Mah e suas aleatórias divagações

Das eternas implicâncias

Julho 3, 2009 · 5 Comentários

Sim.. não sei escolher relações interpessoais.. Alguém pode me ajudar a trocar essas pessoas trastes que mantenho na vida? :-)

- Traste.. quando você vem para SP para me levar para tomar sorvete?
- Mas é muito mulherzinha mesmo!!! Devo te levar flores também, donzela?
- hahahahahaha… Tonta! Só porque estou sem o que fazer.. aí eu faço o favor de sair com você.
- Sem ter o que fazer? E fingir que trabalha.. não conta?
- Ah… pedi demissão…
- Vai viver do rock agora babe?
- Sim, sou bonito e talentoso demais para viver atrás de uma mesa.
- Yeah.. até porque não dá pra ser poser atrás de uma mesa, né? Muito menos se fantasiar de roqueiro hahahaha
- Saiba que mesmo atrás de uma mesa conquisto fãs. O que eu ouvi de “você é mal humorado, mas vai fazer falta”.
- Yeah.. isso chama FALSIDADE CORPORATIVA.. hahaha
- Vejo que você está com uma mania nova.. yeahhhh… para com essa merda..
- Yeah.. yeah.. YEAHHHHHH
- Você tá mesmo querendo apanhar, né?
- Se quisesse não ia pedir pra você né.. você bate feito uma MULHERZINHA… hahahaha..
- Você tá despeitada porque eu sou lindo e gostoso e você não pode mais me ter..
- Não tenho porque não te quero… se eu quisesse eu teria.. hahaha
- Duvido.. duvido..D –U-V-I-DO.. você não é mulher pra isso…
- hahahaha… bem coisa de mulherzinha insegura isso hein… você me ama.. mas tem medo de ser rejeitado…
- Aparece na minha frente que te sento a mão, peste…
- Mas afinal de contas.. Porque você se demitiu?
- Ah..tava de saco cheio da empresa e das pessoas.. até o homossexual da empresa estava afim de mim..
- Mas seu ego não tem limites mesmo.. empolgado até com o assédio de um moço hahaha
- Ele estava empolgado comigo, não sabe ler não traste?
- Yeah.. mas é você que está como um pavão espalhando por aí como conquistou o moço hahaha
- hahahahaha Mas é muito peste! Cala essa sua boca…
- Vem me fazer calar!
- Pensa que eu não sei que você me provoca só para que eu te faça engolir todos esses desaforos, é?
- Você anda tão desocupado que fica aí fantasiando coisas totalmente fora da realidade… Aposto que anda passando os dias jogando videogame.
- E tocando guitarra
- Fazendo pose na frente do espelho..você quer dizer, né?
- Não, vou repetir pra ver se você consegue ler desta vez: tocando guitarra!
- Fazer pose de roqueiro é diferente de REALMENTE saber tocar..haha
- Não me provoque, garota!
- Mimimimi.. Por quê? O que você vai fazer?
- hahaha, Olhaaa! Silêncio!
- Aprendeu a cantar novas músicas?
- Vou ter que te lembrar mais uma vez que eu sou guitarrista e não vocalista?
- VOCÊ É POSER IGUAL O VEDDER.. O mínimo é cantar também…
- Ainda o Vedder entre nós? Esquece o Vedder, esquece!
- E acha que VOCÊ pode me fazer esquecer o VEDDER? Ha-ha-ha
- Era meu nome que você gritava babe… hahaha.. Mas vai dizer que AINDA não perdeu a mania de Chico Buarque também?
- Não é mania.. é bom gosto.. mas não espero que alguém que tem TODOS os CDs do Bon Jovi entenda isso.
- Quem tem todos os CDs do Bon Jovi?
- Você né…
- Eu não tenho todos.
- Ainda assim.. tem mais do que o socialmente aceitável.. hahaha
- Cala a boca! Você não sabe o que diz!
- Claro que eu sei… lembro bem de você todo felizinho quando te dei meus CDs adolescentes do Bon Jovi hahahaha
- Posso saber qual o problema??? Isso só prova que você até teve uma parcela de bom gosto, uma vez na vida, mas pelo visto, se livrou dele!
- Eh.. muito bom gosto.. eu realmente achava o Bon Jovi bonito quando eu era adolescente.. Já discutimos isso..mas aí eu virei ADULTA, sabe? hahaha
- Fuuuuuuu.. MÚSICAAA, MÚSICAA.. NÃO BELEZA DE QUEM CANTA
- Ahh.. fala sério.. a única coisa que o Bon Jovi tem é a carinha bonitinha e o cabelo..hahaha
- Já disse que não se trata de beleza!!!
- hahaha.. vai querer me convencer que é pela “musica”?
- Não, você não vai entender, é mulher!
- A mulherzinha daqui é você… não sou eu que gosto do Bon Jovi…
- hahahaha… Você tá me irritando, mulher!
- E o que pretende fazer? Sair batendo a porta, mulherzinha? hahahaha
- hahahaha CALA A BOCA ridícula!
- Vai chorar no banheiro, vai.. franguinha…hahaha
- Sorte sua estar longe, ia te fazer chorar de tanto te bater
- Ia nada… você bate feito uma mulherzinha hahaha
- Você não cansa de repetir essa frase ridícula?
- Alguém tem que abrir seus olhos.. Você não é o Stallone Cobra, babe..hahaha
- hahahaha quieta Ma…
- Vem aqui me fazer ficar..
- Seria muito gasto pra pouca coisa. Você não vale o esforço.
- Sei.. por isso que você tem essas fantasias todas em me bater..
- Não é fantasia! Você me irrita!
- Irrito nada.. fica aí sentindo minha falta.. querendo que eu vá logo para SP.. querendo tomar sorvete comigo… e não pode me ver aqui.. que já vem correndo pra essa janelinha… ô grude viu..hahaha
- Você me irrita até com suas mensagens de msn! Esse é o problema!
- Eu não pedi pra você falar comigo…
- Mas tive que falar pra mostrar minha indignação!
- A verdade é que você ainda me adora.
- Errado! Você é que me adora!
- Não.. eu te tolero.. é diferente.
- Adora sim.
- Não..você me adora.. e quer pensar que eu te adoro também.. pra não ter que ir no banheiro chorar ouvindo Djavan
- Acha que choraria? Ainda mais por você? Ainda mais escutando Djavan?
- Yeah.. e o pior é que não seria a primeira vez hahahahaha
- hahahahaha… Mala.. ainda acabo com essa sua carinha de porcelana…

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Maíra no país corporativo

Junho 21, 2009 · 21 Comentários

Eu ia viajar nesse final de semana, mas fui convocada para trabalhar em um evento da empresa.. e não.. por “evento da empresa” eu não quero dizer vestido longo, vodka e muito rock, mas sim uniforme, panfletos, sorrisos e prospecção de novos clientes.
Quando finalmente cheguei em casa sexta, fui me arrastando até o quarto, deixando um rastro de sapatos, brincos, meias e roupas, por onde eu passei.. Não tive nem forças para tirar a maquiagem e fui dormir o sono das Isauras. Então, acordo assustada:

- Meus Deus! Onde estou? – Alguns minutos se passam e concluo: “estou no salão”.

