Os tais agradecimentos

26 08 2007

Estava fazendo backup dos arquivos do meu computador, então reencontrei uma coisa: minha monografia. Lembro-me que minha orientadora sempre dizia com aquele ar de “dever cumprido” ao me apresentar pra qualquer passante:

- Essa é minha orientanda. Fez 57 versões do trabalho de conclusão de curso.

Já os amigos mais chegados diziam:

- Essa é sua monografia? Não parece com você, o texto está muito bom.

- Oi???

- Não, não que você não escreva normalmente bem, mas está.. sério.. linear..

***

- Não acredito que vai entregar isso, não está condizente com seu estilo literário.

- Como assim?

- Não tem nenhuma gracinha no texto?

***

Meus críticos literários eram implacáveis. Eu tentava argumentar dizendo não poder usar piadinhas e frases de duplo sentido em um trabalho acadêmico sério, com pesquisa e blá blá blá. Então veio a seguinte colocação:

- Mah, seu TCC está muito bom, mas o que eu quero mesmo é ler os agradecimentos.

- Agradecimentos?

- É, seria muito convencional você colocar “agradeço a minha orientadora, minha família e etc.”.

- Hummm… Agradecimentos…

Então, escrevi duas páginas de agradecimentos. Uma parte mais branda, adotando o convencional e sentimentalismos e outra parte que me fez ter vergonha ao pensar: “Ai.. vão ler isso”. Vergonha esta superada e esquecida, quando enfrentei uma vergonha ainda maior, ganhar presentes contendo álcool no dia da banca e escutar comentários de incentivo e orgulho dos amigos ao elogiar o trabalho a terceiros “o trabalho dela está muito bom, nem parece que escreveu grande parte dele bêbada”.

Depois virou febre, todo mundo me pedia a monografia, mas doce engano o meu de achar que queriam saber da minha pesquisa, era sempre o “me falaram dos agradecimentos”. O que também gerou discórdias e quase rompimento de relacionamentos de diversas esferas:

- Nossa, o parágrafo de fulano está maior do que o meu parágrafo. Você gosta mais dele?

- Eu não fui citada? Você agradeceu ao meu ex-namorado e não me agradeceu? Como assim? Eu sou sua amiga há mais tempo, eu apresentei vocês. VOCÊ O CONSIDERA MAIS SEU AMIGO?

- Quem é Paulo César?? E que madrugadas foram essas?

Trechos

Agradeço a:

A, por todos os cd´s emprestados, todos os print screen analisados, toda a paciência e todos os ensinamentos e explicações sobre utilização de programas e solução de problemas envolvendo cabos, usb ou não.

B, pelas aulas de estatística, por me brindar com sua companhia, suas discussões filosóficas e sábios conselhos. Pela sua exímia habilidade em resolver problemas técnicos relacionados a qualquer programa envolvendo o pacote Microsoft e claro, pelo fornecimento de tinta aos necessitados. Isso sem contar os convites para festas, churrascos, formaturas, viagens, etc. atrasando a execução dos trabalhos, mas proporcionando momentos agradáveis.

C, por todos esses anos ao meu lado, pelas aulas de direito e latim. Por todas as histórias mirabolantes e extensas que me mantiveram com a mente distraída em períodos tensos e, claro, por ouvir todas as minhas histórias mirabolantes e extensas, mesmo estando ocupado.

D, por sempre me desejar boa noite, não importando se para cumprir seu papel, tivesse que me acordar às 3 horas da manhã.

E, pela aquisição do playstation II e por sempre ter novos dvd´s.

F, por todas as festas, caminhadas em sentido contrário, histórias divertidas e brigadeiros.

A cidade de Curitiba por ter se mantido chuvosa e cinzenta, fazendo com que não houvesse ânimo para diversão em muitos finais de semana de pesquisa.

Por fim, agradeço ao Paulo César*, por estar sempre presente, por passar madrugadas me ajudando a terminar este trabalho sem nenhuma reclamação. Sem este companheiro de todas as horas e momentos nada teria sido possível.

