Estava fazendo backup dos arquivos do meu computador, então reencontrei uma coisa: minha monografia. Lembro-me que minha orientadora sempre dizia com aquele ar de “dever cumprido” ao me apresentar pra qualquer passante:
- Essa é minha orientanda. Fez 57 versões do trabalho de conclusão de curso.
Já os amigos mais chegados diziam:
- Essa é sua monografia? Não parece com você, o texto está muito bom.
- Oi???
- Não, não que você não escreva normalmente bem, mas está.. sério.. linear..
***
- Não acredito que vai entregar isso, não está condizente com seu estilo literário.
- Como assim?
- Não tem nenhuma gracinha no texto?
***
Meus críticos literários eram implacáveis. Eu tentava argumentar dizendo não poder usar piadinhas e frases de duplo sentido em um trabalho acadêmico sério, com pesquisa e blá blá blá. Então veio a seguinte colocação:
- Mah, seu TCC está muito bom, mas o que eu quero mesmo é ler os agradecimentos.
- Agradecimentos?
- É, seria muito convencional você colocar “agradeço a minha orientadora, minha família e etc.”.
- Hummm… Agradecimentos…
Então, escrevi duas páginas de agradecimentos. Uma parte mais branda, adotando o convencional e sentimentalismos e outra parte que me fez ter vergonha ao pensar: “Ai.. vão ler isso”. Vergonha esta superada e esquecida, quando enfrentei uma vergonha ainda maior, ganhar presentes contendo álcool no dia da banca e escutar comentários de incentivo e orgulho dos amigos ao elogiar o trabalho a terceiros “o trabalho dela está muito bom, nem parece que escreveu grande parte dele bêbada”.
Depois virou febre, todo mundo me pedia a monografia, mas doce engano o meu de achar que queriam saber da minha pesquisa, era sempre o “me falaram dos agradecimentos”. O que também gerou discórdias e quase rompimento de relacionamentos de diversas esferas:
- Nossa, o parágrafo de fulano está maior do que o meu parágrafo. Você gosta mais dele?
- Eu não fui citada? Você agradeceu ao meu ex-namorado e não me agradeceu? Como assim? Eu sou sua amiga há mais tempo, eu apresentei vocês. VOCÊ O CONSIDERA MAIS SEU AMIGO?
- Quem é Paulo César?? E que madrugadas foram essas?
Trechos
Agradeço a:
A, por todos os cd´s emprestados, todos os print screen analisados, toda a paciência e todos os ensinamentos e explicações sobre utilização de programas e solução de problemas envolvendo cabos, usb ou não.
B, pelas aulas de estatística, por me brindar com sua companhia, suas discussões filosóficas e sábios conselhos. Pela sua exímia habilidade em resolver problemas técnicos relacionados a qualquer programa envolvendo o pacote Microsoft e claro, pelo fornecimento de tinta aos necessitados. Isso sem contar os convites para festas, churrascos, formaturas, viagens, etc. atrasando a execução dos trabalhos, mas proporcionando momentos agradáveis.
C, por todos esses anos ao meu lado, pelas aulas de direito e latim. Por todas as histórias mirabolantes e extensas que me mantiveram com a mente distraída em períodos tensos e, claro, por ouvir todas as minhas histórias mirabolantes e extensas, mesmo estando ocupado.
D, por sempre me desejar boa noite, não importando se para cumprir seu papel, tivesse que me acordar às 3 horas da manhã.
E, pela aquisição do playstation II e por sempre ter novos dvd´s.
F, por todas as festas, caminhadas em sentido contrário, histórias divertidas e brigadeiros.
A cidade de Curitiba por ter se mantido chuvosa e cinzenta, fazendo com que não houvesse ânimo para diversão em muitos finais de semana de pesquisa.
Por fim, agradeço ao Paulo César*, por estar sempre presente, por passar madrugadas me ajudando a terminar este trabalho sem nenhuma reclamação. Sem este companheiro de todas as horas e momentos nada teria sido possível.
* Paulo César é o nome pelo qual meu computador atende, quer dizer.. atenderia, se não fosse inanimado e pirracento.
Blá blá blá