Meu cabeleireiro me olha e diz:

- E aí bonitinha! Você está um T-U-D-O hoje.
Entro em pânico:

- Meu Deus! Meu Deus! O que vim fazer aqui? Eu não podia ter vindo pra cá.. eu tenho que trabalhar.. meu chefe vai me matar, minha supervisora vai arrancar meu couro. Tô ferrada.. o que vou dizer? Que explicação vou dar? Que horas são? Ai..ai..

- Calma Ma… relaxa menina.. essa testa não foi feita para ter rugas de preocupação.

- Vou dizer que tive um problema de família.. ahn.. com meu pai.. isso.. Hum.. melhor.. um problema comigo.. isso.. fiquei internada.. passei mal horrores, não pude ligar, decidido! Minha veia atriz mexicana deve servir de alguma coisa.

Então esqueço a preocupação e começo a folhear a revista, quando, de repente, olho no espelho e estou loira e com um corte de cabelo novo. Pânico, pânico, pânico:

- Ohhh my… como assiiiim? Como vou explicar esse novo cabelo se eu estava internada e por isso não pude ir trabalhar? Digo que era um tumor cerebral e depois da cirurgia me deram um cabelo de brinde? Aiii.. meu chefe vai me matar, minha supervisora vai arrancar meu couro.

Então acordo assustada de novo.. e a primeira coisa que vejo é um quadro com fotos na parede do meu quarto.. respiro aliviada… até olhar no relógio e ver que está marcando 14h… levanto desesperada, me arrumo na velocidade da luz e saio pela porta ainda colocando os brincos.. e dou de cara com o vizinho, subindo a escada:

- Ma.. onde tá indo essa hora?

- Trabalhar…

- Trabalhar?

- Eh.. um evento da empresa e bla bla bla…

- Mas Ma.. são 5h da manhã..

- Oi? Não são duas horas da tarde?

Ai..ai… não tenho mais pique para essas raves corporativas… Passei o domingo com ressaca trabalhista… se eu estivesse sentindo meus pés, provavelmente eles estariam doendo agora..
Caquética mulher de 26 anos, no final de um sábado corporativo, já sem forças para sorrir

Caquética mulher de 26 anos, no final de um sábado corporativo, já sem forças para sorrir

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Só um tapinha

Junho 18, 2009 · 13 Comentários

Segundo Nelson Rodrigues, as mulheres normais gostam de apanhar. Como eu faço parte daquele grupo de mulheres excêntricas, não gosto nem um pouco dessa coisa de apanhar, por mais atrativo que possa parecer levar uns sopapos, ficar roxa, vermelha, machucada e etc.. Socos, tapas e pontapés, nunca me trouxeram nem uma sensação prazerosa. Talvez por culpa da minha criação, convivendo com dois irmãos, sendo um mais velho, os cascudos eram constantes e como dizem: “quem tem demais não dá valor”, cresci com (pasme!) essa convicção de que apanhar não era nada bacana.

Visto esse meu probleminha em aceitar levar uns tapas, fui eliminando possíveis profissões, tais como: puta, lutadora, atendente de telemarketing.. e resolvi abraçar um desses empregos amenos, que oferecem plano de saúde, hora extra, vale alimentação.. sem pedir nenhum hematoma em troca, até que:

- Má, você já terminou de atender seus clientes de hoje?

- Sim, esse que saiu foi meu último.

- Será que você pode me dar uma ajuda? Aquelas pessoas todas estão esperando para serem atendidas. Pode atender alguns deles pra mim?

Eu, do alto do meu salto dez, com toda aquela bondade corporativa que me é peculiar, resolvo que não custava nada ajudar e vou lá conversar com as pessoas que estão sentadas esperando. E lá estou eu ouvindo todos os infortúnios de um senhor com idade mais ou menos entre meu avô e Matusalém, enquanto faço minha melhor cara de “entendo senhor” e explico o que podemos fazer para resolver o problema, quando, de repente, surge uma mulher histérica, me puxando pelo braço:

- Sua vadia de merda.. o que você tá querendo com meu marido?

Olho assustada procurando as câmeras escondidas, enquanto a senhora histérica continua me xingando de todas as coisas imagináveis.

- Calma senhora.. acalme-se, por favor … vamos sentar e conversar.

- Escuta aqui sua vadiazinha.. tá pensando que é muita coisa porque é bem mais nova do que eu?

E lá estou eu olhando chocada para a mulher, tentando entender que situação surreal era aquela, perdida no meio dos meus devaneios, enquanto tentava fazer minha melhor cara de compreensão, sou surpreendida por um daqueles tapas na cara de barulho estrondoso e efeito altamente dolorido. Como mulher madura, independente, cosmopolita e altamente profissional, faço o que qualquer outra faria: fico nervosa e desando a chorar. Sim, LAMENTÁVEL!

Enquanto o segurança tenta colocar a mulher para fora, um cliente solidário ameaça chamar a polícia se a senhora continuar me importunando.. e de repente me vejo em meio a lencinhos e milhares de copos de água.. enquanto a mulher ainda esbraveja e a polícia chega. Choro, choro e choro compulsivamente e sou consolada por clientes em geral, quando consigo me recompor, atendo mais três clientes que, provavelmente, comovidos com a situação, fecham contratos com valores financeiros altamente satisfatórios. Quando o expediente finalmente encerra, praticamente imploro para meu chefe me colocar em um daqueles serviços burocráticos, me ofereço para verificação de conformidade de processos, tirar xerox, contar envelopes, qualquer coisa maçante, repetitiva e sem contato com nenhum ser humano externo, mas sou obrigada a ouvir:

- Você está doida? Você leva muito jeito com atendimento.. Ok.. você foi agredida hoje, mas veja esses contratos TODOS que você fechou. Os clientes gostam desse seu jeito meigo, foque nisso!

Yeah.. aparentemente eu apanho de uma forma MUITO meiga… SOFRO!

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Meus dias de homem da casa

Junho 12, 2009 · 14 Comentários

No auge dos meus vinte e seis anos, decidi morar realmente sozinha. Sem dividir apartamento com amigos, desconhecidos, passantes, namorados. Dessa vez somos só eu e minha samambaia. Como pessoa adulta, independente e cosmopolita que sou, resolvi que eu seria capaz de tomar conta de uma casa sozinha, me organizar sozinha e resolver os problemas domésticos sozinha. Ahn… Ok.. antes desse surto de independência, eu pedi para o meu irmão trocar umas torneiras, lâmpadas e chuveiro, mas feito isso.. seria eu o homem da casa e meu primeiro ato como homem da casa foi comprar uma máquina de lavar roupa e instalá-la. Certo, eram dois canos e duas entradas na parede, sem nenhum segredo até então, o que tem a torneira é para a entrada de água na máquina, o buraco na parede é para a saída de água na máquina. Ah.. quem precisa de ferramentas e homens para manuseá-las? Ligar para o encanador é para franguinhos! Como quem acabava de descobrir a pólvora, vou fazer um cappuccino, enquanto a máquina faz o trabalho sujo.