* Paulo César é o nome pelo qual meu computador atende, quer dizer.. atenderia, se não fosse inanimado e pirracento.





Começo de mês

20 08 2007

- Me diz, porque eu não tenho uma namorada?

- Então.. vou pagar essas contas, tome o cartão, tire o dinheiro daqui.. Bem, não sei.. talvez você esteja procurando mulher nos lugares errados, talvez suas cantadas sejam péssimas, talvez você tenha mau hálito..

- Vai tirar a quantia exata das contas, ou algo mais? Será? Mau hálito? Não, não, peraí (ele sobe na cadeira e enfia cara no vidro) Olha, olha. Não, né?

- A quantia exata. Acalme-se… foi só uma brincadeira.. Sei lá, saia mais a noite.. vai dar certo, mesmo com cantadas baratas.. a não ser que você resolva dar em cima de mulheres que não bebem nada alcoólico, aí elas podem prestar atenção e ver que as cantadas são ridículas.

- Ah não! Sem essa de bares, eu quero uma mulher séria.

- Nosssa!!! Como assim? Mulher séria não vai a bar? E eu??

- Quer que eu responda mesmo?

- Sua sorte é que tem um vidro te protegendo, viu?

- Coloque a senha e aperte o verde. Tô brincando, mas é sério.. desisti de bares… não tenho boas recordações, ou levava foras, ou elas vomitavam em cima de mim, nada de meio termo.  Talvez devesse procurar em outros lugares, tipo filas de lotérica.

- Ixi! (ela olha para trás). Aqui só tem aquela senhora e aquele moço já meio careca… só se o movimento em outros horários é melhor, pra você fazer esse comentário.. Ow.. hummmm, gosta dos mais experientes? Dos carecas???

- Você também está na fila, sabia?

- Você está me cantando?

- Confirme o valor e aperte o verde. Não foi uma cantada barata, né? Foi bonitinha.. e se você não fosse tão desligada.. já teria ficado vermelha e dado aquele sorriso tímido, creio que não está além das suas forças ser tímida. Fora que você é minha relação mais estável.

- Eu sou sua relação mais estável? Como assim??

- Bem, você vem aqui há um bom tempo já. Na primeira vez que veio me deu seu telefone, já sei o nome dos seus pais, onde você nasceu, e nos encontramos umas 5 vezes por mês, é quase um noivado pra mim.

- Quer dizer que esse papinho de “telefone pra contato” é só fachada? Que mente doentia!!! Que mente doentiaaa!!!

- Aqui estão suas contas, os comprovantes e o cartão. Nos vemos semana que vem?

- Ah! Obrigada… Semana que vem?

- Sim, vence seu telefone, lembra?

- Ah! Verdade.. semana que vem…

- Próximo, por favor..





Amores da adolescência: como virei uma alcoólatra

17 08 2007

Eu tinha uns 17 anos, ele uns 23. Nos conhecemos no elevador:

- Oi! Você é nova no prédio?

- No prédio e na cidade.. me mudei ontem…

- Ah! Que legal.. por esse monte de livros suponho que esteja no colegial.. e suponho mais.. diria que estuda no COC

- Uau! Você vê o futuro pelas capas de apostila.. isso é um dom!

- hahahaha.. Obrigado, obrigado.. digo mais.. você tem cara de quem quer fazer medicina.

- Ui.. não.. de jeito nenhum.. eu sou normal..

- hahahaha.. Eu sou um quase médico, quarto ano.

- É.. então.. tá quente hoje, né? Será que chove? 

E assim foi, um “oi” daqui, um “aperta o 5” dali, fomos ficando mais próximos nas semanas seguintes até que:

- Está livre sábado?

- Sim, sábado. Claro, estou livre. (lembrar de desmarcar a festa que eu ia dar aqui em casa).

- Tá a fim de ir comigo no Hemocentro?

- Hemocentro?

- Sim… estou organizando uma campanha de conscientização dos jovens para a doação de sangue blá blá blá.. ficaria muito feliz se você participasse blá blá blá você pode chamar uns amigos blá blá blá.

