São seis anos morando em Curitiba. Foram alguns anos vagando por São Paulo, passando férias no Espírito Santo.. alguma coisa eu tinha que ter aprendido.
“A descoberta do chucrute”
Uma temporada em Joinville, estudantes, sair pra jantar naquela época era parar naquele carrinho de cachorro-quente ali da esquina, pedir um cachorro-quente completo e uma coca-cola. Pois bem… tudo caminhou perfeitamente até o:
- E então, as jovens vão querer o que? (pergunta o senhor do cachorro-quente pra mim e para minha amiga).
- Dois completos e uma coca (diz minha amiga nativa e anfitriã).
Então algumas histórias bizarras, risadas e muitos pagodes do som ambiente da barraquinha de cachorro-quente, depois:
- Má, que cara é essa?
- Hum.. não sei não. Mas acho que esse cachorro-quente está estragado.
- Estragado?
- É.. você não está sentindo esse gosto estranho nele?
- Gosto estranho? Deixa-me ver..
- Ué.. tá normal..
- Normal? Parece que tem algo estragado aí..
- Estragado? Hum.. Ah! Eu esqueci de avisar.. você não gosta de chucrute, não?
- Do que?
- Chucrute, oras.. repolho azedo.
- Ui.. e alguém em sã consciência gosta de repolho azedo?
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“Com uma ou duas vinas?”
- Um cachorro-quente, por favor.
- Com uma ou duas vinas?
- Ah.. sem vina.
- Sem vina??
- Sim.. sim… não gosto muito (não fazendo a menor idéia do que era, mas se fazendo de entendida).
- Está certo.. sem vina, mas de resto completo?
- Sim, sim.. completo..
.Alguns minutos depois:
- Ow.. cadê a salsicha? Meu.. isso aqui é farofa?? Farofa no cachorro-quente???
- Você pediu sem vina.. e completo.
- É.. mas eu não falei nada pra tirar a salsicha. E.. farofa? FAROFA??
*Vina: Nome estranho que deram para a salsicha aqui em Curitiba.
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“A perda do penal”
Morava em Ribeirão Preto e tinha uma amiga catarinense. Nunca vi ninguém ficar tão feliz ao descobrir que existia pamonha doce e salgada. Nunca conheci ninguém que falasse tão empolgadamente para os parentes catarinenses sobre o churrasco em São Paulo, falando das carnes e da farofa. Ah sim! Também antes de conhecê-la nunca tinha ouvido falar em penal.
Estávamos saindo da biblioteca quando:
- Ai! Acho que esqueci meu penal.
- Vamos voltar lá pra ver.
Andamos pela biblioteca, pelas mesas que passamos e nada. Então minha amiga resolveu perguntar para um dos funcionários que cuidavam da biblioteca:
- Moço, moço.. O senhor não achou um penal?
- Penal?
- Sim, eu acho que o esqueci aqui. Ninguém entregou um penal para o senhor?
- Minha jovem.. por acaso isso tem alguma coisa a ver com o órgão sexual masculino?
Risos gerais em volta e uma catarinense roxa de vergonha. Como boa amiga que sou, assim que eu consegui parar de rir:
- Não, não..ela quis dizer estojo. Penal é a mesma coisa que estojo, o senhor encontrou algum estojo?
- Ah! Porque não disseram logo que era isso que procuravam?
Nota: Depois desse dia nunca mais a vi falar em “penal”.
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“Bolacha ou biscoito?”
- O bisxxxcoito acabou?
- Não é biscoito, é bolacha.. e acabou sim…
- É bisxxcoito.. vocês paulistas não sabem falar nada mesmo.
- É bolacha.. eu já te disse.
- É bisxxcoito, bisxxcoito, bisxxcoito.
- Bolacha, bolacha, bolacha. (discussão muito adulta)
- Bolacha é um tapão, bisxxcoito é bisxxcoito.
- É bolacha Meu Deus! Você não está no Rio..
- Vem comigo.
- Onde vamos?
- Anda, anda..
Ele me arrasta até o mercado. Até a seção de bolachas.
- Veja, veja! O que está escrito aqui? B-I-S-X-X-X-C-O-I-T-O
- Não.
- Como não? Leia…
- Está escrito B-I-S-C-O-I-T-O.. Esses cariocas.. terminam de falar e continuam chiando.
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“Mimosa”
- Comprei mimosa.
- Mimosa?
- Sim.. lá em São Paulo vocês não tem mimosa?