Tudo corria bem.. já estava no terceiro cappuccino, tinha incorporado Janis Joplin e fazia um mega show na sala de casa, tendo a samambaia como platéia, quando, de repente,  inundação. Em segundos a água que vinha da área de serviço tomou conta da cozinha e da sala, as caixas de papelão estavam prontas para boiar, quando eu, mulher madura que sou, fiz o que qualquer outra faria:

- Aiiiiii…. merda, merda, merdaaaa…

Pude ouvir uma risadinha sádica vindo da samambaia. Corri até a área de serviço e desliguei a máquina e fiquei me perguntando:

- óóóó Deus.. onde foi que errei? Ou não errei e você está me castigando pela minha prepotência?

Resolvi que o problema deveria ser uma folga existente entre o cano na parede e a mangueira da máquina de lavar. Revirei a casa em busca de um cano de PVC que tinha encontrado jogado quando mudei. Era isso, encaixaria o cano no buraco da parede, passaria a mangueira da máquina de lavar por ele.. e pronto, resolvido.. além de ser o homem da casa, eu era um homem da casa fodão. Encontrei o cano, mas era muito grande e eu só precisava de um pedaço, então, num surto Mcgyver, resolvo cortar o cano, como não tenho nenhuma dessas coisas supérfluas, tipo um serrote, resolvi lidar com o que tinha: uma faca de serra, usualmente chamada de faca de pão. Lembrando dos ensinamentos de senhor Miyagui para Daniel San, resolvo ser paciente e delicadamente ir serrando o cano. Cinco minutos depois, toda minha enorme paciência já tinha se esgotado, como o cano estava meio cortado, resolvi que na base da brutalidade, conseguiria o pedaço que queria.. assim, puxando daqui e dali, com um saldo de três cortes na mão, consegui quebrar o cano.

Cano colocado na parede, mangueira passando pelo cano, máquina ligada na tomada:

- Agora vai – digo para a samambaia.

Tcharannn.. nova inundação.

Ok, ok.. não tinha razão lógica para isso dar certo, então vou para o passo dois:

- Alô.

- Preferidooo… minha máquina de lavar não funciona.

- Como assim não funciona?

- Tá.. funciona.. mas não da maneira como deveria.. tá vazando.

- Você ligou nos canos certos?

- Olha.. posso não ter nenhuma experiência com canos e encanamentos, mas ao menos sei diferenciar os buracos de entrada e saída de água.

- Então não está encaixado direito o cano de saída de água e por isso está vazando. Tenta arrumar isso.

Senhora de mim, vou lá “encaixar direito o cano”, coloco de novo, amarro um pano na saída, pensando que seria suficiente para domar o Poseidon que habitava ali e novamente ligo a máquina na tomada…. nova inundação.

- Merda! Merda! Merda!

Um outro amigo, que acompanhava a distância meu sofrimento diz:

- O que você precisa é de veda rosca. Você coloca veda rosca, igual faz no chuveiro, evita que vaze.

Domingo à tarde, cidade interiorana, mercados 24h que fecham meio-dia, triste dia de infortúnio, veda rosca deveria fazer parte da cesta básica. Tinha virado questão de honra arrumar a máquina de lavar, vou no vizinho e senhora de mim, com a determinação de quem sabe o que está fazendo:

- Ei vizinho.. você tem veda rosca aí?

- O que está aprontando, hein Dona Ma?

- Instalando a máquina de lavar, tive alguns probleminhas, mas já estou trabalhando pra resolver isso.

- Tenho veda rosca sim, vamos lá no seu apartamento que te dou uma ajuda.

Chegando lá, ele olha com apreensão para as caixas de papelão molhadas e o chão cheio de poças d’água:

- Probleminha? – diz o vizinho entre risos.

- Eh.. quem nunca inundou uma casa que atire a primeira pedra.

Então, o hábil vizinho com tendências a encanador, olha minha obra de arte com o cano de PVC e, novamente, me olha com apreensão e risos. Gentilmente mostra como se faz, coloca a veda rosca entre os canos, liga a máquina de lavar na tomada e tcharannnn nova inundação:

- Eitaaa Ma, acho que temos um problema mais sério aqui, não é um VAZAMENTO é toda a água voltando. Tem alguma coisa obstruindo a passagem da água. Acho que você vai ter que chamar o encanador.

Deixo as roupas na máquina de molho e como homem fodão da casa, vou fazer o que qualquer outro faria no meu lugar: tomar cerveja com o vizinho.

No outro dia, decidida a resolver o problema e ainda acreditando que ligar para o encanador seria coisa para franguinho, passo no mercado e compro um daqueles famosos desentupidores de coisas, feitos a base de soda cáustica e o escambal. A velha Má, nunca faria isso.. A velha Má tem medo de três coisas: ratos, algumas espécies de pássaros e soda cáustica, mas agora eu era o homem fodão.. e homem fodão que é homem fodão, não se intimida com soda cáustica.

Chego em casa, coloco um pijama velho qualquer e vou ler as instruções de como usar o produto: usar luvas de borrachas, óculos de proteção, deixar o local arejado. Ok, coloco luvas, meu óculos escuros Armani da 25 e resolvo que não é seguro manusear o produto usando havaianas, sou moça desastrada.. então, coloco meu par de botas de couro marrom e salto agulha, pronto.. vestida adequadamente, vou desentupir canos e ralos.

Coloco o produto nos ralos da área de serviço e magicamente, tento despejar o produto na tubulação, algumas gotas no chão, mas sucesso na empreitada, no meio do procedimento, toca a campainha.. esquecendo do meu modelo empregada-histérica-chique, vou abrir a porta:

- Má? – Diz o vizinho com sua melhor cara de “mas que merda essa menina está fazendo vestida assim?”

- Oi.. quer entrar?

- Ahn.. depende… o que você está fazendo de pijama, bota cano alto, óculos escuros e luvas de látex essa hora da noite?

- Ora essa.. não é evidente? Arrumando a máquina de lavar..

- Ai..ai.. tenho que ir pra faculdade menina, só passei pra deixar essa correspondência que deixaram pra mim por engano, mas vê lá o que vai aprontar hein.. Quando eu chegar da faculdade eu te ajudo com qualquer coisa insana que esteja fazendo.

O vizinho sai e minutos depois alguém toca a campainha. Vou até sacada ver, é o montador de móveis amigo, que veio montar um armário. Lembro que estou vestida como mendiga e me digno a trocar de roupa. Enquanto o montador arruma os armários da cozinha, volto a colocar os óculos escuros, a luva de borracha e a lidar com a soda caustica.

- Ahn.. Má.. desculpa assim perguntar.. mas que merda você está fazendo?

- Arrumando a máquina de lavar.

- Sei.. sei.. e você arruma a máquina de lavar agachada perto do ralo da área de serviço?

- Estou fazendo um teste… fique calmo que eu sei o que estou fazendo..

- Claro que sabe.

Espero uns minutos, coloco a mangueira da máquina no cano, ligo a máquina na tomada e tcharannnn: principio de inundação.. me afasto amedontrada, lembrando da soda cáustica e da minha bota novinha. O montador de móveis amigo cai na risada:

- Isso é porque você sabe o que está fazendo, né Má?

- Estou desentupindo o encanamento, mas não tá dando certo.

- O que? Você jogou isso aí lá?