Tá, não era uma saída, não era um encontro, mas poxa.. era um convite, né? Não só fui até o Hemocentro, como também doei sangue e arrastei amigos, que faziam horrores por uma garrafa de tequila, até doar sangue num sábado.

Nunca tinha doado sangue, então foi nesse dia que descobri duas coisas:

1) como achar veias escolhendo direito para que elas não estourem e deixem seu braço roxo (ah! A conversa romântica do “primeiro encontro”);

2) eu passo mal doando sangue, aquelas coisas de pressão baixa.. (ah! O romantismo na enfermaria.. suco de laranja, medidores de pressão e sal).

Mas claro que estar a fim de um estudante de medicina com a bondade, paciência e humanismo meio de Dalai Lama, meio de Jesus Cristo, teve seus problemas. Foram muitos trabalhos voluntários em orfanatos, doações de sangue, visitas à enfermaria, histórias contadas para crianças com leucemia, até, finalmente, começarmos a namorar. E quando eu pensei que os convites excêntricos tinham acabado:

- Quer sair comigo hoje à noite?

- Claro! Aonde vamos?

- No A.A.?

- A.A.?

- Sim, você não sabe o que é A.A.?

- Bem, A.A. me lembra Alcoólicos Anônimos, mas claro que não é disso que você está falando..

- Não, é isso mesmo.. Alcoólicos Anônimos.

- Tá.. eu sei que exagerei semana passada, mas poxa! Foi só semana passada, não é motivo pra você ser radical assim.

- Sua doida! Não é nada disso.. Vou acompanhar um paciente, mas informalmente, como amigo e conselheiro, não como médico. Seria legal se você fosse comigo.

- Claro, vamos no A.A. então. Vou adorar! (namorado recente, né? Algumas mulheres têm que ir ver jogos de futebol, outras têm que ir conhecer a sogra, outras têm que ir no A.A., oras).

O mais próximo que eu tinha chegado de uma reunião do A.A. tinha sido vendo Meg Ryan em “Quando um homem ama uma mulher”, mas estava até que animada pra conhecer o lugar. Chegamos lá e fomos recebidos por um senhor bem simpático. Ele disse que podíamos sentar ali onde quiséssemos e ressaltou diversas vezes que era pra gente se sentir a vontade. Umas pessoas fizeram aquela coisa de apresentação, depoimentos e final de frase com “um dia de cada vez”. Então tivemos uma pausa para o café.

Meu namorado estava lá conversando com o paciente dele, explicando como era importante o apoio de outros com o mesmo problema e etc. Resolvi ir pegar um café enquanto ele aconselhava o rapaz. E enquanto eu colocava café na xícara, um moço começou a puxar papo comigo:

- Olá, meu nome é Júlio.

- Oi, meu nome é Maíra.

- Bonito nome.. Maíra. É a primeira vez que vem a uma reunião do A.A.?

- Sim, é a primeira vez que venho.

- Ah! Que bom, viu? Você fez bem. Pedir ajuda é um sinal de maturidade e não de fraqueza.

- Oi?

- Eu sei como é difícil lutar contra essa doença, mas você vai ver.. com a força de todos fica mais fácil.

- Não, espere.. eu não sou alcoólatra.

- Não precisa ter vergonha.. eu também sou. Não precisa ficar encabulada ao dizer, é uma doença.. você não tem culpa disso.

- Não, não.. você não está entendendo.. eu realmente não sou alcoólatra.

- Tudo bem, tudo bem.. você ainda não está pronta para admitir pra você mesma. Mas não pense que você pode parar quando quiser, eu já passei por isso, a negação.

- Mas eu não sou… vim aqui porque…

- O primeiro passo é você aceitar isso e vir pedir ajuda, porque ninguém consegue sozinho, não se engane. Mas pelo menos você veio aqui hoje, é um sinal de que está aceitando.

Já desistindo de argumentar:

- Sim, sim.. estou aceitando.. eu sou alcoólatra.

