Regionalismo

23 09 2007

São seis anos morando em Curitiba. Foram alguns anos vagando por São Paulo, passando férias no Espírito Santo.. alguma coisa eu tinha que ter aprendido. 

“A descoberta do chucrute”

Uma temporada em Joinville, estudantes, sair pra jantar naquela época era parar naquele carrinho de cachorro-quente ali da esquina, pedir um cachorro-quente completo e uma coca-cola. Pois bem… tudo caminhou perfeitamente até o:

- E então, as jovens vão querer o que? (pergunta o senhor do cachorro-quente pra mim e para minha amiga).

- Dois completos e uma coca (diz minha amiga nativa e anfitriã).

Então algumas histórias bizarras, risadas e muitos pagodes do som ambiente da barraquinha de cachorro-quente, depois:

- Má, que cara é essa?

- Hum.. não sei não. Mas acho que esse cachorro-quente está estragado.

- Estragado?

- É.. você não está sentindo esse gosto estranho nele?

- Gosto estranho? Deixa-me ver..

- Ué.. tá normal..

- Normal? Parece que tem algo estragado aí..

- Estragado? Hum.. Ah! Eu esqueci de avisar.. você não gosta de chucrute, não?

- Do que?

- Chucrute, oras.. repolho azedo.

- Ui.. e alguém em sã consciência gosta de repolho azedo? 

“Com uma ou duas vinas?”

- Um cachorro-quente, por favor.

- Com uma ou duas vinas?

- Ah.. sem vina.

- Sem vina??

- Sim.. sim… não gosto muito (não fazendo a menor idéia do que era, mas se fazendo de entendida).

- Está certo.. sem vina, mas de resto completo?

- Sim, sim.. completo..

.Alguns minutos depois:

- Ow.. cadê a salsicha? Meu.. isso aqui é farofa?? Farofa no cachorro-quente???

- Você pediu sem vina.. e completo.

- É.. mas eu não falei nada pra tirar a salsicha. E.. farofa? FAROFA??

*Vina: Nome estranho que deram para a salsicha aqui em Curitiba.

“A perda do penal”

Morava em Ribeirão Preto e tinha uma amiga catarinense. Nunca vi ninguém ficar tão feliz ao descobrir que existia pamonha doce e salgada. Nunca conheci ninguém que falasse tão empolgadamente para os parentes catarinenses sobre o churrasco em São Paulo, falando das carnes e da farofa. Ah sim! Também antes de conhecê-la nunca tinha ouvido falar em penal.

Estávamos saindo da biblioteca quando:

- Ai! Acho que esqueci meu penal.

- Vamos voltar lá pra ver.

Andamos pela biblioteca, pelas mesas que passamos e nada. Então minha amiga resolveu perguntar para um dos funcionários que cuidavam da biblioteca:

- Moço, moço.. O senhor não achou um penal?

- Penal?

- Sim, eu acho que o esqueci aqui. Ninguém entregou um penal para o senhor?

- Minha jovem.. por acaso isso tem alguma coisa a ver com o órgão sexual masculino?

Risos gerais em volta e uma catarinense roxa de vergonha. Como boa amiga que sou, assim que eu consegui parar de rir:

- Não, não..ela quis dizer estojo. Penal é a mesma coisa que estojo, o senhor encontrou algum estojo?

- Ah! Porque não disseram logo que era isso que procuravam?

Nota: Depois desse dia nunca mais a vi falar em “penal”.

“Bolacha ou biscoito?”

- O bisxxxcoito acabou?

- Não é biscoito, é bolacha.. e acabou sim…

- É bisxxcoito.. vocês paulistas não sabem falar nada mesmo.

- É bolacha.. eu já te disse.

- É bisxxcoito, bisxxcoito, bisxxcoito.

- Bolacha, bolacha, bolacha. (discussão muito adulta)

- Bolacha é um tapão, bisxxcoito é bisxxcoito.

- É bolacha Meu Deus! Você não está no Rio..

 - Vem comigo.

- Onde vamos?

- Anda, anda..

Ele me arrasta até o mercado. Até a seção de bolachas.

- Veja, veja! O que está escrito aqui? B-I-S-X-X-X-C-O-I-T-O

- Não.