- Ora essa.. aqui diz que ele serve justamente pra isso.. Leia a embalagem.. leia.. ahn.. mas antes coloque luvas.. que eu acho que derramei o líquido todo pela embalagem.

- Você é maluca Má.. completamente maluquinha… deixa eu terminar com esse armário que eu já arrumo a máquina de lavar pra você.

Minha máquina de lavar agora funciona, mas não graças a mim. Tendo em vista minha incompetência, nomeei a samambaia como o homem fodão da casa, ao menos até substituí-la por um novo namorado com técnico profissionalizante, porque.. eh.. eu sou MUITO MULHERZINHA.

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Dos encontros arranjados

Junho 2, 2009 · 12 Comentários

Tenho a leve impressão que minhas relações interpessoais mais próximas tem apenas um objetivo de vida: tentar me engravidar (no bom sentido). Desde que fiquei solteira é um aqui e outro ali tentando me arrumar encontros. Se por um lado tem toda aquela coisa bacana nessa atitude, por outro eu acabo me metendo em enrascadas homéricas, não sei escolher minhas amizades, então é de se esperar que minhas amizades não tenham o menor discernimento na hora de escolher homens meio que até bonitinhos com destinação amorosa em potencial.
Mesmo sabendo da dura realidade mundana, eu, garota ingênua, crédula e etc..etc.. inocentemente… fui acreditar quando um ex-namorado da era mesozóica disse:
- Ma, eu preciso te apresentar uma pessoa.
- Um terapeuta ou algo do gênero?
- Não.
- O Eddie Vedder?
- Ahn.. não…
- Jonnhy Depp?
- Não…
- Hum… pronto.. não sei.. Acabaram as opções que despertariam gritinhos empolgados…
- Porque você daria gritinhos empolgados por um terapeuta?
- Ahn..eu te contaria, mas não teríamos a confidencialidade paciente-médico… não me sentiria segura.
- Ele não é terapeuta, não é bonito e sensual como eu, mas é esforçado… e o mais importante.. ele quer muito sair com você.
- Ele quem?
- O rapaz que vou te apresentar.
- Porque vai me apresentar um rapaz?
- Porque você está solteira. Não está? Ao menos estava…
- Estou, mas isso ser uma preocupação na sua vida é que é assustador. Qual é o problema do rapaz? Fala de uma vez. O que tem de errado com ele?
- Nada, justamente por isso que eu quero que você saia com ele.. ele precisa de alguns problemas e defeitos congênitos na vida… o que melhor do que você como namorada?
- Sabe.. é por essas e outras que nunca me pergunto “porque foi que terminamos mesmo?”. Você está sempre por perto me lembrando dos porquês.
- Posso marcar?
- O que?
- Um encontro com o rapaz.
- Ahn… não sei não…
- O que tem a perder? Sabemos que eu fui o único acidente de percurso na sua vida… de resto você manteve o alto nível lá em baixo.
- Vamos direto ao ponto: quantos toblerones e garrafas de vodka isso vai me render?
- Estou te fazendo um favor e ainda tenho que te comprar?
- Yeah… se você quer entrar na cafetinagem.. ao menos algum agrado você tem que dar para suas meninas.
- Ok, temos um acordo… não posso deixar você perder o Marcelo assim.
- Quem?
- Deixa com o pai aqui.
Pronto.. as fezes já tinham sido atiradas no ventilador. Eu, moça ingênua, crédula, romântica.. acreditei mesmo na pureza das intenções de um ex-namorado, que na sua imensa bondade, me daria uma mistura de Jonnhy Depp com Vedder e de brinde.. vodka e chocolate. E então o fatídico:
- Ma, esse é o Marcelo.. Marcelo.. essa é a menina má com quem você queria sair.
Dois beijinhos nas bochechas depois:
- Ahn.. Marcelo.. com licença um instante (digo arrastando o cupido moderno pelo braço) – Ok.. Qual é a pegadinha da vez?
- Hum.. interessante.. agora já sei porque você queria um terapeuta: paranóia em níveis consideráveis.
- Você olhou direito para esse cara?
- Ahn.. acho que sim… o que meus olhos masculinos não conseguiram detectar, mas que aparentemente trata-se de uma obviedade feminina?
- Ele está em um lugar considerável no grupo dos meio que até bonitinhos..
- Entendo… Mea culpa, minha máxima culpa… deve ser realmente desprezível te apresentar pessoas bonitas, né? O que posso fazer? Sou assim.. desapegado… o que importa mesmo é ter saúde, mas espero que você releve eu ter escolhido alguém assim, desconcertantemente apresentável. Agora larga de frescura e vamos lá (diz ele quase me puxando pelos cabelos e me colocando do lado do tal Marcelo).
Estranhamente Marcelo era um rapaz meio que até bonitinho, engraçado, inteligente… e me acompanhou em todas as doses imagináveis de vodka, ypioca e cerveja. Estranhamente nos demos bem e estranhamente eu estava beijando as bochechas do meu ex-namorado dizendo que ele tinha uma superioridade sentimental que eu não tinha, afinal, Marcelo não era emo, não aparentava níveis intoleráveis de esquisitice e nem parecia sofrer com traumas irreparáveis graças a uma família desestruturada. Infelizmente, quem vê cara não vê coração e nem set list. Inocente e bêbada que sou, não notei o risinho sádico que deve ter surgido em algum momento, na cara angelical do meu cupido.
No dia seguinte.. telefone insistente, telefone insistente, telefone insistente:
- Ahn.. huuuummm… aaaaaahhhh (digo, com minha conhecida eloqüência matinal)
- Ma?
- Ahnnnn.. ahhhhhh…. eu… (mais uma demonstração do meu notório bom gosto no uso de palavras)
- É o Marcelo, te acordei?
- Imagina (digo bocejando). Tudo bem?
- Sim.. sim.. estou te ligando para ver se você não quer sair de novo hoje. Ninguém faz desenhos de porta de banheiro nos guardanapos de maneira tão criativa. Me afeiçoei, o que posso fazer?
- Claro, vamos sim… (digo com a minha habitual simpatia de sábado às 15h da madrugada). Aonde vamos?
- Em um lugar que você vai ADORAR. Passo na sua casa para te pegar.
Depois de muitas trocas de roupas e alguns sapatos espalhados pelo chão, tcharannnnn: baile funk.
Desespero, angústia, pânico. É de conhecimento público que pinga, pepsi e música incrivelmente ruim, eu não tolero. Bem.. também é de conhecimento público que em mim habita Dona Sílvia, senhorinha de 80 anos. Dona Sílvia gosta mesmo de um belo botecão, com sua decoração rústica, suas doses duplas e garçons, diversos garçons vindo até a mesa e garantindo o suprimento das coisas básicas: vodka e bolachas de chopp para possíveis guerrinhas com amigos igualmente perturbados.
Mas era isso, lá estava eu, no meio de um baile funk.. estática.. até que começou uma música esquisita.. e todo mundo se organizou num trenzinho, ainda olhava espantada ao meu redor, nem deu tempo de pronunciar nada:
- Vamos Má (diz Marcelo me puxando para o meio daquela confusão esquisita).
Quando começou a tocar Mc Créu, Marcelo se libertou, estou pra dizer que nunca vi ninguém se requebrando daquele jeito. Quando ele tirou a camiseta e amarrou na cabeça, pensei que já tinha chegado ao fundo do poço, mal sabia eu que em bailes funks o chão não é o limite. Quando dei por mim, meu acompanhante já estava em cima do palco, com a camiseta nas mãos, ensaiando diversos passos. Tentei sumir no meio da multidão, mas infelizmente meu desejo de me transformar num avestruz e ter onde enfiar a cara, não foi realizado:
- Mááááá.. sobe aqui no palco Má, vamos mostrar para esses pelegos como se dança.
Pensamento Insistente: Isso não está acontecendo.. isso não está acontecendo.. ISSO NÃO ESTÁ ACONTECENDO…
- Anda Má, sobe aquiiii.
Como mulher inteligente, cosmopolita e com razoáveis gostos, fiz o que qualquer outra faria.. me enfiei no meio da multidão e, discretamente, corri desembestada até a saída.
Lição de vida do dia: Quando me oferecerem namorados, pedir tudo em vodka.