Nessa hora recebo um abraço e palavras de incentivo:

- Isso, não tenha vergonha.. Tudo vai ficar bem.. você vai ver.

- Obrigada.. muito obrigada pelo apoio..

Nessa hora eu notei que meu namorado olhava pra mim com uma cara de interrogação. Tipo: “o que aquela doida está fazendo abraçada com aquele cara?”. Ele deixou o paciente e veio falar comigo:

- O que está havendo?

Ah!.. esse é o Júlio. Júlio esse é meu namorado.

- Ah! Que rapaz de sorte você, que menina corajosa! Ela estava aqui me contando à batalha dela pra vencer esse problema.

- Problema?

- É.. mas eu admiro viu.. ela tão jovem e já procurando ajuda, poucos tem essa visão de que o alcoolismo é uma doença…

- Alcoolismo?

- É.. o primeiro passo é aceitar. (digo com toda a naturalidade).

- Obrigado Júlio, realmente.. obrigado por essa força que deu a ela.

Então ele vai me puxando pra longe:

- Dá pra me explicar isso?

- Eu não tive culpa! Mas se alguém perguntar eu estou sóbria há uma semana, tá?

- Será que eu não posso deixar a senhorita sozinha por 5 minutos? Blá blá blá (bronca, bronca, bronca) blá blá blá.





Expressões antigas

14 08 2007

Quando eu era criança eu vivia ouvindo aquelas expressões malucas do tempo do Uepa (minha mãe adorava essa) que meus avós, tios, pais e etc. costumavam usar. Mas definitivamente duas me marcaram: tirar água do joelho e subir no telhado.

Tirar água do joelho

Essa eu vivia ouvindo dos meus tios. Era sempre assim, estávamos sentados em alguma festa de família, em algum churrasco, em algum leilão de gado (sim, frequentava leilões), bares, lanchonetes.. e sempre, sempre, SEMPRE.. de repente um dos meus tios dizia:

- Vou tirar água do joelho (e sumia por uns instantes).

Era uma dúvida que me atormentava. Onde eles iam? Como tiravam água do joelho? Depois comecei a reparar que iam ao banheiro, mas ainda não sabia que raios era tirar água do joelho. Até compartilhei toda essa minha angústia com os colegas de escola e nenhum de nós, estudantes da primeira série, tínhamos tirado água do joelho na vida, o que causou um medo geral, porque mais grave do que não saber como tirar água do joelho, era pensar nas conseqüências disso.

A coisa começou a tomar proporções inimagináveis e o pânico tomou conta de toda a série, então, tivemos que contar para a professora que queríamos tirar água do joelho e que precisávamos saber como se fazia isso. Bem, assim que ela conseguiu parar de rir, ela tranqüilizou a todos, explicando que só os tios precisavam tirar água do joelho. E a paz voltou a reinar na vida das crianças da primeira série. 

Subir no telhado

Minha mãe adorava usar essa expressão pra suavizar notícias de morte, mas claro, as únicas perdas que tive na minha infância foram de cachorros, então em um dia, minha mãe tentando suavizar ao máximo a morte da minha cachorrinha predileta, veio delicadamente e disse:

- Olha só minha filha.. a Lili subiu no telhado.

Essa frase foi seguida por minutos de silêncio da minha parte. Eu imaginava como diabos ela tinha conseguido subir no telhado. Mas fiquei toda orgulhosa, Lili era uma super cachorra… me defendia dos ratos que vez ou outra apareciam no quintal e matava baratas. Isso sem dizer no quanto eu admirava Lili, ela conseguia sair de casa sem precisar pedir autorização. Fazia as mais incríveis manobras pra sair de casa, se valendo de todas as artimanhas possíveis. Conseguia abrir a porta da cozinha, corria até a sala para pular a janela e escapar pelas grades do portão da frente. Lili era o máximo, e agora tinha feito mais uma proeza: conseguia subir no telhado, mas também já comecei a pensar que ela devia estar desesperada querendo descer, pensando que ela não sabia como fazer pra sair de lá, já que, pular seria difícil, o telhado era bem mais alto do que a janela da sala. Então eu disse para minha mãe:

- Ah! Então vamos pedir pro Paulinho tirar ela de lá.