- Como não? Leia…

- Está escrito B-I-S-C-O-I-T-O.. Esses cariocas.. terminam de falar e continuam chiando.

  

“Mimosa”

- Comprei mimosa.

- Mimosa?

- Sim.. lá em São Paulo vocês não tem mimosa?

- Tem sim.. só na fazenda do meu avô tem um monte.

- Sério?  Quantos pés?

- Quatro.. quatro patas.. cada uma..

- Oi?

- Mimosa.. nome comumente dado as vacas…

- hahahahahaha. Mimosa é uma fruta, Má.

- Fruta?

- É.. isso aqui ó (diz ele trazendo uma sacola de  mexerica).

 

“O quentão curitibano”

- Vamos tomar quentão?

- Vamos..

- Dois quentões, por favor.

- Com ou sem gemada?

- Quer com gemada, Má?

- Argh! Gemada? Não.. de jeito nenhum.

- Dois sem gemada.

- Que foi Má? Que cara é essa?

- Pensei que íamos tomar quentão.

- Então.. não é o que estamos fazendo?

- Não.

- Não?

- Isso é vinho-quente.

- Claro que não.. é quentão.

- É vinho-quente.

- É quentão, Má.

- Certo.. se quentão é vinho-quente, vinho-quente é o que??





As dicas insanas das revistas femininas

18 09 2007

Um belo dia uma desocupada resolveu escrever sobre lugares para se conhecer homens. Que bares que nada, diziam elas, o ideal é você conhecer homens no supermercado, que aí sim você está buscando um homem decente, que realmente quer compromisso e todas essas teorias que tiraram sabe lá da onde. Vai ver que os melhores machos da espécie são aqueles que sabem escolher batatas e só você não sabia.

Bem, você tem um namorado, ele é do tipo que vai as compras com você sem você ter que gritar muito. Claro que isso está muito mais ligado com a vontade dele de comprar cerveja, queijo e salaminho do que com o fato dele ter um espírito corporativo.

Enquanto você está na seção de frios, você o avista na seção de verduras. Evidente que ele é um dos poucos seres do sexo masculino naquele recinto. Evidente que aquele lugar está cheio de mulheres e obviamente grande parte delas deve ter lido as tais dicas que falavam que o homem da vida delas estava em alguma seção do mercado. Você começa a reparar que muitas das passantes o abordam. Você fica com dó, mal sabem elas que da última vez que ele comprou batatas, já as trouxe estragadas.

Você nota que ele até sorri e é simpático. A quantidade de mulher em volta aumenta e você decide acabar com a diversão do menino, já se aproxima dele dando um leve beliscão em seu braço.

- Ai sua doida! Posso saber o que eu fiz agora?

- Ficou dando trela para desconhecidas. Precisa ser simpático assim, precisa?

- Mas eu não sou simpático, sabemos que está além das minhas forças ser simpático, não?

É, mas parece que hoje você está se esforçado bastante.

- Eu sou esforçado… eu me esforço bastante. Não faço a barba, me visto da maneira mais largada possível. Não penteio o cabelo, esforço-me ao máximo para não ser um DEUS GREGO.. Pois como você sabe, sou comprometido e não posso ser objeto de desejo para outras mulheres. Mas que culpa tenho se todo meu esforço é inútil? Se mesmo assim não evito os olhares penetrantes, as cantadas sutis, os abraços mais acintosos…. Que culpa tenho eu, hein?

- É né.. que culpa você tem? (outro beliscão.. no mesmo braço).

- Nem me fale.. não posso me livrar disso. Sofro, desgasto-me no esforço de tentar parecer o que não sou.. mas prometo que morrerei tentando não ser tão absurdamente lindo.. principalmente escolhendo um pé de alface.

Você dá outro beliscão.. no mesmo braço.

- Aiiii! Você tem que parar com essas manias, deixa inventarem uma delegacia pros homens que você está perdida!! Posso saber o que foi agora?

- Nada não, só por costume mesmo!!