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Das gorjetas

Abril 29, 2009 · 24 Comentários

 

Era um daqueles dias em que só queriam se lamuriar e afogar todas as mágoas no copo, como, por coincidência, era o dia da dose dupla, acabaram por afogar as mágoas no dobro de copos previstos. Fizeram uma quantidade inimaginável de amigos de cinco minutos, dos quais ela nunca lembrará o nome, por mais que tenha feito associações dos nomes com COISAS que NÃO se esquece, também nunca conseguirá lembrar porque de repente estava abraçando um cara que falava de.. hum.. do que falava mesmo?  Mas, enfim… No fim da noite ela era capaz de chamar Odair José de Eddie Vedder. Ele, o adulto responsável, só ria dos absurdos que ela falava, mostrando relativa sobriedade. Até o fatídico:

- Desculpe, vamos fechar o bar.

Quando, por forças ocultas supremas, foram obrigados a se retirar. Ela se levantou e o mundo levantou junto com ela, fazendo movimentos de rotação de todos os graus, ele a abraça e os dois andam cambaleando, até que ele diz:

- Acho que precisamos pedir uma coca-cola.

- Nem pensar… com que cara vamos entrar aqui novamente?

- Como assim?

- Esse é o NOSSO bar… não podemos pedir coca-cola aqui.. vão achar que viramos franguinhos! E ninguém.. ninguém.. mas NINGUÉM mesmo me chama de franguinha.. (diz ela entre gargalhadas… com o dedo em riste, tentando fazer pose-de-não-sei-o-que-mas-com-alguma-autoridade)

- You’re a chicken, Martíra McFly – Diz ele rindo, orgulhoso do seu trocadilho que só mais de três doses poderiam deixar engraçado, enquanto apertava as bochechas da poor girl.

Saíram do bar, o carro estava estacionado logo em frente. Ele olha sério para ela:

- Entre no carro, vou ali buscar uma coca-cola pra senhorita… o que não seria preciso.. se você passasse a noite tomando um ÚNICO tipo de bebida.. mas não… você insiste em misturar destilados, fermentados, água sanitária…

- Humpf… eu posso comprar minha própria coca-cola… EU NÃO ESTOU BÊBADA..

- Claro que não está.. vou ali buscar uma coca-cola pra mim.. só estou te usando como desculpa…

- Ok.. traga uma caipirinha com muito limão pra mim então…

Ele destrava o carro, coloca as chaves na mão dela.. e ainda assim ela consegue derrubar tudo, trancar de novo e fazer o alarme disparar por DUAS vezes. Quando no meio daquela confusão solitária, com aquele objeto demoníaco que muitos chamam de chave, aparece um outro rapaz:

- Ei!… Espere..

Ela se vira, não repara muito no rapaz.. abaixa sua cabeça e começa a revirar sua bolsa:

- Um minuto…

- Mas..

- Não.. não.. calma aí.. espera.. eu já acho…

- Eu só queria..

- Shiiiiuuu.. peraí… segura isso pra mim (diz ela despejando todos os absurdos que sua bolsa estilo malote poderiam abrigar.. até achar a carteira)… Ráááá..

Ela pega algumas moedinhas… gentilmente olha para o moço, fazendo seu olhar mais terno, e lhe entrega as moedinhas… Ele faz sua cara mais “ahn” e estampando uma clara decepção… tenta dizer alguma coisa:

- Ahn.. não.. não é isso.. eu..

- Moço.. desculpa.. mas eu não tenho mais nada… eu só não deixei minhas calças no bar porque eu estou de vestido…

Ele olha as moedinhas na palma da mão, olha para ela daquele jeito consternado enquanto resmunga uma coisa e outra no meio da frase:

- Mas eu só queria pedir seu número de telefone…

- Telefone? Tem que preencher alguma ficha?

- Ficha? Como assim ficha?

- Não sei.. você que está falando de telefone.

Ele continuava olhando para ela com aquele jeito “e-livrai-nos-dessas-pessoas-tresloucadas-amém”:

- Eu sou o João, lembra? Estava no bar com você há 5 minutos atrás.. você saiu e nem pude me despedir… queria o seu telefone.. mas.. ahn.. esquece…

Ela sente a vergonha tomando conta do seu ser, começando pelas bochechas em brasa.. e como pessoa centrada que é, faz o que qualquer outra faria no seu lugar.. respira fundo:

- Ahn…desculpe.. desculpe mesmo.. bem.. você pode ficar com as moedinhas…  – Diz entrando desesperadamente dentro do carro, esperando que aqueles vidros insulfilmados a tornassem invisível…. e lá ficou.. até o amigo chegar.

-  Ihh.. que cara é essa? Porque está amuada assim ao invés de estar procurando CDs com músicas de temática festiva, enquanto acompanha cantando fora de ritmo?

- Acho que estou muito bêbada…

- O que você aprontou agora?

- Dei gorjeta para o moço que queria meu telefone…

- hahahahahahaha.. não sabia que você pagava… por uma noite de sexo selvagem tá dando quanto em cifrões?

- Que vergonha.. um moço meio que até bonitinho e tudo!

- Ohmm.. Não fique triste babe…olhe eu te trouxe jujubas… e além do mais… no mundo ainda há muitos de nós.. heteros assumidos meio que até bonitinhos… para você traumatizar…

PS: Queridos.. como vocês bem sabem.. minha juventude está sendo sugada pelo mundo corporativo… Passarei o próximo mês confinada em um hotel…num tal de treinamento e em atividades de nomes engraçados, que pregam a integração corporativa… rezem por mim… que ninguém me obrigue a abraçar árvores, entrar em contato com meu interior e usar crachás com desenhinhos em volta

PS2: É provável que eu fique mais desnaturada nesse período, mas acreditem.. se fosse minha escolha.. eu estaria aqui escrevendo para vocês e lendo seus e-mails esquisitos e pornográficos… Não me abandonem… se eu não me afogar na banheira do hotel no fim de 4 semanas.. volto para seus braços.. ou, no mínimo, para a lista de posts recentes…

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As patetices de Maíra

Abril 24, 2009 · 10 Comentários

 

Telefone insistente, telefone insistente, telefone insistente:

- Alô.

- Bom dia, eu gostaria de falar com a Maíra.