- Não, o Paulinho não pode tirar ela de lá.

- Hum.. o papai pode?

- Não.. veja só.. ela não subiu no telhado, no sentido de subir no telhado.

- Ah! Mas você disse que ela subiu no telhado.

- Não, é força de expressão.. eu quis dizer que ela morreu.

- Ela caiu do telhado?

- Não, ela não subiu no telhado…

Então eu comecei a chorar e fui correndo até meu pai:

- Pai, pai.. a Lili morreu… ela caiu do telhado.

- Caiu do telhado?

Desde então minha mãe nunca mais usou essa expressão antes de me dar notícias tristes.





As energias negativas

11 08 2007

Em um dia de estresse em níveis que assustariam até o Dalai Lama, em um dia de pico de TPM, em um dia que tudo está dando errado.. você resolve que o melhor é entrar em total reclusão deste lugar chamado mundo, mas antes desse período  lá está você no mercado comprando aquelas coisas essenciais pra vida humana: smirnoff e chocolate. Então passando por uma seção e outra, um rapaz se aproxima de você e diz:

- Oi..

Você mesmo num dia sociopata, sorri e responde:

- Oi.. – Pensando que ele quer te perguntar alguma coisa, visto que, nesse tempo todo de freqüentadora de mercados você aprendeu uma coisa, você tem cara daquelas pessoas boazinhas que sempre sabem onde está a seção que tem caixa de fósforo.

Então ele continua:

- Qual seu nome?

- Meu nome?

- Sim, preciso do seu nome pra colocar na minha lista de orações.

- Lista de orações?

- Eu estava reparando em você e bem.. não gostei do que vi.

- Ah tá.. Desculpe-me. O que posso fazer para resolver isso pra você?

- Não, não.. não leve a mal… Estou falando da sua aura… não gostei da cor que vejo em você.

- Eerrr.. então.. assim.. pedir desculpas ameniza?

- Eu estou falando sério, mas sei que você está assim por causa das energias negativas..

- Energias negativas?

- Sim, essas todas que estão ao seu redor. Está deixando sua aura dessa cor… e eu sei que ela não é dessa cor de verdade..

- Não é?

- Não.. não.. sua aura é bem colorida, com muitas nuances cor-de-rosa.

- Não, não.. Você deve estar pensando isso por causa da cor das minhas bochechas, mas é por causa do frio.. mas não ligue… é normal confundir.

- Você está fazendo piada? – Diz ele sério.

- Não.. de forma alguma.. Um cara me aborda no mercado, fala da cor da minha aura e das energias negativas. Porque eu faria algum tipo de piada?

- De verdade, gostaria mesmo de orar por você… vai me dizer seu nome?

- Maíra.. Com i, ta?.. não esqueça do acento agudo.. senão fica Maira.. e eu não gosto de ser chamada de Maira. Posso te pedir mais uma coisa?

- João, meu nome é João.

- Então.. posso te pedir mais uma coisa João?

- Claro.. peça.

- Aura azul seria legal.. você podia orar por uma azul? Azul é minha cor predileta, sabia?… Aquele azul céu, sabe? Ia ficar legal…

- Você continua fazendo piada…

- Eu não, mas as energias negativas.. Uiiii





Em um sábado desses…

8 08 2007

Depois de duas garrafas de vinho (sendo uma demi, porque certas pessoas não prestam atenção quando dizemos que queremos vinho suave, “larga de mulherisse e bebe esse, pra beber suave pedisse logo suco de uva, bá blá blá”), muitos copos de chopp e alguns drinks coloridos e docinhos, eles saem do bar. Caminham pelo Largo da Ordem, que apesar da hora e do frio, está com sua parte “ao ar livre” cheia. No trajeto encontram um dos muitos hippies que zanzam por ali, tentando vender suas obras.

