Quando eu era criança eu vivia ouvindo aquelas expressões malucas do tempo do Uepa (minha mãe adorava essa) que meus avós, tios, pais e etc. costumavam usar. Mas definitivamente duas me marcaram: tirar água do joelho e subir no telhado.
Tirar água do joelho
Essa eu vivia ouvindo dos meus tios. Era sempre assim, estávamos sentados em alguma festa de família, em algum churrasco, em algum leilão de gado (sim, frequentava leilões), bares, lanchonetes.. e sempre, sempre, SEMPRE.. de repente um dos meus tios dizia:
- Vou tirar água do joelho (e sumia por uns instantes).
Era uma dúvida que me atormentava. Onde eles iam? Como tiravam água do joelho? Depois comecei a reparar que iam ao banheiro, mas ainda não sabia que raios era tirar água do joelho. Até compartilhei toda essa minha angústia com os colegas de escola e nenhum de nós, estudantes da primeira série, tínhamos tirado água do joelho na vida, o que causou um medo geral, porque mais grave do que não saber como tirar água do joelho, era pensar nas conseqüências disso.
A coisa começou a tomar proporções inimagináveis e o pânico tomou conta de toda a série, então, tivemos que contar para a professora que queríamos tirar água do joelho e que precisávamos saber como se fazia isso. Bem, assim que ela conseguiu parar de rir, ela tranqüilizou a todos, explicando que só os tios precisavam tirar água do joelho. E a paz voltou a reinar na vida das crianças da primeira série.
Subir no telhado
Minha mãe adorava usar essa expressão pra suavizar notícias de morte, mas claro, as únicas perdas que tive na minha infância foram de cachorros, então em um dia, minha mãe tentando suavizar ao máximo a morte da minha cachorrinha predileta, veio delicadamente e disse:
- Olha só minha filha.. a Lili subiu no telhado.
Essa frase foi seguida por minutos de silêncio da minha parte. Eu imaginava como diabos ela tinha conseguido subir no telhado. Mas fiquei toda orgulhosa, Lili era uma super cachorra… me defendia dos ratos que vez ou outra apareciam no quintal e matava baratas. Isso sem dizer no quanto eu admirava Lili, ela conseguia sair de casa sem precisar pedir autorização. Fazia as mais incríveis manobras pra sair de casa, se valendo de todas as artimanhas possíveis. Conseguia abrir a porta da cozinha, corria até a sala para pular a janela e escapar pelas grades do portão da frente. Lili era o máximo, e agora tinha feito mais uma proeza: conseguia subir no telhado, mas também já comecei a pensar que ela devia estar desesperada querendo descer, pensando que ela não sabia como fazer pra sair de lá, já que, pular seria difícil, o telhado era bem mais alto do que a janela da sala. Então eu disse para minha mãe:
- Ah! Então vamos pedir pro Paulinho tirar ela de lá.
- Não, o Paulinho não pode tirar ela de lá.
- Hum.. o papai pode?
- Não.. veja só.. ela não subiu no telhado, no sentido de subir no telhado.
- Ah! Mas você disse que ela subiu no telhado.
- Não, é força de expressão.. eu quis dizer que ela morreu.
- Ela caiu do telhado?
- Não, ela não subiu no telhado…
Então eu comecei a chorar e fui correndo até meu pai:
- Pai, pai.. a Lili morreu… ela caiu do telhado.
- Caiu do telhado?
Desde então minha mãe nunca mais usou essa expressão antes de me dar notícias tristes.
huahuahuahuahuahuahuahua Você sabia que você é a coisa mais graciosa que eu conheci na vida? Eu queria ter conhecido você na infância, na maternidade já.. com certeza daí seria da turma dos populares ao invés do sociopata míope da equipe de xadrez huahuahuahuahua
Adorei o relato :-)
quando meu pai quer dizer que tal lugar é muito longe, ele fala “fulano mora lááá na caixa-prego”. nunca entendi o sentido disso, mas gosto de falar vez ou outra :-)
Perdida, causadora de pânico e criativa desde guria :-)
Minha avó costuma dizer que sou um pão enquanto aperta minhas bochechas. Ah! E também pergunta quando vou levar aquela tetéia da Maíra de novo na casa dela, ela e a Dona Lourdes sempre lembram que prometemos revanche na canastra hahahahahahaha.