- É ela..

- Maíra? Maíra C. bla bla bla?

- Sim.. isso mesmo.

- Maíra, aqui é a Jaqueline da Seguradora X. Você tem um fiat bla bla bla bla cor X, placa Y, ano tal?

- Ahn… não..

- Não?

- Não.

- Não? Maíra bla bla bla… CPF número xxxxx e RG número xxxxx?

- Hum.. isso…

- E você não tem um fiat bla bla bla bla cor X, placa Y, ano tal?

- Ehhh… Não..

- Errr.. Maíra.. você TEM sim.. está aqui o seguro no seu nome.. lembra? Você teve um acidente com ele… perda total.. Estou te ligando para avisar que a avaliação saiu e o dinheiro referente ao seguro já está disponível.

- Ok.. obrigada, mas realmente eu acho que deve ter algum engano nos dados. – Hum.. Será que eu tenho um carro? Acidente? Meu Deusss! Que acidente? O que mais eu perdi da minha vida? O que mais eu não lembro? Será que eu tenho uma mansão em Búzios? Até que.. tcharamm:

- Pai, a placa do seu carro acidentado era xxxxx?

- Era por quê?

- Ah.. uma moça da seguradora me ligou… O carro estava no meu nome?

- O que você disse?

- Ahn.. que eu não tinha carro nenhum…

- Como não tem? Você não sabe que estava no seu nome? Aii.. liga lá e dá um jeito nisso…

- Como é que eu ia saber que o carro era meu? Eu continuava refém do transporte público.. nunca ninguém me disse nada.. tenho um helicóptero também? Posso comprar um com o dinheiro do seguro?

- Liga lá pra moça e diz que você vai passar uma procuração para o seu irmão receber o dinheiro.. Sua sem juízo.

- Oi.. Jaqueline? Então.. aqui é a Maíra… pois é.. eu tinha um fiat bla bla bla bla cor X, placa Y, ano tal…. desculpe.. coisas do acidente… traumas irreparáveis.. marcas até hoje me acompanham….  

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Os dissabores de Maíra

Abril 8, 2009 · 13 Comentários

 

Talvez por culpa da minha criação, talvez por culpa das campanhas de escovação, talvez por culpa das pastas de dente, talvez por culpa dos bochechos com flúor.. muito comum na minha infância em época escolar.. mas o fato é que me tornei um ser esquisito.. que adora escova de dentes, lançamentos de novos sabores de pastas.. que tem compulsão por comprar listerine de todas as cores… e que já experimentou toda a linha de fio dental johnson e não.. eu não me orgulho disso.

 

O que minha mãe conseguiu ao me transformar em um ser humano neurótico? Bom.. nunca tive uma mínima cárie… há muitos anos que não tenho a menor idéia do que é ter placa e tártaro. Meus dentes do siso simplesmente nasceram sem causar nenhum dano a nenhum dos outros dentes que já ocupavam seu lugar… e se meus dentes fossem mais brancos, seriam da cor da minha pele… O que isso importa? Nada… teria algum significado de preço se eu fosse um cavalo, como sou só um reles ser humano… isso não significa absolutamente nada.. a não ser evidencia que eu sou assim.. neurótica e um tanto compulsiva.

 

Mas se seres humanos normais reclamam das suas cáries, obturações, canal.. tártaro e demais probleminhas dentários rotineiros.. eu sou uma pessoa que sofre horrores com os dentes aparentemente perfeitos.. tudo que eu queria era uma cárie vez ou outra.. uma simples obturação.. mas não… o destino nunca se manifesta sem ironia:

- Maíra aqui é a secretária da Dra Maria. Estou com o resultado dos raios-x. Você poderia vir até o consultório?

Chego no consultório e a doutora começa a me mostrar os raios-x:

- Então Maíra, está vendo isso aqui em cima? É um outro terceiro molar nascendo, já em cima do terceiro molar que já nasceu. Entende? Ele não encontrará espaço e acabará entortando todo o resto.

 - Outro dente? Como assim outro dente? Esse já seria o terceiro dente que eu tiraria.. e eu ainda tenho todos os 32 dentes.. só pode ser brincadeira!

- Você deveria ficar feliz.. tanta gente com os dentes todos cariados.. tanta gente com dentes faltando.. e você tem todos os dentes.. e perfeitos.. e ainda sobrando.

- Eh.. eu sou uma abençoada mesmo.. Sou quase uma ostra produzindo pérolas.. só tirando a parte de não produzir pérolas… só algo inútil e sem valor.. e que ainda me faz tomar anestesia e levar pontos…

 

Então mais uma vez tomo aquele monte de anestesia na gengiva, no céu da boca, quase nas bochechas, pra impedir que eu sinta qualquer coisa… e já que eu já estava por lá mesmo, a dentista resolveu arrancar todos os sisos do lado esquerdo… aproveitando toda a anestesia e o desconforto que já iria sentir depois.

 

Nessa minha nova experiência, descubro uma coisa.. Só tem algo pior do que arrancar terceiros molares inclusos na parte da frente: arrancar terceiros molares inclusos na parte de trás da boca. No maior estilo: desconforto máximo ainda não é o limite, me mantenho com a boca aberta, com corte na gengiva e no céu da boca, enquanto delicadamente a dentista usa aparelhos bizarros para fazer o dente descolar. Claro que toda minha formação neurótica e com dentes fortes e saudáveis não passaria impune, é evidente que até os dentes do siso que são mais fracos por natureza, pareciam imponentes como um canino… e, óbvio, que eu demorei horrores.. deitada naquela cadeira, sentindo nenhuma dor, mas vendo a dentista no maior jeito Stallone Cobra, tentando arrancar todos aqueles dentes estranhamente saudáveis.

 

Quando finalmente consegui me livrar dos dentes, estava com a boca tão torta que parecia que tinha aplicado doses cavalares de botox… estava tão bonita e inchada quanto um peixe boi.. e como se não bastasse tudo isso.. ainda tive que tomar as tais injeções que, teoricamente, me impediriam de ficar roxa e inchada.. mas, definitivamente, o mundo e as medicações não foram feitos para pessoas realmente brancas…  E tudo isso porque? Porque eu sou neurótica demais com escovas de dente e fio dental… ah.. como eu queria ter uma cárie… uma só… de vez em quando… Quão feliz devem ser as pessoas que resolvem tudo com uma simples obturação, não?

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Não sei escolher relações interpessoais

Abril 5, 2009 · 12 Comentários

 

- Eu ganhei uma tartaruga.. não sei o que fazer com ela… que tipo de pessoa dá uma tartaruga de presente? Ela ainda fica andando pela casa… quando cheguei ontem a noite.. tropecei nela e levei um daqueles tombos bonitos.. e eu estava sóbria. SÓBRIA!

- Você ainda vai matar essa tartaruga.

- Você pensa que é uma tartaruguinha? Não senhor.. não senhor… ahn.. na verdade eu acho que a denominação certa é jabuti…. é mais fácil ela me matar… já me deixou com os joelhos ralados.. daí para a morte é um pulo.

- Datena: “tartaruga mata executiva: o caso choca a cidade-sanduíche. Vizinho diz ter visto o corpo da executiva caído e pálido, mas achou normal. 2 semanas depois resolveu chamar a polícia”.