- Olá moças! Eu estou aqui fazendo flores de arame, não tão bonitas quanto vocês, é fato, mas é uma flor. Querem ver? Se gostarem vocês ficam com uma, que tal?

As mulheres da turma sorriem, explicam como gastaram horrores no bar, dizem que em uma próxima oportunidade compram a tal flor e continuam caminhando. Um dos homens que estava junto com as moças para e tentando ser muito mais educado, sorri e pergunta:

- Qual é seu nome? Você vem sempre aqui?

O hippie muda de assunto, vai atrás das moças e fala de novo da flor de arame, dizendo que faz bem baratinho. O homem não se conforma com o descaso do hippie:

- Porque está fugindo? Porque você não quer me dizer seu nome?

O hippie olha encabulado, meio sem jeito e responde:

- Olha cara, desculpe.. mas eu tenho namorada e ela é meio ciumenta.. nada contra suas práticas, a vaselina e tudo mais, só que realmente, não é a minha…

Já desistindo de vender qualquer coisa para as moças, com medo do rapaz, o hippie vai se afastando.

- Ei volte aqui! Eu não sou gay, deixa eu me explicar. Espere, espere! Vamos conversar.. Eu só queria dizer que da próxima vez te procuro pra comprar a flor, Volteee, volteee!

Ele olha para as moças e diz preocupado:

- Será que ele notou que eu sou gaúcho?





Às compras!

1 08 2007

- Você está ocupada?

- Não.. Por quê?

- Vamos ao shopping?

- Shopping?

- Sim.. fazer compras…

Olho desconfiada. Quando um homem fala pra você “vamos fazer compras”, sem complementar com a frase “a cerveja acabou”, é sinal de que alguma coisa está errada.

- A gente pode ir naquele shopping que você gosta.

A desconfiança é substituída pelo medo, compras e shopping vindo em uma mesma frase, dita por um homem, é sinal de que o tal apocalipse que tanto falam por aí está próximo.

- O que foi que você aprontou?

- Eu? Nada..

- E porque está me convidando pra ir a um shopping fazer compras?

- Porque preciso comprar umas coisas e queria que você fosse junto. Agora larga de frescura e vá se arrumar antes que eu desista.

Então vocês chegam ao shopping. Você já pensa em botas, roupas, brincos, pulseiras, até que seus sonhos de consumo desenfreado são interrompidos pelo:

- Ali, vamos!

E você é puxada pelo braço até a Leroy Merlin. Pneus, ferramentas, você nem sabia que tinha tanta palavra que começava com “chave” acompanhada de mais algum complemento. Você conhecia o martelo, o alicate, a chave de fenda e a chave inglesa e sentia-se plenamente feliz com essas informações, já em desespero você pergunta:

- O que estamos fazendo aqui?

- Compras ué. Não foi pra isso que viemos?

- Viemos comprar ferramentas????

- Pois é. Só hoje, montando o rack, vi que precisava de uma maleta de ferramentas… só tenho o básico do básico.

- Você me trouxe pra cá pra ficar escolhendo chave de fenda?

- Claro que não! Chave de fenda eu já tenho. Mas ora essa! E a quantidade de vezes que já tive que ficar sentado horas e horas em banquinhos da praça de alimentação esperando a senhorita se decidir entre o sapato marrom sei lá o que e o camurça blá blá blá?

- Exatamente, você ficou sentado na praça de alimentação tomando cerveja, agora.. eu estou aqui.. dentro de uma loja de ferramentas…

- Pare de reclamar e me ajude a procurar uma chave allen de 1/8″ até 7/32”.

- Claro! Deve estar ali do lado daquele monte de coisa estranha, ou ali mais a frente.. junto com aquele monte de coisa estranha.

E assim foram 4 horas perdidas da minha vida, enquanto eu via a indecisão de um homem, que pensava em qual maldita mala de ferramentas levar. Vez ou outra ele lembrava da minha existência:

- Hum, levamos a chave de boca phillips ou a torks?

- Que seja…

- É, para oito bicos, phillips.. tem razão.

- Que seja…