- Tem sim.. só na fazenda do meu avô tem um monte.
- Sério? Quantos pés?
- Quatro.. quatro patas.. cada uma..
- Oi?
- Mimosa.. nome comumente dado as vacas…
- hahahahahaha. Mimosa é uma fruta, Má.
- Fruta?
- É.. isso aqui ó (diz ele trazendo uma sacola de mexerica).
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“O quentão curitibano”
- Vamos tomar quentão?
- Vamos..
- Dois quentões, por favor.
- Com ou sem gemada?
- Quer com gemada, Má?
- Argh! Gemada? Não.. de jeito nenhum.
- Dois sem gemada.
- Que foi Má? Que cara é essa?
- Pensei que íamos tomar quentão.
- Então.. não é o que estamos fazendo?
- Não.
- Não?
- Isso é vinho-quente.
- Claro que não.. é quentão.
- É vinho-quente.
- É quentão, Má.
- Certo.. se quentão é vinho-quente, vinho-quente é o que??
5 respostas Até agora ↓
André // Setembro 24, 2007 às 3:10 PM
Bom dia gatinha manhosa do meu coração (:
Sabia que mesmo você sendo essa paulistana pateta e maluca eu gosto de você? (com alguns “muito”, viu?)
Esse texto é bem a sua cara Má rss
;***
Vlademir // Setembro 25, 2007 às 12:43 AM
Buenas, guria.
Lembro-me da primeira vez que estive em Curitiba, foi em 1984, na qual fui a uma panificadora (aqui eu chamo padaria) e pedi 5 cassetinhos (pãozinho francês)… Imagina só a cena: do outro lado do balcão a mocinha ficava com a face de todas as cores possíveis, e eu cá do outro lado também respondendo no mesmo padrão de cor… Fiquei muito tempo desviando por outra rua, tamanho o meu constrangimento.
Uma expressão Curitibana que ainda não me acostumei é aquela quando eles estão explicando uma coisa e dizem “sabe como!?”. Confesso que às vezes dá vontade de responder e dizer: como vou saber, você está me contando agora, coisa e tal…
A das vinas também é ótima; clássica por assim dizer…
A propósito das mimosas-mexericas, aqui chamamos bergamota; tem uns que chamam vergamota, variantes ao estilo travesseiro e trabesseiro…
É estranho, não? Porque será que ainda tem gente que insiste em chamar bolacha de biscoito!? :-)
Vou confessar uma coisa, mas não conte pra mais ninguém: é deliciosamente saboroso esses falares diferentes.
Para não perder o tom me despeço com umas expressões bem gaúchas.
“Tchê”, mando daqui, da minha “querência amada”, um quebra costelas bem chinchado” e que tenhas uma semana “loca de especial”, “legal às pampas”, “tri legal, mesmo”; “mas bah, prosiei demais. Vou pinotear. Tchau.”
Pedro // Setembro 25, 2007 às 5:43 AM
hahahahahahahahahahaha
Pateta!
Lembro da nossa crise de riso quando você falava da história da vina, lembra? Abaixando a cabeça e rindo como dois bocós hahahahahaha
Você é pra vida toda Má, pra esta e pra todas as outras que por ventura existirem..
PS: Você é a campeã em línguas, em expressões idiomáticas(surtos de risos)
Beijocas nessa pele branquela e gostosa (“Ai Pedro, não fala assim que me dá calor” hahahaha)
Dani // Setembro 25, 2007 às 2:17 PM
“Pedro, Pedro, você está andando em uma linha tênue” (DANIELLE citando MAÍRA rss)
Ai Má! A do bixxcoito foi foda, lembrei da época. Bons tempos, né amiga? Agora você tá aí convivendo com as “vinas”, faltou você falar da pizza e do ketchup e maionese, é sua história clássica! Mas adorei
Beijos amigaaa linda!
Celso Amâncio // Setembro 28, 2007 às 3:25 PM
Esses regionalismos…
engraçado, em Sacramento MG, que é bem perto de Ribeirão, existiam alguns que falavam penal… embora não fosse o mais comum.
Agora sinceramente, não me conformo em chamar bolacha de biscoito, pra mim biscoito são aqueles de polvinho, redondos… ou no mínimo parecidos com esses.
Uma vez um amigo de BH fez o mesmo comigo, mandou eu ler o que estava escrito no pacote… fiz questão de ler B-o-l-a-c-h-a!