- hahahahahahaha… Você quer um jabuti de presente? Fica bacana na sala…haha

- Eu sei… mas sabe o que é mais bacana? Um gato preto com fita vermelha chamado Lú.

- Não gosto de gatos.. gosto de cachorros.. são bobões.. são fofos… são carentes.

- Domináveis, né? Não conseguiria conviver com um gato cheio de personalidade, que te busca pra comer comida todo falso e te dá carinho quando quer… típica aquariana.

- Yeah.. iríamos travar uma batalha diária.. o gato ia chegar cheio de manha querendo comida.. eu ia lembrar que quando eu quis brincar com ele e um novelo de lã ele me olhou daquele jeito blase.. não iria dar comida… e ele iria sair de casa.. eu iria fechar a janela.. ele iria querer voltar… seria um ciclo de vingancinha..hahaha

- Sim… um ciclo de pirraças onde o pobre gato morre nas mãos da cruel executiva que não cedeu até o fim… Você tem banheira aí? Você podia tomar banho e deixar a tartaruginha nadando…. se for mais criativa… Você já assistiu um filme do Almodovar chamado “Ata-me”?

- Tenho banheira sim….mas não gosto tanto assim do jabuti…

- Você também é zoopata…

- Se você tivesse caído de joelhos em cima dos botões que enfeitavam a calça corsário… Você também estaria bravo com a tartaruga.

- A culpa foi sua. Está culpando o bicho por existir??? Qual é o nome dele?

- Ahn.. não sei ainda..  to pensando em dar seu nome pra ele.. é igualzinho você.. só me trouxe problemas..hahahaha

- É um tartarugo? Você já checou?

- Ahn.. acho que é.. mas senão.. podemos dar a versão feminina do seu nome…

- Ou paquita.. casca grossa, acho que é o ideal…

- Eu SABIA que paquita não significava boa coisa.. SABIA…

- O importante é que o apelido seja usado com carinho, babe.

- Humpf… decidido.. o jabuti irá ter seu nome…

- Sempre soube que tu não eras boa bisca… SABIA

- Já aproveito e não me apego.. porque vou sempre lembrar do que você/ele é capaz… Quem não é boa bisca é o jabuti… igualzinho você.. chega.. todo inocente.. com aquela coisa de parecer tímido.. se escondendo dentro da casca.. e na primeira oportunidade… me machuca…

- Sei, quando você cai pra não pisar e matar o pobre bicho… é verdade.. se esse bicho morrer, espero que o IBAMA tome providências.. ai você vai pra cadeia de mulheres.. sua colega de cela derrama água no seu uniforme de presidiária.. “ui, como sou desastrada”.. “deixa que eu seco pra vc…”

- Morrer? Realmente.. frágil do jeito que ele é… eu vejo você nos olhos dele… fingindo inocência.. só esperando a primeira oportunidade para me destruir…estou vivendo com o inimigo… hahaha

- Sou o único, além do Vedder, que cantou all those yesterdays pra você… E o Vedder cantou pra milhões, nem te viu lá… se o show foi a noite, claro, porque o sol, o reflexo, ai talvez….

- Mas você estava bêbado.. teria cantado até para um poste..

- Não.. não. Foi um presente de aniversário. Você perdendo o viço da mocidade feminina… por isso all those yesterdays.

- Ahn.. na verdade você ignorou meu aniversario… então.. é como se ele não tivesse acontecido..

- Não é verdade.

- Eh.. na verdade você ignorou minha existência como um todo…

- Você é má e, portanto, está distorcendo a realidade… porque a maldade também é isso, é inverter a verdade… dizem que o diabo é o rei da mentira… e nas meninas super-poderosas o diabo tem jeito de viado.

- Hum.. na verdade eu estou te apresentando a realidade… as coisas como são.. enfim.. te jogando na cara o seu jeito de ser…

- Eu jogo na cara… eu, EU.

- ahn.. você me maltrata, você me ignora.. você esqueceu meu aniversário.. e você tomou forma de tartaruga e me fez levar um baita tombo ontem…

- hahaha, finalmente meu bonequinho “paquita” todo espetado de agulhas funcionou.. pior foi sua lembrança do meu aniversario.. não tinha nem pontuação…

- Eu sabia que a maldade era reinante no seu coração…. não importa… ao menos foi lembrado..

- Mas na época eu já afagava seu ego… te mimado com minha sincera e ingênua amizade…

- Oi? Me mimando? Ahn.. realmente você não deve ter muito jeito com essas coisas…

- Eu compenso com sexo tórrido e criativo.

- “Paquita combina com o jabuti.. casca grossa bla bla bla…”

- “Ma diz: hahahaha… vejamos.. quer dizer que se eu te comprar.. você agüenta meus desaforos.. é isso?”

- Sim..sim.. muito mimo… eu só preciso TE COMPRAR…

- O que posso dizer? Vivemos num mundo capitalista. Se a Rússia tivesse se segurado, era só você acionar um burocrata amigo do seu pai.

- Yeah.. mas eu sou menina mimada… não compro ninguém.. no máximo ganho de presente…

- Ache alguma amiga que me compre e me dê pra você. Aí nos reunimos pra tomar vodka…. ela tropeça na sua tartaruga e joga vodka na sua roupa.. “ui, como sou desastrada”.. eu digo: “deixa eu secar”…

- Porque uma amiga me daria você de presente? Um tipo de ódio velado? Vingança?

- Não importa a motivação da cena, mas a realização.

- Já imaginei o risinho sádico-vingativo e você embrulhado para presente.. foi quase igual quando me deram a tartaruga…

- Você poderia parar de me comparar com a tartaruga?????

- Se ela pudesse falar.. tenho certeza que me chamaria de paquita e seria insolente…

- Você ainda ganha um cachorro que te lata “babe”

- Ahn.. nenhum cachorro me faria lembrar você… eles são fofos, dóceis… já um gato preto chamado Lú….

 

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Morena, 1,72m, 26a, topa quase tudo

Março 27, 2009 · 16 Comentários

 

Quando somos jovens, somos cheios de sonhos e ilusões a respeito do futuro, tudo se baseia em ideais. Ora pensamos em fazer biologia para nadar com os golfinhos e salvar as tartarugas, ora temos certeza que, no futuro, estaremos no Camboja, fazendo alguma cobertura jornalística e ganhando prêmios por brilhantes matérias. Ou então só queremos virar uma publicitária arrogante, em busca da sua própria ilha, mas a verdade é que ninguém nunca imagina que no final das contas vai acabar se tornando uma putinha corporativa.

 

Quando dominada pela infelicidade, pela falta de luz no fim do túnel ou pelo estresse profundo, eu tomo medidas drásticas… Eu não sei lidar com o meio termo, eu não sei ser ponderada, eu não sou boa com medidas paliativas. Sou dramática, sou exagerada, sou drástica. Não está dando certo? Muda tudo, tudo, TUDO e espera que a vida dê um jeito de entrar nos eixos e foi assim que eu mudei tudo e me mudei.

- Eu vou me mudar.

- Como assim mudar? Vai pra onde? Por quê?

- Não sei ainda.. mas.. tudo vai se ajeitar.