Me deu uma saudade de ti hoje menininha.
Beijos saudosos e abraços apertados.
hihihihi eu adorei a “suavizar mortes”, subiu no telhado e caiu foi muito engraçado (apesar de ser muito triste)
Já disse que você escreve muito bem? Pos é.. era verdade viu. rss
Não pude dx de ler seu post novamente e confesso…está sensacional!!!Apesar de triste, porém mt engraçado o causo do telhado..não me aguentei de tanto rir…(podia rir, né?!)..caso contrário, terei q entrar naquela comunidade “eu rio qdo não pode!!!”..rss.
bjooosss
oi Maíra
imagino que sua infancia não tenha sido nada fácil! me solidarizo com você! E acho que todas nossa geração está aí por merecer e merece sim viver mais uns 70 anos no minímo… afinal passamos muito sufoco pra chefgar onde chegamos não é mesmo? Imagina enfrentamos o Bicho PapÂo, o Lobo Mau, O monstro do Armario, o Homem do Saco, O homem sem Dedos, e os milhôes de monstros do pantâno!
Viva Voce que tá aí firme e forte!
Você é tão engraçadinha :D
Eu sempre digo às médicas, historiadores são muito mais interessantes e mais divertidos, mas, é necessário ter um certo espírito subversivo para aceitar essa verdade como algo positivo, é necessário ter um certo senso de possessividade que faz você desejar querer um brinquedo exótico desses, onde você não tem o controle-remoto nem sabe onde ficam as pilhas, mas sabe que pode convencê-lo a te divertir oferecendo uma garrafa de vinho italiano e sabe como fazê-lo parar, oferecendo um livro do Ginzburg.
7 Beijos
(e juízo nestes elevadores)
HUm… que coisa! agora que eu notei, sempre comento no lugar errado…
RUDICILOO ..,,, NAUM AXEII NDAA DE BOM Q EU PRESISAVAAA;…,,,, BJo..! RIDICULA
Andréia Maria,
Isto aqui é um blog pessoal, então, não estou surpresa por você não achar nada que você precisasse de fato, a não ser, claro, que estivesse interessada na minha vida.
Como parece não ter ficado claro na descrição eu reitero que ESTE SITE NÃO TEM NENHUM CARÁTER INFORMATIVO, NECESSÁRIO OU CULTURAL.
Se procurava alguma coisa boa pra ler, comprasse livros do Gabriel García Márquez, Saramago e etc..
Te aconselho a refinar suas buscas no google e similares, para assim, você achar o que realmente procura. O uso de palavras chaves coerentes e aspas costumam ser de grande valia, viu?
A propósito é “achei” e não “axei”..não” ao invés de “naum” “ridículo” e não “rudiciloo” e “precisava” e não “presisavaaa”.. talvez seja necessário rever o uso que você faz da língua portuguesa ao realizar buscas.
De qualquer forma obrigada pela visita.
Beijos.
Oi, Maíra.
È a segunda mensagem que leio aqui e gostei muito dos teus textos. Fica aqui uma sugestão para escreveres, em contra-ponto as expressões utilizadas pela tua mãe contigo, sobre quais das tuas expressões “estranhas” achas que o(a) teu(tua) filho(a) irá escrever na blogosfera.
Às vezes ainda me pego dizendo algumas expressões que são “mais velhas que rascunho da Bíblia”.
Um fraternal abraço acompanhado de sorte e sucesso.
kkkkkkkkkkkk…
Amei… Estava procurando expressões antigas p/ fazer um trabalho de português… Vc me ajudou mto, viu meninaH…
Aki… a propósito… meus pesames pela Lili…
Obrigada…
E sucesso no blog…