. ele impedia que minha bolsa fosse completamente encharcada, mas de resto não tinha mais solução.
Em uma tentativa desesperada parei em um ponto de ônibus, mas ao contrário do que você, nobre pessoa que não conhece Curitiba profundamente pensa, nem todos os pontos de ônibus da cidade são aqueles tubos que você vê em postal. Obviamente que o que eu tinha a disposição era um daqueles pontos meio cobertos, mas que não resolviam todos meus problemas e até causavam mais alguns.
Ali fiquei um tempo, esperando a chuva dar uma amenizada. A chuva estava forte e a água nas ruas interditaria muitos aeroportos por muito tempo. Os carros passavam por ali em alta velocidade espirrando água para todos os lados, para todos os SEUS lados também, você já estava quase ensopada, mas do outro lado da rua vi uma situação ainda pior.
Os excêntricos curitibanos são assim, uma estranha tribo que se alimenta de pinhão, não sabem dirigir em dias chuvosos, não falam com estranhos, mal falam com conhecidos, mas residem em casas iguais às nossas e insistem em ter uma vida igual a nossa. É notória a falta de habilidade do curitibano em dirigir com chuva. Tenho amigos que tentam fazer um projeto de lei que proíbe os nativos de dirigirem em dias chuvosos ou com umidade superior a 70%. Enquanto isso não acontece somos obrigados a ver o trânsito caótico e congestionamentos em dias chuvosos, além de aturar os carros passando praticamente em cima das calçadas, lavando ponto de ônibus e passantes.
Bem na frente do ponto de ônibus que estava tinha um posto de gasolina. Um moço com um guarda-chuva esperava para atravessar a rua quando passou um carro e jogou rios de água para os lados. O pobre moço ficou todo ensopado, atingido dos pés até o rosto. Indignado ele fechou o guarda-chuva e foi-se embora no meio do temporal, se estivesse de óculos sei que poderia ter visto claramente o movimento labial dele com vários xingamentos impronunciáveis.
Era preciso aceitar a realidade: A CHUVA NÃO IA PARAR. Estava perto de casa mesmo, já estava ensopada mesmo, a chuva de granizo já tinha parado. O que mais eu tinha a perder? Fui andando para casa e então descobri que tinha muito mais a perder sim: os sapatos.
Já tinha visto rios com menos água e correnteza do que nas ruas perto de casa e foi assim.. caminhando e travando uma batalha particular pra manter os sapatos no meu pé, até que não teve jeito, a natureza se manifestou mostrando sua supremacia arrastando meu sapato pela enxurrada. Como qualquer mulher teimosa e inconformada, fui atrás do sapato numa perseguição alucinada, sendo esta uma das cenas mais deploráveis da minha vida (só não menos ridícula do que quando tive que tirar um pardal morto do meu salto), o alcancei alguns metros à frente, preso entre galhos, folhas e lama.
Daí por diante desisti de ser uma dama, desisti de tentar salvar minha bolsa da chuva. Há um quarteirão de casa fechei o guarda-chuva e com os sapatos em mãos, fui caminhando descalça até minha casa… e lá se foi uma segunda-feira linda e ensolarada.. e lá se foi um dia de cabelo bom… e assim começou uma gripe.. os dias seguintes a segunda-feira foram assim, calor senegalês até certo período da tarde, temporais o resto do dia.. uma gripe só não agravada graças a auto-medicação. Uma alergia por causa do calor iniciada, mas tudo bem, afinal, eu tinha salvado seus sapatos…
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PS: Ah! Saudades da mordomia da casa dos pais. Saudades da vida de paulista mimada.. Saudades da vida com carro!
10 respostas Até agora ↓
Vlademir // Novembro 2, 2007 às 8:53 PM
Já passei maus bocados com o clima de Curitiba, por isso sei bem o que sentiste…
Na primeira vez que estive aí, no primeiro dia ao sair de casa, o dia estava quente, mas me alertaram para levar um casaquinho, porque quando eu voltasse estaria frio. Que nada, achei bobagem levar o casaco num dia tão quente, porém no final da tarde bateu aquele frio. Eu já não via a hora de voltar pra casa, na rua todos encasacados ou vestindo os seus casacos e eu ali de camiseta, fazendo o maior esforço para manter aquela cara de macho valente. :-P
Já faz alguns anos passei por uma situação bastante desagradável em um dia de chuva aqui na cidade onde moro. Nesse dia eu tinha uma entrevista para emprego, era uma oportunidade especial, então vesti-me com minha melhor “beca” e fui para a entrevista. Desci do ônibus no ponto na frete da empresa e aguardei para atravessar a rua, quando um carro que vinha no mesmo lado em que eu estava acelerou ao chegava perto e veio mais para junto do meio-fio para passar em uma poça de lama que estava próximo a mim. Tomei um banho de lama da cabeça aos pés. E aqueles que estavam no carro ainda pararam para ver o espetáculo que causaram propositadamente. Não tive coragem de me apresentar na entrevista para o emprego, só me restou voltar para casa.
Cuida-te direitinho aí para te livrar dessa gripe e da alergia. Logo, logo, eu vou estar aí pela redondeza, então o clima vai estabilizar.
É, eu sei, eu sei, tenho que me livrar desse delíro de grandeza, auto-suficiência e mitomania… mas que o clima muda, muda. E tenho dito! :OP
Ray // Novembro 2, 2007 às 11:41 PM
Até parece que isso é privilégio de Curitiba…
Dani // Novembro 3, 2007 às 1:39 PM
Que ranzinza! hihihi
Mah, seu destino é enfrentar chuvas e ter problemas com sapatos, abrace-o! rss (ah, o pardal, o pardal!)
Tico // Novembro 5, 2007 às 3:16 AM
A gente já conversou sério sobre isso, num foi Ma? hahahahaha
(hã, hã? hahahaha)
Alesbier // Novembro 5, 2007 às 3:29 PM
tirando alguns exageros, nao posso mandar voce correr com esse post.
afinal, todos nós, nao curitibanos já passamos por experiencias similares… tomar banho de chuva não é um privilegio só seu!
Abraço.
Pedro // Novembro 6, 2007 às 2:42 AM
Cachinhos!!! (:
Cat, você sabe que te dou casa, carona e proteção quanto a perda de sapatos, só acenar pra mim hahahahahahaha
Me mata de rir ainda essa garoteenha
Pedro // Novembro 6, 2007 às 2:43 AM
Exagerada você? Da onde! Perdoai senhor eles não sabem o que dizem hahahahahaha
Alexandre // Novembro 6, 2007 às 10:35 PM
Olha, que me perdoem quem tiver que me perdoar, mas eu conheço bem esses seus calores huahuahuahuahuahuahuahuahua
Você e as chuvas, os pardais, as roupas levadas por engano pra Floripa. Bem-vindo ao estranho mundo de Maíra, esse devia ser o nome do blog huahuahuahuahua
Tico // Novembro 9, 2007 às 3:22 PM
Bastariam alguns minutos com você aquiiiii ;@
André // Novembro 15, 2007 às 5:57 PM
Já devia ter se acostumado :-p