- Você vai largar tudo? Vai se mudar só por mudar sem nenhuma perspectiva?

- Eu tenho uma perspectiva.. vou para São Paulo.. meus planos são comprar sabão em pó e vodka com certa freqüência às 3 horas da manhã… Estou estressada! 

- Eh… elemento ar.. vocês são assim…

- Oi?

- Aquário.. elemento ar.. Ah esquece.. Mas as coisas não funcionam assim bla bla bla.. porque a vida bla bla bla porque planejamento bla bla bla porque empregos bla bla bla.

 

E mal deu tempo de me livrar do estresse e mal deu tempo de cogitar aprender a fazer artesanato e mudar para praia:

- Alô.

- Quem fala?

- Maíra.

- Maíra, aqui é a fulana da empresa X. Você foi selecionada para trabalhar na área Y da nossa empresa. Ainda tem interesse?

PENSAMENTO INSISTENTE: Não.. quero morar na praia e aprender a viver com pouco.. achando que não é uma vida de privações ficar sem tv a cabo.

- Sim.. tenho interesse sim.

- O salário inicial é X, mais bla bla bla bla bla de benefícios, mas é provável que você tenha que morar uns 40 km depois da Puta que Pariu. Teria algum problema?

PENSAMENTO INSISTENTE: Imagina! Eu nem gosto tanto assim do caos da cidade grande. Eu posso muito bem viver em qualquer lugarzinho de 5 mil habitantes, sem um restaurante tailandês, sem um shopping, sem uma lojinha de conveniência, que seja!

- Não, de forma alguma.. sem problemas. Estaria disposta até a avaliar uma possível mudança para assumir a filial da empresa no Camboja, se fosse necessário.

PENSAMENTO INSISTENTE: Meu Deus! Me tornei uma prostituta corporativa!

- Você é bem-humorada, né? Acho que você se daria bem no setor de relacionamento com clientes. Estaria disposta a considerar outro cargo?

PENSAMENTO INSISTENTE: Ahh… eu só quero minha mesinha num canto, um telefone.. e um serviço burocrático qualquer… Pessoas? Contato humano? Uiiiii.

- Claro! ADORO a parte de relacionamento com clientes.

- Certo, te encaminhei um e-mail com a relação de documentos para ser entregue no RH. Leve os documentos e já vão te encaminhar para os exames de admissão. Depois definimos ao certo o cargo que irá ocupar.

 

Vejo o e-mail e no meio dos pedidos normais envolvendo carteira de trabalho, RG e etc. está lá aquele monte de pedidos de certidões de antecedentes criminais. Polícia Federal, Polícia do Estado que mora, Polícia do Estado que morou, Interpol, CIA, KGB, atestado de bons antecedentes lá do bar do Zezinho.

Lá vou eu atrás de TODOS os documentos, o que com a internet não é algo tão complicado assim, até empacar no site da polícia de São Paulo:

“Não podemos emitir sua certidão negativa de antecedentes. Verifique se os dados estão corretos”

Escrevo meu nome com acento, sem acento. Escrevo o nome da minha mãe de casada, de divorciada. Escrevo tudo em maiúsculo, tudo em minúsculo. Escrevo a data de expedição do meu ultimo RG. Escrevo a data de expedição do meu primeiro RG e NADA. Vou até a delegacia, chegando lá encontro um amigo de tempos longínquos:

- Má, finalmente acharam um motivo para te prender?

- Você bem que deseja isso, né? Pra poder me ver TODO dia.. Quanto egoísmo!

- Pentelha como sempre, né?

- Certas coisas não mudam nunca, meu caro.

- Mas então, o que faz por aqui?

- Preciso de uma certidão de antecedentes criminais.

- Ah.. dá para tirar pela internet.

- Eu sei.. eu tentei, mas não dá certo.

- Sim, quando se cometeu algum crime ele não expede uma certidão negativa. Você já foi fichada, Má?

PENSAMENTO INSISTENTE: Será que dona Silvia, meu alterego, cometeu algum crime e esqueceu de me avisar?

- Não.. quer dizer.. eu acho que não.. não que eu me lembre.. será?

- Hum.. pense.. não foi fichada por arruaça ou coisa parecida?

- Oi? Arruaça? Por acaso tenho jeito de baderneira?

PENSAMENTO INSISTENTE: Ahn.. teve aquela vez de perturbação da ordem pública..éramos jovens e imaturos.. mas fomos fichados? Não, não.. não fomos fichados… eu nem tinha idade para ser fichada

- Vou consultar o sistema.

Cinco minutos depois, ele aparece com a certidão negativa de antecedentes:

- Eh… nenhum mandado de prisão no seu nome, nenhum crime. Sua ficha, por incrível que pareça, está limpa.

- Sou seguidora das leis dos homens e de Deus.. o que posso fazer?

No outro dia levo todos os 4093843093394830 documentos e já sou encaminhada para uma batelada de exames médicos. Foi-se o tempo que os exames envolviam um reles “médico do trabalho”. Sou mandada para trocentos médicos, para fazer os mais surreais exames. Faço xixi no potinho, tiro litros e litros de sangue. Vou parar no dentista, no psiquiatra, no psicólogo, no clínico geral e numa infinidade de outros especialistas.

Na batelada de exames odontológicos me senti um cavalo, era como se a qualquer momento fossem me dar uma medalha e eu sairia desfilando pela sala. Começamos pelo raio-x, com a doutora enfatizando achar meus molares “liiiindos”, não sei bem qual a utilidade de tal tipo de comentário, mas na hora eu achei bacana ter um molar acima da média quando comparado a outros molares mundanos. 

Basicamente todos os médicos faziam a mesma pergunta sobre cigarro, álcool e demais drogas. Já tinha vontade de chegar avisando até o zelador:

- Não, não fumo.. bebo ocasionalmente (hahahahaha) e não uso tóxico. Anote aí.. NÃO uso tóxico.

 

Mas a experiência mais surreal foram minhas duas horas de conversa com a psicóloga. Com a tranqüilidade de quem pergunta: “quer mais chá” ela vira para você e calmamente pergunta:

- Você usa drogas?

- Não, não uso.

- Já experimentou?

- Não.

- Não mesmo?

- Não.

- Nunca?

- Bom.. uma vez.. quando tinha lá meus 13.. 14 anos… tive uma experiência com o cd do Zezé de Camargo e Luciano.. foi o mais perto que já cheguei de drogas.

- Você tem oscilações de humor ou é sempre bem-humorada assim? Me fale da Maíra. Me fale do que Maíra gosta. Me fale dos amigos de Maíra. Me fale tudo o que você sabe sobre Maíra.

 

Eu tive vontade de dizer que Maíra estava cansada de desenhar bonequinhos para mostrar que não era avoada, cansada de ser furada, apertada e espremida, mas.. Maíra continuou sorrindo e respondendo as perguntas, falando como era e descrevendo em detalhes até sua relação com o vizinho do tio do primo em quinto grau.

 

E tudo isso porque acabamos nos prostituindo corporativamente, cedendo às vontades dos nossos cafetões empresarias.. e tudo isso pra que? Para podermos comprar xampu, jujubas e vodka.. vodka em menor escala, porque, vocês sabem, só bebo ocasionalmente. 

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