Adeus…

5 09 2007

Oh! Que dura é esta dor que me corroí, esta dor pungente, esta dor insistente, esta dor, dor da partida.. Parto, mas saibas que não é sem um último olhar para o que deixo. Parto, pois o tenho que fazer, parto rumo ao desconhecido, deixando pra trás meu porto seguro, e você, querido amigo, querido leitor de todas as horas… A vida me obriga a deixar-te, e sei que após esse período de convivência, será tão difícil para você, como está sendo pra mim.

Mas não se preocupe… Outros amigos virão a teu socorro quando precisares de distração, outros ainda estarão disponíveis se, por acaso, precisares de alguma resposta a algum comentário, e ainda mais virão acudir-te nas noites escuras cujo seu único companheiro será o seu “favoritos” do Internet Explorer.

Além do mais, o google recuperará outros sites que escreveram sobre “cheiro de macho”, “prazer absoluto”, “o prazer de amarrar”, “machos no banho” e “sexo sadomasoquista” (campeões de buscas diárias), ó meu querido leitor estranho, sedento de pornografia.

Por isso, esteja certo, por mais que nenhum outro jamais ocupe meu lugar em seu coração e/ou na sua lista de sites, o vazio será cercado por esses novos amigos e eu serei apenas uma lembrança vaga em sua mente.

Sei que essas palavras agora, na iminência da partida, podem parecer apenas vocábulos jogados ao vento, apenas uma tentativa vã de consolar-te, mas acredite… verás que nelas está a mais pura verdade e meu mais verdadeiro desejo.

Termino, pois aqui, meu último elo de ligação, minha última escrita a vossa pessoa, saibas, porém, que choro com esta triste constatação, mas como você, eu tenho que ser forte…

Então ADEUS!!! Adeus porque o feriado está aí… e a bonitinha aqui está indo viajar… e bom… Divirtam-se com os textos antigos até a minha volta.. hahahaha





Desculpas

3 09 2007

- Oi! Quer fazer um favorzinho pra mim?

- Claro, pagando bem.. que mal tem?

- Poxa, mas você quer tudo? Trabalho e pagamento? Não acha que está exigindo demais não? Tipo, os primeiros serviços têm que ser grátis, pra fazer um portifólio e uma cadeia de clientes.. um link entre você e futuros e potenciais compradores.

- Ok, acho que perdi alguma coisa.. quando foi que você deixou de ser você e se tornou uma pessoa que fala em portifólios? Virou um mega-executivo enquanto pisquei os olhos?

- Não, estou assistindo “O aprendiz” com Roberto Justus.

- Nossa, estou chocada com sua evolução enquanto ser humano… portifólio.. link com o cliente… quer fazer escova também?

- Seria uma boa né, estou procurando me espelhar nele, afinal, um cara que já pegou aquelas mulheres lá que sabemos que ele pegou, merece meu respeito e minha mais atenta atenção.

- Mas que favor queria? Um secador? Aprender a fazer escova?

- Favor? Que favor?

- Você.. ia pedir um favor.. lembra?.. então falei do pagamento.. você do link.. do portifólio..e foi assim que tudo começou.

- Ah, eu só queria inserir isso em uma conversa.. o favor era pra você ligar no meu celular.

- Porque ligaria?

- Porque eu o perdi.. em algum lugar do meu quarto…

- Ok… então porque você ligou pra mim ao invés de ligar para o seu próprio celular para achá-lo?

- Primeiro.. Porque eu queria te acordar por um motivo muito importante.. segundo.. eu não tenho o seu sotaque..

- Quer que eu finja que você me acordou pra você se sentir melhor? Sotaque? Que sotaque? Já te disse que não tenho sotaque.. 

- Claro, claro.. você não te nenhum sotaque mesmo.. esse “i” ae que você coloca no meio das palavras é da própria pronúncia da língua portuguesa padrão.. “ta iiiinteiiinnndennnndo?”.. Então vai ligar?

- Como?

- Para o meu celular.. não foi por isso que te liguei?

- Foi? Entendi que era só porque você queria falar comigo.. então usou uma desculpa qualquer.. e uma frase inicial para chamar minha atenção.. Hum.. a propósito.. acho difícil você.. com essa memória que sabemos que você tem.. já ter decorado meu número novo.

- Droga! Deveria ter pensado nesses por menores de uma desculpa.. posso dizer que perdi o celular justamente após ter te ligado?